Senpai, Você É Incrível
8 Os mais sóbrios
Notas iniciais
No último capítulo vimos que as meninas de Seirin ganharam o jogo contra Touou, e Rin-chan marcou uma "festinha da vitória" em sua casa. O que será que aconteceu por lá?
A música estava alta. Alta o suficiente para fazer as paredes tremerem. Por sorte ninguém além de mim morava nessa rua, eram só terrenos baldios e começos de construções.
-Moriyama-senpai – chamei a atenção dele. O garoto estava sentado no sofá da sala de TV, sozinho, olhando pela janela. Estava meio solitário, então resolvi fazer uma surpresinha – Essa aqui é a Karin. Karin, esse é o Moriyama-senpai, do time do Yukio.
-Muito prazer! — ela falou, sorrindo.
-Ah, Rin-san... Oi, Karin. Quer sentar aqui?
Um sorriso enorme apareceu no meu rosto.
-Claro que quero.
-Espere só um segundo, vou pegar algo pra gente beber.
-Ok.
Karin sentou no sofá, olhando pela janela. Moriyama me arrastou para fora, andando no meio das pessoas.
-Puta merda, ela é muito gata. — o garoto comentou, desviando de um Kise bêbado — Valeu, Rin-san, você é demais.
-Magina, Moriyama-san. Karin também estava na seca, então achei uma boa ideia apresentá-la a você, sabe como é.
-Claro que sei – ele pegou um copo na mesa e colocou um pouco de refrigerante. Depois, olhou para o lado, mais especificamente para as garrafas de álcool – Ela bebe?
-Não sei, acho que não. Melhor refrigerante mesmo. Vou dar uma volta, comporte-se, hein.
-Pode deixar. Valeu de novo, Rin-san.
-Não tem problema.
Fiquei no lugar quando Moriyama voltava para a sala, e sentava ao lado de Karin. Ela me mandou um olhar sorrateiro, meio corada. Comemorei internamente.
Andando pela minha casa, pude ver muitas coisas engraçadas. Kise tinha trago várias garrafas de álcool, e estava super louco, dançando em volta de Kuroko, que tomava seu milk-shake calmamente. Kagami estava dançando sozinho no meio da sala, também bêbado. Kori e Yuko estavam no canto, também bêbadas, se beijando ferozmente. Aki, a ruiva, conversava de um jeito provocante com Izuki, o moreno olhos de águia de Seirin. Os dois estavam bem próximos, ambos com sorrisos nos rostos e copos nas mãos. Sentado numa cadeira da mesa de jantar, estava Hyuga, e na sua frente, Riko, e (pasmem!) se agarrando loucamente. FINALMENTE AQUELES DOIS TINHAM SE ASSUMIDO! Dava pra sentir a tensão entre eles a quilômetros de distância.
Eu não tinha bebido, só ficado no refrigerante. Claro, a casa era minha e a festa também. Se alguma coisa saísse do controle, eu tinha que estar sóbria o suficiente para dar conta.
Olhei para a sala de TV. Moriyama estava chegando cada vez mais perto de Karin, e logo depois os dois juntaram os lábios vagarosamente. Uma das mãos do garoto escorregou pelas costas de Karin, parando em sua cintura.
Karin era linda. Linda mesmo. Era alta, tinha cabelos loiros bem claros enrolados que batiam na altura dos ombros. Era magra, mas não esquelética; toda definida. O rosto redondinho dela dava um ar de fofura, contrastando com o olhar mortal cor de uva que ela carregava. Os lábios, sempre bem rosados, agora eram engolidos por Moriyama. Ah, mas ele era bonito também. O cabelo liso dele escorria de um jeito bem legal pelo rosto, e ele era tão alto quanto a loira. Uma mão com as unhas pintadas de vermelho foram parar na nuca do garoto. Daqui a pouco eles estariam se comendo, não é possível.
Podia dizer o mesmo de Kori e Yuko. A mais baixa agora estava praticamente sem blusa, entretida em pegar nos peitos da namorada. Meu Deus, minha casa era um lugar de respeito... Ah, quem sou eu pra falar disso? Estou dando uma festa da vitória com muita bebida e mulheres e homens... Era natural que coisas assim acontecessem.
