Sentença de Amor
8 Capítulo 08
Capítulo 08: Qual é o seu nome?
A viagem até a casa de JC foi marcada por um silêncio carregado. Kate olhava pela janela, tentando desviar os pensamentos do beijo impulsivo que ainda queimava em seus lábios. Ela queria esquecer. Como se pudesse apagar o que aconteceu, mas a lembrança persistia, desafiando sua vontade de manter a distância emocional.
Assim que chegaram, Kate hesitou na entrada, sentindo-se dividida entre o desejo de se afastar e a necessidade de estar perto dele, da segurança que ele proporcionava. Era egoísta assim? Pensou.
- Eu... acho que vou para casa! — disse com a voz trêmula, mas JC não deixou que ela se virasse.
- Espera, — ele pediu, sua mão delicadamente segurando o braço dela. — Por que você não fica para ver como Gwen está? Podemos conversar depois ou algo assim. Você está segura aqui.
Ela hesitou, lutando contra a tentação de aceitar a oferta.
- JC, eu... não quero que isso seja estranho. O que aconteceu mais cedo, o beijo... — ela sentiu as bochechas ficarem quentes.
Ele a interrompeu, a expressão determinada.
- Eu não quero que você finja que nada aconteceu. — ele soltou o braço dela e tocou os cabelos.
Kate sentiu seu coração acelerar. A ideia de passar mais tempo com ele era tentadora, mas o medo das ameaças a deixava aterrorizada.
- Não acho que isso é uma boa ideia. Eu não quero complicar as coisas entre nós. — começou se justificando. — Temos um contrato para cumprir e depois disso seguiremos por caminhos separados.
Ele se aproximou mais, olhando profundamente em seus olhos, tentando ignorar as justificativas dela sobre o contrato.
- Esqueça isso! — pediu ele, mas ela se negou. — Às vezes, a vida é feita de complicações. Ficar aqui comigo pode ser o que você precisa para se sentir segura.
A sinceridade em sua voz a tocou. A verdade era que, apesar do medo, havia uma conexão inegável entre eles, algo que ela não conseguia ignorar. Kate suspirou, finalmente dando o primeiro passo em sua direção.
- Está bem, eu vou ficar — afirmou, um sorriso tímido se formando em seus lábios. — Mas só por um tempo, só até o fim do nosso contrato.
- Isso é tudo que eu peço! — JC sorriu de volta, aliviado e satisfeito por ter conseguido convencê-la.
O som da porta se abrindo interrompeu o momento. Mary, entrou com um semblante preocupado.
- Desculpe interromper, mas a Gwen não está bem. Ela está com febre! — disse Mary, a voz trêmula de preocupação.
O sorriso de Kate desapareceu instantaneamente, e seu coração acelerou.
- Gwen! — exclamou ela, indo rapidamente em direção a porta. JC imediatamente a acompanhou, a expressão dele se transformando de descontraída para séria.
- Vamos — disse ele, pegando a mão de Kate e puxando-a gentilmente em direção ao quarto da menina.
Ao entrarem no quarto de Gwen, a cena que encontraram fez com que o coração de Kate se apertasse. A menina estava encolhida sob as cobertas, o rosto vermelho e a respiração pesada.
- Gwen, querida, sou eu, Kate — ela sussurrou, aproximando-se da cama com uma voz suave. — Como você se sente?
Gwen abriu os olhos lentamente, e um sorriso fraco surgiu em seu rosto ao ver Kate.
- Eu tô dodói Kate — respondeu a menina, sua voz fraca.
JC foi até o criado-mudo e pegou o termômetro.
- Vou medir a temperatura dela de novo — disse ele, inserindo o termômetro sob o braço da menina. O silêncio no quarto era tenso, e Kate sentou-se ao lado da cama, acariciando suavemente o cabelo de Gwen.
- Mary, tem antitérmico em casa? — perguntou Kate, sem tirar os olhos da menina.
- Sim, tenho alguns lá em baixo. — respondeu Mary, preocupada. — Vou buscar!
Depois de alguns momentos que pareceram uma eternidade, JC retirou o termômetro e olhou para Kate, seu rosto carregado de preocupação.
- Está em 39 graus — disse ele, o tom grave.
- Precisamos dar o remédio imediatamente. — pediu Kate.
Enquanto isso, JC sentou-se do lado de Kate e segurou a mão de Gwen, que parecia se aconchegar à presença dele.
- Vai ficar tudo bem, Gwen. Vamos cuidar de você — disse ele, sua voz tranquila.
Kate olhou para JC, admirando a maneira como ele estava calmo e tranquilo. Como se tivesse passado por isso um milhão de vezes.
O momento que havia acabado de compartilhar com ele agora parecia distante, ofuscado pela preocupação com a saúde de Gwen. No entanto, havia uma luz em sua escuridão, uma certeza de que, juntos, eles poderiam enfrentar qualquer tempestade.
Mary retornou com o remédio, e Kate rapidamente ajudou Gwen a tomá-lo.
- Isso vai te fazer sentir melhor, prometo — disse ela, fazendo a menina engolir o comprimido com um pouco de água.
Ela franziu a testa e JC colocou o dedo entre as sombrancelhas lembrando que dias atrás Kate tinha a mesma reação. Um sorriso cruzou seu rosto e foi a primeira vez que Kate o viu sorrir, algo dentro dela mudou.
- Obrigada, Kate — murmurou Gwen, seus olhos começando a se fechar.
Enquanto a menina adormecia, Kate e JC trocaram um olhar significativo. Ambos se lembrando do que sentiram quando se beijaram mais cedo. E nenhum dos dois querendo tocar no assunto, por que isso mudava tudo.
A noite avançava silenciosamente na casa de JC. Kate, exausta e preocupada, havia se deitado ao lado de Gwen, os braços envolvendo a menina enquanto ela dormia. A febre dela parecia ter diminuído, e a respiração estava mais tranquila. Kate sentia-se um pouco mais aliviada, mas a ansiedade a mantinha alerta.
JC, por outro lado, decidiu que precisava se afastar da situação por um tempo. Após checar se as duas estavam bem, ele se dirigiu ao escritório. A luz da mesa iluminava o ambiente enquanto ele se acomodava na cadeira, o peso das responsabilidades pesando sobre seus ombros.
