Sentença de Amor
9 Capítulo 09
Capítulo 09: Você não está sozinha.
A noite anterior tinha sido diferente de todas as outras. Kate finalmente cedeu ao que vinha tentando negar por tanto tempo, o que sentia por JC. Não era apenas desejo ou atração, era algo mais profundo, algo que a assustava e ao mesmo tempo a envolvia de uma maneira que não conseguia evitar.
Ela o amava. Uma lágrima escorreu dos seus olhos. E ela tratou de domar a sua dor.
Agora, pela manhã, sentindo o calor suave do sol que filtrava pelas cortinas do quarto. A primeira coisa que notou foi o peso do braço dele ao redor da sua cintura. JC dormia ao seu lado, o rosto relaxado, a respiração tranquila, ela não sentia medo.
Kate observou os traços dele, a forma como seus cílios longos descansavam contra a pele, a maneira como seu peito subia e descia de maneira ritmada. Era um lado de JC que ela não conhecia, sem a armadura de controle absoluto, sem a intensidade de sempre. Apenas ele, em paz.
E ela também estava.
Kate passou os dedos suavemente pelo braço dele, sentindo seus músculos e o calor de sua pele. Um leve sorriso surgiu em seus lábios. Ali, nos braços dele, ela sentia como se finalmente pudesse respirar. Por um instante, sua mente quis questionar se aquilo era certo, se não estava se deixando levar por algo perigoso. Mas quando JC se mexeu levemente, puxando-a mais para perto, como se mesmo dormindo soubesse que ela estava ali, todas as dúvidas desapareceram.
Kate fechou os olhos e se permitiu apenas sentir.
Enquanto Kate, JC e Gwen viviam um breve momento de paz, longe de problemas, Sebastian trabalhava sem descanso. Sua mente estava inquieta, intrigada com as todas aquelas coincidência que, aos poucos, começavam a se encaixar em um quebra-cabeça mais complexo do que ele poderia imaginar. Ele sabia que havia algo errado em toda aquela situação, algo que estava sendo manipulado nos bastidores, enquanto analisava documentos de transações financeiras, ele achou algo inesperado.
Nos registros dos últimas cinco anos, ele encontrou uma série de transferências feitas por Ella. As quantias não eram exorbitantes, mas eram constantes, e todas direcionadas a uma galeria de arte discreta, localizada em uma parte quase esquecida da cidade. O que chamou sua atenção, no entanto, não foi apenas o dinheiro que fluía regularmente para a galeria, mas o fato de que JC, coincidentemente, havia comprado alguns quadros dessa mesma galeria, todos de um artista desconhecido.
Sebastian estreitou os olhos, sentindo que estava prestes a descobrir algo. Ele começou a investigação, buscando mais informações sobre a galeria e os quadros adquiridos por JC. O artista desconhecido também aparecia aqui e ali, havia algo nas obras que parecia familiar, mas ele não conseguia identificar exatamente o quê. Decidiu, então, ir até a galeria pessoalmente.
Ao chegar lá, o lugar era ainda mais discreto do que ele imaginava. Era uma pequena galeria de fachada modesta, quase escondida entre prédios antigos. A dona, uma mulher reservada e de poucas palavras.
- Olá, sou Sebastian Hidden, — ele lhe entregou seu cartão de visitas. — Liguei mais cedo.
- Prazer Sr. Hidden. — o atendeu com um sorriso forçado. — Você disse que achou transações estranhas em nossa galeria?
Sebastian começou as perguntas sobre as transações de Ella, sobre o artista e sobre a relação da galeria com JC.
- Ela nos mostrou os quadros e tinha todos os documentos de registro. — A princípio, a mulher hesitou em responder, mas, conforme Sebastian pressionava com suas perguntas, ela começou a se mostrar cada vez mais nervosa. — Bem, se um colecionador quiser se desfazer de suas obras, a gente só comprou o que ela nos mandou.
- Mas não existe comprovação de que esses quadros são dela — argumentou ele. — E porque ela só vende para pessoas específicas, um artista desconhecido não tem clientes fixos, certo?
Finalmente, sob a pressão que só um advogado conseguiria, ela revelou que as transações de Ella estavam ligadas à compra de obras de arte do tal "artista desconhecido". No entanto, o que era estranho é que as obras nunca eram exibidas publicamente, eram vendidas exclusivamente para pessoas específicas e uma delas era JC, sempre em transações discretas e sem publicidade.
Sebastian, agora intrigado, pediu para ver algumas das obras. A mulher, relutante, o conduziu até uma sala nos fundos, onde as pinturas estavam armazenadas. Ao entrar, ele foi imediatamente confrontado por uma série de quadros que, embora intrigantes em sua execução, tinham algo em comum. As imagens eram sempre nebulosas e figuras distorcidas. E, para o choque de Sebastian, os temas pareciam estar conectados.
Cada quadro parecia narrar uma história de angústia, perda e controle, como se o artista estivesse mergulhado nos conflitos pessoais. O desconforto de Sebastian aumentou. Ele sabia que JC havia comprado algumas dessas obras, mas a pergunta que martelava em sua cabeça era: por quê?
Sebastian saiu da galeria com uma sensação de urgência. As transações de Ella e a compra das pinturas por JC estavam claramente conectadas, mas o que isso significava? De volta ao seu escritório, Sebastian começou a juntar as peças. Ele se perguntava se JC estava ciente do que realmente havia por trás das pinturas ou se Ella o estava manipulando, usando essa galeria para algo maior, algo mais sinistro. O nome do artista ainda era um mistério, mas Sebastian sentia que estava se aproximando da verdade, e a verdade, pelo que tudo indicava, revelaria algo relacionado a eles.
