Sentimentos Cruzados

37 O que há por trás da minha história?


Notas iniciais
Olá meus queridos! ❤ Capítulo novo, algumas revelações e em breve muita ação. Queria ter deixado uma cena mais love no final, mas o capítulo ficaria enorme, então guardei para o próximo ;) Leiam as notinhas finais. Vou deixar algumas explicações sobre as referências no capítulo e também um link de uma nova one ♥ Tenha uma ótima leitura! Kisses❣

O olhar de Arthur era nitidamente preocupado e confuso, fato certo de que havia algo grandioso a ser descoberto.

Após respirar fundo, Diana rompeu o silêncio perturbador que reinava na sala de conferências:

― Aquaman, por favor, vamos direto ao ponto. O que você tem a nos dizer? – A voz da princesa soou firme, mas um ar de tensão turvava o brilho das íris azuis.

Aquaman parecia procurar um ponto de partida para dar início a um assunto tão importante, mas, ao mesmo tempo, tão passível de mitos. A complexidade para tratar e para compreender aspectos que envolviam o que ele sabia, era também um dos motivos que o fizera insistir para conversar a sós com Diana. Ele não esperava que Batman ou Superman entendessem ou aceitassem alguns aspectos do que estava prestes a compartilhar.

Encarando os três membros fundadores, por um breve instante, ele optou por ignorar a presença dos dois homens e fixou os olhos apenas na princesa das amazonas para dar início ao assunto que o levara até ali.

― Diana, antes de qualquer coisa, eu preciso dizer que tudo que conversaremos aqui é muito delicado. Nem tudo são verdades absolutas, por isso você vai precisar processar as informações com muita cautela para descobrir tudo que, de fato, lhe diz respeito.

― Conte-nos então apenas o que faz sentido, não precisamos de informações que deixem mais lacunas. – Batman interrompeu.

― Continuando, Diana. Ainda dá tempo de prosseguir com esta conversa a sós. Não há porque termos a presença de alguém tão cético e prepotente para nos interromper. – Aquaman encarava a princesa, de modo a ignorar totalmente a presença do Morcego.

Diana ouviu o rugido do Morcego ao seu lado e teve tempo de ver de soslaio a expressão preocupada do Homem de Aço. Um novo embate começaria em três, dois ...

― Batman! – A voz de Clark soou firme e precisa, antes de uma resposta do Cavaleiro das Trevas. ― Vamos apenas ouvir o que Arthur tem a dizer, depois opinaremos como pudermos. – A super audição do kriptoniano quase podia ouvir os pensamentos infames que o Morcego lhe dirigia por tê-lo enquadrado. O que Clark não percebeu foi que, não foram as suas palavras o motivo do Batman se calar, mas um olhar doce e suplicante lhe dirigido discretamente por Diana.

Ao contrário do Superman, Arhur notou facilmente o poder que o olhar de Diana exerceu sobre o Morcego, aliás, desde que fora convocado para despertar a princesa, quando esta estava adormecida, e se deparou com Diana e Bruce naquele dia, notou algo diferente no ar. Mesmo que isso não fosse problema seu, Aquaman não pode evitar o registro de uma nota mental preocupante. Contudo não iria se envolver nisso, a menos que fosse necessário.

― Arthur, por favor, prossiga. Esteja certo que ninguém aqui vai agir precipitadamente, eu quero, preciso entender o que de fato aconteceu e está para acontecer. – Diana deu a deixa para o loiro continuar, antes que o clima de tensão se instaurasse novamente.

― Pois bem, Diana. Diga-me, o que você sabe sobre a sua história? – Aquaman a questionou e viu uma ruga se formar entre as sobrancelhas da princesa.

― Minha história? – A confusão se instaurou no semblante da amazona. ― Eu não entendo. Não há nada que eu saiba sobre minha história que todos vocês aqui já não saibam. – Ela garantiu, confirmando o que Aquaman já imaginava.

― Vamos deixar isso para depois, então. – Aquaman passou a mão pelo queixo, pensativo. ― Mas, talvez, Diana, talvez haja mais sobre sua origem do que você possa imaginar.

Batman e Superman apenas se olharam, ambos com questionamentos, mas se abstiveram de interromper a conversa. Diana estava tão ou mais intrigada do que eles, deixariam por conta dela as perguntas que seriam inevitáveis.

― Mas, ainda sobre origens, vamos ao início de tudo isso. Você sabe tão bem quanto eu como Zeus assumiu o trono que ocupa hoje, não sabe? – Diana apenas assentiu com a cabeça, rememorando a história que sua mãe lhe contou várias vezes na infância.

