Sentimento Oculto
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sempre tive todas as mulheres que eu quis. Mas uma foi mais que especial na minha vida. Samantha. Sinto ela dentro de mim. Com ela fui mais que feliz, com ela eu tive uma vida cheia de amor e carinho. Nosso amor era algo muito verdadeiro, algo muito consistente. Por ela tudo sempre seriam flores. Sempre vou me culpar.
Vou contar o que houve...
Eu tinha acabado de chegar de uma viagem extremamente exaustiva, mas estava feliz por ter retornado para perto de Samantha. Passar dias longe daquela mulher me deixava maluco. Quando se ama intensa e verdadeiramente a nossa vida vira uma loucura. Principalmente quando se está há anos ao lado da mesma pessoa. Ao passar pelo portão eu a vi sorrindo docemente. Ela estava sentada lendo um livro ao qual eu não consegui identificar muito bem. Um sorriso que transformava tudo ao nosso redor. Ela estava linda com aquela calça jeans rasgada nos joelhos e com uma camiseta do Guns 'N Roses. O estilo que ela adorava usar, não que ela não gostasse de ser feminina, mas ela preservava o seu conforto. Vi seu olhar se iluminar ao me ver. Ela veio correndo até o meu encontro, recebendo-me com um abraço. Um abraço caloroso e verdadeiro, cheio de saudades. Dentre o abraço trocamos alguns beijos rápidos, mas nada que pudesse nos comprometer a algo mais sério.
Éramos casados, mas os nossos vizinhos não compreendiam muito o nosso enlace. Achavam que eu era irresponsável e que Samantha fosse apenas uma adolescente qualquer, mas a verdade não era essa. Ela aparentava ser mais nova do que a sua verdadeira idade, mas isso não nos afetava. De vez em quando até brincávamos com as situações só para irritar os nossos vizinhos. Gostávamos de sair da rotina.
Interrompemos a nossa recepção calorosa e entramos dentro de casa. Joguei a minha pasta em cima do sofá e me pus a contemplar o seu doce rosto. Ela estava com cara de quem ia aprontar.
– Senti saudades! — dizia ela, sorrindo.
– Também senti, foi difícil essa semana longe de você — eu disse, enquanto acariciava o seu rosto. — Não aguentei, tinha que voltar para perto de você, mesmo a reunião tendo sido de grande importância. A sua companhia é muito mais importante do que aqueles empresário metidos a besta.
– Jared! – Ela me beijou brevemente. – Por que não entramos de verdade? Tenho uma notícia que pode ser boa. Talvez a melhor de toda a sua vida.
Sorri largamente. Só de saber que ela estava bem já era uma grande notícia, mas sinceramente eu estava curioso. Meu corpo insistia em tê-la nos braços. Precisava daquela que me fazia feliz e completo. Percebi que ela havia se arrepiado com o meu toque. Sam havia se afastado e voltou rapidamente.
– Vou ter que vendar seus olhos! — disse ela, já tapando os meus olhos.
– Sam? O que você vai aprontar, hein?
Ouvi ela rindo. Uma risada divertida e suave como o vento numa manhã de primavera. Ela era toda delicada para comigo. Uma delicadeza que muitos não conseguiam enxergar.
– Calma, amor. – respondeu ela docemente, me dando um breve beijo.
Com todo o cuidado ela me guiou pela casa. Pelo contorno que fizemos percebi que tínhamos chegado ao quarto. Confesso que estranhei, pois ela não gostava de ficar no quarto. Principalmente de dia. Ela se sentia sufocada. Nunca entendi o porquê.
– Tire a venda!
Retirei, tendo uma total visão surpreendente. Na nossa cama de casal havia um sapatinho e um macacão de bebê. Lágrimas de felicidade rolavam do rosto dela. Entendi o que ela quis dizer. Eu ia ser pai. Eu esperei por tanto tempo e finalmente eu havia conseguido. Finalmente depois de tanto tempo eu iria ser pai. Dei-lhe um abraço envolvente seguido de um beijo. Estava muito feliz. Passamos o resto da noite vendo filmes. Nos divertimos tanto.
