Sentidos
1 Capítulo 1 - Pesadelos não ruins (POV Luna)
Notas iniciais
Deixo que decidam amá-la ou odiá-la.
E amar justamente quem você não pode...
E sentir justamente o que você não quer...
“- Pare de me olhar assim, e saia já daqui! Vai acordar as outras meninas! – Eu sussurrei assustada para a sombra que se projetava sobre a minha cama, cujo dono eu sabia perfeitamente quem era.
— Luna, você quer por favor parar de resistir? – Ele falou tocando levemente meu braço que estava sobre a coberta.
— Por quê? Só me explica por que sempre vem aqui à noite interromper meu sono? – Perguntei afastando o braço dele de mim.
— É porque, à noite, nossos sentidos estão mais apurados...”
Daí eu acordei.
Então era isso, ele invadia meus sonhos falando besteiras. Dominava meus pensamentos tentando me fazer apaixonar por ele.
Mas eu jurei que isso nunca aconteceria. Jurei para mim mesma que nunca me deixaria encantar pelo único homem capaz de me fazer estremecer por completo. Eu não queria amar Draco Malfoy.
Era quase impossível fechar os olhos e não imaginar seu sorriso sarcástico, seus olhos tão, tão azuis, me afogando naquela sensação deliciosa que eu não podia me permitir sentir.
Sentei na minha cama, eram quase quatro da manhã. Ele não estava lá, pelo menos não fisicamente, mas era como se o cheiro do veludo verde das suas vestes da Sonserina ocupasse todo o lugar.
Como se o cheiro do gel de cabelo dele estivesse impregnado em mim.
Resolvi procurar a única pessoa que poderia me ajudar a acabar com aquilo de uma vez por todas, e mesmo sabendo que era errado sair caminhando por Hogwarts no meio da noite, eu saí. Era necessário.
Saí da torre da Corvinal em direção à Grifinória, sorri para o grande quadro, e respondi “Holicarpo” quando a mulher gorda me perguntou a senha, então ela me deixou passar, um pouco contrariada por tê-la acordado tão cedo.
— E veja se não vai ficar andarilhando por estas bandas a esta hora! Já não se pode mais dormir, oh, céus, já não se consegue nem deixar um velho quadro em paz... – ela resmungava enquanto fechava-se atrás de mim.
Como era de se esperar, a sala comunal não estava vazia, dois calouros estudavam poções desesperadamente. Não entendo porque os alunos em geral, exceto os da Sonserina, têm tanto medo do professor Snape. Sorri para eles e subi as escadas do dormitório feminino em silêncio, encontrei a porta do quarto do 5º ano, onde Hermione estaria, e entrei devagar. Sentei do lado da cama dela, tentando pensar em uma maneira de acordá-la sem assustá-la, mas era tarde demais, ela já tinha sentado, e estava me olhando como se eu fosse um testrálio, ou coisa assim.
— Luna, o que está fazendo aqui? Que horas são? – Hermione falou daquele jeito meio nervosinha, meio agitada que ela tem.
— Preciso de ajuda. – falei para ver qual seria a reação dela.
Hermione só esfregou os olhos, então eu continuei:
— Você conhece algum feitiço para afastar pesadelos? Há meses que não consigo dormir...
— Pesadelos? Mas que tipo de pesadelos?
— Hum, como eu posso dizer, pesadelos que alguém coloca na cabeça da gente.
— Mas quem está colocando pesadelos na sua cabeça, Luna? Quem faria uma coisa dessas? Como são estes pesadelos?
— Uma pergunta de cada vez... bem, uma certa pessoa, são pesadelos muito particulares.
— São pesadelos ruins? – Hermione perguntou desconfiada.
— E existe pesadelo bom? – Respondi fazendo esta pergunta também a mim mesma. Talvez não fossem pesadelos ruins. Talvez fossem até bons. Talvez fossem bons até demais. E aí morava o perigo.
Hermione estava longe de ser tola, ela ficou pensativa por alguns instantes e eu acredito que naquele momento ela já deveria imaginar o que estava se passando.
— Você vai ter que resolver isso da maneira trouxa, Luna, um bom “olho no olho” com a pessoa, então você diz: “Vai me deixar em paz ou quer que eu te arrebente?” – Ela falou tentando segurar um sorriso.
Nós duas caímos na gargalhada depois dessa.
— Acho que brotos de Flígius podem espantar invasões de mente por um tempo. – Hermione falou quando parou de rir. – Você pode conseguir um pouco com o Longbotton, coloca debaixo do travesseiro, mas lembre-se, assim que a pessoa descobrir, certamente usará um bloqueador de repelentes de feitiços e voltará a entrar nos seus sonhos.
Voltei para a Corvinal depois de um pouco mais de conversa feminina com a Hermione, já estava na hora de tomar banho para assistir às aulas. Me arrumei bem rapidinho e fui tomar o desjejum junto com todo mundo, meu pai me enviou o novo exemplar de O Pasquim:
Tempos de traição estamos vivendo...
Era o título da manchete principal, que falava a respeito do Ministério e suas falcatruas.
Traição.
Era exatamente isto que eu estava fazendo comigo mesma, sentindo essa coisa por alguém que quer o mal dos meus amigos. Isso é traição, não posso me permitir sentir isso, não posso trair meus amigos.
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