Sentença Dos Seus Pecados
4 Andrew e Alix
Notas iniciais
"Seja você, sorria, se divirta, enfrente e se imponha"
O garoto se perdia nos pensamentos, estava muito feliz com a nova amizade que havia feito. Luke ligou e mandou SMS para Andrew o domingo inteiro, se desculpando por obriga-lo a jogar futebol e comentando sobre como foi engraçado no final das contas.
Por fim o menino solitário, que se odiava por não conseguir fazer amigos, estava radiano alegria com seu sorriso na segunda-feira de manhã, havia até esquecido do primeiro dia de aula, que seria a alguns minutos.
Já havia feito sua higiene matinal e desceu para tomar seu café, ele vestia o uniforme da escola, uma camiseta branca com detalhes azuis, uma calça jeans larga e seu sapato All Star, ele nunca mudava, sempre o mesmo visual. Adentrou a cozinha e viu sua família toda na mesa, mesmo não suportando aquele ambiente, sorriu sincero.
—Bom dia meu amor, pelo visto, hoje será um dia bom, já acordou com esse sorriso.- Se pronunciou, Katia, estranhando tal alegria de seu filho, já que não era de costume.
—Ah, não é nada, apenas ansioso para aula.- Omitiu o verdadeiro motivo e se juntou a eles.
Ficaram todos em silencio durando a refeição, era de costume, a família do garoto nunca foi tão unida, estarem todos na mesa era raridade, os pais de Andrew nunca se quer deram um conselho a ele, ou perguntaram como foi o dia, coisas que o menino fingia não se importar, mas que fazia falta para ele.
Após terminar, subiu até o quarto, pegou seu celular e sua mochila e voltou para cozinha pois teria que levar seu irmão primeiro na escola dele. Esperou o menor terminar sua refeição e buscar o material, logo depois de fazer isso, os dois saíram da casa, sem ao menos dar tchau, não que aquilo fizesse falta.
Andrew colocou o fone de ouvido e assim permaneceu todo o percurso, distraído. Deixou seu irmão na escola e foi direto para sua. Chegando lá, logo começou a sentir ansiedade, medo. Seria tudo novo, e mesmo que nunca teve amigos na outra escola, todos já eram acostumados a ver ele sozinho e nem o perturbava mais.
Mesmo inseguro entrou na escola, caminhou por toda a entrada de cabeça baixa até chegar no pato, logo depois olhou em volta a procura da direção do colégio, quando achou foi direto para lá perguntar sobre sua sala.
Após conseguir todas as informações necessárias, o garoto não esperou o sinal tocar para que subisse, foi apressadamente para sua sala, que era a única aberta do corredor do andar de cima. Ele entrou e viu que não tinha ninguém, sem pensar duas vezes foi para o fundo e começou a arrumar seu material em sua mesa.
Não demorou muito para que outros alunos começasse a adentrar o local, já que o sinal tocou indicando que as aulas iriam começar. Nervoso e tímido, o garoto abaixou a cabeça para que ninguém notasse sua presença, o que não adiantou de nada.
—Garoto, todos sabem muito bem que ai é o meu lugar!- Assustado o garoto levou os olhos até a garota que estava parada em sua frente, com as mãos na cintura e uma expressão vazia. Ela não era tão alta, um pouco menor que Andrew, tinha os cabelos cor de mel que só chegavam até o pescoço, usava uma toca cinza, uma camiseta de alguma banda de rock, calça jeans preta e um coturno que ficava um pouco a cima de seus tornozelos.
—M-me desculpe, eu n-não sabia.- Falou assustado, todos olhavam pra ele.
—Ah… Tanto faz, eu sento aqui na frente, não sabia que você era novato.- Indagou antes que o garoto se levantasse. Todos da sala ficaram trocando olhares, pois não era de costume aquela garota agir tão pacificamente.
—Eu me chamo Andrew.- Ele falava baixo e temeroso.
