Senpai, Você É Incrível
3 Eu gostava muito dela
Notas iniciais
Kasamatsu's Point Of View
No dia seguinte, como a casa de Rin era no caminho da minha escola, acordei um pouco mais cedo e passei lá. Toquei a campainha algumas vezes, mas ninguém respondeu. Desisti, e fui para a escola. Mandei uma mensagem no caminho, e ela disse que tinha acordado mais cedo e ido pro hospital ver o pai, então continuei o caminho.
O dia na escola foi mais chato que o normal. Os caras do meu time estavam em um humor péssimo, e Kise não parava de falar sobre como estava empolgado para jogar contra “Kurokocchi” de novo. Tive que socá-lo várias vezes para fazê-lo parar de falar. Ele era um saco, mas eu gostava dele.
Depois da aula, fui até Seirin antes que meu treino começasse. Rin talvez ainda estivesse lá. Atravessei os portões. Ainda estava cheio. Os alunos saíam dos prédios aos montes, todos rindo. Alguns paravam e me encaravam por meu uniforme ser diferente, mas eu não estava nem aí. Perguntei para um grupo de garotas onde ficava o ginásio, e elas, me olhando de cima a baixo, apontaram para uma trilha na direita. Agradeci. A última coisa que pude escutar foi “como um cara tão gato pode querer ir se encontrar com aquelas brutamontes do basquete?”.
Fui até a quadra de basquete. Quando estava me aproximando, pude ouvir vários tênis ecoando e gritos. Entrei, de fininho, e fui sentar no canto mais escuro da arquibancada.
Aquelas meninas estavam jogando uma partida. Podia ver várias correndo de um lado para o outro, passando a bola em uma velocidade incrível. Reconheci aquele cabelo preto de imediato, balançando de um lado para o outro em um rabo-de-cavalo alto.
-Passa a bola, Karin! — ela gritou, acenando.
A menina loira, a mais alta, passou a bola para ela. Outra garota grande, dessa vez uma com cabelos vermelhos, parou em sua frente, tentando bloqueá-la. Ela simplesmente riu, então abaixou e sumiu da minha vista. Mas que porra?
Lá estava ela de novo, lançando a bola e fazendo uma cesta. Todas as outras garotas pareciam perplexas também. Tá, eu acho que sabia o que tinha acontecido. Ela riu, então abaixou, foi para um lado, deu meia volta e foi pelo outro, contornando a menina ruiva em um piscar de olhos. Uou.
-Chega por hoje, meninas! — gritou o técnico – Já deu o tempo. Podem descansar.
Resolvi descer para dar um oi. Saltei a arquibancada, e entrei na quadra.
-Oi, meninas.
-Kasamatsu-san! — as meninas gritaram.
-Kasamatsu-kun, o que está fazendo aqui? — Rin perguntou, secando a nuca com uma toalha. Ela estava ótima de shortinho azul escuro e camisa branca. Vários fios de cabelo estavam grudados no seu pescoço e colo.
-Vim fazer uma visitinha, nada demais.
Eu estava meio tenso de ter que encarar todas aquelas meninas de shortinho, e o pior é que todas elas eram bonitas. Isso me deixava em uma situação de risco.
-Oe, Kasamatsu-san – chamou a de cabelos bem curtos, Kori – Estava vendo a gente jogar?
-Só um pouquinho... Vim dar um oi pra Rin.
-Ui, ele quer falar com ela a sós – aquela ruiva falou, erguendo as mãos para cima.
-Cale a boca, Aki. — Rin falou, severa – Porque você e o resto do time não vão tomar uma ducha, hein?
-Mas, Rin-san... — A loira, Karin, tentou falar, mas foi interrompida.
-Eu disse: PORQUE VOCÊ E O RESTO DO TIME...
-Tá, tá. Desculpe, Rin-san. — Kori falou, suando bicas e empurrando o resto das meninas. Ela esperou todas passarem, e virou para mim.
-Estou surpresa, Yukio-kun.
-Porque? Não posso passar pra fazer uma visitinha?
-Bem... Claro que pode... — ela olhou para o chão, avistando uma bola que estava a seus pés. Abaixou e pegou – Tá a fim de jogar um pouco? — sorriu.
-Não dá... Meu treino começa daqui a pouco. E não quero ficar suado com essa roupa – me desculpei, dando de ombros.
-Ah... Tudo bem. O treino dos meninos começa daqui a pouco também, tenho que me arrumar...
-Que horas começa? — perguntei, pegando a bola das mãos dela e girando-a nos meus dedos.
-Umas cinco horas.
-Ok. Se eu acertar essa, você vem no meu treino, que é às três e meia.
-Hm. Ok.
Nós estávamos quase no meio da quadra. Talvez eu não conseguisse, mas... Respirei fundo, flexionei os joelhos, encarei o aro e lancei, sentindo a bola voar dos meus dedos talvez com força demais. Ela bateu no aro e entrou meio torta.
-Maldito. Como consegue?
-HAHAHA! Caralho, até eu achei que iria errar essa... Pronto, agora você vem comigo. São três horas, a gente pode ir agora e eu te compro um sorvete no caminho. Topa?
-Hm... Topo sim. Vou só pegar minhas coisas e já volto.
Ela pediu para que eu ficasse sentado enquanto ela pegava suas coisas. Quando voltou, ainda estava com a mesma roupa, só que agora carregava uma mochila nas costas e o cabelo estava solto. Fomos até a sorveteria que ficava no caminho, e lhe comprei um de morango.
