Sentimentos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O
s sentimentos são complicados para os seres humanos, agora que me sentei e reflicto nestas linhas digo-vos que sou apologista da ideia que só os humanos têm sentimentos, uma vez que os animais agem por instinto, ou por determinismo, isto é, Deus que os determina assim. Por séculos o Homem procura uma maneira de provar a existência de Deus, por diversas razões: para o matar; para o louvar; para lhe pedir justificações. Contudo, uma coisa que ninguém pode discordar é que quando temos medo, estamos doentes: Deus existe; mesmo quem não o conhece.
Por mais que nos custe, há decisões que somos obrigados a tomar era esse o pensamento de William MacClaunough que tinha acabado de decidir, entra em casa, após uma noite fora, sentia-se um cobarde, sobe para o quarto cabisbaixo, passa a mão nos cabelos negros arrependido do que estava a fazer com a irmã de seu melhor amigo Nicolau Stewart, se alguém soubesse, não permitiria seria preso pelo Doutor Stewart, o patriarca da família, ou pior morto pelo exército de homens que a protegiam, William pensa na sua noite que não deveria ter acontecido, pensa que gosta daquela menina adorada por todos os homens que guardam como os cavaleiros protegem a sua a irmã mais nova.
Entra, no seu cómodo, senta-se à secretária pensante, precisa de contar a alguém, mas; o problema reside em encontrar a coragem para poder exprimir em voz alta o que sente por Kimberly, nunca se deu conta daquele sentimento tão poderoso. A seguir necessita encontrar uma pessoa de confiança que não o goze, por ser demasiado imaturo da sua parte. Nicolau Stewart? Está fora de questão, por ser o irmão de Kimberly, irá certamente chama-lo de ‘pedófilo’ não foi isso que aconteceu, ou será que foi? A dúvida continua quando a sua própria consciência lhe dizia que era errado, Damon Wilson, o seu melhor amigo não podia contar, por que iria gozá-lo. William sabe que é errado querer tanto assim alguém ainda mais sendo uma pessoa que ele é responsável por lhe dar formação, todavia; toma consciência que se, deve afastar o mais possível da sua tentação fugir como um bom cobarde que é, esconder-se e fingir que aquele sentimento nunca existiu conhecer Kimberly Stewart e passar a noite com ela, foi a melhor coisa que já sentiu em toda a sua existência.
Decidido a não se passar nem se arrepender, pois apesar de tudo, sentia-se extremamente especial, por ensinar alguém a amar. Nos tempos que correm, não é todo o homem que se vangloria encontrar uma rapariga virgem, pega no seu telemóvel e marca um número que ao terceiro toque atende:
— Hada — pausa — preciso de ajuda…
Do outro lado da linha, Hada Petterson estranha um pouco ainda que a sua amiga saiba que ele não tem costume a um domingo de madrugada a não ser que o assunto fosse mesmo importante, boceja e logo pensa, será que ele se chateou com os amigos com os quais saiu e precisa que alguém o vá buscar para o levar a casa.
— Estás bem, Bill?
— Desculpa, – declara constrangido – sei que devias de estar a dormir…
Os olhos, do moreno, rodam arrependidos por ter a incomodado, uma vez que conhece bem aquela sua amiga sabe que ela iria se passar, caso soubesse o seu problema, apesar de tudo nunca ela iria aceitar uma conversa daquele teor, ainda assim, aquele assunto não podiam falar pelo telefone, engole em seco, quando ao fim de alguns segundos que lhe pareceram horas, é surpreendido.
— Espera! Onde estás, precisas que te vá buscar?
Cada vez mais preocupada a moça deduz que ele se tenha desentendido com um dos seus amigos com os quais costumava sair e estivesse bebedo para se dirigir para casa sozinho, àquela hora da manhã, então como sempre ela o iria buscar. Todavia, não notava quaisquer vestígios de álcool, um indício que fosse:
— Não. – pausa – estou em casa…— coça o cachaço — só, preciso de falar, mesmo. Estou nervoso.
Hada resolve então, ir ao seu encontro, pois temia o pior cenário, que ele tivesse realmente ferido e precisasse da sua ajuda, para se dirigir ao hospital:
— Dá-me cinco minutos e estou aí. – No fundo, o moreno sabe que só lhe bastaria estalar os seus dedos para que se rodeasse de mulheres, mas também sabe que é naquela que deposita mais confiança, a quem confia a sua própria vida, porque; sabe que ela não contará a ninguém os seus problemas. Ainda que não concorde com as suas acções dado ao seu espírito empírico, uma vez que é muito sabida em relação a todas as matérias mas; é capaz de o ouvir sem o julgar.
Declara ao se levantar e vestir, pega na mala de primeiros socorros já que se trata de William MacClannough nunca se saberia se ele se tinha metido nalguma confusão, coloca a mala ao ombro e agarra nas chaves de seu carro, sai do quarto precipita-se para descer as escadas, quando chega à porta, vê o seu irmão a entrar:
— Boa noite!
Ao passo que arranca o casaco do bengaleiro, o veste imediatamente, pondo o cachecol, calça as luvas, em seguida calça as suas botas de cano alto, dá um beijo na cara de seu irmão.
— Bom dia – imediatamente atravessa a porta, a rapidez de sua irmã o deixa boquiaberto.
Pela primeira vez, William MacClannough toma consciência de que não poderia dizer tudo à sua amiga, há que editar a informação, mesmo assim tem a certeza de que sua amiga lhe diria que ele cometia um crime, ao se envolver com uma menor, pelo menos ele inquieta-se ao pensar assim, talvez seja dela que ele precise para lhe tirar aquelas sensações. Agora necessita dela, talvez mais do que alguma vez já necessitou, sente-se incapaz de prosseguir só.
Caminha pelo quarto pensante, na sua indecisão, esbarra-se na secretária acende o candelabro, senta-se na sua cadeira pensa que se faz o que quer, ora se senta, irá preso, ora já se vê a contar os dias na parede da sua cela, levanta-se e caminha até à janela desta vez não sabia o que pensar nem o que fazer, apenas uma imagem lhe turva os pensamentos, a de quando deu um beijo à ruiva, deixando-o arrepiado até o momento em que passou a noite com ela, a sensação é única, pensa na troca de carícias, nas suas mãos sobre o seu corpo, não se sentia bem, tem a percepção de que o facto de pensar na ruiva já por si é um crime.
Passa as mãos pela cabeça, sentia-se sufocado, cansado só queria estar outra vez nos braços da sua Kimmy, não é normal sentir aquela coisa, que o enerva por quem não pode, jamais em tempo algum, podia acontecer entre eles aquilo que aconteceu. Vai à casa de banho, põe-se curvado sobre a banca, e matuta que cedeu à tentação, coloca o seu nome de rastos.
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