Senpai, Você É Incrível
20 Era tudo o que eu sempre quis
Notas iniciais
Admito que estava sem inspiração e paciência para escrever o que era a última parte da fic, mas aí resolvi ler uns capítulos de Kuroko no Basket e me empolguei. Antes de mais nada, queria dizer que o cap não foi baseado naquele time que jogou contra Seirin (não sei se vocês acompanham o mangá). Eu tive essa ideia muito antes de começar a ler, então fiquei surpresa hahah Enfim, curtam!
PS: capítulo grande!
Eu nunca estive tão nervosa na minha vida.
Dentro do vestiário, eu estava em pânico. Minhas mãos tremiam sem parar. Todas nós estávamos tensas, é verdade. Só 20 minutos antes de jogar me disseram contra quem era.
-Mas ninguém me contou contra quem vamos jogar. — eu resmungara a caminho do ginásio.
-Ninguém te falou? — o técnico parecera surpreso — Vamos jogar contra Kaijo.
-KAIJO?!
E naquele momento meu coração pareceu pular do peito e cair direto na calçada.
Todo mundo estaria lá; os meninos de Seirin e os de Kaijo. A arquibancada estava lotada, o ginásio era o da escola de Kasamatsu. Muitas pessoas de Seirin estavam lá, e gritavam orgulhosos o nome da escola.
Faltavam 10 minutos. Eu estava infartando.
-Meninas, venham aqui um segundo. — o técnico, falando muito sério, estava encostado na parede ao lado da porta com os braços cruzados — Tenho uma coisa importante para falar.
Levantamos do banco vagarosamente em silêncio. O pânico no olhar de Kori era evidente. Meus joelhos tremiam feito vara verde.
-Eu só queria dizer que estou muito orgulhoso de todas vocês, — ele sorriu — sei que as oponentes são fortes...
-Fortes? — a voz de Kori tremia — Elas estraçalharam aquele time do oeste. Pelo triplo de pontos.
-Ouvi falar que elas treinam seis dias por semana! — a loira comentou.
-Elas nunca perderam um jogo, se não me engano — a ruiva estava desesperada.
-Ou! — berrei — Vamos deixar o técnico falar?
-Obrigada, Rin. Tenho muito orgulho de ser técnico de meninas que jogam tão bem, e além disso, que são tão lindas, corajosas, fortes, espertas e perseverantes. Lembrem que o importante não é ganhar, e sim competir de forma saudável. Mesmo que percamos, já é uma vitória termos chego tão longe em menos de um ano de time.
Juro que vi uma lágrima escorrendo pelo rosto da loira.
-QUE COMPETIR O CARALHO, A GENTE VAI VENCER ESSA PORRA! — o técnico explodiu, erguendo os braços.
Comemoramos e gritamos, saindo para a quadra. Fomos dando várias corridas no corredor para aquecer as pernas, e principalmente meu tornozelo. Chegamos na quadra faltando 10 minutos para o jogo começar. A tremedeira estava passando, transformando-se em uma ansiedade incontrolável. Ouvi gente chamando meu nome; eram os meninos acenando para nós. Acenei de volta, caminhando até nosso banco e tirando o casaco branco.
Pelo visto, o outro time ainda não tinha chegado. Fomos para metade da quadra treinar uns arremessos e planejar o ataque, quando as outras meninas chegaram. Elas estavam todas muito sérias, e eu conseguia sentir a concentração delas de longe. Elas nos olharam com os olhos semicerrados e cochicharam alguma coisa. Meus nervos estavam pulando.
-Meninas, venham aqui, rápido!
Corremos até o técnico. Ele passou as últimas instruções que precisava, deu um beijo na testa de cada uma e nos desejou boa sorte e um bom jogo. Fomos para o centro da quadra quando o juiz apitou. Cumprimentei a capitã do outro time, uma morena alta. Ela me olhou de cima a baixo sem muita empolgação. Pelo visto, elas estavam sérias.
Karin foi disputar a bola. O juiz apitou, ela saltou.
A loira empurrou a bola nas mãos de Aki, que estava perto de mim. A ruiva pegou a bola e desviou de uma outra garota que vinha. Corri, tentando abrir espaço, e no segundo seguinte a bola não estava mais nas mãos de Aki.
-Você só pode ESTAR BRINCANDO COMIGO! — ela berrou, enquanto virava e corria atrás da garota que roubou a bola dela.