Enquanto revisava alguns documentos, o telefone tocou. Era Sebastian. JC atendeu rapidamente, tentando não deixar a preocupação transparecer em sua voz.
- JC, você conseguiu alguma informação no evento? Precisamos descobrir quem está por trás da flutuação das ações da empresa — disse Sebastian, o tom sério e urgente.
- Ainda não, mas estou investigando — respondeu JC, passando a mão pelos cabelos. — As coisas estão um pouco complicadas por aqui, especialmente agora com a Gwen doente.
- Entendo, mas precisamos ser rápidos. Já ouvi rumores de que a VBank está envolvida. Se não descobrirmos a fonte, poderemos estar em sérios problemas — advertiu Sebastian, a pressão nas palavras dele.
JC respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.
- Vou me concentrar nisso. Hoje à noite, assim que conseguir algum progresso, te dou um retorno.
- Perfeito, ainda estou no escritório — disse Sebastian antes de encerrar a ligação.
Após desligar, JC ficou olhando para a tela do computador. Ele sabia que, por trás do sorriso que ele costumava mostrar para o mundo, havia um adversário invisível tentando arruinar tudo o que ele havia construído.
Enquanto isso, a imagem de Kate e Gwen dormindo em segurança o ajudava a descobri sobre a pessoa que estava mexendo com ele. Precisava protegê-las, e a primeira coisa a fazer era achar quem ameaçava sua empresa.
Levantando-se da mesa, JC decidiu que o melhor seria começar a analisar as informações do evento. Ele se dirigiu até o arquivo com os dados sobre os convidados, procurando qualquer pista que pudesse conectar a VBank.
Conforme as horas passavam, a casa permanecia em silêncio, exceto pelo som suave da respiração de Gwen que vinha do corredor e os cliques ocasionais do teclado, quando um nome lhe chamou a atenção: Ella Stan. O que a esposa do CEO da VBank estava fazendo na lista de convidados e porque não nunca a tinha visto? Um erro amador assim?
O coração dele disparou ao perceber que a conexão entre a VBank e os problemas da sua empresa parecia mais direta do que ele imaginara. O instinto de JC o alertou sobre a importância dessa informação. Ele ligou imediatamente para Sebastian.
- O que sabe sobre Ella Stan? — questionou JC.
- Stan? Como o CEO da VBank, Hug Stan? — Sabastian pegou os arquivos de dados e viu a conexão. — Ela estava no evento?
- Sim, aparentemente! Alguém está mexendo com a empresa, e o convite para esse evento chegou e achávamos que era uma armadilha, por isso fui até lá, mas nada fora do comum aconteceu! — explicou JC. — Na verdade eu não sei quem é ela, faça uma investigação.
- Ok! — Sebastian encerrou a ligação.
Ele começou a investigar Ella, buscando dados sobre ela online. Conforme as informações se acumulavam, JC notou que Ella não apenas era casada com o CEO da VBank, mas também tinha um histórico financeiro que levantava algumas suspeitas. A conexão entre ela e a VBank parecia mais profunda, e ele percebeu que precisaria de mais dados para investigar os laços que ligavam a empresa ao esquema que estava sabotando a sua. Pelo histórico financeiro de Ella Stan, com certeza ela estava comprando ações da sua empresa.
A ideia de que ela poderia ser a pessoa envolvida na situação da sua empresa deixou JC inquieto. No entanto, quanto mais investigava, mais a figura de Ella se tornava nebulosa e complexa.
Foi então que uma informação capturou sua atenção: Ella havia perdido a irmã gêmea quando eram jovens, e esse trágico acidente que havia moldado sua vida. JC parou, seus pensamentos se agitando. O telefone vibrou na mesa mostrando uma nova mensagem de Sebastian.
"Essa mulher é escorregadia, não tem uma foto dela nítida o suficiente para sabermos quem ela é, mas ela deixou escapar uma coisa, as câmeras de segurança, olha a foto dela e você vai ficar chocado!"
Quando JC baixou a foto e abriu, ele sentiu o corpo inteiro gelar. Uma irmã gêmea? Kate nunca mencionara isso. O que isso significava?
A ideia de que Ella poderia ser a irmã gêmea de Kate começou a se formar em sua mente como um quebra-cabeça. Ele não sabia o quanto Kate sabia sobre o passado de sua família ou o que poderia estar ligado a isso, mas uma coisa era clara: a conexão entre Ella e Kate! Onde a empresa dele se encaixa nessa história?
Ele se levantou abruptamente, decidido a perguntar Kate sobre a descoberta. Se ela soubesse que a mulher que poderia estar por trás dos problemas da sua empresa tinha uma ligação direta com sua própria vida. Ao sair do escritório, seu coração batia acelerado, não apenas pela situação, mas pela revelação que poderia mudar tudo entre eles.
Ao entrar no quarto, ele a encontrou deitada ao lado de Gwen, o rosto suave e sereno enquanto dormiam. Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios, mas logo deu lugar à seriedade. Ele não podia perder tempo. Se Ella Stan realmente era a irmã gêmea de Kate, isso complicaria tudo, e ele precisava que Kate lhe dissesse a verdade.
- Kate — ele sussurrou, inclinando-se sobre ela, seu tom urgente despertando a atenção dela.
Ela abriu os olhos lentamente, a confusão em seu rosto se transformando em preocupação ao ver a expressão séria de JC.
- O que aconteceu? — perguntou confusa procurando por Gwen.
- Precisamos conversar. É sobre Ella Stan e sua ligação com a VBank — disse ele, a voz baixa mas firme. — Há algo que você precisa saber.
- Ella Stan? O que tem ela? — o coração de Kate começou a acelerar.
JC hesitou por um instante, a gravidade da situação pesando sobre ele.
- Ella pode ser sua irmã gêmea, Kate. — confessou ele. — E isso pode estar ligado a tudo o que está acontecendo com a minha empresa.
A revelação pairou entre eles, a tensão crescendo no quarto silencioso. Os olhos de Kate se arregalaram, e ela sentou-se rapidamente, uma mistura de medo e terror passando por seu rosto, mas uma se destacou mais: resignação.
- Você não me parece surpresa! — exclamou ele.
- Ella é realmente minha irmã! — disse ela por fim.