-Porque tanto estresse, hein? — uma voz rouca soou na minha orelha direita, e eu sorri instantaneamente.
-Não estou estressada – uma par de mãos me grudou num corpo quente – Estou preocupada com a virtude de certas pessoas.
-E com a sua virtude? — fechei os olhos, sentindo lábios descerem pelo meu pescoço.
-Sabe de uma coisa? Minha mãe foi viajar e eu estou sozinha aqui em casa... Quem sabe você vem me fazer uma companhia. — sussurrei.
-Isso pode ser bem interessante.
Virei devagar, grudando minha boca na de Yukio. Ele apertou o corpo contra o meu, segurando minha cintura por baixo da blusa. Arranhei as costas dele de leve, e recebi uma mordida no lábio. Abri meus olhos, me deparando com os azuis-acizentados do garoto.
-Quer subir? — ele perguntou.
-Querer eu quero, só que não vou deixar todo esse pessoal aqui sem ninguém pra vigiar. Vai que rola uma orgia. — ouvi a campainha por cima da música – Com licença, Kasamatsu-kun, tem alguém na porta.
-Certo, vai lá.
Saí de perto dele e fui desviando das pessoas até chegar na porta. Destranquei, e então a abri.
-Ah, você é o Aomine, certo?
-Sou eu mesmo, senpai.
-O que está fazendo aqui? — perguntei, fechando a porta atrás de mim para evitar o barulho.
-Kise me mandou uma foto dele fazendo strip, ele está obviamente bêbado. Se ele está bêbado, tem festa. E eu adoro festas.
-Então entre, sempre cabe mais um.
Aomine estava muito gato com uma blusa justa azul marinho e calças pretas. Meu Deus, era bom no basquete e gato; isso é brutal.
Abri a porta e dei passagem. Dentro de casa, vi que o casal de namoradas estava quase nu. Cheguei perto dela e disse no ouvido de Kori:
-Controlem-se. Se querem transar vão para casa, aqui não.
-Melhor irmos então, Yuko-chan – a de cabelos curtos falou.
-Tem razão. Estamos indo, Rin. Até amanhã. — Yuko, a baixinha, disse, indo pegar sua blusa no chão.
As duas saíram correndo porta afora. Sério. De todas as meninas de Seirin, as mais estranhas foram se inscrever pro time de basquete.
Mais para a direita, na sala de TV, conseguia ver Moriyama deitado em cima de uma pilha amarela; acho que era Karin. Aomine estava virando uma garrafa de vodka enquanto dançava com Kise ao redor de Kuroko, que ainda mantinha a mesma expressão. Kagami jazia deitado no canto, agarrado a uma bola de basquete, dormindo que nem um bebê. Riko estava sentada no colo de Hyuga, e as mãos do capitão adentravam a saia da técnica. Aki e Izuki estavam intercalando beijos e conversa, e pareciam ser os mais sóbrios da festa além de mim e Kasamatsu.
___
-Oe, Kise! Kise! — Yukio gritou.
-Capitãaaao.... Vamos dançar! — Kise, risonho, pegou na mão do seu capitão e o puxou para a sala.
-Kise. Kise, seu idiota! — ele socou a cabeça do loiro em uma fúria óbvia.
-Ai, ai! Kasamatsucchi!
-Kise, está na hora de você ir. Está tarde, e você está bêbado. Melhor ir pra casa.
-Kasamatsucchi... — ele ficou triste por um momento, então abriu um sorriso – Ahhhh, o capitão quer ficar a sós com a Rin-chan! Capitão, seu safado! — e começou a rir.
-K-Kise! Cala a boca!
-Ei, Rin-san – Moriyama-san chegou perto de mim – Vou pra casa já.
-Eu também, capitã.
Karin chegou ao lado de Moriyama, e ele colocou a mão na cintura dela. Ah.
-Tudo bem então, até amanhã!
-Tchau – os dois disseram.
Karin olhou para mim ao passou ao meu lado, com uma cara safada. Sorri de volta, apontando para Yukio. Ela piscou, então saiu pela porta com o gato do Moriyama. Sortuda!
