Sentimento Paciente
5 Extra - Fico sem palavras
Notas iniciais
O que aconteceu hoje me pareceu um tanto nostálgico. Apesar de eu estar um pouco alterada parte do tempo, e quando digo alterada, bem, quero dizer bêbada.
Meu nome é Natsume Asako. E não se deve perguntar a idade de uma dama, então vocês não precisam saber.
Minha melhor amiga se casou hoje. Devo dizer que me afoguei em lágrimas de felicidade, afinal não é todo dia que sua melhor amiga se casa, e a Mitty...Puxa! Era uma noiva linda! Acho que quando a vi esqueci toda a raiva que estava sentindo no momento. Eu guardaria a Mitty em uma caixinha de vidro, mas talvez o Haru ficasse meio chateado… Não é legal um Haru chateado, vai por mim.
Ahh é verdade, eu não mencionei porque estava com raiva. Meu sorridente acompanhante parece não ter notado minha presença...Nenhum comentário! E eu passei semanas escolhendo o vestido…Bem, na verdade se fosse só o vestido tudo bem, mas ele mal estava falando comigo. Bom, ele tem estado com pensamentos meio distantes a alguns dias, mas hoje eu estava sendo literalmente ignorada. Quando eu ia conversar ele mudava de assunto, dizia que ia pegar algo pra beber ou simplesmente se virava e corria pra dizer algo a alguém que estivesse bem longe. Será que eu esqueci o desodorante?
Bom, mas como eu disse, durante um tempo eu esqueci esse detalhe, afinal foi uma cerimônia maravilhosa, uma festa maravilhosa, tudo maravilhoso. Não dava pra ficar brava nessa situação.
Então chegou a hora mais aguardada de um casamento, claro que estou falando do buquê. Todo mundo quer pegar o buquê (eu me incluo na lista). Todas as damas e alguns cavalheiros se juntaram e aguardaram ansiosos o momento em que a Mitty arremessaria o desejado item. Eu mal podia me conter de empolgação, era minha melhor amiga! O buquê tinha que ser meu! E talvez fosse um ótimo motivo para puxar assunto com meu acompanhante sorridente… Não tem como ele me ignorar com todo mundo olhando. Era perfeito!
Momentos de tensão. Todos concentrados. Contagem: 1, 2 3 e...Mitty joga o buquê! E adivinhem só?
Claro que eu não peguei.
Como assim?! Fiquei desolada. Queria tanto! Era um momento tão importante! E tão perfeito… Meu amado acompanhante sorridente não ia resistir a uma donzela chegando com um buquê não é verdade?
A tristeza e o desespero tomaram conta de minha alma e resolvi me afogar em champanhe.
Ok, estou exagerando.
E também não bebi tanto assim, foi só uma ou duas taças. O que eu não sabia até então é que era tão fraca para bebidas. Eu me senti um pouco “alegre" demais depois disso.
Quando todos terminaram seus discursos para os noivos, música começou a tocar e os convidados foram dançar obviamente. Eu também. Então lá na segunda taça de champanhe alguma parte do meu cérebro parou de funcionar. Eu vi a convidada que pegou o buquê e puxei assunto:
— Que buquê lindo não é? — Talvez eu tenha falado com um tom meio dramático, pois a dona do buquê ficou um tanto desconcertada.
— Pois é…
— Eu queria ter pego o buquê, -Soluça — queria tanto…
— Acho que todas queriam…- Ela falou tentando se afastar.
— Mas eu q-queria taaaaaanto — aqui eu já estava chorando — o que eu vou fazer?
Claramente desestabilizada emocionalmente, eu encontrei um ombro amigo pra me apoiar: O microfone com suporte.
— Eu queria o buqueeeê — chorava — agora não vou poder conversar com o Sasayaaan… Ele não quer me ver...Eu nunca vou me casar com Sasayaaaaannnn ele nem — Soluça — ele nem olhou meu vestido! — Mais choro.
Olha, pelo menos eu consegui chamar a atenção do Sasayan. O problema é que a festa toda estava prestando atenção na garota chorando no microfone. Alguns assustados, outros rindo, inclusive o Sasayan.