O choque e a confusão misturando-se em seu olhar. JC a observava, seu coração apertado, esperando que ela falasse. A revelação de que Ella Stan poderia ser sua irmã gêmea lançava uma sombra sobre tudo o que acontecia entre eles. Kate estava envolvida também?
- JC… eu sabia sobre Ella — disse Kate, sua voz tremendo levemente. — Nós sempre soubemos uma da outra, mas nos separamos quando nossa mãe morreu.
- O que aconteceu? — Ele a olhou surpreso, tentando entender.
Kate respirou fundo, como se as palavras fossem um peso que ela precisava soltar. A culpa, a raiva e o amor eram todos sentimentos que ela tinha quando pensava em Ella.
- Ella e eu éramos próximas até aquele momento. Mas a morte da nossa mãe nos afetou de maneiras diferentes. Ella queria seguir uma carreira na indústria bancária, algo mais tradicional e seguro. Eu, por outro lado, fui em busca da arte. — ela prosseguiu com a história. — Estávamos sozinhas no mundo e Ella queria mais.
Os olhos de JC se estreitaram enquanto ele ouvia.
- Vocês se separaram por causa disso?
- Não. Foi uma escolha entre dois mundos diferentes. Nós éramos gêmeas, mas éramos tão diferentes em nossas ambições e sonhos. Ella não queria viver em condições mais simples. Depois que nos separamos, eu tentei manter contato, mas foi difícil. Com o tempo, a vida nos afastou ainda mais — explicou Kate, a dor de memórias antigas ressurgindo. — Quando nos encontramos novamente ela era uma pessoa completamente diferente.
JC se aproximou, segurando a mão dela.
- Kate, você não precisa carregar isso sozinha. — consolou ele.
Ela balançou a cabeça com lágrimas nos olhos.
- Eu sempre soube que a escolha dela poderia levá-la para caminhos sombrios. — Kate lembrou-se do roubo em que ela foi presa em seu lugar e também de Mac, Ella não era mais uma garotinha.
Ella havia sucumbido a esse mundo há muito tempo, mas como explicar isso a JC? Ele acreditaria? Anos atrás, ela já havia tentado dizer, mas ele não acreditou. O que mudaria agora?
- Se Ella está de alguma forma envolvida nesse esquema, temos que agir rápido. Precisamos descobrir qual é o verdadeiro motivo dela e se há uma maneira de pará-la antes que seja tarde demais. — disse JC, a determinação em sua voz.
- Eu... Eu não sei o que ela está fazendo! — ela evitou pensar em Ella e no seu encontro.
- Precisamos ser cautelosos, vou pedir para Sebastian fazer uma investigação mais profunda. O que eu descobri sobre a VBank e Ella não é uma coincidência. Algo grande está em jogo, e a última coisa que quero é que você ou Gwen sejam envolvidas — ele respondeu, a intensidade de suas palavras ressoando no quarto.
- Você...
- Pode voltar a dormir... — ele beijou sua testa. — Eu cuido de tudo.
Ele ajudou a deitar-se novamente e ele a cobriu com a coberta de Gwen.
JC voltou ao escritório, os documentos sobre sua pesquisa espalhados na mesa, sua mente fervilhando com a nova informação que havia descoberto sobre Kate. Mas não ia fazer mais nada, por hora tinha que pesquisar ainda mais sobre Ella Stan.
Nos dias seguintes JC corria de um lado para o outro entre o escritório e a sala de reuniões da empresa, tentando reverter a flutuação das ações, finalmente tinha conseguido alguma estabilidade.
Sebastian entrou em seu escritório em um final de tarde quando grande parte dos problemas haviam sido resolvidos, por hora.
- Finalmente uma boa notícia! — ele lhe entregou a pasta com um novo contrato. — Estabilizamos as ações, agora que conseguimos investir naquele empresa.
- Sim. Aquela startup de tecnologia de bateria foi uma ótima ideia, dê um aumento para o setor de negócios — JC abriu a pasta e assinou a última folha. — Hoje a noite Kate e Gwen estão planejando fazer o jantar, dê uma passada lá...
- A realeza abrindo as portas do castelo para a visita dos plebeus? — Sebastian fez piada.
- Não seja ridículo! — disse JC e entregou a pasta de volta. — Te espero lá!
Sebastian chegou à casa de JC mais tarde do que o planejado. Escolhera um vinho tinto para levar, algo que nunca havia feito antes. Até então, nunca tinha trazido um presente para a casa de JC, mas agora as coisas eram diferentes. JC não vivia mais sozinho. "Um homem casado", pensou Sebastian, rindo consigo mesmo.
Mary abriu a porta com um sorriso suave nos lábios. Seus olhos encontraram os de Sebastian, que, em resposta, deu-lhe um sorriso caloroso e descontraído, como se estivessem partilhando um segredo. Ele estendeu a garrafa de vinho com um gesto casual, enquanto ela pegava o presente.
- Mary, está linda! — disse ele.
- Bem vindo, novamente! — recebeu ela.
Ao entrar na sala, seguido por Mary, Sebastian percebeu uma mudança imediata no ar. JC estava visivelmente mais relaxado do que de costume. Em vez das roupas formais que normalmente usava, ele vestia uma camiseta simples e calça de moletom, algo quase impensável para quem o conhecia bem. Sentado confortavelmente no sofá, com uma taça de vinho em mãos, ele sorria de forma tranquila.
- Sebastian! Sente-se, fique à vontade. A comida já deve estar quase pronta — JC disse, gesticulando para o sofá.
Gwen estava sentada no tapete, cercada por suas bonecas, completamente absorta em suas brincadeiras. Seus cabelos balançavam enquanto ela movimentava as pequenas figuras, a imaginação claramente em pleno voo. Naquele momento, ela parecia uma criança comum de sua idade, feliz e despreocupada, com bochechas coradas e um sorriso fácil. Não havia nenhum sinal da habitual introversão que costumava envolvê-la.
Antes que Sebastian pudesse se acomodar, um burburinho de vozes no corredor chamou sua atenção, fazendo-o virar a cabeça instintivamente. Foi nesse instante que ele a viu.
Jenny estava ali, de pé, ao lado de Kate, conversando, mas seu semblante mudou no segundo em que seus olhos cruzaram os de Sebastian. O sorriso que antes pairava em seus lábios desapareceu, substituído por uma expressão séria e contida. O ambiente pareceu congelar por um breve momento, enquanto eles se encaravam, como se as palavras não fossem necessárias para que ambos entendessem a tensão que surgira entre eles.
