Sensações Desconhecidas
1 Quando as mãos de Gaara suaram antes? Nunca!
"O que aqueles olhos perolados e tímidos despertavam nele?"
Era a pergunta que não abandonava os pensamentos do Kazekage desde que a kunoichi silenciosa e os demais companheiros de time, o escoltaram até Suna. Sem ter qualquer noção sobre o que estava acontecendo, sentia-se confuso e com a razão atordoada.
Algo inquietante e estranho tomava o peito de Gaara, fazendo o coração bater diferente. Por vezes sentia que aquele órgão pararia, repentinamente. Incomodado com a pulsação irreverente ao pensar na moça, tentou buscar as respostas em livros e pergaminhos, mas nada encontrara. Nada do que existia escrito ao seu alcance descrevia tais reações corpóreas. Queria, desesperadamente, saber o que fazia suas mãos criarem gotículas de suor. Quando suas mãos suaram antes? Nunca! Queria saber o que lhe causava a sensação de que seu tórax diminuía impedindo seus pulmões de funcionarem normalmente e sua respiração, enfim, se estabilizar.
Viu-se cercado pelo medo do desconhecido.
***
Encontrou-a sentada em uma pedra próxima a saída de Suna, engoliu em seco e ficou sem fôlego. Novamente, perguntou-se o motivo de seu coração bater freneticamente ao ver as madeixas escuras dançando suavemente com a brisa quente. Nada seria capaz de fazê-lo esquecer aquele instante de estupor. Ela levantou a cabeça e os olhos de ambos se encontraram, os verdes opacos permaneceram cativos nos perolados inundados de brilho e inocência. Gaara não soube dar nome a leve inquietude que atingiu seu estômago, era como o farfalhar das folhas. Um nó formou-se em sua garganta ao notar a pele alva da Hyuuga tornar-se rósea, deu alguns passos hesitantes e impensados, parou e apenas uma palavra saiu de sua boca:
—Posso?
Perguntou apontando para o lado esquerdo da pedra, o rubor intensificou-se na bela face ao assentir. O Kazekage sentou-se junto dela e permaneceu calado, mantinha os olhos na paisagem seca e arenosa de sua vila. Reparou no dedinho indicador de Hinata, que se encontrava sem parar com o outro, isso ele soube interpretar, vergonha. O interior dele se aquietava com a presença dela, porém sentia que a qualquer instante sua mão ganharia vida própria e iria descobrir a textura da pele pálida...
O silêncio começou ficar constrangedor. Ele falou a primeira coisa que surgiu em sua mente, sua voz polida e desinteressada:
—Quando partirão?
Uma súbita vontade de sorrir surgiu e o deixou assustado. O que o fez ter vontade de sorrir foi a reação de Hinata, ela arregalou os olhos e virou o rosto corado em sua direção, abriu a pequena boca de lábios arredondados como os de uma boneca e o respondeu gaguejando:
—A-acho... que h-hoje a... tarde... Gaara-sama...
Mais uma vez ele ficou encantado, a voz doce e baixa, soava de maneira melodiosa aos seus ouvidos, mas a cordialidade usada o intrigou. Por que queria ouvi-la dizer apenas seu nome?
—Não é necessário ser tão formal.
Foi tudo que conseguiu dizer e, mesmo assim, não foi algo planejado, simplesmente as palavras fluíram no ar. Fitou-a e ela desviou o olhar depois de fazer um ‘sim’ com a cabeça. Novamente, o silêncio. Na verdade, Gaara não se incomodava tanto com a falta de diálogo, notou que seu coração tilintava dentro do peito por estar tão...
Perto dela?
Nesse instante, foi como se todos seus pensamentos embaralhassem, ele havia se dado conta do significado das coisas ‘estranhas’ que vinha sentindo e que estavam tirando sua paz e o equilíbrio.
Uma risadinha suave e baixa o fez olhá-la. Indagou, e sua voz, como sempre, sem emoção:
—O que foi?
—É que... sua a-areia se... mexeu e faz cócegas.
Então ele viu o fino redemoinho de areia pairando próximo a perna dos dois. Gaara nem havia se dado conta disso. Esboçou um pequeno sorriso e com o dedo indicador em riste, fez movimentos quase imperceptíveis levando uma fina camada de areia até a altura da cabeça de ambos. Continuou fazendo-a circular e arrancou risinhos tímidos de Hinata, ela elevou devagar a mão, tocando a areia. O Sabaku fez com que aquele pequeno aglomerado rodeasse o braço dela e chegasse em sua face roçando suavemente na bochecha.
Mesmo ficando ruborizada, ainda ria, timidamente, para o Kazekage Ela encostou o rosto no ombro como se quisesse se aliviar das cócegas e prosseguir sentindo o gesto carinhoso e camuflado. Ele via ali uma centelha de felicidade e se permitiu flutuar e se perder na sinfonia dos risos da kunoiche. Sua areia caiu com leveza e ela o olhou por impulso, a mão de Gaara subiu e tocou, gentilmente, a face vermelha. Sua carícia parecia uma brisa, Hinata fechou os olhos, mas não tentou encerrar o contato. Demonstrou estar gostando dos carinhos traçados com leveza em si.
O jinchuuriki não sabia de onde, exatamente, havia tirado coragem para acariciar a Hyuuga, era como se algo o atraísse a esmo. Guiado por este pensamento, Gaara escorregou a mão para o pescoço delicado, inclinou a cabeça ficando perto o suficiente para inalar a fragrância inebriante da pele sedosa. Aproximou-se um pouco mais e selou seus lábios nos dela sem movimentos, apenas sentia o calor daquele toque e deliciava-se com a maciez, só então iniciou um beijo calmo e casto. Ela pareceu assustar-se com algo tão íntimo, mas logo se deixou levar sem buscar explicações, colocou a mão no ombro dele e experimentou a nova e desconhecida emoção que trazia consigo a sensação de paz.
***
Após o ocorrido, Gaara se perguntou como aquela kunoiche tímida e discreta, havia feito seu coração balançar pela primeira vez em sua vida. Ele continuou com sua personalidade distinta e com seu jeito quieto e indiferente, porém sempre que seu olhar se encontrava com aqueles perolados meigos, sua face era enfeitada por um sorriso. Sorriso que exibia apenas para Hyuuga Hinata.
A distância entre as vilas não era empecilho. Se preciso fosse, Gaara a percorreria incessantemente. Finalmente, havia compreendido que as palpitações, a leve cócega no estômago e o suor nas mãos, era nada mais que o despertar de seu gélido coração para as graciosas surpresas do amor.
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