Hipólita contava com detalhes a origem de tudo após o Caos, como cada um dos deuses – Urano (Céu), Ponto (o mar) e Óreas (as montanhas) – foi gerado por Gaia, a Mãe-Terra. Como Cronos, filho de Gaia e Urano, depôs o pai do trono. E como Cronos sofreu o mesmo revés, sendo deposto por Zeus e seus irmãos em uma batalha que durou mais de cem anos.

Arthur não se deu ao trabalho de entrar em detalhes, tendo em vista a presença de Superman e Batman, mas os dois heróis também conheciam estes detalhes da mitologia grega. Clark e Diana, inclusive, passavam bons momentos conversando sobre a cultura de seu povo e de seus deuses.

Batman sempre achou o mito do titã Cronos, ter engolido os próprios filhos recém-nascidos, para evitar o cumprimento de um oráculo que dizia que ele perderia o trono para um de seus descendentes, uma profunda abominação. Reia, esposa de Cronos, sabendo do oráculo, para salvar o filho Zeus do destino dos irmãos, deu à luz ao filho longe do marido e o entregou uma pedra, com roupas de bebê, no lugar da criança. O então todo poderoso Cronos engoliu a pedra, crente que era o próprio filho.

Já na idade adulta, Zeus confrontou Cronos, o forçou a expelir os irmãos e salvou as criaturas que estavam presas sob a tirania dos titãs no Tártaro. Uma grande batalha foi desencadeada para derrotar Cronos e os demais titãs. Zeus, seus irmãos e aliados venceram a batalha e Cronos e os demais titãs foram condenados ao tártaro. Para Bruce, isso até poderia ser uma história fantástica, mas completamente fantasiosa. Até conhecer Diana e perceber que no mundo há muito mais do que se poderia imaginar. Ainda assim, o Cavaleiro das Trevas conservava seu ateísmo.

― Há relatos, proibidos de serem mencionados, de que Gaia nunca se conformou com a derrota de Cronos e seus demais filhos, por isso, profetizou que Zeus teria a mesma sina do pai e do avô, perderia o poder e o trono para um de seus filhos, fruto de sua própria inconsequência. Reia, porém, teria intercedido pelo filho, e Gaia prometeu que Zeus teria a chance de preservar o próprio trono, quando do pedido sincero de um coração de uma nobre mulher nascesse uma criança que se contrapusesse à origem do usurpador do trono: A escolhida. – Diana estremeceu perante as palavras de Aquaman.

Os heróis ficaram perplexos por longos minutos, tentando absorver tudo o que tinham acabado de escutar, porém nenhum deles estava mais confuso do que a princesa das amazonas. Era sua história, seu destino.

― Arthur, isso pode ser um engano. Minha mãe nunca comentou algo que me pudesse fazer concordar de imediato com o que você acabou de me revelar. – Diana retrucou, ainda que as palavras de Aquaman tivessem sentido.

― Porque talvez Hipólita nunca soubesse nada a respeito, Diana. Este assunto sempre fora proibido entre os antepassados de Atlântida, diziam que traria uma grande maldição transmitir esta parte da história. Como eu disse, tudo precisa ser investigado cautelosamente, mas vejo muito sentido em tudo isso. Ares é a personificação da fúria de Hera, do ciúme doentio da deusa, por causa da infidelidade de Zeus. Zeus sempre rejeitou o filho. Já você, nasceu da súplica sincera de um coração cheio de amor, de um coração nobre e valoroso. Veja a dicotomia: amor e ódio. Sua rivalidade com Ares pode estar muito além do fato das amazonas serem inimigas declaradas do deus da guerra. A escolhida só pode ser você, Diana.

Diana sentiu sua cabeça girar. A análise de Arthur estava correta, mas, ainda assim, no íntimo de seu coração, ela desejava que ele estivesse equivocado. Ela conhecia cada detalhe da batalha contra os titãs e só de imaginar uma nova batalha por poder, sabia que as consequências seriam catastróficas. Ela não tinha medo de lutar contra Ares, mas temia o que Ares seria capaz de fazer para não perder uma guerra.

― Arthur, suponhamos que você esteja certo. Por que, somente agora, Ares resolveu tramar para reivindicar o trono?

― Eu não sei ao certo, Diana. Mas, nas últimas semanas, as criaturas marinhas têm estado agitadas, atordoadas. Eu sequer consigo me comunicar com elas. Só o que elas emitem é que o dia terrível está chegando. Eu acredito que há uma data certa para que tudo se cumpra, mas infelizmente não tenho informações que precisem este dia. – O semblante do Rei de Atlântida também era aflito, assim como Diana, Arhur também temia as consequências deste embate.