Enquanto andávamos pela rua, eu conseguia sentir nela a tristeza. É claro, porque não estaria triste? Mesmo fingindo que estava tudo bem perto dos outros, para mim ela não conseguia. Estiquei um pouco a minha mão, tocando a ponta dos meus dedos na palma da mão dela. Pude ver, com o canto dos olhos, que ela ficou vermelha. Ri um pouquinho, então passei meus dedos entre os dela e apertei nossas mãos.
Era a primeira vez em meses que andávamos de mãos dadas, na verdade a primeira vez de todas. Rin não era exatamente carinhosa, nem eu, mas... Sei lá, eu gostava muito dela. Queria que ela gostasse assim de mim também. Pra falar a verdade, nós nunca dissemos que nos amávamos.
-Rin-chan?
-Que?
-E seu pai, está melhor?
-Ah... — ela disse, baixinho – Bom, vai demorar para ele ficar completamente curado, e ainda está em coma...
-Mas vai ficar tudo bem, eu tenho certeza. — eu disse, tentando transmitir o máximo de confiança possível.
-É, vai ficar mesmo.
Chegamos em Kaijo. Eram aproximadamente três e dez quando entramos no ginásio. Ninguém tinha chego ainda. Falei que Rin podia ficar na quadra se quisesse, mas ela quis vir junto. Bem, eu deixei...
Fomos ao vestiário, e tirei minha camisa para colocar uma outra, quando sinto mãos escorregando pelo meu tronco, e uns dedos descendo pela minha barriga. Minha cara pegou fogo na hora.
-R-Rin-chan – gaguejei.
-Cala a boca, Kasamatsu. Só fica quieto e me beija. Por favor.
Meu Deus, aquela voz... Aquela voz fez com que meu coração quisesse parar. Era tão triste... Senti vontade imediata de abraçá-la.
Virei vagarosamente, largando minha camisa no chão. Rin estava em pé nos bancos. Ela me puxou para mais perto, passando os dedos na minha nuca, e me beijou ferozmente, passando a língua nos meus lábios.
Nós começamos a nos beijar tão intensamente que eu nem percebi que alguns minutos depois ela estava com as pernas presas ao redor de mim, encostada em um armário e comigo entre suas pernas, enquanto nos agarrávamos loucamente. Meu corpo estava ficando quente, e mesmo que eu estivesse sem camisa, estava suando. Levantei uma mão, passando por baixo da blusa dela, subindo meus dedos pela barriga...
Senti que estava ficando meio “pra cima”. Com ela se esfregando no meu corpo desse jeito, era difícil não ficar, vamos concordar. Senti que estava chegando na ponta do sutiã dela, quando uma mão segura a minha no lugar.
-Pára, Kasamatsu-kun... — ela sussurrou.
Abri meus olhos, encarando os verdes dela. Vi algo ali no fundo, bem no fundo... Algo como o que eu estava sentindo. Algo como... Tesão. Tá, não que transar no vestiário fosse um problema pra mim.
-Tá... Desculpe.
-M-Melhor deixar isso pra outra hora, em outro lugar... Ok?
Tirei minha mão de lá vagarosamente. A pele dela era muito macia... Meu Deus, como eu a queria. Queria ela ali e agora, sem mais demoras. Mas tudo bem, eu respeitaria os desejos dela. Não era a primeira vez que eu transava, mas deveria ser a dela, então...
-Senpai! Está aí? To entrando.
-Espera aí, Kise! — tentei gritar, mas nem deu tempo.
Soltei as pernas de Rin, porém Kise já estava dentro do vestiário, nos encarando.
-Ih... Desculpe.
O rosto de Rin ficou vermelho como um pimentão, e o meu também. Eu iria socar aquele moleque até ele ficar inconsciente! Maldito! Kise fechou a porta.
-M-Melhor se trocar logo, Yukio-kun...
-T-Tem razão.
Ela se afastou, indo sentar no banco, enquanto eu procurava minha camisa no chão. Vesti, colocando também um shorts preto e meu tênis de basquete. Mais batidas na porta soaram, então mandei entrar.
-Booooooa tarde, capitão! — Hayakawa entrou, empurrando a porta alegremente.
-Boa tarde, Hayakawa.
-Ah... Oi, Rin-san!
-Oi... — mais caras começaram a aparecer atrás, todos encarando Rin.
-Oe, podem parar com isso. — falei, colocando uma mão nas costas dela, guiando-a para a porta. Todos se afastaram para nos deixar passar. Mas que raiva, não gostava quando outros garotos olhavam pra ela. Eu nunca fui bom com garotas, e quando consigo uma, todos ficam de olho nela. QUE MERDA!
-Calma, senpai – e riram.
-Malditos. Hoje vocês vão ver.
Arrastei Rin para fora até a quadra. Lá, ficamos esperando o resto do time chegar. Jogamos um pouquinho a sós, e depois Kise chegou, junto com todo mundo.
-Ótimo então. Rin, não quer ficar no banco? O técnico não vai poder vir hoje, então pensei que você pudesse...
-Ah. Ah. Tudo bem, então. Podem começar dando vinte voltas em torno da quadra. — todos me encararam, perguntando se aquilo era sério – EU DISSE PRA DAR VINTE VOLTAS EM TORNO DA QUADRA, SEUS BUNDÕES! — ela gritou, fazendo com que a sua voz batesse nas paredes e ecoasse na quadra inteira.
Não sei porque, mas fiquei arrepiado e comecei a correr. Todos, hesitantes, me seguiram também. Rin-chan dava medo demais.
Fale com o autor