Senti monstro
1 Menino de verdade
A madrugada era quente em Paris, mas o ambiente frio beirava dentro da Mansão Agreste. As ruas estavam desertas, silenciosas e provavelmente a maioria dos moradores de Paris estariam dormindo a essa hora. Mas, ali dentro da grande Mansão Agreste, encontrava-se um garoto loiro de olhos verdes, acordado, que tocava uma melodia melancólica no piano dentro de seu quarto.
Seus olhos apesar de brilharem em verde, pareciam vazios. Tocava no instrumento sem nem olhar onde seus dedos estavam pousando. Seu rosto não era capaz de esboçar nenhuma expressão, apenas esboçava a maior apatia. A melodia ecoava pela grande mansão e todos que moravam nela podiam ouvi-la. Porém, os vizinhos ouviriam apenas um misterioso sussurro da música.
Os dedos do garoto tocaram a última tecla da música e o silêncio invadiu aquele lugar inteiro após o fim da melodia e mais nenhum pio foi se escutado por pelo menos 1 minuto.
Até que uma voz grave cortou o silêncio.
Vinha de um homem branco de cabelos grisalhos e óculos apoiados no nariz. Estava de pé em frente a porta do quarto do garoto loiro, os braços para trás e um rosto que apenas demonstrava a maior infelicidade do mundo.
— Adrien, tocar a melodia de Emilie novamente.
O garoto loiro com a mesma expressão de vazio, apenas continuou a tocar e a triste música voltou a preencher a mansão.
O homem apenas saiu e começou a andar para outro canto da casa. Como se tivesse apenas ligado o som e fosse curtir uma música fazendo outra coisa.
Sem que ele pudesse ver, uma lágrima escorreu dos olhos de Adrien. E apesar da lágrima encontrar até a ponta do seu queixo, ele não tirou a expressão de vazio do rosto e não parou de tocar a música exigida nem por um segundo.
Depois de Adrien tocar repetidas vezes a melodia por pelo menos duas horas, já era 2 e 30 da manhã no relógio.
— Perfeito como sempre, Adrien. Mas já pode parar com a música. -Disse Gabriel na porta do quarto (o homem de cabelos grisalhos). — Pode ir dormir... se desejar.
— Obrigado, pai.
E o homem simplesmente só saiu.
Caiu da cadeira do piano e chorou de soluçar no tapete de seu quarto e ninguém iria escuta-lo naquela grande mansão.
Quando teve forças para se levantar, foi com dificuldade com os olhos marejados até a enorme janela de seu quarto, onde se recostou e passou a observar a escuridão do céu acima, procurando pela estrela mais brilhante.
— Mamãe, sinto saudades. Onde quer que você esteja, por favor me liberte do meu sofrimento. Por favor, me deixe ser livre, ou ao menos...me faça ter a coragem de buscar pela minha liberdade.
Talvez a mãe de Adrien, Emilie, a quem deu sua vida para ter o menino, realmente tenha escutado seu pedido. Talvez seu desejo foi tão forte e tão sincero, que quem quer que tenha o ouvido, não iria deixar Adrien sofrer sozinho mais.
Adrien não sabia, mas, depois daquele dia, sua vida iria mudar para sempre. Porque foi na manhã seguinte que pela primeira vez ele teve coragem de pedir para seu pai para estudar numa escola comum como a maioria das crianças.
E foi no caminho até lá, que ele acabou recebendo a liberdade na palma de sua mão. O miraculous da destruição que tornou possível a transformação dele no herói de Paris: Cat Noir.
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