Sentença de Amor
4 Capítulo 04
Capítulo 04: Apostando tudo pra ganhar.
Duas semanas depois do incidente no café, Kate parou de trabalhar na linha de frente, e ficou o maior tempo possível na cozinha. Não tinha como abandonar o trabalho e nem mudar-se no momento, não se disponha de tal recurso. Ela não era mais uma pessoa normal, a passagem pela cadeia não ia desaparecer porque ela queria, o melhor era sumir das vistas das pessoas principalmente, Gwen e JC.
Na fuga, ela descobriu algo surpreendente sobre si mesma: na cozinha, suas mãos se mostravam tão habilidosas quanto com um pincel. A comida que preparava começou a atrair vários clientes recentemente, um sinal de que seu talento estava sendo reconhecido. Essa conquista trouxe-lhe uma alegria inesperada, que confortou seu próprio coração.
Enquanto misturava a massa do pão, um sentimento de alívio começou a aflorar, amenizando um pouco sua depressão. Ver Gwen, aquela garotinha adorável, havia lhe dado força de vontade para enfrentar o que a vida lhe reservava. Ela via como Gwen estava crescendo linda, bem cuidada e, acima de tudo, feliz. Para ela, isso era o mais importante: ver sua filha, o que amava no mundo, mais do que a si mesma, feliz e saudável.
— Kate?! — Robert a chamou.
— Chefe!
— Ela está aqui novamente, está te procurando. — ele apontou para a criança sentada na mesa do lado de fora. — O que digo a ela dessa vez?
— Pode dizer que eu não estou aqui... — Kate espiou a fresta da janela da cozinha e um sorriso queria surgir, mas ela o segurou. — Diz que não trabalho...
— Você vai ficar mentindo para ela até quando? — a voz masculina de JC a interrompeu.
Kate sentiu um arrepio perturbador percorrer sua espinha, mas decidiu ignorar. Eles já haviam discutido tudo sobre aquele assunto enquanto estavam no hospital, chegando a um acordo mútuo: um não interferiria mais na vida do outro.
Robert, ciente de que o relacionamento entre eles não era comum, resolveu dar-lhes privacidade. Ele se afastou discretamente, permitindo que Kate e JC pudessem conversar em particular, sem interrupções.
— Estou lá fora, me chame se precisar de algo! — ele encarou JC como se o avisasse para não ultrapassar os limites.
JC esperou pacientemente até que Robert saísse da cozinha. Só então voltou seu olhar para Kate. Ela estava ocupada, as mãos cobertas de farinha, focada em seu trabalho. A atenção dela estava claramente voltada para a tarefa à sua frente, uma forma de evitar encarar JC. Ele percebeu que ela estava, de certa forma, fugindo dele, imersa na preparação da massa como se aquilo pudesse afastar a tensão entre eles.
— Não ficamos de acordo que não nos veríamos mais? — ela o questionou decidindo quebrar o silêncio. — Eu não me movi um centímetro, como bem sabe estou evitando-a e não posso me mudar.
— Eu sei. — o tom resignado dele fez Kate para de remexer a massa e se encolher.
Ele sabia exatamente o que estava acontecendo, tinha vigiado Kate e Gwen de perto. Foi por isso que estava ali, mesmo contra sua própria vontade.
Kate, percebendo que ele não ia dizer nada, voltou a concentrar-se em seus afazeres na cozinha. Não queria mais pensar no passado, desejava apenas que ele fosse embora. Enquanto misturava a massa, cada movimento era uma tentativa de afastar as lembranças dolorosas e a presença perturbadora dele.
— Eu preciso de um favor, sim? — ele confessou.
— Não! — ela negou-se mantendo as mãos ocupadas amassando a massa.
— Você ao menos pode me ouvir? — JC se sentiu irritado.
JC não queria estar ali fazendo aquilo, mas não via alternativa. As coisas estavam saindo de seu controle rapidamente e ele se sentia impotente. Gwen precisava de ajuda urgente, e ele sabia disso. Seu advogado estava certo, mesmo que ele detestasse a ideia. Reconhecia que havia mérito na sugestão. Se a proximidade de Kate com Gwen pudesse ajudar a resolver os problemas escolares da menina, então talvez fosse o melhor a se fazer. Com um suspiro resignado, JC se preparou para pedir ajuda.
— Não, não vou me envolver com seus assuntos. Lembre-se de que eu posso querer minha filha de volta. — ela o ameaçou.
— Não me ameace Kathryn! — ele ficou ainda mais irritado com ela. — Você sabe muito bem com quem está mexendo.
