Sentimentos

1 Capitulo Unico


— Eu ainda não acredito que você esta aqui. — Lucy falou.

Lucy era uma grande amiga. E mesmo eu passando 3 anos fora do Brasil nossa amizade continuava a mesma. Amizade de infancia so poderia durar para sempre.

— Sente falta? — Ela perguntou quando descemos do carro.

— Do que? — Perguntei a encarando e ela sorriu.

— Daqui.

— De certa forma sim. Do pessoal. Da familia. De você. — Ela sorriu me abraçando.

— Ok. Não nos produzimos para ficar do lado de fora da festa. — Ela comentou.

Assim que entramos na festa da prima dela eu reconheci as pessoas que antigamente eu estava acostumada a ver todo dia. So que agora estavam diferentes. Eles tinham deixado suas faces de adolescentes e estavam mais maduros.

É claro que todos vieram para volta de mim me recebendo.

— Você cresceu? — Peter debochou.

Peter era outro grande amigo. Ele e Lucy sempre estiveram comigo quando eu mais precisava.

— Haha. — Falei e ele riu me abraçando.

Começamos a conversar sobre a vida fora do Brasil. Todos queriam conversar comigo. Apesar de odiar isso eu ja estava costumada a ser o centro das atenções.

Foi no meio de risadas e brincadeiras que eu o vi. Parei na hora o que eu estava fazendo. É claro que meu coração acelerou e minhas mãos começaram a suar.

Três anos haviam se passado e o sentimento estava lá. Apertando meu maldito coração.

Erik ainda continuava o mesmo gato so que mais maduro agora. As linhas do rosto tinham mudado.

— Ele ta solteiro. — Lucy comentou e eu a encarei surpresa.

— O que?

— Ele terminou com ela faz alguns meses. — Ela respondeu e eu lancei um olhar para ele.

Ele estava me observando.

Sabe aqueles amores do passado? Aqueles que não da para esquecer?

Era esse. Nossas mães se conheciam desde pequenas, mas se afastaram. E foi por isso que não fomos criados juntos. Nossos pais ate trabalharam juntos uma epoca.

Nos conhecemos na escola. Eu com 15 anos e ele com 14 anos. Eu sabia quem ele era, mas ele não sabia quem eu era. O mais interessante era isso. E apesar de acha-lo um gato naquela epoca nunca tive coragem de me aproximar. E na versao dele apesar de querer conversar comigo sua timidez era mais forte.

E então os anos passaram sem a gente se ver. Ate que nos encontramos de novo. Eu com 18 anos e ele com 17 anos. Desta vez sim. Tivemos um caso. Nada que passasse de beijos. Mas era forte para mim. Eu gostava dele. Sabia que era mais que um carinho. Era amor.

Mas eu não poderia dizer se era reciproco. Ele nunca quis nada serio. E eu desisti. Acabei conhecendo uma pessoa e tentado ser feliz com ela. Mas não deu certo. Erik e eu tivemos alguns desencontros. Do tipo uma festa de amigas em comum. Ele foi e eu não.

Depois do fim do meu namoro nos encontramos de novo. Mas não passamos de conversas e provocações. E o tempo foi passando. Nos vimos de novo. E de novo era so conversas e provocações e então ele sumiu. De novo um desencontro. Ele foi em uma festa de um amigo em comum. E eu não por que estava trabalhando.

Bom ele conheceu alguem e diferente de mim. Ela, ele quis algo serio.

Por frenquentar os mesmos lugares acabou que eu via muito os dois juntos. E isso doia. Doia bastante. Eu conhecia a garota e sempre a odiei. Ela morava perto da minha casa e apesar de nunca estudarmos juntos eu a via na escola.

Saber que ele não me quis, mas quis ela. Foi decepcionante. E foi por isso que eu fui embora.

Fui morar nos Estados Unidos com uma tia. Nesses três anos lá. Eu amadureci. E mudei não so na aparencia, mas no jeito de pensar. Estudei. E lutei para alcançar meus sonhos.