Sebastian, agora tendo um rumo na investigação das transações de Ella e dos quadros adquiridos por JC, começou a conectar os pontos de maneira mais clara. A revelação das obras o havia deixado alerta, mas algo não fazia sentido. Ella parecia estar por trás de muito mais do que as ameaças a JC, e as peças que Sebastian estava descobrindo sugeriam coisa mais profunda e pessoal.
Ele voltou a focar no evento que JC havia sido convidado dias antes, que parecia até agora sem importância. Kate, JC e Ella estavam presentes, e até então, Sebastian acreditava que Ella estava ali para manipular ou pressionar JC, algo que parecia típico do estilo dela. No entanto, uma nova informação surgiu.
Após conversar discretamente com alguns dos convidados, Sebastian descobriu algo inesperado. Durante aquela festa, Ella não havia se aproximado de JC como era o que imaginavam. Na verdade, ela havia passado a maior parte da noite em uma área reservada, longe dos holofotes. E mais intrigante ainda: ela não estava sozinha. Kate também havia sido vista entrando nessa área pouco tempo antes.
Isso fez com que Sebastian redobrasse sua investigação, vasculhando todas as pistas que pudesse sobre o que havia acontecido naquela noite. Ao conversar com uma das funcionárias da festa, que ele conseguiu localizar, ficou claro que a interação entre Ella e Kate naquela noite não havia sido nada amigável. A testemunha relatou que a conversa entre as duas havia sido tensa, marcada por olhares ferozes e palavras sussurradas em tom agressivo, relembrou um momento específico em que Ella parecia estar ameaçando Kate, sussurrando algo enquanto segurava seu pescoço com força. Kate, por sua vez, havia ficado visivelmente abalada logo depois, quase sem conseguir disfarçar o impacto da conversa. Ella tinha ido embora sem deixar rastros.
Sebastian, ao ouvir essa revelação, percebeu que toda a sua suposição anterior estava errada. Ella não estava usando suas manipulações e ameaças diretamente contra JC, seu verdadeiro alvo sempre havia sido Kate. Isso explicava a presença constante de Ella na vida dele. As peças começaram a se encaixar de uma maneira perturbadora. Se a irmã estava atrás de Kate, a possível ameaça que ela vinha sofrendo partiram de Ella.
Agora, a questão que permanecia era: o que exatamente Ella havia dito a Kate naquela noite? E, mais importante ainda, por que Kate nunca mencionara o encontro a JC ou a qualquer outra pessoa?
Ao pensar nisso, Sebastian sentiu um frio na espinha. Ele sabia que estava prestes a desvendar algo. Se Ella tinha ameaçado Kate diretamente, significava que as intenções dela com relação à família iam muito além de rivalidade ou ressentimento entre irmãs. O alvo dela sempre fora a segurança de Gwen, e a única maneira de Ella controlar Kate era por meio do medo. Depois que ela havia perdido tudo, esse era o único modo.
Sebastian sabia que precisava contar a verdade a Kate e a JC, mas também entendia que, se confrontassem Ella agora, a situação poderia se tornar ainda mais perigosa. As ameaças de Ella eram reais, e quanto mais perto chegavam da verdade, mais arriscado tudo ficava.
A verdade era inegável: Ella sempre havia sido uma ameaça à eles, e agora, mais do que nunca, eles precisariam se unir para proteger Gwen e lidar com o passado sombrio. Com a nova informação sobre o encontro entre Ella e Kate no evento, a urgência em alertar JC o consumia. Ele decidiu que precisava compartilhar tudo, não apenas sobre a ameaça de Ella.
Marcou um encontro com JC em seu escritório, longe da agitação do dia a dia e, principalmente, longe dos ouvidos curiosos. Quando JC chegou, ele percebeu que Sebastian estava visivelmente agitado, com uma expressão que misturava preocupação e determinação.
- JC, não tenho boas notícias, — começou Sebastian, fazendo um gesto para que JC se sentasse. — Precisamos conversar sobre Ella.
A expressão de JC imediatamente mudou.
-O que aconteceu? É sobre Kate e Gwen?
- Em parte, sim, — Sebastian confirmou, olhando ao redor. — Eu fiz algumas investigações sobre o evento que aconteceu há alguns dias que você foi convidado misteriosamente. E o que encontrei não é algo simples.
JC se inclinou para frente, a tensão tomou conta de seu corpo.
- O que você descobriu?
Sebastian respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos.
- Naquela noite, Ella e Kate tiveram um encontro em particular. Eu pensei que Ella estivesse se dirigindo a você, mas na verdade, ela estava ameaçando Kate.
- Ameaçando? Como assim? — a fúria começou a crescer nos olhos de JC.
- Eu conversei com uma garçonete que estava lá. Ela me contou que Ella segurou o pescoço de Kate e sussurrou algo para ela. Kate ficou visivelmente abalada e Ella saiu logo depois.
JC ficou em silêncio por um momento, processando as informações.
- Mas o que isso significa? Por que Kate não disse nada?
- Não sei, — respondeu Sebastian. — Mas há algo mais. Consegui acessar a gravação de uma câmera de segurança que estava próxima ao local onde elas se encontraram.
Sebastian puxou seu celular e, com um gesto rápido, começou a reproduzir o vídeo. A tela mostrou o local do evento, onde a luz suave das lâmpadas iluminava o pátio externo. O vídeo capturava Ella se aproximando de Kate, as duas em uma conversa acalorada. Sebastian viu o momento em que Ella agarrou o pescoço de Kate, sua expressão cheia de raiva e desprezo.