Ela respirou profundamente, esforçando-se para manter a calma. Conhecia muito bem aquele homem e sabia o quão cruel ele poderia ser. Cada encontro com ele trazia à tona memórias dolorosas e um medo que ela lutava para controlar.
— Vamos apenas fingir que não nos conhecemos, por favor. — ela suplicou.
— Gwen não está bem! — ele disse.
O coração de Kate apertou, seu bebê não estava bem?
JC sabia que não estava jogando limpo, mas precisava conter Gwen de alguma forma.
[...]
Três dias antes.
— Senhor Carter, preciso falar com você sobre sua filha... — a professora o parou antes dele pegar os pertences de Gwen.
— O que aconteceu? — JC continuou recolhendo as coisas dela.
— De uns dias pra cá, ela não está mais interessada na escola. Briga com os colegas e está sensível, qualquer coisa é motivo para uma briga. Estou avisando que estamos suspendendo-a das aulas. Procure ajuda psiquiátrica para que ela possa lidar com o fato de que a mãe a abandonou — disse a professora. — O incidente de hoje prova que ela está precisando de ajuda.
— Mas que porcaria é essa? — JC se exaltou.
— Senhor, eu sei que deve ser difícil para você também, mas estamos pensando nas outras crianças... Gwen passou dos limites e está se tornando um problema sem solução — a professora terminou de entregar os materiais para JC. — Quando tiver o laudo médico, ela pode retornar às aulas.
A mulher deixou JC sem palavras, e ele sentiu um peso enorme cair sobre seus ombros. O que mais ele poderia fazer? Nesses momentos, ele se sentia totalmente impotente, como um garoto desamparado, apesar de ser um executivo acostumado a lidar com milhões. Quando o assunto envolvia a sua pequena, ele parecia um novato.
JC pegou as coisas de Gwen e saiu da sala de aula, carregando um peso visível em seus ombros. Ao entrar no corredor, viu Gwen sentada em um banco com a cabeça baixa, os ombros curvados em um gesto de desânimo. Ela sabia que a conversa entre a professora e seu pai não traria boas notícias. A expressão abatida de Gwen refletia sua expectativa, consciente de que a situação estava prestes a piorar. JC sentiu um aperto no peito ao vê-la tão vulnerável, enquanto tentava encontrar as palavras certas para confortá-la.
— Vamos pra casa. — JC estendeu a mão para sua pequena.
Em casa, Gwen mal tocou na comida e se recusou a conversar, respondendo apenas com poucas palavras. Estava visivelmente triste, e seu olhar perdido refletia o peso de seus pensamentos. JC tentou não pressioná-la, mas se sentia impotente, sem saber como lidar com a situação. Deveria procurar um médico? Sim, provavelmente teria que fazer isso. Contudo, algo lhe dizia que Gwen não estava doente no sentido convencional. Ela era inteligente, carinhosa, esforçada, e desenhava muito bem. Essas qualidades ressaltavam que o problema não era sua capacidade, mas talvez algo mais profundo e emocional. Queria vê-la sorrir novamente.
Sem saber o que fazer JC coçou a cabeça pensativo. O que deveria fazer?
— JC, o Sr. Hidden chegou. — Mary que trabalhava na casa dele avisou.
— Sim, irei para o escritório!
— Eu posso ir para o quarto? — Gwen pediu.
— Pode sim, mas tarde passo lá!
JC levantou da mesa e foi até o escritório que ele mantinha em casa. Nunca tinha sido de trabalhar em casa, mas com a chegada de Gwen, ele teve que mudar muitas coisas, persuadiu Mary a vir da casa dos pais para trabalhar para ele, e começou a trabalhar às vezes em casa, sempre queria estar em casa a noite para dar boa noite para sua filha.
JC lembrou-se com amargura do momento em que seus pais cortaram relações com ele devido a chegada de Gwen. A decisão deles de se afastar foi um golpe duro, mas também uma forma de alívio para ele. Sem a pressão constante de seus pais para se casar, ele sentiu que havia se livrado de um problema significativo. A presença de uma criança complicava a situação, muitas mulheres não estavam dispostas a se comprometer com alguém que já tinha uma filha. Assim, a pressão para se casar e a interferência constante dos pais diminuíram, mas o distanciamento entre eles ainda era uma questão.
— Trouxe alguns documentos para você assinar, tem uns dias estou atrás de você. — o advogado dele entrou retirando uns papais da pasta.
— Se for sobre a aquisição do VBanks esqueça! — JC o informou. — Não vou mais investir!
