Sensação

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá! Minha primeira One-shot!
Realmente espero que vocês gostem, fiz com muito carinho, tinha essa ideia na minha cabeça a muito tempo.
Boa leitura.

Suspirou. Sentiu cada músculo de seu corpo reclamar enquanto caminhava pela ruela a passos lentos, não tinha pressa afinal. Olhou para cima, a penumbra da noite deixava as ruas da vila vazias. Procurou pela lua que o iluminava e não pode evitar que seus pensamentos fossem para nela ao avistar a lua cheia. Pensou no quanto desejava vê-la, em quanto estava em missão mal podia aguentar de saudades, não sabia dizer quando passou a ser tão dependente dela. Desejava encarar os olhos que vinha aparecendo em seus sonhos ultimamente, aqueles olhos que passavam-lhe tantas sensações, sensações essas que não sabia explicar, apenas sentir. Sentir. Ela o fazia sentir e sentir é viver. Tudo fazia sentido quando estava junto a ela e somente ela. Riu de si mesmo com o rumo de seus pensamentos, parecia um poeta romântico, esse era o efeito dela sobre ele, mesmo que não estivessem juntos. Talvez, fosse a saudade falando mais alto. Saudade. Não sabia como tal sentimento podia caber em sete letras, não cabia, tinha certeza disso.

Como era possível sentir falta de algo que nunca teve? Não sabia dizer. Mas ele sentia, cada vez que voltava de uma de suas missões sentia falta de alguém esperando por ele, de despedir-se dos companheiros de equipe e rumar, assim como os outros, para sua casa onde sua mãe o esperaria com olhos lacrimosos pela angustia de não poder esperar mais até que o filho chegue em casa são e salvo, uma casa onde o pai passaria a mão no topo de sua cabeça em quanto lhe congratulava por mais uma missão bem sucedida, uma casa onde se sentiria completo, com pessoas que o amavam, que enxergavam tudo o que era e que sempre, não importa o que acontecesse, estariam ao lado dele. Sempre esperando que ele voltasse para casa. Casa não, esse lugar que sentia falta se chamava lar. Sentia falta de um lar, mesmo que nunca tenha realmente tido um. O coração apertava mais a cada passo que dava em direção ao seu apartamento, conseguia vê-lo no fim da rua e lembrava-se de sua solidão.

Os passos que já eram lentos, passaram a ser mínimos, queria adiar aquilo. Não sabia porque estava tão depressivo. Talvez fosse o cansaço que tomava conta de seu corpo por estar longe há uma semana. Talvez fosse apenas a vida trazendo à tona todas as lembranças que tentava esquecer, mas que ela gostava de lembrá-lo quando estava sozinho. Talvez fosse a saudade que sentia dos olhos perolados o encarando de perto, sempre tão amorosos, tão gentis e confortantes que ele sentia que podia se perder naquela imensidão. Pensou novamente no quanto queria vê-la, mas não poderia, era madrugada e o pai da mesma o mataria se o visse esgueirando pela janela novamente como já havia sido pego.

Suspirou. As mãos nos bolsos da calça laranja suavam, o coração bobeava dolorosamente a cada momento que sentia milhares de sentimentos conflituosos passando por ele, sentia-se só. Abaixou a cabeça ao subir as escadas do seu prédio, a franja que estava grande demais cobria-lhe os olhos safira sempre tão brilhosos, naquele momento opacos, sem vida. Tocou a maçaneta sentindo o coração reclamar com seu cérebro por buscar seus sonhos nas mais profundezas de sua memória, sonhos esses que abria a porta e sentia o cheiro de sua comida preferida preparada por Kushina, enquanto Minato lia o jornal na mesa de jantar, quando avistavam o filho passar pela porta avisando que estava de volta em casa, a mãe vinha em sua direção emocionada, dando um abraço exageradamente apertado no loiro devido a sua força extraordinária, o pai lhe acenaria com o sorriso gentil no rosto e ambos diriam “Bem-vindo de volta!” com o carinho que sempre desejou. Lágrimas se acumulavam no canto dos olhos safira quando sua mão hesitou por um momento, trêmula. Olhou para cima se sentido um bobo, não importa quanto tempo passasse sempre sentiria falta deles e choraria uma vida que não teve, os pais que não estavam ali com ele, pelo menos não fisicamente. Pousou a mão sobre a maçaneta novamente e não conteve o arregalar de olhos ao sentir a mesma girando na palma de sua mão. A porta foi aberta tão rápido que não pode questionar-se mentalmente o que estava acontecendo. Os olhos subiram das pernas alvas que estavam a mostra, para o pijama lilás que ela usava, os cabelos azulados caiam em cascata por suas costas e busto. Os lábios carnudos formaram um sorriso gracioso nos lábios de Hinata quando os olhos safira finalmente encontraram os perolados. Naruto engoliu o nó que havia se formado em sua garganta ao ver o sorriso encantador da garota a sua frente, as bochechas coradas dela, os olhos brilhantes, tudo nela o deixava hipnotizado. Ficaram se encarando por um tempo, nenhum dos dois saberia dizer quanto. Os olhos conversavam-se de uma maneira incrível, palavras não eram necessárias, não naquele momento, não quanto nos olhos estava contida toda a saudade que sentiam um pelo outro. Safira por pérola. Loiro por moreno. Alva por morena. Naruto por Hinata. E vice-versa.