― E onde Circe entra nisso? Por que Ares firmaria uma aliança com aquela bruxa? – A pergunta de Diana era tanto para si própria como para os demais presentes na sala de reuniões.

― Ares é arrogante, mas não é burro. Ele sabe de seu valor como guerreira, Diana. Vocês dois têm as mesmas chances de vencer este combate. Um predestinado e uma escolhida. Certamente a aliança foi um meio de antecipar sua vitória sem alardes. Porém a proposta de se unirem contra você pode ter partido de qualquer uma das partes, já que ambos são seus inimigos declarados. – Aquaman expressou sua dedução.

― O que Aquaman disse faz sentido. – Bruce se manifestou, encarando a princesa com certa apreensão. ― Toda a estratégia que usaram para monitora-la, os vilões contratados, a investida de Morgana Le Fay, não se trata de uma luta comum, do contrário Ares não perderia tanto tempo e nem confiaria a outros o que ele poderia resolver sozinho.

― Você está certo, Batman. Eu me lembro das palavras de Morgana, ela disse que não iria me matar, apesar desta ser a sua missão, apenas iria me tirar do caminho, pois não queria se indispor com os deuses. Mas tudo isso me preocupa ainda mais. Quanto tempo eu tenho até desvendar tudo por trás disso? O que Ares ainda será capaz de fazer para garantir sua vitória? – Diana clamava por uma iluminação de Atena, silenciosamente, para entender e saber lidar com o que estava por vir.

― Acalme-se, Diana. Se Morgana recuou por temer se indispor com os deuses é porque eles não irão abandona-la quando chegar o momento da batalha. Você foi abençoada pelos seus deuses, é a campeã deles. – Clark tentou conforta-la.

― Talvez abençoada premeditadamente. Os deuses não passam de seres egoístas e mesquinhos, a história que conhecemos sobre eles prova isso. Você não é obrigada a entrar nesta luta, princesa. – Batman reagiu com aspereza, sentindo raiva dos deuses por, talvez, terem abençoado sua princesa simplesmente para manterem sua posição no Olimpo e, também, por receio da amplitude da batalha que ela teria que enfrentar.

― Você está louco, Batman. Diana é nossa única esperança. Você é capaz de imaginar o que vai ser do mundo que você conhece, do caos no Olimpo, caso o deus da guerra assuma o trono no lugar de Zeus? Diana precisa lutar, precisa derrotar Ares, como Zeus derrotou Cronos e o mandar para o Tártaro. – Aquaman vociferou, encarando o Morcego com altivez.

― Isso não precisa ser uma luta de vida ou morte, deve haver outra forma. A Liga não encara as situações desta forma. – Superman pontuou, firmemente, atraindo a atenção do loiro para si.

Diana permaneceu calada, as manifestações de Bruce e Clark já eram esperadas por ela, mas não era o que mais a preocupava de imediato, e sim a corrida contra o tempo, as consequências futuras resultantes desta batalha. Perder não seria uma opção. Mas quanto a vitória lhe custaria?

― Está percebendo porque eu disse que você não iria querer envolvê-los nisto, Diana? – Aquaman chamou a atenção da princesa, que o encarou de imediato ao sair de suas reflexões interiores. ― Não é algo que a Liga possa decidir ou resolver por você. Eu estou disposto a ajuda-la, princesa, se você quiser. Sugiro que procure Hipólita para obter mais respostas e se quiser venha para Atlântida, poderemos encontrar algo mais preciso por lá, algum escrito deixado pelos meus antepassados.

― Diana não precisa ir com você, Aquaman. Já disse e repito, isso é sim assunto da Liga e vamos agir em conjunto. Não vamos deixar Diana lidar com isso sozinha. – Batman confrontou o loiro, sem moderar a irritação na voz.

― Será mesmo, Batman? Mesmo que ela precise quebrar o protocolo da Liga? – O loiro rebateu, encarando o Cavaleiro das Trevas e o Homem de Aço alternadamente.

― Nós vamos encontrar a melhor forma de resolver tudo isso. E o primeiro passo será descobrir, de fato, tudo o que há por trás desta história. – Superman ponderou, calmamente, encarando Arthur.

Aquaman sorriu ironicamente para o kriptoniano, duvidando de que ele ou até mesmo o Batman tivessem a real noção do que estava para acontecer. Porém não seria ele a confronta-los agora. Havia muito para acontecer e somente Diana poderia tomar as rédeas da situação quando chegasse a hora.