O coração de JC disparou ao ver a agressividade de Ella.
- Ela realmente agrediu Kate. — murmurou, a raiva fervendo dentro dele.
- Sim, — disse Sebastian, interrompendo o vídeo após alguns segundos. — E o mais perturbador é que, minutos após, você chegou no pátio.
JC fechou os olhos, seu corpo tenso.
- Se eu soubesse, teria feito algo. Não consigo acreditar que Kate estava lidando com isso sozinha.
- Precisamos confrontá-la sobre isso, JC. Não podemos deixar Ella se safar. Ela tem que pagar pelas ameaças que fez a Kate e por tudo o que fez contra a sua empresa.
JC assentiu, ainda processando a gravidade da situação.
- Eu não posso permitir que Ella se aproxime de Gwen. Ela está disposta a tudo para destruir Kate.
- Exato, — Sebastian concordou, seu tom sério. — Mas precisamos ser estratégicos. Não podemos agir impulsivamente. Se fizermos isso, poderemos colocar Kate e Gwen em perigo.
- Você está certo, — JC disse, finalmente tomando uma respiração profunda. — Precisamos nos preparar para o que está por vir. Não vou deixar que Ella machuque minha família novamente.
Os dois homens trocaram olhares decididos. Eles sabiam que precisavam agir juntos, reunindo força e estratégia para enfrentar a ameaça que aquela mulher representava. Acima de tudo, JC estava determinado a proteger Kate e Gwen, custe o que custasse.
[...]
Chegando em casa JC estava decidido a enfrentar a verdade, e sabia que era hora de expor tudo o que Sebastian havia descoberto para Kate. Na sala de estar, as luzes baixas e a tranquilidade de Gwen dormindo no quarto. O clima era pesado, e a tensão era palpável. Ele sentou no sofá e convidou Kate para sentar também.
- Kate, precisamos conversar, — JC começou, a voz determinada e cheia de preocupação. — Sebastian encontrou algo importante sobre Ella, algo que você precisa saber.
Kate olhou para ele, o coração disparando.
- O que você descobriu? É sobre Gwen?
- Sim, mas é mais sobre Ella, — ele respondeu, sentando-se ao lado dela no sofá. — Há alguns dias atrás, durante o evento que eu te levei, Ella não estava apenas se dirigindo a mim. Ela ameaçou você. Eu vi a gravação. Ela te agrediu, e…
Os olhos de Kate se arregalaram, e ela sentiu um frio na espinha. Estava em paz e tudo o que ela queria era esquecer sobre sua irmã.
- Ella... o que mais ela te fez?
Sabendo que JC não largaria o osso tão facilmente ela decidiu que era a hora de contar toda a verdade sobre o que havia acontecido há cinco anos, JC deveria saber.
- JC... Você acreditaria em mim, se eu contasse o que realmente aconteceu há cinco anos?
- Sobre a sua prisão e o roubo da minha empresa? — ele perguntou e ela confirmou com a cabeça. — Você pode me contar tudo.
- Bem... Eu tinha acabado de dar a luz a Gwen, depois de longos nove meses afastada de todos. Ella fez questão de me isolar, ela dizia estar me ajudando e eu acreditei, como uma idiota. — Kate apertou as mãos com raiva de si mesma. Talvez sentisse um pouco de culpa. — Enquanto me isolava, ela se passava por mim e trabalhou por seis meses para você. Soube disso depois que fui presa.
- Ella... Foi ela que me roubou?
- Quando eu disse que não te conhecia eu realmente não sabia quem era você, eu só estava preocupada com Gwen. Quando pedi para você levar Gwen, eu não sabia que você poderia fazer um mal a ela por conta das atitudes de Ella.
- Isso nunca! — ele pegou a mão dela para confortá-la. — Kate, eu não sabia. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas agora entendo que você sempre esteve lutando contra ela.
Kate, aturdida, se afastou um pouco, processando a enormidade do que estava dizendo finalmente a JC.
- Isso significa que tudo o que aconteceu... a prisão, a perda de Gwen... foi culpa dela?
- Sim... Quando recebi a sentença de cinco anos. Ela me visitou na cadeia para deixar claro que faria de tudo para garantir que eu fosse responsabilizada e que não hesitaria em machucar Gwen se eu não a obedecesse. — Kate tremia ao lembrar daquele terror. — Eu já tinha perdido tudo! O que mais tinha a perder, cinco anos não era nada.
- Me desculpe, eu deveria te investigado direito — A tensão no ar era palpável. Kate sentia suas pernas fraquejarem sob o peso da revelação. — Eu nunca imaginaria que algo assim tivesse acontecido. Eu fui um idiota!
- Eu... Eu me senti tão sozinha, JC. Fui presa e perdi Gwen por causa dela. Tudo isso por causa das ameaças que ela fez. Das coisas que ela fez, e eu nunca entendi o porquê!
A angústia que ela sentia era tão grande que ela não conseguiu segurar as lágrimas, ela parecia uma criança chorando o tempo que nunca mais teria de volta.
- Me desculpe! Você não estará mais sozinha. — ele insistiu, abraçando-a — Agora que sei a verdade, estou aqui para proteger você e Gwen. Eu confio em você, Kate. Sempre confiarei em você.
O alívio começou a se infiltrar no coração de Kate, mas a dor do passado ainda era forte. Não conseguia esquecer todo o sofrimento que ela havia passado sem nunca entender a razão.
- Ella se passou por mim, JC. Ela me manipulou e fez com que todos acreditassem que eu era culpada. Eu não consegui fazer nada para impedir que ela me destruisse. Ela disse que se eu não fizesse o que ela quisesse, mataria Gwen.