— Bem-vindo de volta, Naruto-kun! – Hinata fechou os olhos abrindo ainda mais o sorriso, não pode ver os olhos de Naruto marejarem levemente, enquanto a presença dela levava embora todos os pensamentos ruins que ele queria a todo custo esquecer, a voz suave da moça o acalmava de uma maneira quase surreal, sentia muita falta dela. A expressão de Hinata tornou-se surpresa quando olhou para Naruto com os olhos cheios d’água, repreendendo-se por ser tão boba, mexeu os dedos indicadores encabulada, suas bochechas coraram ainda mais e com um sorriso sem graça olhou para o lado. – Perdão, e-eu fui muito apresada, v-você nem pode dizer q-que estava em casa, e-eu nem mesmo o deixei abrir a porta! – Juntou as mãos na frente do corpo olhando para baixo, a franja farta cobria-lhe os olhos e Naruto se encantou ainda mais com a graciosidade e inocência de Hinata, sua Hinata.

Saindo do transe, sentiu as lágrimas rolarem por sua face, mas não eram de tristeza, longe disso, sentia-se feliz, feliz como nunca antes, sentia-se completo! Deu um passo para frente e agarrou a garota com força, fazendo-a da um pulinho por não esperar tal reação do loiro, retribuiu o abraço tão cheio de significado após o susto a tempo de ouvir Naruto proferir a seguinte frase em seu ouvido:

— Estou de volta em casa, Hinata-chan! – A voz embargada do garoto fez lágrimas brotarem dos olhos perolados, Hinata apertou o abraço, ficando na ponta dos pés, acariciou os cabelos loiros o confortando, ela sabia o quanto ele se sentia sozinho em alguns momentos, conversaram sobre isso, quando ela lhe contara o quanto sua mãe e Neji lhe faziam falta. Naruto escondeu o rosto na curva do pescoço dela, acomodando-se, embriagou-se com o cheiro doce da Hyuuga. Naquele momento sentiu que não devia estar em lugar algum, que não fossem os braços dela.

