Sensação invisível

1 Sensação invisível — capítulo único


Aquela seria uma boa manhã, uma promissora, daquelas que oferecem no início tudo o que um ótimo dia pode oferecer. Ele soubera disso antes mesmo de sequer abrir seus olhos, com o corpo acordando cedo por hábito para as suas atividades matinais rotineiras e ainda conseguindo uma hora a mais para um cochilo antes de começar seu dia de fato todavia, antes mesmo que pudesse desfrutar de tal dádiva simplista, ele notara que não iria conseguir levantar da cama com a mesma facilidade de sempre, já que seus músculos não correspondiam com aos comandos dados. O simples movimento de cabeça denunciara que algo ali estava terrivelmente errado, seus pés doíam só de mexer os dedos e os ombros pareciam rígidos demais para sequer saírem debaixo do travesseiro onde passaram a noite.

Todo o seu corpo parecia reclamar ao mero movimento e levara ao menos dez minutos para que ele finalmente conseguisse se levantar da cama. Dez minutos terrivelmente doloridos, diga-se de passagem.

Izuku imaginava se robôs poderiam sentir tamanho desconforto para se moverem, até se lembrar de que robôs eram máquinas e ele, apenas um mero humano. Um ser humano com dores musculares.

Só depois que conseguira passar do batente da porta do banheiro e olhar seu reflexo diante do espelho que ele se lembrou do motivo para ele estar assim, naquele estado, sua parceira de dança havia lesionado uma das pernas e depois de semanas a fio sem ter com quem treinar, cansado de dançar com sua própria sombra para não perder o hábito, ele pedira ajuda para a pessoa que causara suas dores no presente.

E aquilo não era realmente um presente. Não mesmo.

Mas treinar sozinho é o mesmo que se limitar e ele precisava de alguém que o desafiasse e se seu amigo de infância não fosse o desafio ele desconhecia o que poderia emular tal palavra, pois algo que Katsuki se recusava a fazer era brincar em serviço. Realmente, não era á toa que nenhuma dançarina ficava com ele por muito tempo.

Seus ombros doíam até mesmo quando estavam cansados.

Izuku tentava pensar no que fazer agora, depois de uma semana treinando com ele seu corpo finalmente havia cedido a pressão e aceitado que existia alguém mais insistente do que ele próprio.

Seu celular tocara no outro cômodo e depois de muitas caretas ele finalmente chegara ao quarto, vendo quem poderia ter lhe mandado uma mensagem.

Katsuki.

"Desistiu baixinho?"

O relógio mostrava que ele estava atrasado para o treino.

"Se eu sou baixinho então você é um bomba relógio, idiota."

A resposta demorou mais do que ele esperava.

"Você não conseguiu nem levantar da cama, né?"

Ao menos ele conseguia rir sem se contorcer tanto.

"É, acho que exagerei com aqueles passos, você estava certo."

"Precisa de ajuda?"

Hm, uma resposta incomum quando ele normalmente se vangloriaria de que estava certo o tempo inteiro e era ele quem estava errado, melhor não se aproveitar tanto da bondade alheia.

"Não Kacchan, obrigada por se preocupar."

Notas finais
Não era a minha ideia inicial me deixar levar pelo universo de Ballroom e Youkoso e fazer de Izuku e Katsuki dançarinos (na realidade era pra ser algo bem mais doméstico e fofo) mas isso acabou acontecendo, mesmo que não de forma explicita e aqui estamos :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!