Os olhos de JC se estreitaram, e a determinação em seu olhar aumentou. Uma ponta de culpa e de raiva misturavam-se todas às vezes que pensava em Kate presa por um crime que não havia cometido e ele tinha sido o maior executor de seu sofrimento.
- Nunca mais deixarei que ela se aproxime de vocês. Vou descobrir a verdade e garantir que ela nunca mais possa fazer mal a você ou à nossa menina.
- Você não entende... eu estava tão assustada. A ideia de perder Gwen foi o que me manteve em silêncio todos esses anos. Não queria que ela fosse alvo de Ella. Gwen era só um bebê. Uma criança inocente no meio de toda essa bagunça.
JC pegou as mãos de Kate, segurando-as tentando passar algum conforto.
- Agora que sei a verdade, irei enfrentá-la. Vou nos preparar, mas primeiro, você precisa me contar tudo o que sabe. Como Ella conseguiu se passar por você? O que mais ela fez?
Com um suspiro profundo, Kate começou a contar sua história, lembrando-se de cada detalhe. Ela falou sobre como Ella havia se infiltrado em sua vida, como tinha manipulado pessoas ao redor e usado suas fraquezas para se beneficiar. À medida que Kate revelava mais sobre o passado sombrio, JC escutava atentamente, a raiva crescendo dentro dele.
- Ella tinha me pedido para buscá-la em um hotel, quando a encontrei ela estava com um cara estranho e ela me fez beber um pouco da sua bebida.... — Kate respirou fundo para tentar buscar coragem para dizer isso. — JC... Eu... Eu... Fui muito inocente nas mãos dela.
- O que ela fez? — ele segurou a raiva para ouvi-la.
- Quando acordei no outro dia, havia um homem deitado na cama. Eu estava tão assustada que sai correndo sem nem ver o rosto dele. — Kate abraçou a si mesma. — Eu nem sei o que aconteceu, mas não tardou a começar os sintomas da gravidez...
- Como ela pode fazer isso com você? — ele sentiu tanta raiva que levantou e foi até o home bar e colocou uma dose de uísque puro. Ele a engoliu de uma vez.
- Quando descobri que Gwen viria ao mundo... Eu não a culpei por isso. Éramos duas inocentes. Eu decidi que a teria, fiquei dois meses fora da cidade trabalhando. Ella me encontrou e me persuadiu a voltar para casa. — o olhar dela encontrou o de JC. — Tudo ficou pior.
- Não precisa falar sobre isso se te machuca! — ele disse gentil.
- Não, eu vou falar sobre isso pela primeira e última vez. — ela apertou os lábios até ficar sem cor. — Quando voltei para casa, fiquei um tempo isolada como Ella queria, ela dizia que iria me ajudar e eu acreditei mais uma vez. Mas um homem me viu no mercado e disse meu nome. Ele disse que tínhamos ficado juntos e quando ele viu minha barriga disse que o filho era dele.
JC apertou o copo com força e quase o quebrou. Mas o soltou. Ela continuou.
- Mac queria uma explicação sobre aquilo, e eu sem saber o que fazer sai correndo, como eu iria explicar uma coisa que nem eu sabia? Na fuga ele me seguiu até em casa. — Kate limpou outras lágrimas que insistiam em cair. — Quando ele tentou entrar em casa eu chamei a polícia... Mas tudo que me lembro era que Mac estava em cima de mim morto na sala de casa.
JC foi até ela quando viu que ela começou a tremer, ele a abraçou tentando confortá-la. Mas ela tremia ainda mais. E JC se sentiu imponente sobre o que fazer para amenizar a dor que ela sentia.
- Eu não fui presa, porque não acharam a arma do crime. Mas a polícia me deu uma ordem de não sair da cidade e Ella de aproveitou disso para me isolar em casa, mas tudo que eu conseguia ver era Mac morto em cima de mim. — ela abraçou JC de volta. — Ella disse que ele era o pai de Gwen e que eu o matei.
- Não pense nisso. Você não é culpada por isso. Deve ter sido um acidente. Eu acredito em você Kate, nunca vou dúvidar.
A conexão entre eles ficou mais forte à medida que Kate compartilhava as verdade, e a confiança que Kate temia perder começou a florescer novamente, Kate finalmente sentiu que não estava mais sozinha nessa luta. JC estava ao seu lado, disposto a lutar pela família que ambos desejavam proteger.
- Irei descobrir o que Ella está planejando e detê-la antes que seja tarde demais, — JC afirmou, sua voz cheia de certezas. — Eu prometo que farei tudo ao meu alcance para proteger você e Gwen. Isso é uma promessa.
Kate sentiu uma onda de esperança, mesmo em meio ao caos. A batalha estava longe de terminar, mas agora, com a verdade vindo a tona e com o apoio de JC, ela se sentia mais forte do que nunca.
[...]
Sebastian mergulhou de cabeça na investigação sobre o artista desconhecido cujas obras estavam ligadas a Ella. Ele vasculhou galerias, colecionadores e registros de vendas, determinado a achar aquele artista. Depois de dias de pesquisa, ele finalmente encontrou a pista que precisava.
Durante uma visita a uma pequena galeria de arte que frequentemente exibia obras de artistas emergentes, Sebastian notou um padrão. Muitas das obras, que ele reconheceu como sendo parte da coleção de Ella tinha algo em comum, era do mesmo artista. Ele decidiu investigar mais a fundo e entrou em contato com o proprietário da galeria que havia tido contato com tal artista.