A tensão entre os dois era tão visível que JC perguntou quase em silêncio para Kate o que estava acontecendo, mas ela também não sabia explicar. JC resolveu interferir.
- Kate, este é o Sebastian meu melhor amigo e o advogado da empresa. — disse ele pedindo que Kate se aproximasse.
Ambos trocaram cumprimentos com um aperto de mão. JC esperou eles se cumprimentarem e apontou para Jenny.
- E está é a amiga de Kate, Jenny.
Jenny não conseguiu esconder o olhar desaprovador ao reconhecer o homem que tinha escrito aquele contrato que tirava tudo de Kate.
- Você! — voz de Jenny ecoou na sala com uma frieza cortante.
Sebastian ficou imóvel. Ele tinha cometido um crime, mas não sabia qual. Ele fez piada de si mesmo. Aquela coisinha pequena tinha algo contra ele.
- Estou sendo julgado aqui? — perguntou ele com humor.
- Um certo advogado que faz contratos abusivos não deveria se chamar de advogado. — acusou Jenny.
O quanto ela sabia sobre os detalhes do contrato? Porque se era amiga de Kate isso explicava a raiva. Sua expressão ficou séria, percebendo que esse jantar estava prestes a se tornar um campo minado.
- Tenho uma licença como qualquer outro advogado! — disse ele, sua voz mais baixa do que o normal, tentando soar conciliador.
- E eu não sabia que você jantava com traidores — retrucou Jenny com uma ferocidade inesperada, surpreendendo até a si mesma.
Kate tentou intervir, segurando o braço de Jenny, mas ela estava além de qualquer tentativa de ser contida.
- Você sabia exatamente o que estava fazendo quando redigiu aquele contrato. — o rosto dela estava vermelho.
Sebastian não respondeu de imediato. Ele sabia que não adiantava tentar se defender. Isso era pessoal. Ele entendeu a profundidade do vínculo entre Jenny e Kate. E agora, estava claro que, aos olhos de Jenny, ele era o vilão dessa história.
JC, percebendo a gravidade da situação, tentou aliviar a tensão com uma risada forçada.
- Calma, Jenny. — ele a repreendeu. — Vamos pensar em Kate!
- Pensar em Kate? — Jenny interrompeu, voltando-se para JC, seu rosto se ardendo de raiva. — Você se esconde atrás de advogados como Sebastian para manipular quem você diz se importar. Isso não tem nada a ver com pensar em Kate, e sim com você garantir que sempre saia ganhando.
Sebastian, desconfortável, deu um passo para trás, mas sentiu que precisava dizer algo. Pensou em dizer uma piada, mas não era o caso, aquela mulher queria queimá-lo vivo, a melhor saída era tentar a diplomacia.
- Eu entendo que você está chateada, Jenny. Talvez devêssemos conversar sobre isso em outro momento... — disse JC apontando para Gwen que os olhava sem entender o que se passava.
- Não há nada para conversar — ela cortou, os olhos brilhando de frustração.
O silêncio que seguiu foi carregado de tensão. JC observava a cena com um leve sorriso. Sebastian tinha encontrado um oponente a altura, apreciando o drama que se estendeu diante dele.
Kate, claramente dividida entre proteger a amiga e não criar uma cena ainda maior, apertava os lábios, sem saber como intervir.
- Eu vou embora — disse Jenny abruptamente, virando-se para Kate. — Isso aqui... não é o que eu pensei que seria.
- Jenny, por favor... — Kate começou, mas a expressão de Jenny era firme.
Kate deu um passo à frente, colocando a mão delicadamente no braço de Jenny.
- Por favor, fique! — pediu Kate suavemente, olhando nos olhos da amiga. — Não vamos deixar isso pior do que já é. Eu preciso de você aqui.
Jenny hesitou. Sua respiração alterada e os olhos ainda brilhavam de raiva, mas o pedido de Kate, carregado de uma vulnerabilidade tão genuína, fez sua resistência vacilar. Ela olhou de Kate para Sebastian, que agora parecia mais desconfortável do que antes, e depois voltou para a amiga.
- Eu vou ficar, — disse Jenny com um suspiro, claramente ainda irritada, mas já começando a baixar a guarda. — Mas só por você.
Kate sorriu grata, e apertou a mão de Jenny. Elas voltaram para a sala, onde JC observava a cena com uma sobrancelha levantada, o sorriso um pouco mais discreto agora, mas ainda presente. Ele parecia satisfeito, ou pelo menos com o fato de que Sebastian tinha perdido a fala.
- Que bom que você decidiu ficar — JC disse, erguendo seu copo de vinho. — Vamos todos sentar e aproveitar a noite. Prometo que não haverá mais... surpresas.
O jantar seguiu em um clima mais ameno. Havia uma tensão no ar, principalmente entre Jenny e Sebastian, mas o ambiente não era mais explosivo. Kate, tentava manter a conversa leve, falando sobre Gwen e a escola. Jenny, apesar de ainda estar com raiva, gostava de Gwen respondia todas as suas perguntas, embora sem o entusiasmo habitual. Já Sebastian, por sua vez, permanecia reservado, JC nunca tinha visto o amigo assim, sem fazer uma piada.
No final do jantar, o clima havia se acalmado o suficiente para que as despedidas fossem mais cordiais. Jenny ainda mantinha uma distância fria de Sebastian, mas não havia mais explosões de raiva. JC, sempre o anfitrião afável, parecia satisfeito por tudo ter terminado sem outros incidentes.
- Obrigado por virem, todos vocês, — JC disse, abrindo a porta e acenando enquanto se despedia. — Foi uma noite... memorável, sem dúvida.
Kate e Jenny se despediram e Sebastian se ofereceu para levar Jenny para casa e ela recusou de prontidão.
Assim que Jenny e Sebastian saíram, Kate e JC fecharam a porta da casa em silêncio. O clima entre eles estava mais tranquilo do que antes, mas ainda havia algo não dito. Kate sorriu brevemente para JC, mas o sorriso não alcançou seus olhos. Ambos sabiam que havia mais acontecendo além do que tinha sido dito durante o jantar. JC, percebendo a mudança no humor de Kate.
