Sentimento Paciente

2 Agora eu definitivamente ficarei louco


Notas iniciais
Hey! Na verdade esse capítulo (e alguns outros) já estão prontos a algum tempo (inclusive postados em outro site similar), mas fiquei sem tempo pra passá-los para cá, peço que me desculpem. —-------------------------------------------------- Bom tentei revisar o capitulo anterior, espero que esse tenha menos falhas, mas se houver por favor falem comigo! Tentarei melhorar o máximo que der. Espero que gostem do capítulo! ♥

Estar apaixonado é algo perturbador.

Desde os acontecimentos na noite do festival, venho acreditando que preciso de um médico. Sério, constantemente sinto sintomas de um infarto, minhas pernas também tem estado bambas, principalmente quando meus irmãos perguntam “daquela amiga bonita”.

Acho que eu deveria entrar em contato com a NASA também, porque a gravidade parece ter mudado, sinto que estou mais leve e mais pesado ao mesmo tempo, como isso é possível?

Se isso é estar apaixonado, eu ficarei louco antes dessa história chegar ao final.

As aulas enfim iriam começar. De um jeito ou de outro eu acabaria encontrando a Natsume. Estava ansioso por isso. Sim essa é a palavra perfeita: Ansioso. Acredito que eu estaria mais tranquilo se fosse o dia de uma partida importante do clube de Baseball, ou a semana de provas finais.

Por acaso (ou não) depois de me evitar por um tempo, eu consegui que Natsume falasse comigo. Foi péssimo, terrível, pior impossível.

— Sasayan eu te vejo como um ótimo amigo, então seria um problema se você se apaixonasse por mim. — Natsume estava nervosa, pra não dizer brava comigo.

Droga! Será que ficou tão óbvio assim? O que eu deveria fazer agora? Me declarar?

Não eu não iria conseguir, ao invés disso, eu fui um idiota.

— Só por ter pego na sua mão quer dizer que eu gosto de você? Você é alguma idiota Natsume?

Eu não preciso nem comentar o resto da conversa, pode-se perceber que eu estraguei tudo. Mas não consegui evitar de retrucar quando ela disse aquelas palavras. Talvez tenha sido melhor assim.

Natsume tem muitos problemas com garotos, eu não quero ser mais um.

O melhor então seria esquecer essa paixão?

Fui para casa pensando nisso. E mais uma vez não consegui dormir. Aquela sensação de sufocamento voltava ainda mais forte. Um dos sintomas da paixão é claustrofobia?

Toda vez que fechava meus olhos aquelas palavras vinham em minha mente “Te vejo como um ótimo amigo... seria um problema se você se apaixonasse por mim”.

Eu estava na friendzone e nem havia me declarado. Era patético.

Precisava descobrir uma maneira de mudar isso. Não queria estragar tudo de novo. Se pelo menos essas mariposas parassem de voar no meu estômago, talvez eu conseguisse pensar mais claramente.

Ainda naquela semana fomos ao Batting Center. Todos, inclusive Mizutani, Haru e Natsume. Eu passei a maior parte do tempo dando umas rebatidas até que me cansei. Sentei perto da janela e estava distraído quando alguém apareceu:

— Sasayan! Obrigada por aquela hora!

" Droga Natsume, por que não começa uma conversa normalmente?" Pensei. Ela me assustou nessa hora.

Nós conversamos um pouco, ela queria desfazer o mal entendido, fazer as pazes. Eu também queria me desculpar. Mas no final não havia tanto mal-entendido assim, afinal, eu realmente gostava dela. A propósito, dessa vez eu disse isso pra ela.

De uma forma ou de outra, nós voltamos a nos falar. Mas acho que eu teria que me contentar apenas com a amizade de Natsume por enquanto. Tudo bem, eu era paciente. E já me sentia bem melhor depois daquela conversa. Pelo menos naquela noite eu consegui dormir. E sonhei, sonhei com a Natsume na noite do festival, estavamos andando de mãos dadas mas dessa vez eu consegui olhar para trás, Natsume estava lá, corada e então eu disse…

— Maldito despertador!

Por que essas coisas tocam nas melhores partes dos sonhos? Será que na próxima noite eu teria esse sonho de novo?

Infelizmente não tive.

No começo eu pensei que as coisas iriam melhorar dalí em diante e de certa forma melhoraram. Mas os dias começaram a parecer mais longos, o tempo não passava. Algumas horas eu parava e olhava a Natsume por longos momentos sem ela perceber. Quando será que ela passaria a gostar de mim? Quando meus sentimentos seríam correspondidos?

Mas o que eu faria se isso nunca acontecesse? Agora essa dúvida me atormentava. Talvez fosse melhor levar um fora logo, do que continuar assim.

Conforme os dias foram passando, meus sentimentos iam ficando mais fortes. Agora eu temia perder o controle de minhas ações. Até cheguei a deixar escapar que gosto dela de novo, e pra ser sincero gostei de dizer isso.

Até que no festival de verão eu extrapolei. Vocês precisam entender que eu sou um ser humano, e Natsume naquele dia estava ainda mais linda que o de costume. Droga, acho que tenho um fraco por meninas de Yukata. A sandália dela tinha arrebentado, eu estava a ajudando a andar. Bom para isso demos as mãos. Sim!

