Sentença de Amor
1 Capítulo 01
Capítulo 01: Um lembrete de como você deve ser grata.
Era tarde da noite quando o choro da criança tornou-se gritante. Kathryn levantou-se da cama e foi até o berço com habilidade recém adquirida a acalentou cantando uma canção de ninar. A bebê fixou olhar para a mãe e sorriu. Um sorriso angelical.
— Oh querida... A mamãe te ama tanto! — assim que sussurrou aquilo, alguém bateu na porta.
Apressada colocou o bebê no berço e desceu até a porta. Kate esperava que não fosse a irmã gêmea, lhe pedindo mais dinheiro. Gwen havia nascido há dois meses e Kate já quase não tinha mais dinheiro na conta, já que da última vez a irmã lhe visitará levou todo seu dinheiro. Mesmo que Kathryn tivesse seu trabalho para retornar em dois meses, as coisas ficariam difíceis para ela e a pequena Gwen.
Ao abrir a porta se deparou com dois policiais com uma folha de mandato, ambos preparados para uma fuga enquanto seguravam a cintura.
— Kathryn Gregory, você está presa... — o policial já foi lhe agarrando o braço sem lhe dar chance de reagir. — Se resistir teremos que usar a força.
Antes que pudesse dizer alguma coisa ou falar, o choro do bebê fez os policiais olharem entre si. E a seguraram com mais força, impedindo-a de fugir.
— Há um bebê na casa! Chame a assistência social. — um deles disse.
— É minha filha! — ela se desesperou — Por favor, não a machuque.
Ao invés de ouvirem seus apelos os policiais a algemou e a levou a força para dentro da viatura. Os choro do bebê levaram Kate a derrubar lágrimas incessantes. Desesperada pela a filha, ela foi ignorada.
— Você tem o direito de permanecer calada. — o policial decretou seus direitos.
...
JC parecia um tigre enjaulado na pequena sala do delegado, queria ver com seus próprios olhos a prisão de Kathryn Gregory. A ladra. A garota envolvente e sedutora havia trabalhado com ele alguns meses atrás e havia roubado quinze milhões e desaparecerá. JC queria seu dinheiro de volta.
Finalmente a tinha encontrado, depois de seis meses, na busca.
— Sr. Carter? — chamou o tenente de plantão afrouxando sua gravata.
— É JC, tenente. — replicou irritado.
— Encontramos a garota! — ao dizer essas palavras Kathryn Gregory passou algemada por policiais.
JC sentiu algo se revirar no estômago.
— Quero ver a piranha com meus próprios olhos. — como JC era muito influente com o comandante do estado, o tenente apenas olhou para ele e assistiu.
Esperando pela conversa particular JC sentou-se. A mulher que entrou tinha o rosto idêntico ao de Kathryn, mas o pijama largo e os chinelos não pareciam em nada a vadia manipuladora que havia roubado seu dinheiro, mas como ele bem sabia as aparências enganavam muito bem. A desprezou ainda mais com aquele olhar perdido que ela lhe lançou, foi a gota d'água para sua raiva cair sobre ela. Todas as perguntas que lhe travaram a mente.
— Onde está o dinheiro? O que fez com o arquivo? Porque me roubou? — ele respirou fundo quando viu que ela trazia no colo as mãos algemadas e a cabeça baixa. — Diga sua piranha, abriu as pernas para o meu contador?
Ele esmurrou a mesa e a fez se encolher de medo, mas nenhuma palavra foi dita por ela, o que tinha a dizer? Sabia que algo tinha acontecido, mas qualquer coisa que dissesse ninguém acreditaria. O medo em seus olhos era visível, JC só percebeu que estava ido longe demais quando viu seus dedos apertando a mesa até esbranquiçadar na tentativa de se controlar. JC tentou se acalmar, ele não era um agressor.
Ao ouvir o choro do bebê ela entrou em pânico, não se importava de se fosse espancada, maltratada ou injustiçada. Seu bebê seria tomado e ela não podia fazer nada, a vida não estava sendo justa com ela. Todo esse tempo ela só queria viver em paz.
— Meu bebê... — sussurrou sem forças.
Ela estava com frio e cansada, as roupas de dormir não eram tão quentes e tudo parecia fora de ordem.
— Então você fala! Onde está meu dinheiro?
— Eu não peguei o seu dinheiro, eu juro. — confessou tentando manter a calma. — Eu nem sei quem é o senhor.
Por dois segundos, talvez, meio JC acreditou naqueles olhos verdes perdidos cheios de lágrimas tentando em desespero procurar algo. Ele disse a si mesmo pra não cair nesse golpe, uma segunda vez.
— Devolva meu dinheiro ou lhe jogarei tanto tempo na cadeia que quando sair nem vai lembrar seu nome. — ele ameaçou.
— Eu... Eu não tenho o seu dinheiro. Eu nem sei do que está falando. Nunca vi o senhor na minha vida. — as suas mãos tremiam.
— Já que insiste com essa mentira, tenente! — gritou e o Tenente logo apareceu. — Não quero vê-la em minha frente nunca mais...
Ele levantou-se para sair, a justiça daria conta dela ele não tinha nada mais para perder. Que ela fosse para o inferno.
A voz dela saiu como um fio.
— Por favor, senhor... Eu tenho uma filha recém nascido. — ela implorou angustiada.
— Pensasse em seu bebê antes de me roubar. Sua vagabunda. — ele estava com tanta raiva que quase foi pra cima dela com muita raiva e o tenente o segurou, ele se conteve e todos ficaram em silêncio.
JC se corroía de ódio.
Os olhos inexpressivos da garota o surpreendeu. Não era de bater em mulheres, e àquilo não era justificável. Mas a raiva e o ódio foi tão grande que não conseguia se segurar, como uma mulher que tinha um bebê era capaz de roubar tanto dinheiro, ele não pagava mau. Se dissesse que tinha problemas ele teria ajudado.
O choro da criança voltou estridente. Ele ouviu Kathryn chorar. Seu ódio aumentou. Mas ele resolveu se afastar dela.
— Você merece o que está acontecendo, sabia?! Você vai perder tudo e vou me certificar disso.
JC preparou-se para sair e ela ainda com as mãos algemadas o impediu segurando a barra de seu terno com muita força.
— Por favor, cuide do meu bebê, não deixe Gwen ir pra adoção... — ele arrancou a mão dela de seu terno. — Me mande pra cadeia se esse for o seu desejo, mas não deixe Gwen ir para adoção. Eu te imploro.
— Não vou mover um dedo sequer por você! — ele a encarou com escárnio.
Preparando-se pra sair ele lhe deu um último olhar, e sem orgulho algum ela foi ao chão de joelhos.
— Por favor! — ao ver aquela mulher de joelhos algemada foi a pior coisa que ele tinha visto em toda sua vida, sem nada responder deu as costas e saiu.
Os policias entraram e puxaram a força do chão e a levaram para dentro das celas, outros presos começaram a gritar e bater nas grades, como um bando de animais.
Kathryn parecia pasma, só demostrou alguma expressão quando passou pelo bebê e ela não pode nem se despedir. Aquilo foi doloroso até mesmo para JC, ela parecia amar o bebê, mas os seus crimes teriam que serem pagos. O remorso o corroeu por dois segundos, e sem pensar foi para perto da criança.
— Onde a criança ficará?!
— Estamos tentando contatar a irmã da acusada. — a assistente social, suspirou cansada. O bebê não parava de chorar. — Parece que desapareceu da face da terra.
JC pegou o bebê no colo e milagrosamente o bebê parou de chorar, como se sentisse a áurea ruim da delegacia emanava. JC não sabia bem o que estava fazendo, mas fez mesmo assim. Uma criança não tinha culpa dos atos dos pais.
— Com quem ela ficará se não acharem a irmã?! — JC perguntou sendo prático.
— Vai para o orfanato.
As palavras de Kathryn veio a sua cabeça, aquilo não era bom e JC se decidiu ouvido a assistente.
— Talvez um lar temporário, mas dúvido que haja um essa hora! — a assistente disse com raiva de ter que sair tarde da noite por esse caso.
Aquela mulher o tinha roubado, mas a criança não merecia sofrer pelos crimes que a mãe que tinha cometido.
— Bem... Serei o lar temporario até que vocês encontrem. — JC determinou olhando para aquela bolha rosada de tanto chorar.
A assistente suspirou aliviada. Aquele problema está resolvido, por hora.
Ele preencheu toda a papelada que lhe ofereceram para levar a criança.
Ninguém ousou se mexer quando JC partiu da delegacia com o pacotinho rosa nos braços. Ninguém soube o que fazer.
...
Dois meses após a prisão de Kathryn ela foi a julgamento. JC estava lá. Ela estava presa, mas porque não se sentia feliz com isso? Será que ele não tinha sido duro demais? Podia entender o porque dela ter sumido, ela estava licença a maternidade e uma criança que agora só tinha 4 meses de vida. Possivelmente para poder criar a criança, ela deveria estar desesperada, aquela pobre criança que não tinha pai no registro. Era tarde demais agora para todos eles.
Ela estava agora fora de seu controle, já tinha uma passagem por assassinato nas costas. Ela perderia de qualquer forma o direito sobre a filha. Ele diria que ela já não tinha mais nada pelo qual lutar, porque permanecia em silêncio?!
Porque ela fez aquilo? Porque ela não disse nada a ele? Ela podia ter se explicado na delegacia, mas o silêncio dela era ainda mais gritante do que suas palavras.
Nenhuma de suas questões foram respondidas, a garota que até então havia lhe roubado, ficou no mais absoluto silêncio. Até mesmo o seu defensor público havia afirmado que ela também não falava com ele. E o silêncio dela, levou anos de sua vida embora, JC lamentou pela criança que agora estava sob seus cuidados. E órfã de mãe e pai. Não encontraram a irmã que constava nos registros.
— Como medida preventiva Kathryn Gregory não poderá chegar a 200 metros da menor Gwendolyn Gregory, após a pena, a menor ficará sob guarda temporária do Sr. Carter até segunda ordem. — a juíza sentenciou, batendo seu martelo na tribuna.
Kathryn saiu em silêncio, algemada e de cabeça baixa. Ela não olhou pra ninguém, exceto, JC. Ela lhe lançou um olhar de agradecimento e de tristeza. Aquele olhar fez com que JC sentisse seu coração se partindo e não sabia o porquê.
[...]
Uma semana depois do julgamento
— Visita para a esquentadinha. — gritou a carcereira para Kathryn que estava na solitária.
Kathryn era temida na cadeia, por ela já ter uma passagem por assassinato. E quando chegou no primeiro dia depois do julgamento ela acabou brigando com uma companheira de cela, por isso estava na solitária agora. Fora isso ninguém se metia com ela e ela com ninguém. Continuava com a política de não abrir a boca, se um dia o fizesse nunca pararia de chorar.
Ela levantou-se do chão e foi até a porta da cela, seguiu a carcereira até a sala de visitas. Quando se deparou com sua irmã, quis que nunca tivesse saído da cela. Preferia encarar 20 outras presas do que sua irmã. Ella estava com um rosto totalmente diferente.
— Eu diria que esse uniforme lhe cai bem. — Ella riu. — Sinto muito...
— Eu não tenho dinheiro Ella... Se não percebeu estou presa. — Kathryn sentou-se na cadeira, encarando a irmã do outro lado do vidro.
— Você é uma ladra assassina, onde mais deveria estar?! — Ella tocou o próprio queixo pensativa. — Graças a você poderei viver uma vida melhor. Irei me casar...
Esses título de ladra assassina nenhum pertencia a ela. Era tudo culpa de Deus que deu dois rostos idênticos a duas pessoas. Kathryn evitou pensar nisso.
— Ah. — Kathryn não sentia mais nada. — Parabéns.
— Quer que eu apareça e crie a pequena Gwenie? — os olhos de Kathryn encheram de lágrimas. Isso nunca.
Só de saber que não poderia nunca mais ver sua menininha seu coração apertava. O que lhe doía a alma. Será que Ella faria isso? Ela duvidava que faria.
— O que você está pretendente do isso? — Kate perguntou.
— Você é esperta uma pena que nunca soube usar isso ao seu favor. Não posso pegar aquela criança. — Ella fez cara falsa de arrependimento. — JC é dono dela agora. Não posso estragar meu plano simplesmente me entregando em uma bandeja de prata a JC. Entende?!
Nada ali surpreendia Kathryn.
— Então o que diabos veio fazer aqui?!
— Te darei muito dinheiro, muito mesmo quando sair daqui.
— O dinheiro roubado de JC? Não, muito obrigada. — Kathryn se levantou para voltar pra cela.
— Katie espere. — Ella chamou a irmã pelo apelido de infância, Kathryn parou imediatamente.
Apenas uma pessoa a chamava assim, a mãe delas. Que inferno, Kathryn sentou-se novamente. Aquilo era chantagem e das baratas que Ella costumava usar.
— Não posso ter uma presidiária como irmã no currículo. Você tem que desaparecer completamente, junto com Gwen. — os olhos de Ella ficaram ferozes. — Vamos combinar que Gwen não tem uma história bonita, então, deixaremos ela com JC, é até um preço baixo a pagar pelo que roubei dele. Não acha? Hm?! Ela será bem cuidada terá oportunidades que nenhuma de nós duas tivemos, então você deixará Gwen ir... Se não, ela não terá que motivos para respirar amanhã...
— Não... — Kethryn levantou e avançou no vidro.
Uma carcereira veio pra detê-la.
— Está tudo bem! — afirmou Ella para a carcereira como se quem precisasse estar bem era ela e não a pessoa que estava levando culpa por todos os seus crimes . — Você não me fará nada enquanto usar esse uniforme Kathryn. Eu simplesmente sou livre e você não.
— O que você quer de mim? — Kathryn voltou a sentar-se impaciente. — Estar aqui não é o suficiente?
— Preciso de silêncio... — os olhos de Ella brilharam. — Exatamente aquele do tribunal. Você vai levar toda a culpa e ficar em silêncio e depois vai simplesmente desaparecer quando a pena acabar. Entendeu?!
— Somos gêmeas... — Kate disse eloquente. — Como você espera que isso desapareça?
— Gwen ainda gosta de brincar com isso? — Ella tirou o chocalho da bolsa, Kathryn apertou o coração. — Eu disse desaparecer Katie..
— Certo. Eu vou desaparecer, assim está bom pra você?! — Kathryn limpou uma lágrima que escorreu. — Deixe Gwen em paz.
— Claro... — Ella se levantou, passou o chocalho pelo vidro. — Isso é um lembrete de como você deve ser grata...
Ella saiu, sendo acompanhada por uma agente. Enquanto Kathryn olhava para o chocalho como se ele fosse queimar. Por alguma razão que nem ela sabia, pegou o chocalho, para ela seria a única coisa que manteria sua sanidade.
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