- Você vai colocar Gwen para dormir? — perguntou ele.
- Sim, vou lá agora. Ela já está bem melhor. — respondeu Kate, caminhando pelo corredor com passos leves, enquanto JC a seguia, mantendo-se em silêncio.
Ao entrarem no quarto de Gwen, viram a pequena com os olhinhos quase fechando, seu rosto sereno sob a luz suave do abajur. Kate ajeitou o cobertor em volta da filha com cuidado, passando os dedos por seus cabelos, com um gesto terno e protetor. Ela permaneceu ali por alguns instantes, observando a filha começar a fechar os olhos e dormir e JC notou o quanto Kate parecia distante, como se sua mente estivesse em outro lugar, mesmo naquele momento.
Depois de alguns minutos, voltaram para a sala. JC sentou-se no sofá, observando Kate que, inquieta, começava a recolher alguns brinquedos que haviam ficado para trás. Ele percebeu a hesitação nos movimentos dela, algo que ele já tinha notado antes, mas que agora parecia mais intenso.
- Kate, — ele chamou, a voz baixa, mas firme. — O que está acontecendo?
- Vou voltar para o apartamento! — respondeu ela.
- Por que essa insistência em voltar para casa tão rápido? Gwen está melhor, você não precisa ir embora agora.
Kate parou, sem se virar para ele imediatamente. Ela sabia que precisaria dizer algo, mas as palavras não estavam vindo facilmente. Havia tanto em jogo, tanta coisa que ela ainda não conseguia compartilhar com JC.
- Eu só... acho que é melhor assim, — ela respondeu, sua voz soando evasiva. — Gwen já está se recuperando e, bem, eu acho que ficar mais tempo aqui só... não vai ajudar.
JC franziu o cenho, não satisfeito com a resposta. Ele levantou-se, aproximando-se de Kate e tocando seu ombro com gentileza.
- Não vai ajudar em quê? Gwen está bem.
Ela finalmente se virou, os olhos encontrando os dele. Por um breve momento, a vulnerabilidade dela veio à tona, mas logo foi substituída por determinação. Ela sabia que não podia esconder tudo de JC, mas também não tinha certeza se ele acreditaria nela.
- Eu estou preocupada com Gwen, — ela começou, escolhendo as palavras com cuidado. — Você sabe que... ela está muito apagada a mim e isso só vai fazer ela sofrer quando o contrato acabar, eu também vou sofrer.
JC recuou um pouco, o olhar ficando mais atento. O contrato era uma sombra em volta deles.
- Mas isso não vai acontecer!
Kate suspirou profundamente, sentindo o peso da responsabilidade esmagando seus ombros.
- Eu não sei o que fazer, não quero que Gwen sofra — disse ela pensando no encontro com Ella e ela estar furiosa, uma raiva que eu nunca tinha visto antes. E agora que ela sabia que estava com Gwen. A melhor escolha era partir.
- Então é por isso que você quer ir embora. Você acha que Gwen vai sofrer quando você partir. — JC passou a mão pelo rosto, processando o que Kate estava dizendo.
Kate assentiu lentamente.
- Eu preciso proteger minha filha, JC. Se eu ficar aqui, isso só vai ficar mais difícil para ela e para mim!
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para Kate com uma mistura de compreensão e frustração. Ele queria manter sua família perto, mas também entendia a urgência nos olhos de Kate. Era uma situação complicada, e ele sabia que não podia simplesmente ignorar o que ela estava sentindo.
- Sei que você está tentando proteger Gwen, — JC disse finalmente. — Mas não pode fugir para sempre.
Kate assentiu, mas seu olhar ficou perdido por um momento.
- Eu sei. Só preciso de tempo para pensar em como fazer isso, Gwen sempre esteve melhor com você do que comigo. Não quero fazer ela sofrer com nossos problemas.
JC se aproximou, segurando as mãos de Kate com firmeza, e seus olhos encontraram os dela com uma seriedade que a fez se sentir um pouco mais segura.
- Nós vamos resolver isso juntos. E você não precisa enfrentar isso sozinha.
Kate respirou fundo, tentando absorver o conforto que JC oferecia, mas por dentro, o medo ainda fervia. Ella estava se aproximando, e cada momento de hesitação parecia um risco maior.
- Vamos continuar isso em outro momento. — disse ele.
Ele a abraçou e ela não ofereceu qualquer resistência, o aperto do abraço quebrou o muro que ela estava tentando construir para se proteger. JC tinha o dom de mexer com ela, tanto que acabou se rendendo.
Na manhã seguinte, os primeiros raios de sol mal haviam entrado pela janela quando Kate começou a se movimentar pela casa. Ela já estava de pé antes mesmo de JC acordar, organizando as suas coisas com cuidado silencioso, tentando evitar qualquer ruído que pudesse alertá-lo. Seu coração estava pesado, mas ela sabia que precisava ir embora. Ela sentia como se cada minuto que permanecia ali aumentasse o perigo para sua filha.
Gwen ainda dormia profundamente, o rosto angelical em contraste com a inquietação que dominava Kate. Ela estava determinada a sair antes que JC tentasse argumentar novamente, porque ele sempre conseguia convenê-la. Precisava fugir de Ella antes que fosse tarde demais.
Kate respirou fundo e foi até a sala, colocando algumas roupas de Gwen na mochila, queria levar uma recordação dela. Mas, antes que pudesse terminar, ouviu os passos de JC se aproximando. Seu corpo ficou tenso, sabendo que ele perceberia o que ela estava tentando fazer.
- Você está arrumando as coisas de novo? — A voz de JC soou calma, mas havia frustração por trás de suas palavras. Ele estava parado na porta, os braços cruzados, observando-a atentamente.
Kate parou de arrumar a mochila, sem se virar. Ela sabia que ele não entenderia suas intenções e que a conversa que tinham tido na noite anterior ainda pairava entre eles.
- JC, por favor... eu preciso ir, preciso estar longe daqui!
JC suspirou, dando alguns passos à frente.
- Kate, eu entendo o seu medo, eu entendo mesmo. Mas fugir não vai resolver. Gwen vai sofrer do mesmo modo. Não adianta tentar previni-la. — ele suspirou alto. — Você também vai sofrer, você sabe disso!