— O que? Eu preparei toda a documentação. — o advogado se sentou desmotivado. — O que aconteceu?
— Sebastian... — JC olhou para seu amigo que também era seu advogado.
JC vinha de uma família rica e de alto prestígio, com vários parentes ocupando cargos elevados no governo. Seu pai era um ministro influente, enquanto sua mãe administrava o império hoteleiro da família, que um dia seu irmão mais velho herdaria.
Apesar dessa herança poderosa, JC optou por se afastar da influência familiar e construiu sua própria empresa de investimentos com a ajuda de Sabastian. Hoje, sua empresa era uma das mais respeitáveis no setor, mas JC fez questão de manter sua origem em segredo. Na verdade, poucos conheciam sua ligação com a sua família tradicional e poderosa, e ele se esforçou para estabelecer sua própria identidade profissional, longe das sombras de seu passado.
— Tem algo errado com a startup? — o amigo o questionou.
— O grupo Carter comprou algumas ações. — justificou-se
Sebastian sabendo da história de família dele, acatou a decisão do amigo e guardou os papéis na maleta, ele tinha outra empresa no gatilho, então não seria um problema muito grande fazer outro contrato.
— Como está Gwennie?!
— A escola a suspendeu... Ela tem causado problemas desde que uma professora surgiu com uma história que ela foi abandonada pela mãe — JC disse, com um suspiro cansado e uma pitada de frustração. — Essa professora tentou se encontrar comigo, mas eu a rejeitei. Agora, parece que ela influenciou a cabeça da menina e agravou a situação.
— Vamos processar! — Sebastian já motivado novamente com um processo ganho.
— Mas não resolve o problema da Gwen. — JC não poderia nem ver essa professora na frente dele.
— Você não disse que ela tinha se interessado novamente por desenhar? E que estava indo bem... — Sebastian o lembrou.
— Ela não se interessou em desenhar novamente, ela se encontrou com Kathryn, ela fez um desenho para Gwen, e eu prometi que iria contatar essa pessoa pra dar aula pra ela. Não sabia que era a mãe dela. — JC quebraria sua promessa.
— Como a vida é engraçada não é? — ele sorriu, era advogado, mas não era sínico. — Foi coincidência que elas se encontraram?
— Não acredito muito nisso, não. — ele fechou a expressão. — Mas também não quero falar sobre ela. Preciso resolver o problema da minha filha.
— Que tal um psicólogo? Ela pode fazer terapia.
— Não acho que o problema seja esse... Ela estava bem, até aquela professora que não conseguiu o que queria e começou a atacar Gwen como vingança. — JC levantou da cadeira e foi até a janela.
Como faria pra ajudar aquela criança que era seu tudo.
— Ainda acho que deveríamos processar. — Sebastian foi racional.
— Temos provas disso? — JC o cortou.
Sebastian pensou um pouco e sabia que o amigo tinha razão, não tinham provas e seria a palavra de uma criança contra um adulto, no minino seria problemático. Um psicólogo JC não queria. Talvez se chamasse a mãe da menina de volta resolveria o problema. Mas Sebastian não acreditaria que JC aceitaria isso muito bem.
— Que tal contratar a mãe dela como professora de artes e fazer ela voltar pra escola?
— Nem pensar... Não quero Kathryn rondando ela. — JC se negou a pensar sobre isso.
— Pensa pelo lado bom... Você ficar de olho em Kathryn enquanto ela ajuda a filha a voltar para escola. Depois você pode encerrar o contrato. Se fizer um contrato que a limite, ela não poderá fazer nada. — Sebastian explicou.
Sabendo que JC era movido pela racionalidade, ele acreditava que um contrato poderia resolver a situação de Gwen e Kathryn de uma vez por todas e trazer-lhe a calma que procurava. Para ele, um contrato não apenas resolveria os problemas dele, mas também lhe daria uma sensação de controle.
Com um contrato, JC poderia assegurar que Kathryn permanecesse sob seu poder, aliviando a constante desconfiança que sentia em relação a ela. Esse acordo permitiria que ele a afastasse sempre que achasse necessário, utilizando as cláusulas a seu favor para garantir que suas preocupações fossem atendidas e que sua posição de autoridade fosse mantida.
— Tive uma ideia: irei investigar o que ela fez todos esses dias em que ela saiu da cadeia... Vou trazer as informações e geramos um contrato. — Sebastian era o primeiro em tudo porque ele era rápido em pensar em soluções.
Na manhã seguinte a reunião que JC teve com Sebastian ele trouxe fotos e vídeos de Kathryn depois que ela saiu da prisão, e um contrato pronto, no escritório dele na empresa.