- Você pode me falar sobre o artista que criou essas obras? — perguntou Sebastian, segurando uma foto de uma das pinturas que tinha na casa de JC.
- Ah, essa era uma artista que tinha um talento natural, e incrivelmente discreta. Ela sempre vinha com alguns quadros e uma enorme barriga de grávida, ela fez bastante dinheiro com os primeiros quadros. — respondeu o proprietário, sorrindo. — Infelizmente, ela não expõe há mais de cinco anos. O nome dela é Kathryn Gregory. Fiquei surpreso ao encontrar algumas de suas obras entre as peças em uma galeria recentemente.
O coração de Sebastian acelerou.
- Kathryn Gregory? Você tem certeza?
- Sim, com certeza. Ela era uma artista talentosa antes de… bem, você sabe. Ela não teve a chance de mostrar todo o seu potencial, provavelmente o bebê nasceu e ela não pôde voltar ao mundo artístico.
A revelação foi um soco no estômago para Sebastian. Ele rapidamente fez uma lista de todas as obras que Ella havia vendido, e o segredo de Ella era chocante: todos os quadros que havia adquirido e vendido eram, na verdade, de Kate. A artista havia sido roubada de sua própria identidade e talentos.
Sebastian voltou para a casa de JC e encontrou Kate e JC deitados no sofá juntos. Ele arregalou os olhos, sabia que eles acabariam juntos, mas assim tão rápido?
- Mary? — ele questionou com o olhar para a cena que estava vendo.
- Eles estão um grude tem uns dias. — a segurou uma risadinha, e continuou com sabedoria. — Vão acabar casando.
Quando Sebastian bateu na porta avisando sua chegada fingindo ter chegado ali naquele momento. Kate se levantou envergonhada. E JC a segurou sentando-a de volta no sofá.
- É apenas o Sebastian não precisa ficar com medo. — Sebastian nunca tinha visto JC falar algo naquele tom dócil.
- Me desculpe! — ela pediu olhando para Sebastian. — Não estou acostumada com outras pessoas na casa!
- Não tem problemas! — Sebastian sorriu para ela e JC sentiu ciúmes e não gostou nada disso.
- O que veio fazer aqui?! — perguntou JC e a atmosfera ficou carregada de tensão JC olhou para Sebastian, esperando pelo que ele tinha a dizer.
- Eu descobri algo incrível, — Sebastian começou, olhando para os dois, e ignorando o olhar furioso do amigo. — Todas aquelas obras que Ella estava vendendo, aquelas que você, JC, comprou várias. São de Kate.
Kate ficou em silêncio, a expressão no rosto misturando incredulidade e dor. Ela não queria que essa história surgisse. Já tinha aceitado que nunca mais poderia voltar ao mundo artístico. Isso era um fato. Não queria perder mais nada para ninguém.
- Como você soube?! — ela não demonstrou surpresa.
- Eu conversei com o proprietário de uma galeria. Ele confirmou que as obras eram suas. Ella as roubou antes de você ser presa. Todas as vendas, todas as exposições, foram uma fachada. Ella usou sua arte para se beneficiar enquanto você estava na cadeia — Sebastian explicou, sentindo a tensão crescer.
- Eu imaginei que algo assim tinha acontecido quando vi uma das minhas obras no quarto de JC. — confessou ela.
- Então, isso significa que ela não só destruiu a carreira, mas também usou o trabalho de Kate para enriquecer a si mesma? — JC murmurou, com o rosto vermelho de raiva.
- Sim, — Sebastian disse. — Aparentemente.
- Ela se aproveitou de Kate em todos os níveis possíveis. — JC sussurrou segurando a raiva crescente. — Não só a atacou pessoalmente, mas destruiu sua carreira.
- Podemos investigar outras coisas, mas até aqui já conseguimos montar uma denúncia.
- Faça isso, já! — ordenou JC.
A verdade começou a se assentar sobre eles como um peso. Kate olhou para os dois. Eles estavam do seu lado então ela queria que Ella pagasse pelos seus crimes. Estava cansada de ser feita de idiota por ela.
- Eu não posso deixar que ela continue assim. Precisamos expor isso. As pessoas precisam saber que Ella roubou não apenas sua liberdade, mas também seu trabalho! — disse JC
- Exatamente, — disse Sebastian tentando convencer Kate. — Precisamos reunir todas as provas. Isso pode ser a chave para processá-la por tudo o que ela fez.
- Ela não pode se safar disso. Ela precisa enfrentar as consequências — JC afirmou, sua determinação clara.
Kate respirou fundo, sentindo um novo impulso de coragem. Os dois olhou para para ela esperando uma resposta.
- Tudo bem... Está na hora de por um fim nisso de uma vez por todas.
A determinação de Kate fez com que a atmosfera mudasse, e a energia no ar se tornou mais forte. Agora, com JC ao seu lado, ela se sentia pronta para confrontar não apenas Ella, mas também as feridas do passado que haviam sido causadas por suas manipulações.
- Vou voltar para o escritório e verificar se descubro mais alguma coisa. Vamos reunir todos os seus crimes e fazer uma denúncia com todas as provas, não vai ter escapatória para ela ou eu não me chamo Sebastian Hidden. — ele entendeu a mão para Kate e sorriu. — Se cuida.
JC levou Sebastian até a porta e se despediu dizendo que também iria para o escritório quando tivesse tempo. Ele voltou para a sala e sentou-se no sofá, o coração pesado com a consciência do tempo que havia perdido com Kate e Gwen, nunca ter ido atrás da história inteira. Mas isso era bom, porque se não nunca teria conhecido a verdadeira Kathryn. Olhou para ela, que estava organizando algumas das obras de arte que Sebastian havia trazido da galeria, e sentiu um nó na garganta. Era hora de abrir seu coração e compartilhar seus pensamentos.