Kate sentiu o coração apertar. Ela sabia que JC tinha razão em certo ponto, mas o instinto de proteção que sentia por Gwen falava mais alto do que qualquer lógica naquele momento.
- Eu só quero ganhar tempo. Talvez, se eu ficar fora do radar por algum tempo, ela possa se acostumar com a minha falta. Ela nem sabe o nosso parentesco.
JC se aproximou ainda mais, sua expressão séria, mas sem o julgamento que Kate temia.
- Kate, você não precisa fazer isso sozinha. Eu também sou pai de Gwen. Eu também quero protegê-la. Mas fugir assim, às pressas, não é a solução. Vamos nos sentar e pensar em algo juntos. Eu prometo que não vou deixar vocês sofrerem.
Ela olhou para ele, dividida entre a razão e o medo. As palavras dele faziam sentido, e havia algo na maneira como JC estava tentando mantê-la ali que a tocava profundamente. Mesmo assim, o medo de que Ella pudesse fazer algo horrível a Gwen se recusava a desaparecer. Cada ameaça de sua irmã ecoava em sua mente, fazendo-a sentir-se impotente.
- Eu não posso arriscar, JC... — sua voz falhou um pouco, mas ela se forçou a continuar. — Gwen é meu ponto fraco.
JC se aproximou, agora segurando as mãos de Kate com firmeza, seus olhos tentando transmitir a segurança que ela precisava.
- Sei que você tem medo. Mas você não está sozinha. Fugir sem pensar nas consequências pode te colocar em uma posição ainda mais vulnerável.
Kate abaixou os olhos, seu corpo tenso. Parte dela queria acreditar que JC tinha razão, que eles poderiam lidar com os problemas. Mas a outra parte, a mãe protetora, ainda gritava por uma solução mais imediata, mais segura.
Ela respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos.
- Se... se eu ficar, promete que vamos fazer isso do jeito certo? Que você vai me ajudar a manter Gwen segura?
JC assentiu, seus olhos fixos nos dela, transmitindo uma determinação silenciosa.
- Eu prometo, Kate. Não vamos deixar nada acontecer com Gwen. Mas não podemos nos separar agora.
Kate finalmente deixou as mãos relaxarem ao redor da mochila. O medo ainda estava ali, latejando em seu peito, mas as palavras de JC foram suficientes para acalmá-la, pelo menos por enquanto. Ela sabia que, juntos, talvez tivessem uma chance melhor de enfrentar Ella, mas isso não tornava as coisas menos assustadoras.
Ela olhou para JC com um misto de alívio e apreensão.
- Tudo bem, vou ficar... por enquanto. — disse ela. Mas seu pensamento era apenas de que sempre cederia para esse homem. Era seu destino.
JC sorriu suavemente, passando a mão pelo ombro de Kate em um gesto de conforto.
- Não vou deixar nada acontecer com você ou com Gwen, eu sempre as protegerei. Você prometeu ficar então, vai ficar tudo bem.
Kate assentiu, mas no fundo sabia que a luta com sua irmã estava apenas começando. E JC nem sabia sobre o que estava enfrentando, mas tinha fé que somente JC poderia parar Ella.
JC observou Kate ainda lutando com seus sentimentos, dividida entre o instinto de proteção por Gwen e a incerteza sobre o que fazer a seguir. Ele sabia que apenas palavras não seriam suficientes para convencê-la a ficar. A história entre eles era cheia de complicações, e o contrato que haviam assinado antes, quando tudo parecia mais incerto, ainda pairava sobre suas cabeças como uma sombra.
- Fique aqui e não vá a lugar nenhum... — pediu ele.
- Mas...
Sem dizer nada, JC caminhou até o seu escritório e abriu a a gaveta onde guardava os documentos importantes e retirou de lá o contrato que eles tinham assinado. Parecia que aquele contrato era outra vida.
Após voltar Kate o observava, confusa, sem entender o que ele pretendia fazer. Quando ele voltou com o contrato nas mãos, seus olhos arregalaram. Era o acordo que ambos tinham assinado, no auge de suas tensões e desconfianças, em que Kate, pressionada e com medo de perder, havia desistido dos direitos sobre Gwen.
JC olhou para o papel por um momento, como se reconsiderasse o peso de tudo o que aquele documento representava. Então, com uma calma assustadora, começou a rasgá-lo lentamente, folha por folha, sem tirar os olhos de Kate.
- JC, o que você está fazendo? — a voz de Kate estava cheia de surpresa, quase em choque. Aquilo era inesperado. Aquele contrato, mesmo que odioso, tinha sido um ponto de controle entre eles, algo que moldava o futuro de Gwen e o relacionamento complicado que compartilhavam.
- Estou fazendo o que deveria ter feito há muito tempo, — ele respondeu, rasgando a última folha com um gesto definitivo. — Eu nunca deveria ter te pedido para assinar isso. Nunca deveria ter deixado a nossa relação com Gwen depender de um pedaço de papel. Você é a mãe dela, e nada vai mudar isso.
Kate ficou parada, em silêncio, processando o que acabara de acontecer. O contrato, aquela barreira legal que a prendia de tantas formas, agora estava em pedaços no chão. Por tanto tempo, ela havia sentido o peso desse acordo, como se fosse uma prisão velada, algo que a impedia de tomar as rédeas do que realmente importava: proteger Gwen, sua filha.
JC se aproximou novamente, mais perto desta vez, os olhos fixos nos dela.
- Eu quero que você fique, Kate. Não por causa de um contrato, não por obrigação, mas porque somos os pais de Gwen. E se você ainda acha que precisa fugir para protegê-la, eu não vou te impedir. Mas saiba que, sem esse contrato, você nunca mais terá que abrir mão de seus direitos sobre ela.
A determinação de JC era palpável, e Kate, que por tanto tempo havia carregado o medo de perder Gwen para ele, agora sentia como se um grande fardo tivesse sido retirado de seus ombros. As ameaças de Ella ainda pairavam, mas havia algo diferente agora. JC estava lhe dando liberdade, não controle. Ele estava quebrando as correntes invisíveis que a prendiam naquela casa.
Ela respirou fundo, o olhar voltando para a pilha de papéis rasgados no chão. Por mais aterrorizante que fosse a situação com Ella, algo em seu peito começou a se acalmar. Ela percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, não estava lutando contra JC. Ele estava ao seu lado.