— Esse vídeo aqui é do dia que elas se encontraram, você viu isso? — Hidden perguntou.
— Não, eu não vi. — JC pegou o celular e deixou de lado os documentos da empresa.
JC deu play no vídeo, observando a cena com atenção. Nele, Kathryn estava conversando com uma amiga, que eventualmente saiu, deixando-a sozinha. Foi então que ele viu a mudança drástica em sua expressão, ela parecia uma pessoa diferente, como um zumbi sem controle sobre seus movimentos. Kathryn vagou pela rua movimentada, seu olhar perdido e distante, como se nada ao seu redor tivesse importância. O coração de JC apertou ao ver sua condição desesperadora.
No vídeo, sua garotinha apareceu e, sem saber do que estava acontecendo, foi até Kathryn e a puxou para fora da rua movimentada. A intervenção da menina trouxe um alívio imediato para JC, fazendo com que o peso em seus ombros desaparecesse. A angústia que ele sentia foi substituída por alívio.
Kathryn, no entanto, parecia não reconhecer a própria filha, que havia acabado de salvar sua vida. A conversa entre elas foi marcada por uma expressão confusa e um entendimento limitado. Após algum tempo, Kathryn saiu e voltou com um lanche, e fez um desenho, que provavelmente era o que JC havia visto anteriormente. Finalmente, depois de algum tempo juntas, elas se separaram.
— Coloque uma cláusula: suicídio é proibido, imediatamente. — JC exigiu.
— Pode deixar. — Sebastian trocou a última folha por outra. — Mentes brilhantes pensam igual.
Ele grampeou o contrato e entregou a JC.
[...]
— O que aconteceu com ela? — toda a atenção de Kate estava em JC.
Infelizmente JC não jogaria limpo em nenhum momento com ela, a ordem do dia era fazer ela assinar o contrato.
— Ela foi suspensa da aula e não quer mais estudar, e eu prometi pra ela que eu arrumaria uma professora de artes para ela, assim ela voltaria estudar. — JC explicou. — Eu quero que ela volte pra escola e aprenda tudo.
— E como eu posso ajudar? — ela nunca se recusaria a ajudar sua pequena.
— Eu preparei um contrato para você fazer a tutoria dela de três meses. Você ensina os desenhos e a faz voltar pra escola. No final dos três meses te pagarei 100 mil e está livre. — ele mostrou o contrato pra ela.
— Eu aceito, mas com uma condição. — ela o informou.
— Sobre o valor posso aumentar, se for o caso.
— Não, não é sobre isso. Eu farei o que tiver escrito nesse contrato, mas acabamos. Assim que o contrato terminar não tenho mais a dívida que existe entre nós. Nunca mais nos encontraremos. Esse vai ser o pagamento.
JC deu os ombros como se isso não importasse, era até ótimo pra ele. Mas deixaria a cláusula dos 100 mil. Ele sabia que era justo, ele estava usando a filha dela pra controlá-la.
— Tudo bem! — ele entregou a pasta para ela.
Ela limpou as mãos da massa de pão, pegou a caneta que anotava os pedidos e simplesmente assinou tudo sem ao menos ler o que havia em 6 páginas de contrato.
— Você não vai ao menos ler? — ele ficou chocado com essa atitude, ele iria esperar ao menos uma negociação.
— Eu não quero ler sobre nunca mais poder ver minha filha. — as palavras dela atingiu em cheio.
JC se sentiu como uma criança arteira que foi pega na mentira. Que sentimento estranho. Ela assinou mesmo sabendo disso, porque? Kathryn conseguia ser totalmente imprevisível.
— Quando vai começar a valer esse contrato? — ela perguntou.
— Pode ser na próxima semana, é o tempo que organizo as coisas com Gwen e para você. — ele guardou a pasta do contrato em sua maleta.
— Eu irei fazer o turno da manhã então você pode me buscar aqui às 13h!
JC olhou para a pasta em suas mãos, os documentos ali dentro representando uma parte de suas decisões. Em seguida, ele voltou seu olhar para Kate, sentindo uma mistura complexa de emoções conflitantes. Embora sentimentos controversos começassem a surgir dentro dele, ele se forçou a afastar esses pensamentos, preferindo se concentrar nas questões práticas e na situação que ele os colocou.
— Tudo bem, passarei a aqui na segunda-feira às treze horas — JC virou as costas e saiu da cozinha.