*****

Naruto saiu do banho que tomara logo após jantarem, sentiu o peso do cansaço em seus ombros novamente, mas estava relaxado e cheiroso, vestia apenas uma calça de moletom escura, a toalha branca pendia em seus ombros enquanto secava os cabelos com a mesma, rumou a cozinha ao ver que a luz estava acessa. Chegou a tempo de ver Hinata guardar o último prato que tinham usado. Quando a morena virou-se para ele, sentiu as pernas bambearem ao notar o abdômen definido de Naruto de fora, o vermelho tingiu sua face enquanto ela desvia o olhar encabulada. Naruto riu fraco da vergonha da moça, enquanto se aproximava, ela sempre teria aquela reação? Sorriu ao pensar que ela já vira muito mais do que aquilo, não só vira como tocara também, o sorriso inocente nos lábios de Naruto transformou-se em malicioso. Naquele momento não lhe importava o cansaço mais, queria apenas ela. Enlaçou a cintura fina de Hinata em quanto a impulsionava para cima, por reflexo ela circundou o quadril de Naruto buscando apoio, os olhos safira esperavam ansiosos os perolados lhe encararem, lhe darem aquele gostinho de aconchego que procurava, quando finalmente aconteceu, não fora só aconchego que encontrou ali, o desejo estampado nos olhos claros de Hinata era o sentimento que predominada, Naruto sorriu abertamente com isso, passou a língua pelos lábios finos umedecendo-os antes de tocar os lábios doces que lhe esperavam sedentos. Colocou Hinata em cima do balcão da cozinha em quanto pedia passagem com a língua, que foi rapidamente consentida. A sensação. Aquela sensação que tinham ao explorarem a boca um do outro era inigualável e nunca mudaria, era como se experimentassem um novo mundo quando se beijavam, ficavam alheios a tudo e a todos, só o que importava eram os dois, era aquele contato. Naruto apalpou os quadris de Hinata a puxando mais para si, buscando mais contato, mas sentia que se eles se juntassem mais se fundiriam. Não seria uma má ideia, pensou a garota rindo sapeca entre o beijo. Ele tinha esse poder sobre ela, em questão de minutos fazia a garota perder a timidez e querer coisas que nunca lhe passaria pela cabeça, antes de tê-lo consigo. Uma Hinata ousada aparecia se instigada por Naruto, e ele amava aquilo. As mãos pequenas dela foram parar no cabelo dele, enquanto fazia um carinho devagar, muito diferente do ritmo dos beijos que trocavam, muito diferente do ritmo de seus corações. Ela baixou os beijos para o queixo, maxilar e então pescoço do loiro que jogou a cabeça para trás ao sentir as carícias, seu desejo por ela, por fazê-la dele mais uma vez, só aumentava a cada momento e isso ficava visível a Hinata ao observar a calça dele ficar mais apertada a cada segundo. Passou as mãos pela coxa desnuda dela enquanto deixava um rastro com as unhas curtas pelo caminho, agarrou seus glúteos com firmeza, enquanto sentia Hinata cravar as unhas em suas costas como resposta, voltou a beijar os lábios carnudos da moça, não sem antes ouvir um gemido baixo que saiu pelos lábios entreabertos dela dando fim a sua lucidez, com habilidade caminhou com ela para o quarto sem cessar os beijos, conhecia bem o caminho. Jogou-a em sua cama, agora de casal, enquanto ambos exploravam o corpo um do outro, como se nunca tivessem feito isso antes, como se cada curva dela e cada músculo dele fosse algo extremante novo para seus tatos. Como se nunca fossem se cansar daquele contato, mesmo que já tivessem decorado cada mínimo detalhe, cicatriz, sinais e marcas de nascença um do outro.

*****

Fazia um carinho aconchegante nas costas desnudas da garota, esta por sua vez estava deitada sobre sua barriga enquanto fazia desenhos imaginários sobre ela, ambos absortos em seus próprios pensamentos, mais que felizes pela presença um do outro.

— Sabe, Hinata-chan... – Naruto começou chamado a atenção de Hinata para ele, sorriu ao constatar que ela ainda estava acordada, porém seu semblante ficou sério novamente, precisava dizer o que estava entalado em sua garganta. — Sinto muito por ter demorado tanto a me dar conta dos meus sentimentos. E-eu me sinto um verdadeiro idiota por ter desperd...

— Shh... – Hinata levou o indicador aos lábios de Naruto antes que ele pudesse terminar. – Você não tem que se desculpar.

— Mas...

— Naruto-kun, eu sempre estive ao seu lado e eu era feliz em apenas observar você. – Sorriu gentilmente. – Você me dava forças para continuar tentando quando ninguém mais o podia... Seu sorriso me fazia feliz, suas palavras motivadoras, sua força e proteção com seus amigos, comigo. Eu estou muito feliz por estar aqui agora e isso é o que importa. Eu sempre estive você comigo e você comigo, mesmo que não fosse assim. – Não pode evitar que as bochechas ruborizassem ao pensar no jeito que estavam, mas aquilo não era vergosonho, era lindo, o amor deles era lindo, o encaixe deles era lindo. – Tudo aconteceu em seu tempo. Eu sempre estive e sempre estarei aqui com você, Naruto-kun, porque eu te amo. E nós temos muito tempo juntos pela frente! – Disse motivadora, corou ainda mais quando percebeu o que tinha dito. – D-digo, se você q-quiser é claro... – Olhou para baixo, sentia-se uma boba por gaguejar naqueles momentos.