- Eu... não sei o que dizer, — Kate sussurrou, os olhos ficando marejados. — Eu não esperava que você fizesse isso.
- Não precisa dizer nada, — JC respondeu, sua voz firme, mas cheia de compreensão. — Só quero que você saiba que confio em você. E nós dois, juntos, podemos manter Gwen feliz e segura!
Kate respirou profundamente, sentindo um alívio misturado com o medo. Ela olhou para JC, agora enxergando uma nova pessoa, alguém que ela confiava completamente. Pela primeira vez, ela não estava sozinha e isso fez com que seu desejo de fugir diminuísse e sua vontade de permanecer aumentasse.
- Eu vou ficar, — ela disse, finalmente. — Mas só porque agora somos uma equipe. E vamos proteger Gwen... de qualquer coisa
JC sorriu suavemente, um peso claramente saindo de seus ombros também.
- Essa sempre foi a ideia. — confessou ele.
Embora as sombras de Ella ainda estivessem presentes, Kate sentiu que, com JC ao seu lado, eles teriam uma chance real. Ela não precisava mais fugir, e juntos, talvez, pudessem enfrentar o que estava por vir.
Mais tarde naquela noite, enquanto colocavam Gwen para dormir, o clima entre Kate e JC começou a mudar. A tensão do dia, os medos e incertezas pareciam se dissipar conforme a pequena dormia profundamente, sua respiração suave e tranquila. Kate ajeitou o cobertor sobre a filha, e, ao se levantar, notou JC observando-a com um olhar diferente.
Não era apenas preocupação ou carinho paternal havia algo mais ali, algo que ambos haviam tentado ignorar por muito tempo.
Ao se virar para ele, seus olhos se encontraram e, por um momento, nenhum dos dois disse nada. O silêncio parecia mais carregado de significado do que qualquer palavra poderia expressar. JC deu um passo à frente, e, sem pensar muito, Kate deixou que sua mão encontrasse a dele. Foi um gesto simples, mas carregado de emoção.
- Ela está bem agora, — JC murmurou, olhando para Gwen antes de voltar os olhos para Kate. — Graças a você.
Kate sorriu levemente, mas a proximidade entre os dois, a quietude daquele momento, fazia seu coração bater mais rápido. Havia tanto não dito entre eles, tanto guardado. E agora, ali, algo parecia prestes a romper a barreira que eles mesmos tinham erguido.
Sem mais palavras, JC inclinou-se para perto e, de forma quase instintiva, seus lábios se encontraram. O beijo foi suave no início, como se testassem o terreno, mas logo a intensidade cresceu, a conexão entre eles se tornando inegável. Não era só o beijo, mas o que ele significava tudo o que haviam passado juntos, tudo o que sentiam.
Quando se afastaram, apenas o suficiente para respirar, JC tomou a mão de Kate e a conduziu silenciosamente para fora do quarto de Gwen. A casa estava em silêncio, e ambos caminhavam juntos, o calor do momento entrelaçando seus passos. Ao chegarem no quarto, não houve mais hesitação. Ele a beijou ainda encostada na porta do quarto, com urgência.
Ao entrarem no quarto dele, ele parou e a olhou nos olhos pedindo permissão para continuar, ela balançou a cabeça afirmando.
Sem dizer mais nada, eles se entregaram ao momento, como se, finalmente, pudessem deixar de lado todas as dúvidas e apenas estar um com o outro. Havia conforto e carinho em cada toque, e o desejo reprimido por tanto tempo se manifestou de forma suave e natural.
Kate não se lembrava de como era ser amada assim, ser desejada e protegida. Ela se agarrou a ele com toda sua força, o queria mais do que pudesse pôr em palavras.
Mais tarde, deitados lado a lado, Kate sentia o braço de JC ao seu redor, e, pela primeira vez em muito tempo, tudo parecia estar em paz, ainda que apenas por aquela noite. O que quer que o futuro trouxesse, eles sabiam que estavam juntos.
- Estamos nisso juntos, Kate. Vamos proteger o que é importante. — murmurou.
O futuro que havia começado a planejar, ele estava decidido a protegê-lo a qualquer custo.
E, conforme a noite passava, JC não pôde evitar de puxar Kate para mais perto. Ela se deixou levar, lembrando-se do beijo, do calor e da segurança que ele representava. Talvez, apenas talvez, aquela fosse a chance que ela precisava para confrontar seus medos e abrir seu coração novamente.
[...]
Na manhã seguinte, o sol brilhava forte no céu, e o ar fresco parecia convidativo. Kate e JC decidiram levar Gwen para um passeio no parque, aproveitando o clima agradável e o desejo de passar um tempo em juntos. Gwen, animada com a ideia, correu à frente deles, rindo e brincando, enquanto os dois a seguiam com olhares carinhosos.
O parque estava cheio de vida. Crianças corriam de um lado para o outro, famílias faziam piqueniques, e o som distante de pássaros misturava-se ao burburinho do dia. Kate, por um momento, olhou ao redor e se deu conta de que há tempos não se permitia desfrutar de algo tão simples quanto um dia no parque com as pessoas que amava. Amava? Seu coração acelerou. Decidiu ignorar tudo isso e viver o que tinha agora.
Havia sempre o medo, uma preocupação pairando sobre ela. Mas, naquele momento, isso parecia distante.
Gwen se divertia no balanço, rindo alto enquanto JC empurrava gentilmente, fazendo-a voar mais alto a cada vez. Kate observava a cena com um sorriso, sentindo uma paz que há muito não experimentava. JC olhou para ela e, por um breve segundo, seus olhares se cruzaram. Ele sorriu, e aquele sorriso foi o suficiente para afastar qualquer sombra de dúvida ou medo. Ele era lindo quando sorria.
- Você está bem? — ele perguntou, aproximando-se enquanto Gwen corria em direção ao escorregador.
Kate assentiu, respirando fundo.
- Sim, acho que estou. É bom... estar assim, juntos. Gwen está tão feliz, ela feliz me deixa feliz.
JC sorriu e, sem dizer nada, pegou sua mão, entrelaçando seus dedos aos dela. O gesto foi natural, sem pressa, mas carregado de carinho. Caminharam juntos pelo parque, seguindo Gwen de longe, mas agora em silêncio, sentindo a segurança que JC lhe proporcionava.
