Sentimentos

2 O visitante noturno


Notas iniciais
LEIA ISTO: Antes da grande viagem para o continente, Luna deitou-se em sua cama no quarto das meninas e suspirou olhando para o teto. Não podia imaginar que, no dia seguinte, descobriria que o velho que tanto ajudara a turma amanheceria morto. Não... Tinha outras coisas nas quais pensar...

– Papai...

.

– Sobreviva, Luna!

A cápsula de resgate começou a voar e Luna viu o pai sumir em meio às explosões.

– Sobreviva!

.

– Papai! – berrou a ruiva, rolando para fora da cama – Ai!

Luna abriu os olhos e olhou em volta, assustada. Estava no quarto das meninas, na casa da árvore. O dia seguinte seria agitado, precisava dormir.

Voltou para a cama e fechou os olhos. Começou a contar pagus. Dormiu logo no número doze.

.

Naquela noite de luar, nada se movia, exceto uma sombra. Os raios luminosos golpearam a criatura, projetando sua sombra no chão.

Aquele, quem quer que fosse, caminhou pela varanda e parou na porta do quarto feminino. Olhou para dentro. Todas dormiam.

Com passos lentos, andou até a cama no fundo do quarto e se agachou. Uma garota ruiva dormia profundamente, o semblante tranqüilo...

– Luna... – sussurrou a sombra.

Ele esticou o braço e tentou tocá-la, mas ela se mexeu, como se protestasse. A mão dele recuou.

– Papai... – murmurou a garota.

A sombra suspirou e deitou a cabeça na cama da garota. Sua respiração estava um pouco mais rápida do que o normal.

– Luna?

A garota dormia. A sombra levantou a cabeça e admirou a amiga. Começou a se aproximar cada vez mais, mas a ruiva estremeceu e virou o rosto para o lado.

– Papai... – disse, tremendo.

O garoto puxou o cobertor e a cobriu. Acariciou seu rosto, deixando-se chegar mais perto e sussurrando em seu ouvido:

– Estou aqui...

.

– Estou aqui...

Luna olhou para trás, mas não viu nada. Apenas névoa. Névoa densa e escura. Pesada, sufocante...

– Estou aqui...

– Papai? – ela murmurou, mal mexendo os lábios.

– Estou aqui...

– Essa voz... – a ruiva olhava em volta sem ver – É você...?É você?

.

– É você? – murmurou a garota, abrindo os olhos e despertando.

Ela olhou em volta e tudo o que viu foi uma sombra sumir na porta do quarto. Reconheceu imediatamente aqueles cabelos que quase batiam nos ombros. Era seu amigo... Seu visitante noturno.