- Kate, — ele começou, a voz hesitante, — precisamos conversar sobre tudo isso. Sobre nós, sobre Gwen e sobre o que aconteceu.
Kate parou, olhando para ele com um olhar curioso e um pouco preocupado.
- O que você quer dizer?
- Eu percebo agora o quanto eu falhei em descobrir sobre tudo o que tinha acontecido naquela época — disse JC, a sinceridade transparecendo em cada palavra. — Afastar você e Gwen foi um dos maiores erros da minha vida. Eu não queria ver a verdade e, por causa disso, deixei você lutar sozinha... Não posso continuar assim.
Kate sentiu seu coração apertar.
- JC, isso é… eu sempre soube que você estava sendo enganado, então eu não o culpei por estar descontando a sua raiva em mim, você cuidou de Gwen todo esse tempo, e isso era o que me fazia aguentar.
- Eu sei, e sinto muito por você ter passado por tudo isso. Eu quero mudar essa história, — ele afirmou, o olhar firme. — Quero ser o pai que Gwen merece e um homem para você. E isso significa que precisamos prepará-la para a verdade sobre vocês duas.
Kate franziu a testa, um misto de preocupação tomando conta dela.
- Você realmente acha que ela está pronta para saber? É uma carga pesada, JC. Não quero que isso a machuque ainda mais. Estamos bem assim. — ela não queria que sua associação prejudicasse Gwen.
- Eu sei que está preocupada, — disse JC, inclinando-se mais perto. — Mas Gwen é mais forte do que pensamos. E agora, com tudo o que sabemos sobre Ella, é importante que ela conheça a verdade sobre sua família. Ela precisa entender quem ela realmente é e como você e Ella estão conectadas. Não quero que ela viva com a incerteza e o medo que nós vivemos.
- É apenas… é uma conversa difícil. Ela é tão jovem e não merece carregar o peso do nosso passado, — Kate respondeu, a voz trêmula. — Eu não quero que ela saiba o que aconteceu para ela nascer!
- Mas se nós não formos honestos com ela, estaremos apenas perpetuando o ciclo de dor e confusão. Precisamos quebrar isso, — JC insistiu. — Eu quero que ela saiba que, apesar de tudo o que aconteceu, você é a sua mãe e que ela sempre terá o nosso amor e apoio. Vamos fazer isso juntos.
Kate respirou fundo, ponderando suas palavras. A ideia de preparar Gwen para a verdade era assustadora, mas a determinação de JC a encorajava. Ela percebeu que essa poderia ser a chance de finalmente curar as feridas do passado e construir um futuro melhor.
- Certo — Kate disse, sua voz ainda trêmula. — Se você acredita que Gwen está pronta, eu também estou disposta a tentar. Vamos fazer isso de uma maneira que a proteja, que a ajude a entender sem sobrecarregá-la.
JC sorriu, um alívio passando por ele.
- Faremos isso juntos. Vamos conversar com ela em um momento calmo, onde possamos explicar tudo. E prometo que estarei ao seu lado, apoiando você e Gwen a cada passo do caminho...
Kate sorriu de volta, sentindo uma esperança renascer dentro dela.
- Obrigada, JC. Isso significa muito para mim. Sei que a verdade é dolorosa, mas também pode ser libertadora.
- Exatamente, — ele respondeu. — E, ao fazer isso, estamos dando a Gwen a chance de conhecer a mãe dela que ela tanto perguntava. Isso é o melhor.
Com o peso da culpa começando a se dissipar, JC sentiu que finalmente estava no caminho certo. Era hora de reconstruir as relações que ele havia negligenciado e, juntos, eles poderiam enfrentar qualquer desafio que Ella ainda pudesse impor. As investigações de Sebastian iria com certeza acabar com esse ciclo se ódio.
A determinação de JC em corrigir seus erros e apoiar Kate era palpável. Ele sabia que o passado pesava sobre eles, mas a ideia de permitir que Kate voltasse a fazer o que amava, a pintura, parecia um passo importante para a cura de ambos, JC queria que Kate soubesse que sua arte ainda importava.
[...]
JC decidiu surpreender Kate. Ele passou a manhã em uma loja de materiais de arte, escolhendo telas, pincéis e tintas. Enquanto caminhava pelos corredores, ele se lembrou das obras que Kate havia feito antes de Ella a ter roubado de sua própria vida. Ele queria que ela sentisse que ainda havia um lugar para sua criatividade, um espaço onde ela pudesse se expressar, sem o peso do passado. No início ele pensou que isso não fazia sentido e que só traria as lembranças e dor de um tempo que sua vida era manipulada por Ella. Havia visto o quando os olhos dela brilhavam com as obras que Sebastian trouxera.
Ao voltar para casa, JC encontrou Kate no jardim brincando com Gwen, ele não sentia mais ciúmes do relacionamento delas e sim vontade de participar. Gwen estava indo bem na escola e Kate trabalhava de manhã no café. A rotina das duas era muito bem definida. JC que se intrometia, e às vezes pegava as duas e levava para um jantar ou um passeio no parque inesperadamente. Ele se aproximou delas.
- Kate, — ele disse com um sorriso, tentando quebrar a tensão que pairava no ar, com a sua chegada. — Eu trouxe algo para você.
Ela olhou para ele, a curiosidade tomando conta de seu semblante. Pediu para Gwen brincar com seus brinquedos enquanto JC se sentava próximo dela.
