Quinta Feira,

1 de Julho de 1953

Caro Confidente,

O sol escaldante do meio dia foi responsável por me acordar, eu estava em um sono profundo, calmo, que a muito não tinha. Pela hora posso dizer que estamos oficialmente livres, e muito longe do Hospício Marshall 1 e 2. Tom guiou essa coisa por toda a noite enquanto eu dormia, estar aqui, a sombra de uma árvore, enquanto ele dorme e o cavalo descansa é o mínimo que posso fazer em agradecimento, logo será a minha vez de pegar as rédeas da charrete, então tenho que ser breve.

Não sei ao certo como descrever essa noite, eu penso e repenso, mas as palavras parecem fugir de mim.

– Vem! – disse agarrando a mão do homem e conduzindo-o através dos corredores queimados em direção a parte do edifício que o fogo não consumiu, é lá que se localiza o ex quarto do nosso ex psiquiatra. Para nossa sorte ele estava intacto, e ainda possuía um belo banheiro. – Então, o que acha? – perguntei abrindo os braços para exibir o local.

– Bom, o atendimento é péssimo, não tem carregador, não tem um serviço de quarto e a acomodação não é da melhores, resumindo, não é nenhum hotel cinco estrelas, portanto ficaremos apenas o tempo de um banho, e da próxima vez eu faço as reservas! – brincou ele revirando os olhos, esse é o meu Tom.

– Eu acho que posso conviver com isso. Não tem água quente, mas ao menos é bem melhor que nosso antigo lar, e com alguns milhões de dólares a mais não tenho o que reclamar. Quanto acha que temos?

– Depois da generosa doação que você fez ao Edwin, acredito que uns quinze milhões

– Ótimo, cada um está 7,5 milhões mais rico

– Não, tampinha. Nós estamos 15 milhões mais ricos! – ele disse me segurando firmemente e fixando os olhos aos meus, nossos lábios quase se encontrarem uma segunda vez, mas eu evitei, eu tinha que evitar, tente me entender, estava tudo muito confuso. Claire e Thomas são totalmente opostos, e não digo apenas pelo órgão sexual, o que já conta bastante. Por mais que eu ainda a ame, odeio-a em proporções maiores, convenhamos, tenho motivos para isso. Quanto a Tom, eu só tenho motivo para adora-lo. Ninguém melhor poderia ter cruzado o meu destino naquele hospício. Ele é um ótimo cúmplice, um ótimo amigo, mas será que vale a pena arriscar tudo o que temos para descobrir se ele também seria um ótimo amante? Honestamente, não sei.

– Eu tomo banho primeiro! – corri para o banheiro.

– Você não manda mais em mim, sinto lhe informar!

– É assim? – forjei uma expressão incrédula.

– Sim, de agora em diante direitos iguais, tomamos banhos juntos. Não há nada ai que eu já não tenha visto antes!

– Ok, mas fica assim enquanto eu tiro minha roupa – virei o homem em direção a porta e comecei a me despir, felizmente quando terminei a banheira estava cheia, a água estava morna ao contrario das minhas expectativas – Pode virar! – disse quando a água já me cobria, como se ela pudesse ocultar algo.

Ele tirou peça por peça lentamente como quem fazia suspense, eu não imagino como um homem bonito e atlético como ele pode ser jogado naquele manicômio. Engoli seco a medida que ele ia se aproximando, era como se quisesse me provocar, e se essa era a verdadeira intenção, estava funcionando.

Cuidamos um do outro no momento seguinte, estávamos dois maltrapilhos, ele cortou o meu cabelo, vi mecha por mecha cair ao chão me desprendendo do passado. Passei a mão para analisar o resultado, e foi revigorante sentir os fios rentes ao meu coro cabeludo, como nunca havia sentido antes, não há duvidas de que sou uma outra pessoa. Fiz o mesmo com ele, cortei seu cabelo preto brilhoso e aparei sua barba. Paramos um a frente do outro para analisar o resultado, ainda despidos, e nem parecíamos os dois doidos de de horas atrás.

Tom encostou sua testa a minha e permanecemos em silencio até que o toque suave da suas mãos em meus braços me tirou do transe. Suas unhas me arranhavam suavemente fazendo que uma eletricidade percorresse cada milímetro do meu corpo, me arrepiando por completo. Por instinto fiz o mesmo em seu tórax, era rígido como pedra. Eu devia me conter, mas uma força maior que eu me impulsionava a ir além. Nossas bocas se tocaram em um selinho ingênuo, que foi se transformando lentamente em um beijo voraz a medida que nossos lábios se roçavam. Ele me guiou até a cama e o nosso movimento cessou ao choque da minha perna fazendo com que eu caísse sobre a mesma. Nossos corpos tão próximos um do outro, nossas respirações se misturando, e um turbilhão de sentimentos caóticos explodiram dentro de mim, fortes demais para que eu pudesse controlar. Quando dei por mim havia tomado as rédeas e já estava por cima do homem, por um instante analisei meticulosamente sua expressão, o olhar malicioso que parecia me devorar, quente, era um convite para o prazer.

Prazer. Tudo pareceu girar em torno do significado nos instantes seguintes. Cada um de nossos gestos exalava êxtase. As mordidas em lugares estratégicos, seu toque firme em minha pele, os gemidos quebrando o silencio da noite. Meu corpo estava todo excitado, não só o meu, como o dele também. Nossas peles quentes, ainda mais quentes unidas, eu estava prestes a explodir, o sangue pulsava em minhas orelhas, um prazer devastador preencha todo o meu ser e foi então que chegamos ao orgasmo com um grito, juntos...

Talvez eu não devesse estar lhe contando isso, talvez... acontece que preciso compartilhar essa felicidade com mais alguém, e não vejo ninguém melhor que você, meu maior companheiro. Honestamente, estou com medo. Medo de acordar em instantes e estar no meu quarto no hospício, medo de que tom seja uma criação de uma mente insana para fazer de seus dias mais suportáveis. Nós somos tão perfeitos um para o outro que já não posso me imaginar sem ele, estou em meio a uma grande confusão, são tantas perguntas, e nenhuma resposta. Eu sei que não é justo te cobrar nenhuma ajuda, você já tem feito tanto por mim mantendo a minha sanidade em tempos difíceis, mas você pode me ajudar?

Honestamente, espero que sim, contudo, caro confidente, fica para uma outra hora, não posso me alongar nesse instante, temos uma longe jornada pela frente até Las Vegas. Não se sinta preterido, apenas não posso colocar a nossa liberdade em risco, ainda não. Você tem vontade de conhecer Vegas? Pois se prepare, em breve nos encontraremos lá.

Com carinho, Jack.

Notas finais
Queridos leitores, Tenho dois pedidos de desculpa: 1º Lamento a demora para postar esse capítulo, não é de meu costume demorar tanto, apenas tive um pequeno bloqueio criativo e tive alguns problemas pessoais, eu sinto muitíssimo em tê-los feito esperar tanto. 2º Sinto pela pacata cena de sexo, mas tente entender que eu tive que fazê-la de tal forma para não revelar o sexo do protagonista, contudo, melhores virão....