Kate finalmente soltou o ar que estava prendendo e se virou para olhar pela pequena janela da cozinha, que dava para o saguão dos clientes. Através da janela, ela viu as costas de JC dirigindo-se em direção a Gwen. Por um breve instante, seu coração vacilou, e ela experimentou uma sensação confusa e difícil de identificar. Naqueles segundos, ela não conseguiu compreender completamente o turbilhão de emoções que a invadiu, deixando-a perplexa e incerta sobre o que havia sentido.
Mais tarde, em seu apartamento, Kate arrumava suas coisas lentamente, ansiosa pela visita de sua amiga Jenny. Sabia que, ao contar o que havia feito naquela tarde, Jenny ficaria preocupada. Aquela criaturinha estava se tornando a melhor coisa que aconteceu a Kate nos últimos cinco anos, alguém com quem ela poderia contar sem ter que se preocupar com seu passado.
Kate refletia sobre como, se um dia conseguisse se libertar das amarras do seu passado, Jenny seria a pessoa com quem ela se sentiria verdadeiramente livre para ser quem realmente era. Ela desejava ser para Jenny uma fonte de confiança e apoio nos momentos de crise, empenhando-se em se tornar a melhor versão de si mesma e retribuir todo o apoio e compreensão que havia recebido.
Kate ainda estava imersa em seus pensamentos quando Jenny chegou. Ao ver a porta entreaberta, Jenny entrou sem hesitar, sabendo que, quando Kate deixava a porta aberta, isso significava que não era necessário bater ou anunciar sua chegada. No entanto, quando a porta estava fechada, Jenny sempre respeitava o espaço de Kate e só entrava quando recebia um convite explícito. Esse respeito mútuo pela privacidade era uma parte importante da confiança e da amizade que compartilhavam.
— Como você está? — Jenny perguntou olhando a mochila que ela estava arrumando.
— Estou bem. Preciso te dizer algo... — Kate hesitou por breves segundos. Mas resolveu logo contar tudo que aconteceu aquela tarde. — JC veio me procurar, e acabamos fazendo um contrato que não me favorece nada
— Que tipo de contrato você está falando? — Jenny quis saber.
— Um contrato onde possivelmente depois que acabar seria a única prejudicada! — Kate estava ignorando isso desde cedo.
— Por que você assinou uma coisa dessas? Poderia ter me chamado eu olharia isso para você. — Jenny se irritou.
— Jenny, JC não é uma pessoa comun que se brinca, no momento ele precisa de mim, mas quando ele perceber que não sou uma pessoa que é para coexistir no seu mundo, eu serei jogada para fora — ela disse tentando se convencer Jenny e ela própria.
— E Gwen, como ela fica nessa história?
— Eu não vou pensar nisso agora... — Kate pegou alguns outros pertences e colocou na mochila. Parecia que tudo que ela tinha estava ali.
— Vamos deixar assim então, você tem uma cópia do seu contrato? — Jenny queria analisar linha por linha. Mesmo que fosse inútil, queria ajudar nem que fosse o mínimo.
— Tenho sim, está em cima da mesinha na sala. — Kate aprontou para a pasta largada lá de propósito.
Enquanto Kate continuava arrumando suas coisas para levar para casa de JC Jenny correu até o contrato e começou a ler todas as páginas que Kate ignorou a tarde inteira. Após alguns minutos levantou-se e imediatamente assustando ela.
— Como ele pode fazer isso com você? Você tem noção do que ele fez com esse contrato? É totalmente injusto com você... No fim dele você vai ter que se afastar e nunca mais aparecer na frente de Gwen. Tem o dinheiro também. E como se... se... ele tivesse comprando você. — Jenny estava muito revoltada, se JC aparecesse em sua frente, poderia estrangular ele.
— Nada me surpreende até aí! — Kate continuou calmamente arrumando suas coisas.
— Qual é a história que você tem com esse cara que ele pode fazer esse tipo de coisa com você e você não se ressentir?
— Eu devo a ele... — ela confessou.
— Essa dívida não é cara de mais? Você tem noção do que vai acontecer depois que isso acabar, você vai ficar destruída e ainda vai perder a sua filha de novo!
— Apenas posso viver o momento com o que eu tenho agora, não posso pensar em mais nada além... — e era isso que ela estava realmente querendo fazer. Quando Ella a alcançasse ela já teria tido um pouquinho de Gwen, mesmo que por um segundo. — JC joga para vencer!
Jenny colocou os papais de volta na pasta.
— Ele apostou tudo apenas para ganhar de você
— É melhor perder para ele do que para qualquer outra pessoa... — Kate se recusava a pensar em Ella.
— Kate... você o ama?
— Eu não sei o que é o amor.
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