Senseis Visit
2 Lembranças
Cap.02 – Lembranças
Depois de sair da sala, Riza foi para o banheiro se trancou lá. Precisava pensar, com aquela carta muitas lembranças dolorosas que ela preferia esquecer. Dores que lhe cortavam a alma em milhões de pedaços.
Flash back on
Chovia muito naquela tarde de verão. O céu estava negro. E dentro de um quarto de hospital uma jovem de não mais que dezenove anos abria os olhos com dificuldade, a luz a deixava confusa, demorou alguns minutos até que acostumasse com a claridade.
- Hum...Onde estou? – suas lembranças estavam confusas –
- No hospital, minha cara. – uma enfermeira de profundos cabelos negros anotava alguma coisa em uma prancheta aos pés da cama –
- Hispital?
- Sim, você não se lembra? Estava em casa, caíste da escada, ligou para a amiga que ligou para a emergência.
Centenas de cenas embaralhadas invadiram sua mente. Lembrança de gritos, discussão...
- Desce a mão a altura do estomago – Então...
- Sinto muito, você demorou demais a chegar ao hospital...
- Cai no choro – O que foi que eu fiz...para merecer isso?
- Calma, você é jovem ainda tem muito tempo. E não foi culpa sua, caíste da escada...
- acalma o choro – Você tem razão, eu não vou morrer por causa disso, mas também nunca vou esquecer.
Flash back off
- desce a mão até o ventre – Oito anos.
Desde que aquilo aconteceu, nunca mais voltou a derramar uma lagrima. Ninguém que a fazia chorar, merecia suas lagrimas. Desde então, nunca mais confiou plenamente em ninguém.
Quando mais precisou de ajuda, acabou sozinha. Quando mais precisou de um voto de confiança, não o recebeu. Quando mais feliz estava, teve sua felicidade arrancada.
O mundo dá voltas. Sabia que um dia sua dor seria vingada.
- lava o rosto – Ninguém merece o que eu senti, não desejo isso nem ao causador da minha dor, mas não me importaria de saber que pelo menos não consegue dormir quando põe a cabeça no travesseiro...lembrando-se do que fez a mim.
Após estar recomposta volta para sua mesa, tinha serviço para terminar antes do fim do expediente.
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Do outro lado do quartel Roy caminhava com as mãos no bolso. Cada lembrança daquela época vinha a sua mente, as melhores e as piores. No fundo, nunca entendeu o rancor de Riza. Afinal, analisando-se a situação, quem podia ter motivos para rancor era ele.
Mesmo que Sabrina não estivesse grávida, pelo que ela lhe contou, Riza quase a jogou do alto da escada. Se bem, que Riza nunca contou sua versão da história. Será que tinha algo que ele não ficou sabendo? Será que Riza seria mesmo capaz de jogar alguém do alto de uma escada sabendo que essa pessoa estava grávida?
As coisas não pareciam se encaixar.
- Kuso! – chuta uma pedrinha –
Caminhou durante mais algum tempo e depois voltou para sua sala, precisava terminar alguns relatórios que era para ser despachados ainda naquela tarde.
- Onde estão os papéis que preciso assinar?
- Sobre sua mesa, coronel.
- Obrigado.
O clima estava meio estranho. Muito pesado. Visto que nenhuma piadinha ou falta de decoro estavam sendo feitos. E nesse clima extremamente pesado o expediente acabou.
- Se espreguiça – Só falta despachar.
- Pode ir coronel, eu faço isso.
- Não é necessário...
- Tenho certeza de que o senhor deve ter algo melhor para fazer, não se preocupe.
- Tudo bem. Fico te devendo essa.
- Esqueça.
Roy vai embora e Riza leva os papéis até seus devidos departamentos.
E após fazer isso se vai. Mas não para casa, inconscientemente ela dirige para uma casa num bairro tradicional da cidade e para na porta.
Aquela um dia foi sua casa, sua e dele. Mas hoje estava fechada. Quando se separaram ele deixou a casa à sua disposição, mas ela não fez nada. Apenas deixou a residência aos cuidados de uma governanta.
- Minha perdição...
Ela sai do carro, pega uma chave na bolsa e entra.
Tudo estava exatamente como em suas lembranças. Nada havia sido trocado de lugar.
- Pega um porta-retrato – Parece que foi em outra vida. – repõe a peça ao lugar –
Já estava mais que na hora de contar ao pai que não estava mais casada. Não iria contar tudo, não precisava trazer à tona histórias que não precisavam ser recordadas.
Continua...
Notas finais
Não façam julgamentos precipitados para evitar maiores consequencia de culpa!
Bjos e continuem ai!
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