— Hinata-hime? – Os perolados subiram para o rosto sereno do garoto que virou-se agilmente ficando em cima dela, os braços fortes o davam apoiam em quanto proferia as palavras que tanto pensava em dizer a ela e que agora tinha mais certeza do que nunca de que era o certo a se fazer. – Você aceita se casar comigo? – Analisou o rosto de Hinata mudar de surpreso para emocionado e os braços finos da moça enlaçarem seu pescoço em quanto pequenas lágrimas de alegria desciam sobre sua face. Naruto limpou a lágrima esperando a resposta com o coração acelerado, ali pode observar o brilho dos olhos, tão bonitos como a lua, mais de perto. Ela era linda. Cada mínimo detalhe. A mais linda que já vira em toda sua vida. E era sua.

— Sim! C-claro que sim... – Hinata respondeu finalmente com a voz embargada, o amava tanto que chegava a doer. Levantou o tronco selando os lábios dos dois em quanto Naruto dava um de seus belos sorrisos pela resposta da garota. Abraçou-a com todas as suas forças quanto seus corpos caiam novamente na cama.

— Eu prometo te fazer muito feliz, ‘tebbayo! Você será a esposa do Hokage, como se sente sobre isso? – Disse brincalhão, ouvindo a risada de Hinata ecoar pelo quarto. Contra a curva do pescoço da garota, ele que não parava de sorrir e dava beijos molhados por seu pescoço causando um arrepio involuntário nela. Naruto parou de repente os beijos que desciam pelo colo de Hinata e a olhou pensativo. – Posso escolher o nome de nosso filho?

Hinata corou instantaneamente, ele já estava pensando em filhos? Não que ela nunca o tivesse feito antes, imaginava alguns pirralhos loirinhos de olhos azuis ou perolados correndo pela casa, mas nunca esperou ouvir isso dele. Riu levemente enquanto via a expressão animada de Naruto depois dela assentir.

— Espera, o que você tem em mente? – Perguntou a morena, pensativa.

— Uzumaki Himawari! – Hinata riu, era parecido com o nome dela, sentiu-se lisonjeada com o nome escolhido pelo... Noivo! Seu sorriso se alargou ao constatar isso, eram noivos... Nem em um sonho as coisas saíram tão perfeitas como eram agora e se aquilo era um sonho esperava não acordar nunca. Em seguida fez um bico adorável aos olhos de Naruto.

— Hey! Quem disse que quero somente um? – Sorriu sapeca vendo os olhos de Naruto brilharem.

— Podemos fazer outro. – Riu beijando a bochecha esquerda de Hinata. – Depois mais outro – Beijou a direita. – Depois mais outro. – Beijou o queixo, sentia Hinata rir divertida em baixo de si. – Quantos você desejar... E quando estiver suficiente podemos continuar treinando. – Beijou-lhe o nariz, grudando a testa na dela, viu a bochecha da morena ficar extremamente corada e o brilho de desejo voltar aos poucos para os olhos dela diante do sorriso cheio de malícia que ele esboçava, Hinata passou o nariz no dele carinhosamente. – Mas, deixo-lhe escolher o nome se for um menino... O que me diz?

— Hmm... – Levou a mão ao queixo questionando-se em qual nome deveria escolher. O nome perfeito veio a sua mente como um estalo. – Boruto. – Disse após um tempo surpreendendo Naruto, o loiro sorriu de orelha a orelha. – Uzumaki Boruto. – Sorriu para ele e então Naruto atacou seus lábios novamente, sorriram cúmplices durante o beijo, a noite seria longa.

— Eu te amo Hina-chan.

— Eu também te amo, Naruto-kun.

Naquela noite Naruto soube que sempre teria alguém para voltar quem voltar, que sempre teria alguém o esperando. Talvez no fundo, sempre soubesse, desde que conhecera Hinata. Mas naquela noite, Naruto finalmente teve um lugar para chamar de lar.

Notas finais
Obrigada àqueles que leram!
Se puderem, por favor, deixem seus comentários, será de muita importância para mim saber o que acharam, para próximos projetos!
xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!