-Direita! — gritei para Kori, que estava parada de braços abertos na frente da cesta. Como eu pensei, a garota que estava com a bola fingiu arremessar e passou para a menina da direita. Yuko não conseguiu defender a tempo. A bola pingou no aro uma vez e entrou.
-Malditas. — murmurei comigo mesma — ACALMEM-SE, MENINAS. VAMOS VIRAR ESSE JOGO — falei, enquanto pegava a bola do chão e lançava para a loira.
_________
Estava difícil; mais difícil do que eu pensei que seria. Nós nos atacávamos sem parar, nenhuma de nós conseguia ficar parada no lugar por mais de cinco segundos. A troca de passes era intensa. Kori foi substituída por Hira, porque ela era ótima em interceptar passes, e estava realmente fazendo a diferença no nosso time. O jogo estava 16 a 15 para elas na metade do primeiro quarto. O nível do time delas era maior que o nosso, pelo menos isso eu reconhecia. Mas elas não pareciam empolgadas, não tanto quanto nós. Se existe uma coisa que nunca aconteceria seria ver o time de basquete feminino de Seirin desistir no meio de uma partida. Isso, elas veriam, seria impossível.
Consegui fazer uma cesta de três pontos não sei como, a marcação delas era muito forte e elas mal deixavam nós nos mexermos em quadra. Parecia que o time de Kasamatsu estava torcendo para nós, e o time de Seirin gritava loucamente na arquibancada, Kagami principalmente. O ruivo parecia muito estressado e nervoso, por isso eu nem olhava para ele. Conseguia espiar Kasamatsu de vez em quando, e isso me fazia ter explosões de ânimo e força de vontade.
O sinal do primeiro quarto tocou. Eu suava muito, o cabelo da minha nuca estava encharcado e eu sentia gotas de suor escorrendo pelas minhas costas. Fomos até o banco, eu me joguei e matei uma garrafa de água sozinha. Todas parecíamos cansadas e frustradas; nunca tínhamos jogado tão apertadas antes.
-Vocês estão bem, estão bem! — o técnico dizia, enquanto virava papéis na prancheta — Fiquem em cima da capitã, ela está fazendo muitos pontos sozinha. Aquela de trança não maneja muito bem a bola, então Hira, você vai atrás dela. Tente arremessar mais, Yuko, sei que você é boa. Rin, está fazendo um ótimo trabalho.
-Não é o suficiente. — resmunguei — Mas tenho uma ideia. É arriscada, mas pode funcionar.
Contei o plano para as meninas, e elas concordaram na hora.
O sinal tocou de novo, e voltamos para a quadra. A bola começou com elas. A menina passou para a de tranças e começou a correr quadra adentro. Eu marcava uma garota do meu tamanho, tentando segui-la. Provavelmente, a de tranças passaria para essa perto de mim. Ela desviaria pela esquerda e...
-Pega... QUÊ?
Hira conseguiu encostar a mão na bola, e essa pingou para o lado, caindo nas mãos dela.
-MERDA! DEFESA, DEFESA! — a capitã gritava, correndo para cima de nós.
Aki chegava pela direita e eu pela esquerda, tentando bloquear o avanço de outras duas garotas. Hira corria praticamente sozinha, chegando mais perto da cesta. A garota que eu bloqueava conseguiu passar por mim e avançou para Hira. Corri paralelamente a ela. A garota chegava perto da de cabelos claros. Hira sabia que não conseguia arremessar direito, então, no último segundo antes de quase perder a bola, jogou a bola para mim. Pulei para enterrar, ouvindo o grito furioso da capitã do outro time, que agora pulava junto comigo. Ela bateu no meu corpo, e o apito soou.
-Falta, número 4 rosa! — o juíz gritou.
Caímos no chão ao mesmo tempo. A garota olhou para mim, possessa.
-Você planejou isso. — o veneno na voz dela era explícito.
-Eu? — ri — Eu não, não sou esse tipo de garota.
Sorrindo para ela, peguei a bola no chão. Ganhamos dois lances livres pela falta.
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20 a 17 para Seirin.
A capitã do outro time já tinha três faltas, como o esperado daquela brutamontes. Ela já tinha sacado o nosso plano, mas mesmo assim continuava avançando com tudo para cima de nós.
Estávamos no controle do jogo por enquanto. Eu me sentia morta, nunca tinha me esforçado tanto assim na vida. O jogo estava difícil, elas não deixavam um milímetro da quadra livre, não podíamos nos movimentar do jeito que queríamos, mas elas também não. