Sentimentalismo Barato

Quando você tem um treinamento na Sibéria Oriental e aprende a esconder seus sentimentos, é normal que te dêem apelidos do tipo... Cubo de gelo, picolé, pingüim... E sei lá mais o que.

É compreensivo já que nem meus amigos escapam da onda de gelo eterno que é Camus, o santo de ouro de aquário...

Mas já tem um tempo que o mago da água e do gelo está derretendo... E o pior, derretendo por causa de um amor.

Um amor proibido.

Que começou, sei lá, talvez quando eu ainda era criança e o conheci, quando ele estava apanhando por uns dos cavaleiros de prata. Mesmo já sendo frio antes do treinamento, vê-lo apanhar de três cavaleiros, e até hoje não saber o motivo... Mas ajudei mesmo assim...

Não deveria.

Foi naquele momento.

Em que depois de muita luta fiz com que os três fossem embora, e só restássemos ali, eu e um garoto que eu nunca vi na vida caído no chão. Foi no momento em que o ajudei a levantar, suas roupas sujas daquela poeira amarelada, um corte abaixo do olho direito, que felizmente não deixou marcas naquele rosto perfeito, e os belos olhos azuis, úmidos denunciavam lágrimas que nunca cairiam.

Foi naquele momento.

Abri a guarda.

Deixei que aquela amizade começasse.

E antes não tivesse.

Com o tempo, aquela amizade ficou forte, viramos unha e carne, ficamos desolados quando fomos separados quando fomos separados pelo treinamento. Ele teria que ir para a Ilha de Milo, esquecida no meio do mar, e eu para a Sibéria. Vi ele derramar as primeiras lágrimas desde que a nossa amizade começara. Aquele sentimentalismo barato.

Éramos crianças, mais isso não importava.

Tínhamos potencial.

Tínhamos talento.

E era esse o problema...

Depois de alguns anos separados, pudemos regressar ao santuário, vivemos o tempo normalmente, aquela amizade aumentando e se enraizando no meu coração cada vez mais profundo, cada vez mais dentro de mim.

Até que o grande mestre me mandou de volta a Sibéria, mas dessa vez como mestre de um pirralho chamado Isack. Um grande garoto. Mais tarde o mestre me mandou outro garoto. Mais fraco mais novo e mais sentimental. Hyoga só queria tirar a mãe do fundo do mar.

Quando Parti dessa vez, ele chorou novamente. Só mais essa vez. Aquele sentimentalismo barato.

No dia da morte de Isack, eu me senti culpado. O mestre do gelo tinha sido abalado pela morte de uma criança... Patético. Sem perceber estava sendo contagiado por aquele sentimentalismo barato.

Quando Hyoga conseguiu a armadura voltei para o santuário, mais frio, mais sério, mais distante. Minha amizade com ele nunca mais fora a mesma... estava abalada, não sei ao certo o porque, mas não dei o braço a torcer. Até hoje não sei exatamente o que aconteceu... Quando me dei conta já tinha congelado Hyoga no templo de Libra. Sabia que ele morreria se eu o deixa-se lutar contra os Santos de Ouro.

Quando eles lutaram, eu me vi pela primeira vez confuso e dividido entre duas pessoas, que agora eu notei serem importante para mim. Acompanhei toda luta com meu cosmo e não sabia por quem torcer... Meu melhor amigo e meu pupilo lutando quase a te a morte era doloroso. Desesperador. Suspirei aliviado quando ele deixou Hyoga subir ao meu encontro.

Foi nesse memento que eu soube o que fazer.

Ele não sabia, então seria mais fácil. Deveria ensinar a Hyoga uma última técnica.

Mas tive que morrer para isso.

E a beira da morte, eu chorei.

Uma única lágrima.

Fruto de um sentimentalismo barato.

De um amor que nunca será correspondido.

E nem revelado

Espero agora, aqui no inferno.

Os planos de Hades avançarem o suficiente para que eu possa vê-lo de novo.

Como um renegado.

Um cavaleiro traidor.

Mesmo que em lados opostos.

Mesmo enfrentando o ódio em seu olhar.Só para poder vê-lo novamente.

Para tê-lo perto mim só mais uma vez.

Je’t aime escorpião maldit!

Notas finais
N/A.:
Mini-Fic, Oneshot
Tava em aula vaga e decidi explorar os pensamentos do Camus e algumas das reflexões de como tinha sido sua vida antes da sua 1º morte...
Queria dedicar essa fic a Kitsune-san, você que me inspirou no mundo de Fics Yaoi de Saint Seiya, agradeço muito por isso! *mentira, foi imaginar aqueles homens maravilhosos juntos*
Mereço reviews? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!