—Me chamo Alix.- Virou para trás e encarou o garoto o deixando mais nervoso.- Você é brega! E parece um bicho assustado, vou te ajudar a se cuidar.- A garota abriu um sorriso malicioso.
—ah, o-obrigado, eu acho.- Corou. Logo a menina se virou e o garoto se sentiu mais a vontade.
Após alguns minutos de aula ele olhou em volta, notou que não tinha reparado nos colegas de sala. Para sua alegria viu Luke na primeira fileira de cadeiras do outro lado da sala, sorriu e acenou para o garoto que devia estar olhando a algum tempo. Viu também a garota loira que sabia ser namorada de seu amigo, Diana, lembrou, que ainda não conhecia, e também a garota asiática de cabelos vermelhos artificiais. Estava bem mais tranquilo por eles estarem ali.
—Você conhece o filho dos pastores Hartmann…-Disse Alix com um sorriso curioso
—Hartmann ?
—É o sobrenome da família dele… Luke Hartmann!
—Ah, eu não sabia, mas sim, eu conheço ele e a família dele.- Sorriu orgulhoso.
—Dizem, que aquela família é a mais religiosa e rígida, boatos de que até a namorada oxigenada dele foi escolhida por seus pais.- Ela sorria perversa.
O garoto sorriu inseguro e olhou de novo para o garoto, que dessa vez estava focado na lição, brevemente lembrou de como o garoto estava o tratando durando os dias anteriores. Logo se o namoro era algo imposto, Luke poderia gostar de outra pessoa, ou até mesmo, de Andrew.
Ele sorriu ao pensar na possibilidade e logo começou a imaginar muitas coisas, não podia negar para si mesmo, o garoto era a primeira pessoa a se preocupar de verdade, ele gostava do tal filho do pastor.
—Você gosta dele! Você é gay!- Sussurrou Alix. Andrew olhos assustado para ela e logo começou a negar e a ficar vermelho.
—Nem pensar! Eu? Gay? Eu sou cristão! E eu não gostaria logo do garoto que é filho das pessoas mais religiosas que eu conheci! -Ficava cada vez mais vermelho.
—Você gosta sim! Não adianta negar drew, esta muito óbvio! Não se preocupe, eu vou te ajudar. -Sorriu pensativa.
—Ajudar com o que ?- Uma garota alta, de cabelos cacheados, olhos azuis e pele mais escura, apareceu no meio da conversa com um sorriso radiante.
—Ah! Iris, você vai me ajudar.- Se animou a de cabelo curto. -O novato aqui, Andrew, conhece o Luke, e ele esta apa…
—Calada!- Ele se esticou para frente e tapou a boca da garota.
—Ah Andyzinho, me conta vai, eu sou muito confiável, sei guardar segredos.-Miou Iris.
—Sim garoto, de todos da escola, ela é minha única amiga. — Disse Alix quando o menino a olhou duvidoso.
—M-mas…. Olha, não é apaixonado não, eu conheço ele só a três dias.-Miou fazendo bico.-Ahh… Eu não sei. Não pode ser. São só três dias.-Colocou a mão na cara.
As duas garotas se olharam sorrindo com carinho, depois foram abraçar o menino, que se surpreendeu com tanto carinho e intimidade.
—Guri, você é a pessoa mas gay de todas.- Brincou Alix
—Mais fofo de todos- Foi a vez de Iris.
—Vocês não podem de modo algum contar isso a qualquer pessoa.-Ele estava muito inseguro apesar de tudo.-Ninguém nunca soube e se minha mãe souber ela me expulsa.
—Acho difícil alguém não saber.-brincou Lix. -Tudo que precisa é mudar a aparência, você é brega, repito.
—Não sou não!- Olhava para si mesmo e por um minuto notou seu descuido com a aparência.- Só um pouco vai.
—Você se veste como minha avó mas ao mesmo tempo como uma criancinha de seis anos, não sei definir seu estilo, não sei nem se você tem um.- Replicou ela o deixando sem jeito.
—Não precisa pegar pesado Sr.Estilosa. -Disse Iris para quebrar o clima.- Vou sentar aqui do lado e fazer minhas lições, talvez isso seja importante.
Assim todos ficaram em silencio, o garoto ficou pensativo sobre a conversa, roupas, estilo, com medo de todos saberem da sua sexualidade e sobre se sentir atraído por Luke.
Olhou pro garoto mais uma vez, esse o encarava enquanto apoiava a cabeça com uma das mãos. Ao trocarem olhares os dois ficaram sem jeito e sorrindo sem motivo, Andrew gesticulou insinuando uma ordem para o garoto se concentrar nas lições, esse sorriu e virou para frente.
Andrew sorriu, afinal de contar, agora tinha três amigos ? Em tão pouco tempo ? Estava amando ter falado tanto em apenas um dia.
As aulas foram se passando, a monotonia se instalou no local até o sinal do intervalo. Quando o barulho ecoo por todos os corredores, a falação e barulho de movimentação pode ser ouvida. Andrew em sua calmaria, arrumou seus materiais na mochila e levantou para sair.
—Você pode ficar com a gente vovó- A garota em sua frente zombou.
—Isso! Quero te apresentar para meus outros amigos, Peeter e Thomas, eles vão te adorar.- Indagou Iris animada.
—Eu...É-é….Ah, tudo bem.-Se convenceu a tentar fazer novas amizades, mesmo que com garotos, o que nunca tinha feito antes.
Foram para o pátio da escola, eram muito alunos, Andrew agradeceu por estar no segundo ano, mais dois anos e acabaria tudo aquilo de ficar descendo escadas lotadas de gente, todos se empurrando e pisando um no outro.
Chegando no patio, Iris correu na direção de dois garotos, um era moreno, alto e forte, tinha os cabelos lisos emaranhados, barba por fazer, olhos pretos e opacos, pele clara, boca carnuda. Ele era lindo, sorriso muito sexy.
O outro era um loiro pálido, olhos verdes, cabelos loiros,médios. Pequeno e magro, ele era muito fofo.
—Oi meninos.-Ela abraçou os dois envolvendo os seus pescoços.
—Oi garota, que felicidade pra segunda de manhã.-O Moreno indagou. O outro apenas ficou em silêncio, parecendo estar envergonhado.
—Como foi o fim de semana garanhões ?
—O de sempre né Iris, garotas, futebol, garotas.
—Nossa Peeter, tente não transar sempre… E você Thomas ?
—A-ah… Eu fiquei com meus pais e... Fizemos camisetas e outras coisas para vender, também fomos para um jardim botânico e fumamos todos juntos. Também esvaziamos um pouco nosso trailer, eu estou cada vez maior…
—Ah, cala a boca garoto. E você não cresceu nada seu anão.- O moreno brincou.
—Ah! Garotos, tenho que apresentar alguém pra vocês.- Disse Iris saindo e indo em direção a Alix e sei novo alvo de ofensas. Arrastando os dois até os meninos. -Andrew, esses são Peeter e Thomas, garotos esse é Andrew.
—Oi, tudo bem ?- Disse Drew inseguro.
—Ah. Eu te conheci no jogo de futebol sábado, você brigou com Antony e Luke bateu nele.-Lembrou Peeter.
—Exato! Sabia que Andrew esta apaixonado pelo pastorzinho.- indagou Iris colocando as mãos na boca ou perceber que soltou um segredo.
—Obrigado. -O menor olhou para a garota de cachos emburrado e logo desviou para a de touca cinza.- Garota confiável em !?-Saiu andando em passos pesado.
—Pare com isso Andy… Uma hora vai ter que falar sobre seus sentimentos, se impor, parar de ser tão medroso.- Alix indagou raivosa.
—Sim, Mas essa não é a hora e essas não são as pessoas!- Gritou andando olhando pra trás, quando de repente esbarrou em alguém forte.
O cheiro atingiu seu nariz e logo reconheceu aquele perfume.
—Luke!- Disse assustado.
—Hora e pessoas pra que ?- levantou o menor.- Você só vive caindo, desastrado.
—A-ah…. Verdade!- Sorriu sem graça.
—Então. Meu pai comprou um vídeo game novo, quer dormir em casa hoje ? Provavelmente Tony vai esta lá.
—O que !? Videogame novo ? Qual ?- Peeter se infiltrou na conversa.
—Não sei ao certo mas tem aqueles sensores de movimento… Ah, não entendo muito.- Disse coçando a nuca.
—Estamos dentro!
—Estamos ?-Andy perguntou incerto.
—Sim.,eu, você e o Thomas… Ele precisa de novos amigos também, parecemos um casal secreto.-Ele brincou.
—Tudo bem então. Se são amigos do Andrew, são meus também. Podem ir na igreja as dezenove horas e depois vamos direto pra minha casa.
—Ah! Culto ?- Peeter fez bico. Andre lhe deu uma cotovelada.
—Tudo bem.-Sorriu o garoto apaixonado pela ideia.
Luke apenas sorriu e depois de algum tempo apareceu a seu rabo loiro com sua escrava asiática.
—Luke amor…-Ela sorriu para todos e se inclinou para sussurrar no ouvido de seu namorado.- Essas pessoas não são corretas para você andar com elas.
—Diana, agora não, estou com meus amigos. Aliás, você viu o Andrew, ele é novo membro da nossa igreja.- Indagou incomodado com a atitude da namorada.
—A-ah, eu lembro dele.-Foi a vez da asiática.
—Ta, fica quieta Lilian!- Se irritou a loira.- Tchau Lucas Hartmann!- Saiu bufando.
—Tchau…-A ruiva artificial se despediu de Andrew com um suspiro.
Todos se olharam e riram, inclusive Luke.
—A asiaticazinha te quer Drew! -Lix brincou.
—Eca! Eu gosto de outra pessoa.-Disse com um sorriso malicioso.
—Quem, afinal ?-Perguntou Luke intrigado.
O sinal do intervalo tocou e Andrew puxou Alix pela mão com um sorriso travesso no rosto e a levou para sala. Eles passaram a comentar mais sobre o garoto tímido e medroso, e o dia se passou assim. Aulas chatas e entediantes.
Na hora da saída, sem pensar duas vezes a garota obrigou seu novo amigo a ir em sua casa. Mesmo receoso por sua mãe, ela o convenceu a sair um pouco desse personagem bonzinho, então pegaram um ônibus e em 30 minutos estavam na casa da garota.
Era praticamente uma fazenda com o tamanho do quintal, ou floresta, nos fundos da casa. O menino tímido e medroso estava maravilhado mas temeroso de incomodar a família da garota. Ela mudou extremamente seu humor, entrou dentro de casa com a cara fechada e foi ate seu pai.
—Papaizinho lindo.-Ironizou.- Preciso de dinheiro.
—E porque eu te daria dinheiro….-O homem percebeu o sorriso travesso no rosto da fila e logo notou a presença de Andrew.
—Pais normais dão dinheiro aos filhos.- Sussurrou a garota em seu ouvido.
—Digo, você esta bem no colégio ?-Disfarçou limpando a garganta.
—Claro papai.- Sorriu diabolicamente.
O pai da garota a dão um bolo de dinheiro, o amigo dela arregalou os olhos mas apenas foi puxado para fora da casa enquanto um mulher loira aprecia e sussurrasse algo para o pai de sua amiga.
—Pra onde vamos ?-Andrew estava totalmente confuso.
—As compras “ué”, esta na hora, ser essas marmota não vai rolar hoje a noite.-A garota brincou o fazendo lembrar de Luke, um frio se instalou na sua barriga.
—Eu não vou.-Ao falar aquilo a menina parou, o encarou e deu um tapa em sua cara.
—Esta na hora de deixar de ser tão medroso.-Pegou na mão de menino que estava surpreso e continuou andando.
Eles foram ao shopping mais próximo, compraram algumas roupas que a garota escolheu, se divertiam fazendo poses e correndo por todas as lojas que passavam, andrew nunca havia sorrido tanto, realmente ele ficara lindo nas roupas que compraram . Logo depois foram ao cabeleireiro o que fez o garoto entrar em desespero, sua mãe não ia gostar nadinha se ele mudasse o cabelo sem avisa-la, mas como sempre, Alix não deu importância e o obrigou a enfrentar aquilo. Tudo que mudou foi que, repicou e emaranhou os cabelos dele, o que lhe trouxe um ar totalmente diferente, um charme. Os dois jovens ficaram surpresos ao verem a mudança e em um abraço ele agradeceu a sua nova amiga que apenas o afastou não querendo demonstrar muito afeto.
Logo depois que saíram do cabeleireiro, Drew a deixou em um ponto de ônibus e foi para sua casa pensando em como se divertiu e amou aquele dia. sorria muito com todas as besteiras que fizeram.
Já sua mãe, não gostou nadinha. Implicou com ele a tarde toda, dizendo que a nova escola foi uma ideia ruim e que as novas amizades também, mas logo o discurso sobre seus amigos mudaram ao mencionar Luke, na mesma hora ela apoiou a amizade e permitiu que o garoto fosse dormir na casa do amigo. O resto não importou mais para ele.
Enquanto Andrew se preparava para ir dormir na casa da sua paixão recém descoberta, Alix lutava contra a dor e o nojo de ter que voltar para aquela casa, mas o dia que tivera a ajudou muito a se distrair das diversas desgraças em sua vida. Assim que pisou naquele lugar, correu direto para entre as arvores e subiu em sua casa da arvore, seu refugio.
sorriu, soltou risadas altas e gritou de alegria, um dia bom após tantos dias ruins, se apoiou na parede suspirando e se jogou no chão. Olhou para o alto e e colocou os fones, estava tocando uma musica calma. Fechou os olhos e pensou em como todas as pessoas pensavam nos namorados e esposas quando ouviam aquele tipo de musica, mas ele, pensava em apenas uma pessoa, um amor, seu verdadeiro amor. Sua mãe.
Ela imaginou as duas dançando aquela musica juntas, aquilo lhe trouxe uma calmaria na alma. Abriu os olhos e o sol entrava pela janela, sorriu pesando ser um sinal de sua mãe. Pegou seu diário em baixo de uma madeira solta, começou a escrever sobre o dia, sobre seu novo amigo e como queria ser pra ele o que sua mãe seria para ela e o que a mãe dele não é pra ele. Proteção.
Por alguns minutos tudo estava certo, até seu maldito pai a gritar e fazer ela entrar para casa. La ele a jogou em um closet pequeno e vazio , depois surrou ela com um sinto, mas aquilo já era praticamente diário, já não derramava uma lágrima.
—Isso é para não me desafiar daquele jeito na frente dos outros.-Gritou o homem cuspindo nela, saiu fechando e trancando a porta.
No escuro, com dores por todo corpo a garota percebeu que aquelas dores não superava os sentimentos da alma, e naquele momento estava em paz. Ela levantou e rodando pensou mais uma vez em sua mãe e cantou:
“Essa é a ultima oração, pra salvar teu coração
O coração não é tão simples como pensas, nele cabe o que não cabe na dispensa.
Cabe o meu amor, cabem três vidas inteiras, cabe uma penteadeira, cabe nos dois, cabe até o meu amor.”
Já estava de noite, todos os garotos estavam sentados em uma fileira em um banco da igreja, o pastor estava apenas terminando os avisos e o culto acabaria. Andrew estava totalmente nervoso mas a mudança no visual lhe deu um pouco de confiança, estava usando uma camiseta branca com uma jaqueta jeans, calça jeans preta e um All Star novo de cano médio, o cabelo estava emaranhado e quase seco. Algumas pessoas que nem olhavam para ele até o elogiou.
