— Alguma vez se perguntou o motivo pelo qual o coração gritava?

Todo o tempo do mundo, eu questionava o meu propósito. Estive todo o tempo do mundo me aventurando com Sakura, Syaoran, Kurogane e Mokona, mas carregava um grande fardo sendo refletido face a face com o desespero.

Eu não sabia como sentir nada e nem questionava nada, o vazio se aflorava em meu peito, me fazendo sentir uma enorme dor.

Estava de noite, uma noite fria e insuportável, que tornava sufocante sair da cama, eu estava deitado lado a lado com o meu interior. Não dormia, se eu dormisse... os fantasmas do passado iriam transbordar essa dor.

Todo o dia era o mesmo, vivendo com o mesmo fardo.

Como não conseguia dormir, eu fui descendo as escadas para tomar um chá e conseguir retornar ao quarto com disposição. Fui colocando meu casaco azul e me aproximei da cozinha.

Ao chegar, minhas íris se entregavam em sintonia ao ver que Kurogane estava acordado.

— Kurorin... por que você está acordado? – Questionei, tentando manter a normalidade, apesar de estar bem preocupado com ele.

— Sabe... se eu estou acordado ou não, isso não é da sua conta! – e

Ele respondeu firmemente, com um olhar furioso sobre mim.

— Eu... entendi! – Murmurei baixinho.

— E você? – Kurogane perguntou, se aproximando lentamente. — Por que não está dormindo?

— Estou sem vontade, por isso vim fazer um chá!

— Ah... entendi! – Respondeu sério.

Ele encarou meus olhos e perguntou: — Você vai conseguir dormir?

— Irei tentar! – Respondi sorrindo, e fui me aproximando do fogão para ferver a água.

Fiquei um tempo observando a água se esquentar e Kuro estava atento aos meus olhos azuis, como se estivesse perdido na minha visão. — Tem algum problema comigo? – questionei confuso.

— Sim, o seu sorriso me estressa! – Ele comentou, fervendo de raiva.

— Como assim? – Questionei, fingindo demência e felicidade.

— Quem diabos você pensa que eu sou? Eu sou um ninja, seu bastardo! – Ele disse, encarando-me com seus olhos avermelhados e dominantes.

— Eu penso que você é um idiota! – Respondi, apenas gargalhando da reação de ódio que se formou apenas por eu ter dito isso.

— Eu não sou um idiota e vê se cala sua boca. Eu não suporto sua falsidade, você finge ser feliz e isso me estressa! – Ele falou, se alterando por conta do ódio e disse com raiva. — Eu te odeio!

— Por que você é assim? – Ele perguntou, enquanto seus olhos refletiam tristeza e preocupação.

— Isso não é da sua conta! — Falei, expressando raiva pela atitude dele.

— Claro que é, somos companheiros! — Ele respondeu firmemente, tomado pela raiva.

— Não, me deixe em paz e cuide da própria vida, eu não quero falar contigo! — Disse friamente.

— O chá já está pronto, eu vou tomar no meu quarto! — Completei friamente e fui subindo as escadas, retornando ao quarto.

— Volta aqui, seu idiota! Eu não deixarei que você suma assim. Assuma responsabilidade pelo seu sofrimento. Se você sente culpa, então assuma essa culpa e não apague seu passado! – Kurogane disse, suas palavras me ferindo profundamente.

— Ele diz como se fosse fácil, maldito Kuro-pan! – falei irritado.

Depois da confusão, eu fui dormir, mas fui atormentado por inúmeros pesadelos. Em todos eles, meu irmão dizia com um tom cheio de ódio: — É tudo sua culpa! Você é um monstro que merecia morrer!

— Desculpa, Kuropon. É tudo minha culpa. — Não é à toa que você me odeia. Eu sou um monstro! – Murmurei, sentindo esse vazio me dominar.

Ao acordar, eu sentia meu corpo dolorido. — O que aconteceu anteriormente? — Eu olhava e percebia que meu corpo estava sangrando e eu estava segurando uma faca.

— Eu me machuquei, mas quando? — Tentava me lembrar, mas minha mente estava confusa e turva.

Até que eu lembrei que meus pesadelos estavam insuportáveis. Teve um momento em que meu irmão disse para eu me perfurar e que não merecia viver.

— Se mate, você não merece viver – Ele disse me repreendendo pelos meus erros.

Eu fui lentamente pegando uma faca e me cortando, mas não pensei que realmente eu tivesse me levantado para isso.

Claro, tentei me cuidar, mas não adiantou, o ferimento sangrava muito, a faca estava cravada no fundo do meu peito e a dor era insuportável.

Eu gritei de dor por um momento. — Aiii!!!! Isso dóiiii!!!!

Tentei estancar o sangramento, mas não adiantou, tirei parte do casaco e tentei estancar o próprio ferimento, mas não adiantou e sangrou muito. — Eu não quero morrer! – Comentei desesperado.

Ouvia uma voz e aparecia diante de meus olhos. Era a mesma figura. Uma criança baixa e magra com uma aparência semelhante a minha. — Você quer morrer! – Ela comentou com seus olhos refletidos de ódio.

— Eu não quero! – Comentei, querendo desaparecer com os meus pesadelos junto desta imagem.

— Não minta, esta é a sua vontade! — Vá em frente, corte-se mais, sinta mais dor!

— Eu não quero fazer isso! – Gritei freneticamente e desci as escadas correndo, procurando pela companhia dos meus amigos.

Aproximei-me dos seus amigos com um olhar assustado.

— O que aconteceu? – Ela me perguntou extremamente preocupada.

Syaoran percebeu que eu estava sangrando e se virou ao se deparar aos meus olhos. Ele me encarou com preocupação e perguntou.— Quem fez isso contigo?

— Eu me machuquei, estava tendo pesadelos e não conseguia lidar com essa dor! – Comentei tristemente.

— Nunca mais pense nisso! – Syaoran disse enquanto me olhava com uma expressão irritada e preocupada.

— Mokona não quer que você se machuque, então não faça isso, por mais difícil que seja! Estaremos ao seu lado, então por favor não se machuque! – Mokona veio até mim com suas orelhas semelhantes de um coelho, ela me abraçava, enquanto dizia isso.

— Sabemos que você está passando por problemas, mas não quero que você se machuque com isso. — Se o seu fardo for insuportável, por favor nos consulte! — Nós também sofremos muito, mas nunca se machuque, você é importante para todos e nunca pense que você não é importante! – Kurogane, estava me abraçando, ele tinha uma expressão séria no rosto, mas seus olhos vermelhos brilhantes mostravam preocupação comigo.

— Nós te amamos, por favor, nunca mais faça algo assim! – Todos falaram com preocupação e vieram até mim, me abraçando

Ouvir as palavras dos meus amigos trouxe lágrimas aos meus olhos e meu coração afundou, mas estar com meus amigos me deixou feliz.

Meu coração gritava porque eu precisava de ajuda, mesmo que seja difícil superar essa dor, eu tenho amigos ao meu lado.

Mokona curou meus ferimentos, ela usou seus poderes mágicos para me curar. — Bem, está tudo bem agora! – Mokona comentou com um grande sorriso e me deu um beijo na minha testa

Após o apoio dos meus amigos, eu senti fortemente que poderia superar todas as dificuldades da vida. Eles eram a luz na minha escuridão.

Notas finais
Espero que gostem, eu me esforcei e muito para que a fanfic ficasse boa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!