― Eu agradeço sua ajuda, Arthur. Eu irei à Themyscera o mais breve possível, se necessário irei até Atlântida posteriormente. – Bruce enrijeceu o maxilar diante da possibilidade. ― Mas, por enquanto, como você mesmo me recomendou, vou agir com cautela. Minha intuição não me traiu quando me atentou para uma luta grandiosa por vir. Eu não vou fugir e nem me omitir. Estarei preparada para quando este momento chegar. – Todos viram o fulgurar do brilho de um olhar de guerreira tomar seu lugar na expressão da amazona.

― Independentemente da Liga, saiba que poderá contar comigo e com o meu povo, Diana. – Aquaman garantiu, levantando-se. ― Agora eu preciso ir. Como eu disse, as coisas não estão nada fáceis nas profundezas do oceano e acredito que as criaturas só se acalmarão quando tudo estiver resolvido.

Diana também se levantou, seguida por Batman e Superman, despedindo-se do rei de Atlântida. Kal fez questão de acompanhar Arthur até a plataforma de teletransporte, por mais que ele conhecesse bem sua amiga e quisesse permanecer no local para conversarem, para apoia-la, ele sabia que o melhor, no momento, era deixa-la a sós com Bruce.

Assim que ficaram sozinhos, Diana caminhou pela sala de conferências, os braços cruzados, o pensamento distante. Apenas sendo observada pelo Justiceiro de Gotham.

Quando ela poderia imaginar que viveria momentos de tanta angústia? Justo no momento em que estava descobrindo a felicidade no amor correspondido do seu Cavaleiro das Trevas. “Por Hera”. Ela suspirou, arrependendo-se de imediato. Será mesmo que ela poderia contar com seus deuses? Ou Bruce estaria correto? Ela era apenas uma arma perfeita para mantê-los no conforto de suas posições?

Batman caminhou lentamente até onde Diana permanecia parada. Tocando-lhe o ombro, forçou-a a encara-lo, sendo surpreendido pelo olhar marejado e aflito que ela expressava. Sem se importar por estarem na torre de vigilância, ele a puxou contra seu peito, envolvendo-a em um abraço reconfortante.

Diana apoio sua cabeça sob a armadura fria, mas o gesto inesperado era suficiente para aquecê-la. Ela não queria ser o contraste de Bruce. Ele com seu peso do passado e ela com o seu fardo futuro. Ela não fingiu ter forças que não tinha no momento, então apenas se abrigou e se permitiu sentir-se frágil e necessitada de refúgio por um instante.

― Bruce, você não precisa fazer isso. Aqui você é o Batman. – Ela sussurrou, levantando os olhos para encara-lo.

― Eu não preciso. Mas, às vezes, eu faço o que eu quero, princesa. – Ele esboçou um meio sorriso, para garantir um brilho nos olhos azuis.

Diana apoiou novamente a cabeça sob o peitoral coberto pela armadura, enquanto as mãos enluvadas lhe acariciavam gentilmente os cabelos.

― O que será que há por trás da minha história, Bruce? Em um momento você sabe quem é, e inesperadamente você pode não saber mais.

― Eu não tenho respostas, princesa. Mas o que você descobrir não vai mudar quem você é. Uma mulher notável, uma guerreira incrível e a minha princesa. – Ele beijou-lhe o topo de sua cabeça e sentiu o suspiro de felicidade que Diana emitiu. ― Eu vou estar com você, princesa. Haja o que houver, não se preocupe. – Ele a abraçou mais forte, um abraço protetor e afetuoso. ― Mas, agora, vamos para casa?

Diana se afastou um pouco para encarar, Bruce. As palavras “vamos para casa” soaram como um “eu te amo” para ela. Tudo era muito recente ainda, mas perceber que não era a única a se esforçar para que o relacionamento evoluísse fazia o coração da princesa se encher de esperança e forças para enfrentar o mundo se fosse preciso.

― Nós vamos para casa, Bruce. Você para sua e eu para minha. – A linha fina que se formou entre os lábios de Bruce era uma evidência clara de que ele não concordou com a sugestão. ― Esqueceu que eu tenho uma vida como civil agora? Preciso comparecer ao meu trabalho, se é que ainda me consideram como parte do casting de modelos. – Diana se explicou, mas o fato não era suficiente para aliviar a tensão do Morcego, muito pelo contrário.

― Diana, não é prudente você ficar exposta em seu apartamento. – O Batman tomou voz, com sua autoridade e protecionismo ― Foi lá que seus inimigos a abordaram pela primeira vez. E sobre este seu trabalho, espero que você não tenha esquecido o que eu te disse sobre Christopher Miller, tudo sobre ele é muito vago, você pode estar sendo agenciada por um criminoso, um aproveitador.