Todos levantaram ansiosos quando o culto acabou, Luke veio dos bancos das frente já que cantara no coral de jovens, infelizmente para Andrew, Antony estava junto e ia dormir em sua casa também, disse o filho do pastor.
Um pouco decepcionado mas ainda contentem o garotinho inseguro seguiu seus novos amigos até a casa ao lado e logo depois ao quarto. Era um grande espaço e os colchões estavam todos arrumados em fileira. Provavelmente Laura, mãe de Luke, arrumou o quarto para todos.
—Mas você acha que vamos dormir ? Ainda mais assim, todos juntinhos ?- Disse Peeter fechando a porta e tirando duas garrafas de vodka da mochila que levara com ele.
—M-mas não podemos beber.- Se opôs o dono da casa.
—Ahh amigo, deixa de ser tão careta.- Disse Tony o fazendo corar e encarar Andrew.
—A-ah..Tudo bem.-Se dirigiu ao dono das bebidas e tomou a garrafa da mão dele e tomou alguns goles. Se assustou ao ouvir o grito da mãe e engasgou.
—Querido, vamos na casa da irmão Joana, não faça barulho.- A voz era abafada por vindo do andar de baixo.
—Pode deixar mãe.- O garoto esperou ouvir o barulho do carro de seu pai dar partida e correu ao som e colocou uma musica agitada.
Todos começaram a beber e quanto mais bebiam mais bebida aparecia, dançavam e gritava. Estavam bêbados quando Peeter acendeu um cigarro de maconha, Luke ia em sua direção para o repreender quando embarrou em Andrew.
—Hey mocinho certinho, vamos nos divertir, dançar, se solte.- Ele puxou o maior e começaram a dançar, estavam claramente bêbados.
—Olha quem fala, o menino tímido e medroso.-tentou irritar o menor.
—Não sou medroso viu!?-Deu um leve empurrão no amigo.
—Então prove!, Faça algo louco.- Indagou o desafiando. Os dois se fitavam como se estivessem conversando com o olhar.
—Ta!-Andrew disse e o puxou selando o lábio dos dois. Não sabiam se a surpresa causava aquilo mas seus estômagos doíam, pareciam ser habitados por milhões de borboleta, aquela ansiedade e desejo fez com que o maior devolvesse o beijo e puxou o menor para perto de si. Parecia algo destinado a ser, cada vez que suas línguas se tocavam pareciam estar na sincronia de uma dança que eletrizava todo o corpo.
De repente tudo o clima se quebrou, o fogo se apagou quando Luke afastou-se estranhando a situação.
—Isso é errado.- Sussurrou.
—Não, não, não.- Se aproximou Drew.-Me desculpe, você pode acha que é por causa da bebida mas… Mas… E-eu realmente gosto de você!- Seu estômago revirava ao notar o olhar de julgo em cima de ti.
—Não Andrew , você esta fora de si! E mesmo se gostar… Isso nunca vai acontecer! Nunca!
Aquela palavra ecoou em sua mente, apesar daquele garoto ser apenas um filho de pastor, mimado e certinho, ele foi a única pessoa que o protegeu em sua vida toda, aquilo o marcou profundamente, sentia repulsa de si mesmo, sentia ânsia por ser sempre uma desgraça na vida das pessoas. Tudo que conseguiu fazer foi sussurrar um “me desculpe” e sair correndo para fora da casa. Ironicamente, para a sorte do garoto, estava chovendo, ele abraçou o próprio corpo e começou a caminhar enquanto chorava, pensava em como destruía tudo, em como estava chorando dramaticamente.
Mas ele era uma pessoa totalmente aberta emocionalmente, carente e dependente e aquela paixão o preencheu, mesmo que em pouco tempo, e aquilo o foi arrancado rápido e dolorosamente.