Com 23 anos tinha alcançado o que muitos demoravam anos para conseguir. Ja estava acabando a faculdade de biologia na Columbia. E ja tinha emprego.

Me virei de costas e peguei um copo de cerveja.

— Eu não acredito. — Lucy murmurou me encarando. — Depois de todo esse tempo.

— Deixa isso em off!

— Mas você namorou lá.

Sim. Eu tive um namorado ano passado, mas tambem não deu certo. Eu não o amava por isso faz algumas semanas que nós terminamos.

Revirei os olhos e segui para o lado que dava para o banheiro.

Mas resolvi que era uma boa hora para ir embora dali.

Quando cheguei ao corredor que dava para a saida acabei esbarrando em alguem. Não precisei olhar para cima para saber que era ele. Quando suas mãos seguraram a minha cintura meu corpo se acendeu.

Recuei e o encarei.

Meu Deus. Que reações. Meu coração saltou feito louco no meu peito.

— Faz tempo hein? — Ele murmurou me encarando de cima a baixo.

Eu estava com um vestido preto reto e apertado no corpo, uma meia calça e coturno.

— É.

— Voltou para ficar? — Ele perguntou puxando um assunto.

Dei um passo para tras e cruzei os braços.

— Ferias. — Respondi e ele assentiu.

— Esta bonita. — Ele murmurou se aproximando.

— O quanto você bebeu?

— Por que a pergunta? Você sabe que é linda.

— Sim. Mas estou perguntando para saber por que tem certeza que eu vou beija-lo? — Perguntei. — Adeus Erik. — Fiz a volta por ele e sai para a rua.

Precisava tomar um ar. Sim eu o beijaria. Beijaria qualquer hora. Em qualquer lugar. Era so ele chegar perto.

Passei a mão nos cabelos e bufei.

— Burra! Sentimento burro! — Murmurei caminhando ate o carro.

— Sam? — Me virei para Lucy que vinha na minha direção. — Você esta bem?

— Vamos dizer que não quero ve-lo. — Balancei a cabeça.

— Caramba você ama ele de verdade.

— Achei que ja soubesse disso.

— Sim, mas achei que um dia isso mudaria. Que ficar longe acabaria com isso.

— É, mas foi bem ao contrario. — Resmunguei e ela me abraçou.

— Sinto muito. Vamos embora daqui.

É claro que eu continuei encontrando ele. Nos esbarravamos nas festas. Em qualquer lugar que eu fosse ele aparecia la.

— Quer uma? — Lancei um olhar para a cerveja que apareceu na minha frente depois o encarei. — Vai fazer desfeita?

— Ok. — Falei e ele sentou ao meu lado.

Estavamos em um bar. Eu tinha cansado de dançar e tinha vindo me sentar. Nem tinha notado que Erik estava lá.

— E o namorado?

— Que namorado? — Perguntei.

— Ate onde eu sabia você tinha namorado.

— Como você sabia?

— Redes sociais. Amigos em comum. — Ele deu de ombros.

— Não deu certo. Não gostava dele. E você?

— Um par de chifre. — Ele debochou.

— Mais cedo ou mais tarde isso aconteceria. — Murmurei e ele assentiu desviando o olhar.

Ele bebeu um gole da sua cerveja e eu fiz o mesmo.

— Me diz o quanto eu magoei você? — O encarei.

Fiquei surpresa com a pergunta.

— Tenta imaginar. — Retruquei.

— Sinto muito.

— Não adianta sentir muito, Erik.

— Sam... Olha você sempre teve mais dinheiro que eu. Eu não tinha nada e...

— Eu não queria dinheiro ou qualquer coisa. Eu queria você. So você.

— Achei que nunca fosse realmente gostar de mim daquele jeito. Que talvez seus pais não fossem aceitar...

— Isso é a maior bobagem, Erik. Não arrume desculpas. Você não gostava de mim o suficiente. Por isso foi facil ficar com aquela vadia.