Quando me dei conta disso, o susto e a vergonha me fizeram recuperar uma parte da minha sobriedade. E eu tratei de sair dali o mais rápido que consegui. Bem, bem rápido mesmo.
Fui para a parte externa do salão. Nada mal viu? Era um belo jardim, daqueles com fonte e tudo.
Andei um pouco, o ar fresco me fez sentir melhor. Tinham uns banquinhos desses de praça, mas um casal conversava bem animado lá, preferi não interromper. Fiquei agachada perto de uma janela que dava para um corredor, olhando distraída umas tulipas que foram plantadas lá, sóbria o suficiente para remoer o que eu tinha acabado de fazer.
— Eu devo ter parecido maluca. — Falei comigo mesma.
— Pareceu mesmo. — Meu subconsciente respondeu.
Não, pera. Quem?
A voz familiar do meu acompanhante sorridente me fez sentir um arrepio na espinha.
— Sa-Sasayan! — Ahhh, meu rosto deve ter passado por todas as cores possíveis nesse momento. Se eu fosse um avestruz, teria enfiado a cabeça num buraco.
— Então era aqui que você estava Asako. — Disse sorrindo, de um jeito que só ele consegue.
Já faz algum tempo que Sasayan Me chama pelo primeiro nome. Mas ouvi-lo naquela hora fez com que parecesse ter sido a primeira vez.
— E-eu precisava de ar. Muito, muito ar. — Me virei e cruzei os braços. — E eu não queria ser a palhaça da festa.
— Ora — disse ainda rindo — Você fez algo bem chamativo mesmo.
— As pessoas devem estar falando sobre isso agora…- comecei a andar em círculos — Que vergonha!
— Eu não sei o que estão falando. Mas quer saber o que eu acho?
— O que? Que eu bebi muito?
— É um segredo. Chegue mais perto. — Ele disse com a mão perto da boca, como se quisesse falar algo no meu ouvido.
Eu me aproximei pra ouvir o que ele tinha a dizer com bastante receio. Ahh se eu pudesse voltar no tempo e desfazer aquilo que tinha acontecido na festa…
Então Sasayan se debruçou no parapeito da janela, colocou uma mão no meu rosto e bem... me beijou. Foi maravilhoso.
— Você é maluca.
Então eu me assustei, ele se desequilibrou e caímos os dois, amassando algumas tulipas.
Apesar da dor, foi engraçado.
— Ai… ai... — eu disse com a mão nas costas — Maluca então?
— Maluca sim.
— Ahm…- Eu desviei o olhar.
— Linda e maluca. — Ele olhou para o jardim — Se você for maluca o suficiente, será que, casaria comigo?
Levou um tempo até eu processar a informação. E quando processei disse algo parecido com:
— A-Ahm!?
— Bem, não foi como eu planejei, mas você — Sasayan riu — casaria comigo?
Então ele colocou a mão em um dos bolsos e tirou um delicado anel. Eu olhei pro anel, olhei pro Sasayan, olhei de novo para o anel, travei por alguns segundos e disse:
— É sério?
— P- por que? — De uma hora pra outra ele parecia ter ficado nervoso — Você não gostou? — Disse olhando com desânimo para o anel.
Dessa vez fui eu a rir. Como não tinha ideia de como responder apenas pulei nele para um abraço.
— Está me subestimando? Eu que chorei em um microfone? Sou maluca o suficiente. Claro que casaria! Mas… por que você estava me ignorando?
— B-Bem...é que já faz alguns dias que estou tentando...bem, te pedir em casamento — ele estava alguns tons mais vermelho — mas não encontrava as palavras ou o momento certo...Então hoje você estava tão bonita, que eu fiquei desconcertado...
E dizendo isso ele colocou o anel no meu dedo. Então rimos juntos, um do outro.
Devagar, entrelaçamos os dedos. A noite estava fresca. Ficamos assim por um tempo, e então ele me beijou de novo. Um beijo lento e aquecedor. Como na primeira vez, naquela noite fria de inverno.

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