- Para mim, o que é?
Com um gesto dramático, ele abriu as sacolas e revelou os materiais de arte.
- Telas, tintas, pincéis… tudo o que você precisa para voltar a pintar. Eu quero que você retome sua paixão.
Os olhos de Kate brilharam, conhecia tudo aquilo, mas uma sombra de dúvida ainda passou pelo seus olhos e JC já percebeu que ela não ia aceitar muito bem o presente.
- JC, eu… não sei se sou capaz de fazer isso agora. Não quero me distrair do que realmente importa, especialmente com as ameaças de Ella! — ela recusou-se a olhar novamente para os materiais.
- Eu entendo, na verdade... pensei o mesmo que você quando tive essa ideia, mas não faz sentido continuarmos apenas fugindo. — ele respondeu, a seriedade em seu tom de voz. — A arte é uma parte de você, Kate. Pintar é o que te faz feliz. E, honestamente, precisamos de algo positivo agora. Precisamos de um espaço seguro onde você possa fazer o que gosta. Podemos enfrentar aquela mulher juntos, mas também precisamos encontrar momentos de alegria e em meio ao caos que ela provoca. Vamos mostrar para ela que ela nunca vai ganhar.
Ela hesitou, observando as cores vibrantes diante dela.
- Você realmente acha que eu posso voltar a pintar? — questionou ela em dúvida de si mesma.
- Eu acredito que sim, — JC afirmou com convicção em sua voz. — E eu estarei aqui, ao seu lado, apoiando cada passo. Vamos criar um espaço juntos, onde você possa se sentir livre. E quem sabe, isso pode até ajudar Gwen a entender mais sobre você e sua arte.
As palavras dele a incentivou a querer voltar. Kate olhou para os materiais, um misto de nostalgia e desejo começando a crescer dentro dela.
- Eu vou tentar, JC. Era minha maneira de me conectar com o mundo. — ela hesitou novamente. — Tenho medo de falhar de novo.
- Você não está sozinha. E não estamos buscando a perfeição. É isso que a arte é: uma forma de cura — ele disse suavemente. — Vamos transformar isso em um momento especial, não apenas para você, mas também para Gwen, ela puxou isso de você.
- Talvez eu devesse tentar. Para mim e para ela. — Um sorriso hesitante começou a se formar no rosto de Kate.
- Papai você é muito especial! — Gwen voltou para perto deles, abriu a sacola e sorriu. — Olha que cores bonitas.
JC levantou-se e incentivou Gwen a fazer o mesmo.
- Pedi para a Mary levar o restante para o estúdio que preparei pra você! — incentivou JC olhando para Kate. — Vem Gwen, vamos ver como ficou!
Pegando a mão dela e puxando-a para se levantar. Os três foram para o local que JC havia alterado para virar um estúdio. Ao chegar no lugar Kate ficou encantada: o lugar era claro e tinha bancadas com tintas, cavaletes, janelas que iam do teto ao chão tudo no vidro. Era um lugar que passava tranquilidade.
- Podemos colocar uma música e deixar a criatividade fluir. Eu sei que você tem algo incrível dentro de você esperando para sair. — ele abriu os braços no meio da sala e sorriu.
JC ajudou a colocar as telas em um cavalete, organizou as tintas e os pincéis, criando um espaço acolhedor e inspirador. Ele ligou uma música suave, e o ambiente logo se encheu de paz.
- Pronta? — ele perguntou, olhando para ela com um sorriso encorajador entregando-lhe a paleta e pincéis.
- Estou pronta! — Kate respondeu, sentindo a animação crescer dentro dela. Ela pegou um pincel e, enquanto começava a misturar as cores, sentiu a inspiração vir rapidamente, a sensação de estar de volta em casa. Cada pincelada a levava de volta a um lugar onde ela se sentia livre e viva.
JC a observava, um sorriso no rosto, percebendo a transformação que ocorria diante dele. Por um breve momento, ele sentiu as emoções ficarem ainda mais fortes, e desejou que ela sempre fosse feliz. Gwen estava olhando para Kate da mesma forma que JC com o coração acelerado.
- Papai?! — disse ela.
- Sim? — respondeu ele.
- Eu quero ficar com a Kate para sempre! Ela pode ser minha mamãe? — pediu ela.
O cheiro das tintas e a música suave criaram uma atmosfera inebriante. Gwen e JC estavam compelidos pelas pinceladas que Kate aplicava sobre a tela. Eles pertenciam a ela.
- Hmm... — concordou ele.
[...]
Sebastian estava determinado a levar Ella à justiça. Depois de descobrir as verdadeiras artimanhas que ela havia cometido, ele preparou um processo contra ela, coletando provas de sua fraude artística e das ameaças que tinha feito a Kate. A ideia era finalmente expor Ella e responsabilizá-la por tudo que havia causado e fazer ela pagar pelos seus crimes.
Enquanto Sebastian se preparava para apresentar seu caso, a tensão aumentava. JC e Kate estavam mais unidos do que nunca, e sua vida começava a tomar um novo rumo. O estúdio de arte de Kate florescia, e ela estava cada vez mais confiante em sua arte. Porém, a sombra de Ella ainda pairava sobre eles, e, com o cerco se fechando, o desespero dela se intensificou.
Uma semana se passou. E em uma noite chuvosa enquanto Kate estava no estúdio, imersa em seu trabalho, e JC estava na sala vendo Gwen brincar com seus brinquedos, uma sensação inquietante pairava no ar. O telefone de JC tocou, e a voz de Sebastian do outro lado estava carregada de preocupação.