O garoto pode ouvir passos pesados vindo em sua direção e virou para ver quem era. Viu Peeter, Thomas e Antony, para sua surpresa.
—Olha, não vamos te julgar, ele foi o idiota por gritar com você, estávamos todos bêbados, isso podia acontecer e todos nos sabia.-Argumentou Tony, o que deixou o garoto mais surpreso.- Você não pode ficar vagando na chuva, Luke me contou como sua mãe é doida e coruja, vamos para minha casa… Afinal de contas ele expulsou todos da casa dele.
—Isso Drew, eu e o Thomas vamos para minha casa, não arranje problemas em casa por besteira.-Disse Peeter.
O garoto pensou alguns segundos, nem conhecia direito Antony e já havia brigado com ele, mas eles tinham razão, sua mãe ia mata-lo e proibi-lo de sair de casa por um mês, e se contasse que Luke praticamente o expulso ela nunca acreditaria, afinal, ele era o filho do pastor.
—Tudo bem.-Sussurrou, o moreno musculoso se despediu dos garoto e logo voltou ao pequeno o cobrindo com sua blusa.
—Se não vai ficar resfriado.-Falou baixo.
—E você- Perguntou duvidoso.
—Bom, eu me cuido.- Sorriu. Pela primeira vez Andrew reparou nele, ele era alto, tenha o corpo definido, pele clara, olhos castanhos, cabelo preto e curto, boca avermelhada e grande, tinha um sorriso sem graça lindo em seu rosto, se sentiu atraído pelo garoto e notou que aquela implicância toda era ciumes.- É…- Fez com que o garoto voltar sua atenção ao que ele iria falar.- Me desculpe… por, você sabe, te empurrado e xingado você, é que… Futebol e tudo mais sabe..
—Eu sei, esta tudo bem.-Sorriu confortável.
Os dois passaram o caminho falando algumas coisas sobre Luke e sobre eles mesmo. Quando chegaram tiveram que esperar a mãe de Tony abrir a porta. Quando o fez Andrew viu que ela era baixa, magra, delicada e loira, era bem diferente do filho, pensou no pai do garoto mas logo descobriu que ele não morava ali já que só estavam os três na casa as duas da manhã.
—Meninos, que perigoso vocês andando de madrugada por essas ruas perigosas.-A mulher advertiu dando duas xícaras com chocolate quente aos garotos que haviam acabado de tomar banho e se trocado, Andrew estava com roupas emprestadas.- O que houve afinal?
Ela se virou para pegar mais cobertores e os dois se olharam como se comunicassem para decidir quem iria contar.
—O Luke pirou e nos expulsou de lá.- Foi Antony o encarregado de contar.- Sabe como é o estresse de ser o filho do pastor. Mas o importante é que estamos bem né, mãe.- Se levantou e tomou as coisas da mão da mulher.- Pode ir dormir, nos arrumamos tudo aqui.
A mulher deu de ombros e saiu fechando a porta. O silencio se instalou no local enquanto os garotos se olhavam em silencio, o clima ficou estranho então alguém teve que falar.
—Drew… Então é verdade ? Digo, que você gosta do Luke?