Mas meu coração acelerou mais do que o esperado na hora. Ele tinha pressa, não via a hora de poder ter Natsume nos braços. Me segurei o máximo que pude para não abraçá-la. Muita coisa me passou pela cabeça nessa hora, pensei em me declarar novamente, mas eu já sabia que não teria a resposta que queria. O que fazer então? Bem, meu corpo meio que agiu sozinho, então tive que segui-lo.

Eu puxei Natsume para o meu lado, encostando meu ombro no dela, e aproximando nossos rostos, por muito pouco não a beijei (ei, eu sou um cavalheiro). Então disse aquilo que estava no meu coração:

— Ei, não demore pra gostar de mim tá? Vou me esforçar mais um pouco como seu amigo.

Me senti mais leve depois que disse aquilo, podia até respirar melhor, como se tivesse aberto uma janela dentro de mim.

Enfim chegou uma das melhores épocas do ano na vida de um garoto do colegial. O valentine’s day. Tenho que admitir que até eu estava animado. Talvez esse ano algo diferente acontecesse…

E aconteceu, mas não o que eu esperava. Na véspera do Valentine’s Day eu caí de cama doente. Pra piorar meus pais estavam viajando para a casa de um parente, eu dependia dos meus irmãos para tudo, e eles faziam questão de tirar proveito dessa situação.

No dia 14, Valentine’s Day de fato, eu estava sozinho em casa. Meus irmãos estavam estudando. Eu fiquei de repouso, passando longos momentos olhando para o teto. Mal dava pra trocar mensagens com meus amigos, pois estariam no colégio naquela hora. Acabei pegando no sono. Sonhei com gatos, chocolates e gatos de chocolate...Até que acordei com o som da campainha tocando. Que horas eram? Não achei o relógio, isso não importava tanto. Então me esforcei pra levantar da cama e fui atender a porta.

Eu devia estar delirando de febre, era a única explicação. Porque quem estava parada alí na porta era:

— Na-Natsume!

— Nossa, vo-você parece péssimo. — Ela estava carregando um monte de coisas e mal olhava pra mim — Melhor voltar pra cama logo, eu trouxe algo pra você. Eu soube que seus pais não estão em casa. Você tem comido direito?

— Bem eu não...sim! Talvez? — Talvez pela febre eu não estivesse conseguindo me concentrar, não conseguia dizer nada com clareza.

Natsume tinha levado preparo para mingau de arroz, e fez pra mim. Nesse momento pensei: Deus, se eu estiver sonhando, por favor não quero acordar nunca mais.

— Por que está com as mão juntas? — Ela estava rindo — O que você tem não é nem tão grave não precisa fazer prece. A propósito, os professores me pediram pra entregar isso — era a matéria daqueles dias — e também, outras pessoas pediram pra trazer isso — aqui o tom dela era de desdém, eu fiquei com medo.

Quando peguei o embrulho entendi um pouco o motivo. Eram chocolates, vários deles, bem mais do que eu ganhei nos anos anteriores. Acho que essa é uma das vantagens de ser veterano na escola. Natsume deve ter ficado com raiva de ter que trazer isso pra mim. Provavelmente as garotas pediram porque sabem que ela me considera só um amigo, mesmo assim é um pouco cruel.

Olhei pra ela, estava vermelha. Mas parecia raiva. Lentamente tentei me esconder no cobertor, meu sonho estava indo para um caminho estranho, talvez fosse melhor acordar…

— Escute Sasayan…

— Sim! — Me sentia suado, é a febre, é a febre…

— Você já ganhou vários, então acho que nem precisa disso, — ela ficou nervosa — m-mas e-eu trouxe a-assim mesmo...Tome!

Natsume virou o rosto depois de me entregar o pequeno pacote e por um momento eu senti a temperatura do meu corpo subir mais uns 10 graus. Era uma caixa de bombons, embrulhada em papel azul brilhante. Deus não quero mesmo acordar.

— São caseiros mas é apenas chocolate de amigo! Não pense nada estranho!

Dessa vez eu ri, estava realmente feliz. Abri a caixa e comecei a comer, sem lembrar que estava doente.

— Ei! Não é pra comer agora! Você ainda está doente!

Ela tentou pegar a caixa de volta. Mas meus reflexos foram mais rápidos, eu desviei a mão com a caixa de bombons, segurei seu braço com a outra e encostei minha testa na dela. Natsume ficou tão vermelha quanto eu, então eu ri e não me lembro de mais nada depois. A febre me fez desmaiar.

Quando acordei pensei que tudo não tinha passado realmente de um sonho. Mas então olhei pra o lado e vi a caixa de bombons com o embrulho azul brilhante. Meu coração bateu forte. Pena que estava vazia… espera, vazia?

Meus irmão comeram o restante dos bombons da Natsume. Queria matá-los, revive-los e matá-los mais uma vez de uma forma mais dolorosa. Talvez chamasse o Haru pra me ajudar.

Eu estava ficando louco, acho que essa febre era permanente.

Notas finais
Observações: Yukata - Vestimenta típica japonesa, muito utilizada em festivais principalmente por garotas. No Valentine's day existe aquele chocolate especial que você entrega para a pessoa amada, mas também pode-se entregar chocolates para amigos ou familiares. Espero que estejam gostando de como a história tem caminhado até aqui, eu tenho uma surpresa para o próximo capítulo. ♥