Sensationalist Kind Of Love
1 Único
Jin definitivamente não era do tipo romântico, Emiru concluiu.
Mesmo quando eram um casal recém formado, o garoto de cabelos prateados nunca promoveu atos do gênero excessivamente amorosos como dar flores, cozinhar ou até mesmo cantar para seu namorado. A princípio, Emiru nem percebeu, porém, com o tempo, começou a sentir que algo estava fora do lugar, ou pelo menos achou que deveria sentir quando era questionado sobre seu "estranho relacionamento" por seus amigos. O garoto apenas ria e negava e "estamos muito bem!" mas depois quando chegasse em casa e se jogasse na cama, ligaria para Jin só para dizer as três palavras que quase nunca recebia do outro.
No fim, ele acabaria dormindo com o telefone grudado em seu rosto e Jin ficaria zelando a respiração ritmada e lenta do outro lado da linha contra sonhos ruins.
Quando Emiru acordasse na manhã seguinte, o aparelho estaria sem bateria e ele, mais uma vez, se desculparia com Jin.
- Não se precisa se desculpar, você desligou antes de começar a dormir.
- Sério? Bem, eu não lembro te ter feito isso...
- Sim, é sério. Não se preocupe.
Além do pequeno diálogo, teria dedos se entrelaçando levemente com os seus como resposta.
- Sua mão está tão quentinha! É tão bom...
Jin apenas acenou e enfiou as mãos nos bolsos. Emiru tinha mãos geladas, pensou.
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Com um toctoctoc animado na sua porta, O garoto já sabia quem estaria do outro lado da porta antes mesmo de abrí-la e ser cumprimentado com um beijo tímido em sua bochecha.
Pedindo um com licença, Emiru entrava e começava a falar e falar e falar e Jin às vezes imaginava de onde o outro conseguia tirar tanto fôlego até o menino colorido começar a corar e pedir desculpas pelo entusiasmo exagerado.
- Eu gosto da sua voz.
Eram necessárias poucas palavras para Emiru voltar a sorrir e dizer sobre sua aventura ontem com o cachorro do seu vizinho levemente lunático, sobre seu programa de televisão predileto ou qualquer outra coisa em sua mente porque o que ele mais queria era que Jin o conhecesse melhor do que alguém jamais iria o conhecer.
Jin já tinha certeza que Emiru o conhecia por completo desde muito tempo atrás quando as sentenças alheias estavam cada vez menores e toques de borboletas eram distribuídos pelo calado par de lábios em toda a superfície do bonito rosto do garoto tagarela.
Essa delicadeza quase fazia Emiru chorar de felicidade, se toda vez ele não estivesse mais ocupado em entrelaçar suas mãos nos cabelos prateados e sentir o cheiro de seu shampoo predileto.
- Não volte para casa hoje. Fique comigo.
Jin fez um pedido. Emiru atendeu uma ordem.
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Era uma simples terça-feira quando os primeiros flocos de neve da estação começaram a cair. Cabelos fortemente coloridos espiavam pelas janelas da sala vazia, cujo dono deveria estar terminando o relatório da aula em vez de ficar olhando para o lado de fora do prédio ou desenhar corações na carteira.
E com um movimento repentino, a porta foi aberta, assustando um Emiru distraído e revelando Jin e um pacote feito de uma maneira totalmente desajeitada apesar do esforço ser visível.
Jin lamentou-se ao olhar para o embrulho antes de entregá-lo e vê-lo sendo aberto com tanto carinho e felicidade. Olhos curiosos o questionaram sobre o conteúdo.
- Comprei luvas — pigarreou — Para quando eu não estiver com você.
- Oh — sorriu e sorriu e decididamente amava Jin mais do que conseguia expressar de qualquer forma humanamente possível e impossível.
Porque, apesar de adorar o romance explícito de novelas, eram esses pequenos atos, gestos quase banais e rotineiros, que o faziam se sentir realmente amado.
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