—Eu não sei direito, eu o conheço a poucos dias, as garotas ficaram enchendo minha cabeça com essas minhocas….- Abaixou a cabeça deixando o clima triste, Tony se sentou ao seu lado e o abraçou, aquilo foi reconfortante, não sabia a ultima vez que recebeu um abraço ao invés de dar um. Se separaram e ficaram se olhando por alguns segundos antes do moreno sorrir e repentinamente beijar Andrew. Mesmo surpreso o garoto devolveu o beijo que envolveu os dois fazendo o clima esquentar aos poucos, mesmo sem entender permitiu ser deitado na cama, rapidamente focaram e tirar suas roupas enquanto se beijavam. O menor mesmo sendo inseguro se sentiu preenchido pelo outro e se abriu para ele o deixando beijar o teu corpo, parte a parte, o seu pescoço, peitos, mamilos, abdome. Ele arfou surpreso ao sentir o garoto mordiscar seu membro ereto por cima da cueca, essa que logo foi tirada ao dente pelo maior que sem delongas engoliu o órgão de Andy, que arqueou as costas contendo os gemidos de prazer causados pelos lábios macios que se movimentavam em um desce e sobe enquanto o chupava. A frequência dos movimentos foram aumentando conforme o garoto se contorcia de prazer, repentinamente ele deixou um gemido escapar ao se desmanchar dentro da boca de Antony, esse que fez questão de engolir toda a semente do menor, logo depois chegou próximo ao rosto do outro e disse:
—Eu prometo fazer você esquecer todos esses sofrimentos, mas só se me prometer manter isso entre nós.- Sorriu malicioso. O garoto sedento pelo maior apenas assentiu com a cabeça.
Tony selou seus lábios em um beijo ofegante enquanto pegava o lubrificante em cima da escrivaninha do lado da cama, ao pega-lo, se separou do garoto lentamente, o mesmo respirava pesadamente, o maior levou uma mão até seu rosto e a deslizou por todo seu corpo parando na cintura magrela e sem músculos do menor, ele o virou de bruços e começou a chupar e mordiscar todas as áreas das costas do garoto o que o fazia gemer de prazer. Não sabendo muito mais o que fazer o maior despejou um o liquido em seu órgão que já pedia por aquilo e logo em seguida na entrada do garoto que com medo afundou os dedos no travesseiro.
—Você esta bem com isso.- Perguntou Antony preocupado.
—Sim, eu quero isso, estou preparado.
Ao ouvir aquilo o garoto se aproximou e começou a introduzir lentamente o seu órgão no garoto, esse mordeu o travesseiro quando sentiu a dor percorrer por todo o seu quadril, mas após o maior estar totalmente dentro dele tudo que sentia era um grande desconforto mas a dor foi embora, eles ficaram uns segundos daquela forma esperando o interior do garoto se acostumar até que Tony não aguentou e começou as estocadas lentamente, o que trazia prazer e desconforto ao mesmo tempo para o menor que tentava a todo custo conter os gemidos. Após alguns minutos a velocidade das estocadas foram aumentando, chegaram a um ponto onde os dois não conseguiam segurar os gemidos, para acrescentar no prazer, o maior de repente acertou o ponto doce do garoto, que soltou um gemido alto e sentiu o prazer percorrer todo seu corpo, o maior levou sua mão até a boca do menor na tentativa de abafar os gemidos pois começou a acertar aquele ponto seguidamente, a velocidade só aumentava e os gemidos se mesclavam tornando tudo mais picante, sem conseguir segurar mais o prazer, o menor se desmanchou nos lençóis da cama e o mesmo aconteceu com o maior, que ao gozar no interior de Andrew se jogou ofegante ao seu lado.
O local estava em silencio se não fosse pela respiração dos dois garotos que se olhavam em silencio. Depois de alguns minutos eles se beijaram mais uma vez, foi como o fechamento de uma coisa perfeita, naquele momento, não havia tempo para arrependimento.
—Isso foi melhor do que com as garotas.- Antony afirmou após se separarem do beijo.
—Eu gostei… Foi a minha… Primeira vez.- Corou.
—Eu não ligo pra isso, foi maravilhoso, você é muito gostoso.- Disse o abraçando.
O menor apoiou a cabeça no peito do outro e só naquele momento ele foi parar para pensar no que acabara de fazer. Repentinamente uma culpa se instalou em si, além de ter beijado um garoto, ele se deitou com outro, o que era uma abominação para Deus, ele era uma abominação. Seu estômago se revirou ao pensar em Luke, sentia-se um mentiroso, sujo, uma aberração, então mais uma vez consigo mesmo pensou…
“Sou uma desgraça.”
"As vezes precisamos nos impor e sermos quem somos, mas para isso, precisamos primeiro saber quem somos"
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