**********
Meses começaram a se passar e sua barriga estava enorme. Nunca perdia o belo sorriso que tinha. Havia dias em que se sentia disposta, outros cansada. Faltavam poucas semanas para completar nove meses e eu tinha uma festa à noite para ir nesta noite. Eu lhe disse que voltaria cedo, mas ela insistiu em ir comigo. Concordei por contragosto em ela ir comigo, antes que acabássemos discutindo mais do que deveríamos.
Chegamos no local que já estava superlotado por sinal. Apresentei-lhe alguns companheiros de escritório. Ela os achou simpáticos, apenas um deles a olhava com saliência. Deixava Sam sem jeito. No entanto pedi para que ela se sentasse com as companheiras deles, mas Sam não quis me escutar. Observava tudo o que eu fazia ou falava, confesso que me senti um pouco incomodado com aqueles olhares, mas eu deveria entender o lado dela.
Durante a festa me serviram vários drinks e eu não os recusava. Não tinha com o que me preocupar, pelo menos era o que eu pensava. Sam queria muito ir embora, reconhecia o fato de que eu já estava bêbado e que poderia cometer alguma loucura. Me pedia insistentemente pela chave do carro e eu negava de todas as formas. Sua voz soava preocupante. Falava para que pegássemos um táxi, assim chegaríamos em casa em segurança. Não dei ouvidos. Não precisava ouvir todo aquele drama de mulher, elas sempre tendem a exagerar. Pedi de uma maneira grosseira para que ela entrasse no carro e ela assim o fez.
Sam estava indignada com a minha atitude, mas eu já não sabia mais o que fazia. O álcool me dominava por completo.
Lá fora o mundo parecia desabar sobre nossas cabeças. A chuva estava muito forte, o que deixava Sam mais preocupada. Os carros passavam acelerados perto do meu a poucos centímetros para causar um belo arranhão. Fui acelerando aos poucos, pois queria chegar logo em casa. Sam ainda queria discutir a respeito da festa, mas eu não queria conversar. Não ali na estrada. Acelerei, mas acelerei demais, que no entanto numa rua antes não vi o caminhão saindo...
* * * * * * * * * *
Acordei com um tontura muito forte. Não me lembrava de nada. O único barulho que escutei era o da chuva e de sirenes. Pessoas começaram a gritar, gritavam muito. Tudo parecia um grande borrão na minha frente. Senti mãos fortes tocarem o meu corpo a ponto de me erguerem. Era quase como voar, mas não era fácil com tantas dores que sentia. Fui levado para um hospital. Lá fui medicado até que pudesse cuidar de mim mesmo. Um pouco mais consciente eu perguntava sobre Samantha, mas ninguém me dizia nada. Um senhor que aparentava ter uns 50 anos veio até mim, saber como eu estava, respondi que um pouco dolorido e lhe fiz a perguntava que estava me corroendo.
– Como está a Sam? — perguntei de imediato.
– Como, senhor? — indagou o médico.
– Samantha Crawford.
– Lamento, mas não conseguimos nada sobre ela.
Eu comecei a me desesperar. Lágrimas escorriam de meu rosto.
– E o bebê? -Tentei mais uma vez.
– Desculpe.
As duas pessoas que eu mais amava, morreram por minha causa. Eu jamais me perdoaria. Deveria ter seguido o conselho da Sam, mas fui um idiota e deixei que meu ego falasse mais alto. Eu poderia ter evitado aquele acidente se não estivesse completamente bêbado. No enterro deles chorei e chorei, não me importei com as pessoas que estavam ali. Nada os traria de volta. Nem mesmo eu seria capaz de realizar tal feito.
Hoje faz dez anos que estou sem eles. Sem a mulher da minha vida e sem uma criança pra me chamar de pai. Sofro muito pela perda irreparável. Já tentei me suicidar, mas não consegui. Todos me veem sorrindo, mas não imaginam o sentimento oculto que guardo dentro de mim. Um sentimento irrevogável de culpa. Faço terapias para tentar aliviar as dores, mas tudo o que eu faço me lembra dela. Cada dia que se passa é mais difícil de se viver. Me sinto sozinho e incapaz de ter qualquer pessoa ao meu lado. Não quero ser algum tipo de ameaça par as pessoas.
Minha eterna paixão Samantha Crawford.
Nunca a esquecerei, por mais idiota que eu tenha sido. Momentos que tive
Fale com o autor