- JC, Ella… ela está desaparecida. A pressão sobre ela está aumentando com a polícia atrás dela, e estou preocupado com o que ela pode fazer. — avisou ele. — Parece que ela soube que o processo foi entregue para a polícia essa semana.
- Eu também estou preocupado. — JC respondeu, a tensão subindo em seu tom. — Kate e Gwen estão aqui em casa, e não podemos deixar que nada aconteça com elas.
- Vou mandar alguém ficar de olho nelas! — Sebastian prometeu, mas a preocupação era palpável em sua voz. Ella tinha desaparecido.
Na noite seguinte, enquanto Kate e JC dormiam tranquilamente na casa. Ella, desesperada e furiosa com a polícia na sua cola. Determina a silenciar qualquer ameaça, arquitetou um plano de entrar na casa dele e sequestrar Gwen. Ela despachou, seus subordinados, frios e calculistas, disfarçado de funcionários do condomínio, para desativar o sistema de segurança para realizar o sequestro.
A casa estava mergulhada no silêncio quando os passos deles foram seguindo para a informação de onde estava a menina, quando eles entraram, encontraram Gwen dormindo. Um dos homens esbarrou na estante quando se aproximou e acabou derrubando a mochila de Gwen. O som acordou Kate, que se levantou com um sobressalto, ela saiu do quarto de JC e entrou no de Gwen, mas antes que pudesse reagir, com um movimento rápido um deles a nocauteou fazendo-a desmaiar. Enquanto isso o outro comparsa pegava Gwen, carregando-a para fora.
Quando Kate recobrou a consciência, sua filha não estava mais lá o que paracia uma sonho se tornou um pesadelo, com seu coração disparado de medo e dor. Ela correu pelo corredor desesperadamente até o quarto de JC, onde ele ainda dormia alheio ao horror que havia acontecido, o pânico a invadiu.
- JC! — ela gritou, a voz trêmula de pavor.
JC acordou instantemente ao ouvir o grito de Kate. Ao vê-la em completo desespero, ele imediatamente se levantou da cama e em um movimento rápido segurou-a pelos ombros.
- O que aconteceu? — ele perguntou com urgência.
- Gwen... ela não está aqui! — Kate mal conseguia falar, as lágrimas escorriam pelo seu rosto. — Alguém a levou! Como eles conseguiram entrar? Eu... Eu ouvi um barulho e fui até lá e eles simplesmente a pegaram
JC tentou manter a calma, apesar do pânico que crescia dentro dele. Ele pegou o celular rapidamente ao lado da cama.
- Vou ligar para a polícia agora — disse, enquanto começava a discar tentado esconder o medo que sentia.
[...]
Enquanto JC e Kate se desesperava, Ella mantinha Gwen em um local isolado, um galpão abandonado nos arredores da cidade. O plano dela era simples: usar Gwen como uma forma de barganha, forçando JC e Kate a recuarem em seus planos de expô-la. Ela queria que eles se sentissem sem saída da mesma forma que ela estava se sentindo, e sequestrar a filha de Kate era uma maneira de garantir que eles não a denunciasse.
No galpão, Gwen estava assustada e chorando, mas não tinha ideia do que estava acontecendo. Ella a mantinha sob vigilância, se seu plano não desse certo, não cairia sozinha, com certeza levaria alguém com ela.
- Kate?! — Gwen estranhou o rosto tão parecido com o de Kate.
- Sou a irmã da sua mamãe Kate! — Ella sorriu.
- Eu não tenho mamãe! — Gwen disse inocente.
- Na verdade sua mãe é a Kate! Mas ela não tem coragem de te dizer. Nem ela ou seu pai vão te encontrar. Eles nunca vão saber onde você está. — Ella sussurrou, sua voz carregada de ameaças. — Você vai morrer sozinha! Quem mandou querer vir ao mundo?
A criança chorou ainda mais e Ella riu.
- Você é mesmo filha de Kathryn, só o que sabe fazer é chorar. — Ella pegou Gwen pela gola da camisa e sacudiu. — Pare de chorar criança idiota!
[...]
Kate e JC estavam sentados na sala de estar enquanto JC cuidava do machucado na testa de Kate e a polícia grapeava todos os telefones e olhava as câmeras de segurança da casa, no momento que Gwen foi levada, a sensação de impotência era esmagadora, JC andava de um lado para o outro como se isso ajudasse a aplacar sua raiva.
- Vamos pensar, JC. Ella está desesperada, e isso significa que ela pode cometer um erro. — murmurou Sebastian que havia sido acionado.
- Como podemos encontrá-la? — JC perguntou, tentando ser forte. — Ela é esperta e sabe como se esconder.
- O que temos que esperar agora é a negociação, ela pode querer dinheiro ou as provas que vocês tem em mãos que a incrimina. — o policial disse. — O ideial agora é esperar a ligação.
- Indefinidamente? — questionou Kate sentada no sofá.
- Ela tem um motivo para negociação. — o policial virou-se para JC. — Tenho policiais em sua casa e na empresa do marido. Também não encontramos o homem.
A tensão no ar era palpável, Sebastian e a polícia estavam traçando planos, revisando todos os lugares que Ella poderia se esconder. Com cada segundo que passava, a urgência crescia, JC não perderia a esperança de reunir sua família novamente.
Ao mesmo tempo, Sebastian ao telefone, de conversando com seus contatos. Ele já havia montado uma equipe de investigadores privados, tentando seguir qualquer pista que pudesse levá-los a Gwen.
- Vamos encontrar Gwen, Kate. — murmurou JC para si mesmo abraçando Kate.
Fale com o autor