Diana, em outro dia, teria nestas palavras motivo suficiente para uma pequena rusga, uma queda de braço com o seu amado Cavaleiro das Trevas, mas estava com a cabeça cheia de mais para isso, não tinha forças para brigar, apenas para rebater.

― Bruce, primeiramente, se Ares quisesse, ele poderia invadir até a torre sem nenhum problema. Estar em meu apartamento ou na mansão, em questão de segurança, dá na mesma. E, sobre Chris, eu te garanto que vou ficar atenta a ele, mas a grife que eu represento é conceituada e confiável, assim como as demais empresas que contratam as modelos na agência. – Diana o confrontou com argumentos válidos, mas incapazes de fazê-lo concordar.

― Nós vamos conversar com calma sobre Miller, Diana. Mas, sobre a mansão, Alfred vai ficar desapontado se você não voltar comigo. – Bruce argumentou, sabendo que a menção ao mordomo lhe daria uma vantagem, além de poupa-lo de insistir e revelar o desapontamento próprio.

― Alfred? – Diana estreitou os olhos ao encara-lo e Bruce sorriu internamente com o questionamento da princesa. Ela sabia que era uma desculpa, mas ele fez questão de se manter sério. ― Diga a Alfred que eu voltarei para a mansão, por causa dele. Mas, antes vou mesmo ao meu apartamento, preciso pegar roupas e itens de uso pessoal, e antes que você argumente que pode providenciar tudo, eu digo que não. Não é necessário.

― Tudo bem, princesa teimosa. Mas eu sei quanto tempo você gasta de Metrópolis a Gotham pelo ar. Se você se atrasar, eu juro que vou te buscar. – Bruce fez questão de brincar com o modulador de voz, para que seu aviso parecesse assustador.

― Hum, a ideia de um atraso me soou tentadora depois desta ameaça. – Diana sorriu, relaxadamente, e Bruce não resistiu em presenteá-la com um beijo inesperado, rápido, mas cheio de promessas.

― Te espero em casa, princesa. – Ele se afastou, deixando-a sorridente na sala.

Notas finais
Continua... Como eu havia dito em alguns capítulos atrás, vamos adentrar um pouco no universo da mitologia. No capítulo fiz uma introdução resumida, e como mitologia grega tem algumas variações, vez ou outra deixarei uma notinha explicativa. *Segundo a mitologia tradicional, Gaia com Urano gerou os doze titãs, incluindo Cronos, o mais novo e mais terrível dos seus filhos, que odiava a luxúria do seu pai. Além dos titãs, Urano e Gaia geraram os três ciclopes e os três hecatônquiros. Como fosse Urano capaz de prever o futuro, temendo o poder desses filhos, os encerrou novamente no útero de Gaia. Ela, que gemia com dores atrozes sem poder parir, clamou pelo favor de seus filhos titãs e para libertarem os irmãos e vingarem-se do pai. Dos doze irmãos, porém, somente Cronos aceitou a conspiração. Cronos, se levantou contra o próprio pai, separando assim o Céu e a Terra. Após a queda de Urano, Cronos subiu ao trono do mundo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temia e os aprisionou mais uma vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou nova vingança. Já havendo assumido regência do universo e se casado com Reia, Cronos foi advertido por Urano de que um de seus filhos o destronaria. Ele então passou a devorar cada recém-nascido. Contudo, Gaia ajudou Reia a salvar o filho que viria a ser Zeus, escondendo-o em caverna. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorá-lo, entregou-lhe uma pedra. Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais titãs com suporte de Gaia. Com a ajuda dos irmãos, dos Ciclopes e dos Hecatônquiros, Zeus venceu Cronos e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus realizou um acordo com os hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro. Gaia pela terceira vez se revoltou e lançou mão de todas as suas armas para destronar Zeus. Após muitas investidas sem sucesso contra Zeus, Gaia se deu por vencida e prometeu que não tramaria mais contra o seu governo, porém, não é o que veremos nesta estória. Podemos ver que há uma tradição em pai destronar filho na história dos deuses, portanto decidi dar continuidade. Agora é só acompanhar para saber o que vai acontecer e como vai acontecer. Diana ainda tem descobertas por fazer e muitas surpresas pela frente. À medida que as revelações virem surgindo deixo mais notinhas explicativas. (Dúvidas, já sabem, se manifestem) Link de uma one do nosso casal, presentinho de natal para meus leitores lindos ♥ https://fanfiction.com.br/historia/719173/Como_se_eu_fosse_te_perder/