Sentimentos
1 Capítulo Único
Notas iniciais
— Ei, Kobayashi, você já consegue controlar seus poderes melhor, não é? – pergunta o moreno do nada.
— Tsc. E o que tem isso? – o menor responde na sua maneira estressada, odiava quando o outro vinha com essas perguntas sem sentido.
— É que... sabe... tem uma coisa que eu queria muito fazer... – diz corado.
— O que?
O garoto de cabelos brancos para de andar e olha para o outro. Hanasaki não estava normal, não que um ele já tenha sido normal, mas ultimamente estava pior.
— Ei, não vai me responder?
— A-acho que melhor a gente deixar para lá.
O garoto de cabelos brancos bufou frustrado. Como alguém podia ser tão irritante?
— Fala logo o que você quer.
— De verdade, esquece.
— Você é irritante – dizendo isso ele volta a andar, mas para logo em seguida ao perceber que o outro não o seguia.
Kobayashi olha para o amigo e o encontra olhando para o chão com um olhar vago, e isso o deixa preocupado. Hanasaki não era assim, pelo menos não normalmente. Vê-lo desse jeito fazia com que se lembrasse de quando o Vinte Faces o havia sequestrado e depois ele acabou perdendo o brilho que era único dele.
Decidido em fazer o amigo se sentir melhor, o garoto de cabelos brancos se aproxima com cuidado para não machuca-lo por acidente, e segura firmemente seu pulso. Hanasaki se assusta com a repentina atitude do amigo.
— Oe, Kobayashi, o que...
— Cala a boca e vem comigo.
Aquilo realmente não estava certo. O garoto de cabelos brancos não agia dessa maneira. Um pouco assustado com a situação, Hanasaki se deixou ser puxado pelo outro. Não que isso fosse de todo ruim, sentir a mão do outro envolvendo seu pulso o aquecia por dentro.
Eles continuaram andando dessa maneira por mais alguns quarteirões, e então Kobayashi parou na frente de uma lanchonete. Sem soltar o pulso do outro, o garoto abre a porta e entra no estabelecimento.
Kobayashi deixa Hanasaki sentado em uma mesa e então vai até a atende. Ao voltar o moreno puxa conversa.
— Se queria comer podia ter me falado, não precisava sair me puxando.
— Tsc, por que você não pode ficar calado?
— Nossa Kobayashi, assim até parece que não gosta de ouvir a minha linda voz – fala colocando a mão no peito, fazendo um drama fingido.
A garçonete chega carregando um sanduíche gigante o interrompendo. Quando ela sai o moreno olha realmente espantado para o amigo.
— Ei, Kobayashi, o que significa isso? – pergunta olhando para o sanduíche que se encontrava em sua frente.
— É para você – responde desviando o olhar com o rosto corado.
— Para mim? – o moreno ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo.
— Sim.
— Mas por que?
— É que você parecia triste, então achei que isso poderia de animar um pouco – agora o rosto do garoto estava completamente vermelho.
Aquilo encheu os olhos do maior de lágrimas. Então o outro se preocupava consigo?
Ele pegou o sanduíche e o dividiu ao meio, entregando a outra parte ao pequeno.
— Eu comprei para você – o mais baixo diz em forma de recusa.
— Se é meu eu posso fazer o que quiser e eu quero come-lo com você – agora os dois se encontravam vermelho.
Kobayashi faz um sinal positivo com a cabeça e pega o sanduíche. Eles comem em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
Quando terminam eles saem do local e voltam a caminhar. A rua se encontrava completamente deserta.
Hanasaki decide criar coragem de então fazer o que já devia ter feito a muito tempo se não fosse o poder do outro. Ele para e lhe segura o braço gentilmente.
Kobayashi para e o olha, surpreendendo-se com a proximidade.
— Hanasaki...?
— Você confia em mim? – pergunta olhando dentro dos seus olhos.
— Por que essa pergunta do nada? – responde um pouco assustado.
— Só me responde.
— Sim.
Aquela foi a resposta que o maior estava esperando. Quebrou então o pequeno espaço que restava entre os dois, o moreno o beijou.
O lábios de Kobayashi eram macios e doces, e Hanasaki sentiu que poderia ficar ali para sempre. Porém se afastou. Não queria assustar o outro.
— Por que fez isso?
— Me desculpa, mas não resisti.
Os dois estavam vermelhos, e se olhavam de maneira constrangida.
— Posso fazer de novo? – o maior pergunta ansioso.
— Sim.
E os dois voltam a se beijar novamente. Hanasaki mais confiante dessa vez, pede passagem com a língua e então aprofunda o beijo. Ele segura Kobayashi pela cintura, colando ambos os corpos, e o menor o abraça pelo pescoço.
O beijo era calmo. As bocas se moviam lentamente no mesmo ritmo, e as línguas dançavam uma música lenta em perfeita sincronia.
Por causa da falta de ar precisaram parar o beijo. Continuaram abraçados, se olhando com ternura. Não entendiam direito esse sentimento que tinham dentro de se, mas sabiam que era reciproco.
Hanasaki foi o primeiro a falar:
— Sabe Kobayashi, acho que eu gosto muito de você.
— E-eu não me importo de dar minha comida para você – o menor responde desviando o olhar.
O moreno viciado em adrenalina sorri com a resposta. Na língua do garoto de cabelos brancos aquilo era claramente um “Te amo”.
O abraço mais forte enterrando o rosto em seu pescoço, inalando seu cheiro. É, ele realmente gostava do menor, e se sentia muito feliz de poder toca-lo daquela maneira.
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