Ele ficou calado e eu levantei.

— É melhor cada um seguir o seu caminho. — Murmurei.

Quando fui me afastar ele segurou meu braço. Foi tão rapido o movimento. Encarei ele que estava parado na minha frente.

— Não quero seguir um caminho diferente de você. Quero você. Quero ficar com você.

— E depois vai me largar de novo?

— Desta vez eu quero algo serio. Sei que é a mulher certa para mim.

— Bom... Sinto informar. Mas voltarei a Nova York amanhã. E sei que você não vira comigo.

Ele ficou me encarando.

— Você vai voltar algum dia?

— Eu não sei. — Respondi.

— Me de essa noite e eu te espero o tempo que for. — Balancei a cabeça.

— Não.

— Por quê?

— Por que... Se eu te der essa noite nunca vou conseguir ir. E isso vai ficar marcado para sempre em mim se você bancar o idiota de novo.

— Juro por Deus que não vou bancar o idiota.

Seus labios alcançaram os meus labios e eu me rendi aos seus braços. Ele me levou para fora do bar ainda me beijando. Entramos no seu carro.

Ele tinha um sorriso enorme no rosto enquanto dirigia. E eu me sentia confusa.

Eu queria aquilo mais que tudo na minha vida. Mas o medo estava lá.

Quando paramos na sua casa e ele me beijou de novo. Eu não resisti. Descemos do carro e entramos.

Apesar dos anos. Apesar dos beijos. Encontros, reencontros e desencontros nunca tinhamos transado.

Seria a primeira vez. A primeira vez que eu senti prazer de verdade. Ele me tocou com carinho. Depois com desejo.

Quando me invadiu parecia que tudo tinha ficado completo. Era como se o meu corpo esperasse por aquilo.

Eu perdi a noção do tempo. Eu so apertava minhas pernas em sua cintura e gemia sentindo o prazer e seus beijos. Seu desejo.

Quando seu prazer me atingiu eu praticamente gritei.

Senti seu peso sobre o meu e sua respiração no meu pescoço. Um cafune atras da orelha. Tudo parecia tão perfeito. E então quando ele se afastou eu senti uma falta enorme. Mas suas mãos puxaram meu corpo para o seu lado e eu deitei no seu peito.

Encarei seus olhos escuros e beijei seus labios.

— Você vai voltar né? — Ele murmurou e eu fechei os olhos.

— Eu sempre acabo voltando.

A incerteza havia ido embora. Eu estava arriscando meu coração ja quebrado de novo.

Mas desta vez. Pela primeira vez eu sentia seriedade na suas palavras.

Não era brincadeira. Nem so desejo.

— Eu te amo. Sempre amei. — Ele murmurou. — Sinto muito ter feito isso com nós.

— Eu acho que foi preciso. — Murmurei. — Nós precisavamos disso. Precisavamos amadurecer.

Ele ficou me encarando depois assentiu antes de beijar meus labios.

— Você esta tão linda. — Ele murmurou tocando meu rosto. — Ainda não acredito que tenho você so para mim.

— Vamos ficar algum tempo longe. — Lembrei e ele assentiu.

— E eu jurei que vou te esperar. E mesmo que não jurasse eu te esperaria do mesmo jeito, Sam.

— Eu te amo. — Murmurei voltando a beijar seus labios.

Eu estava arriscando tudo. Mas eu achava que valia a pena.

Tem sentimentos fortes que não podem ser apagados pelo tempo, nem pela distancia.

E agora eu sabia que era reciproco. Não importava os empecilhos desta vez ficariamos juntos. Eu podia ver a determinação em seus olhos. Naquela noite.

E em todas as outras depois daquela.

Notas finais
Bom eu queria alguns comentarios. Aceito ate comentarios negativos desde que sejam construtivos. Obrigada desde ja. E queria agradecer a Fhany Malfoy pela capa. Muito obrigada. Amei de verdade. Obrigada por tudo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!