Eu, Kuroko e Hyuga tínhamos colocado Kagami no sofá, então o baixinho e o capitão foram embora. Aomine tinha desmaiado e estava no outro sofá, dormindo como uma pedra. Aki e Izuki foram para casa também. Meu Deus, a noite estava quente para todo mundo. Só Kagami e Aomine, que estavam dormindo no sofá, eu e Yukio estávamos na minha casa. Era 3:45 da manhã, e eu estava quase dormindo na cadeira enquanto Kasamatsu expulsava todas as pessoas. Decidi ir para o quarto.
Deitei na cama com meu pijama favorito. Já tinha escovado os dentes e estava esperando Yukio vir, para podermos dormir. Ele entrou no quarto, eu estava quase dormindo.
-Rin-chan, estou indo pra casa, ok?
-Quê? Não. Você vai ficar aqui, é claro.
-Q-Que? Sério?
-Sim, vem aqui.
Eu me movi, deixando um espaço pra ele na cama. Ele pensou por alguns segundos, então sorriu e deitou perto de mim, me beijando. Ele pegou minha perna, passando os dedos pela minha coxa, apertando-a contra ele de um jeito que me deixava louca. Puxei os fios de cabelo dele na minha direção, esfregando minha língua na dele. Uma mão subiu e apertou meu peito, fazendo com que eu tivesse arrepios. Minha blusa foi subindo, e logo depois foi jogada para o lado.
Os lábios macios de Kasamatsu deixaram os meus, e desceram pelo meu pescoço, enquanto seus dedos contornavam e acariciavam meus peitos. Ele apertou minha coxa com força.
-Y-Yukio-kun... Yukio-kun... Eu não... Pára.
-Rin-chan – ele se afastou um pouco para olhar meus olhos.
Ele, assim como eu, estava com as bochechas vermelhas. Nos olhamos por uns segundos.
-Desculpe – falei.
-Não, não... Relaxe, tá tudo bem.
-Desculpe, sério mesmo. É que eu não to me sentindo segura agora.
-Quando você tiver pronta a gente tenta então. Ainda temos mais seis dias até sua mãe voltar.
-Acho que até lá eu tomo coragem.
-Qual é, Rin. Eu sei que é especial pra você, você tem que estar preparada. E eu respeito isso, você sabe como eu sou.
-Claro que sei, Kasamatsu-kun – enrolei meus dedos no cabelo dele.
-Bom... Já que a gente não vai transar hoje – ele pigarreou, e eu corei um pouquinho – Melhor irmos dormir então.
-Sim... Melhor mesmo.
Emprestei a Kasamatsu uma calça de um pijama, para que ele tirasse a jeans dele. Coloquei minha blusa de volta. Ele foi fazer suas coisas no banheiro, e eu fiquei pensando.
Caraca... Já estava virando uma necessidade física, não mais mental. Meu corpo queria, mas a cabeça ficava dizendo NÃO toda hora. Além do mais, eu achava melhor seguir a dica da minha mãe e tomar um banho antes. Você não fica exatamente cheirosa e limpa depois de dar uma festa cheia de caras suados e bêbados. E também eu não me sentia confortável ao saber que dois jogadores de basquetes estavam desmaiados nos meus sofás no andar de baixo. Se escutasse com atenção, poderia ouvir o ronco de Kagami ecoando pela casa. Mas que monstro, cara.
-Pronto, Rin-chan. Chegue pra lá.
Arrastei-me para o lado, deixando que Yukio deitasse. Ele me deu um beijo rápido, sussurrou algumas palavras encorajadoras e elogiou meu corpo. Agradeci mais vermelha que um pimentão. Encostei a cabeça no ombro dele, então disse:
-Senpai, você é incrível.
-Não sei porque essa sua mania de me chamar de senpai. Nós temos a mesma idade, não temos?
-Você é uns meses mais velho, e... Sei lá, é mais experiente que eu, então acho apropriado chamá-lo assim.
-Que isso, Rin-chan...
-Yukio. — falei seriamente.
-... Que?
-Eu te amo.
Houve um segundo de silêncio, e juro que ouvi o coração do garoto disparar no peito. Nós nunca tínhamos dito que nos amávamos, mas eu tomei coragem dessa vez.
-Eu também te amo.
-Boa noite, tá?
-Boa noite.
Ele beijou minha testa, então nós fomos dormir tentando ignorar os roncos de Kagami.
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