Na volta para casa, o sol já começava a se esconder, tingindo o céu com tons alaranjados. O vento suave bagunçava os cabelos de Kate enquanto caminhavam lado a lado, Gwen entre eles, segurando nas mãos deles e pulando de um lado para o outro.
Quando passaram por um pequeno café à beira da estrada, JC parou de repente e, com um olhar divertido.
- O que acha de fazermos uma parada? — ele sugeriu.
Kate riu, surpresa com a espontaneidade, mas aceitou de bom grado. Eles deixaram Gwen brincando com algumas crianças , enquanto se sentaram no pátio do café, com vista para a rua. O cheiro de café fresco misturava-se ao ar suave do fim de tarde, e, pela primeira vez em muito tempo, eles conversaram sobre coisas simples.
- Qual é o seu nome? — ela perguntou.
- JC! — ele riu.
- O que significa as siglas? — ela bebeu o café esperando.
- Minha mãe me deu nome muito afeminado, eu não gosto dele! — ele revirou os olhos.
- Você está atiçando minha curiosidade, devo perguntar ao seu amigo advogado? — pergunto ela.
Ele fechou a cara em desagrado. Talvez estivesse com ciúmes, mas nunca admitiria isso.
- É Jamie. Jamie Carter! — confessou ele.
Ela riu. O som o fez querer beija-lá.
- Jamie é bonito! Combina com você! — o som de seu nome saindo da boca de Kate pareceu extremamente sexual. Ele teve uma reação automática.
- Não parece tão ruim quando você diz. — ele pegou a mão dela sobre a mesa. — Como você era quando criança?
- Mamãe dizia que eu era terrível. — ela lembrou de sua mãe, tão amável e bonita. — Dizia que eu conseguiria fazer uma greve de silêncio por dias.
- Gwen tem a quem puxar! — ele disse indignado.
- Como era Gwen pequena? — ela finalmente quis saber.
- Você lembra que ela estava chorando naquele dia quando a peguei? Ela calou na hora. Ela sentia sua falta, chorava muito em alguns momentos até se acostumar com um pai de primeira viagem. — ele sorriu com as lembranças. — Descobri que ela gostava de passear de carro, então, quando começava o choro sem fim eu dava a volta no quarteirão de carro e ela não se importava se era meio dia ou se quatro horas da manhã.
- Nos quatro meses que ficou comigo ela era tão tranquila. Tinha um sorriso adorável.
- Muito adorável. — concordou ele. — E um choro terrível.
Ambos riram. O tempo passou rápido, mas a felicidade daquela tarde ficou com ela. Entre conversas e risadas, Kate percebeu que estava se permitindo viver, algo que não fazia há muito tempo. Por algumas horas, as ameaças foram esquecidas, como se pertencessem a um mundo distante. Ali naquele mundo havia apenas Kate, JC e Gwen, sua pequena família.
Quando voltaram para casa, com Gwen adormecida nos braços de JC, Kate sentiu que, apesar de tudo, havia esperança. Naquele dia, havia descoberto algo precioso: a alegria de estarem juntos, sem medo. E, ela sabia que, enquanto estivessem juntos, poderiam enfrentar qualquer coisa.
JC estacionou o carro na garagem de sua casa e olhou para Kate ao seu lado. Ela estava dormindo em paz. Ele a acordou e juntos entraram em casa. Ela deu uma banho wm Gwen que não estava se aguentando em pé, entregou ela para JC colocar para dormir.
Após colocar uma Gwen totalmente cansada para dormir. JC fechou a porta do quarto, tentando não fazer barulho. Quando se virou encontrou Kate no corredor, observando-o. O olhar que trocaram foi carregado de algo que nenhuma palavra podeira expressar. Desejo, cumplicidade e uma conexão que Kate relutava em admitir, ela queria se perder nos braços dele.
JC se aproximou dela devagar, os passos quase inaudíveis contra o chão. Kate não recuou. Em vez disso permaneceu ali, com o coração disparado com a respiração entrecortada, como se soubesse exatamente o que iria acontecer. Quando ele parou à sua frente, o ar entre eles parecia carregado e denso.
Sem dizer nada, estendeu a mão e a puxou pela cintura, encostado-a na parede. O movimento firme a fez escapar um gemido, tentando não assusta-la ele parou e olhou dentro dos olhos dela buscando algum sinal de hesitação, mas tudo o que encontrou foi um olhar de entrega e desejo. Ela também o queria.
Então ele a beijou, o contato inicial foi intenso, quase urgente, mas logo se suavizou, como se ele quisesse saborear cada instante. O desejo por ela sempre o pegava de surpresa, uma força que mal conseguia controlar. Suas mãos subiram pela cintura de Kate, segurando-a com firmeza, mas sem pressa, como se quisesse memorizar cada curva, cada reação.
Kate, por sua vez, se entregou ao momento, permitindo-se esquecer tudo o que a preocupava, sua mente parou. Nós braços de JC, ela se sentia protegida, desejada, e isso a fazia querer ainda mais. Suas mãos subiram até os ombros dele, segurando-o com força, como se temesse que ele pudesse desaparecer a qualquer momento.
JC afastou-se apenas o suficiente para olhá-la nos olhos, ambos ofegantes, seus rostos ainda muito próximos.
- Você não tem ideia de como mexe comigo! — murmurou ele com a voz rouca.
Kate abriu a boca para responder, mas as palavras ficaram presas na garganta. Em vez disso ela o puxou-o para mais perto colando seus corpos deixando suas reações a ele falasse por si só. O desejo dele foi ao limite, a queria. Agora!
Mas ele se controlou queria ir com calma, como tudo o que fazia. Era meticuloso. Também queria tudo de uma vez, porque tudo nela o fazia querer quebrar todo o seu controle. Queria que ela confiasse nele, que sentisse que ele estava ali por inteiro, tanto para protegê-la quanto para amá-la.
- Kathryn... — ele sussurrou em seu ouvido. — Deixa-me...
Ela o abraçou ainda mais forte sem conseguir conter seus desejos, ele perdeu o controle, no silêncio da casa com apenas a luz suave do corredor alumiando-os, eles permitiram esquecer o mundo lá fora. Por um instante, nada mais importava além deles dois e o que sentiam um pelo outro.
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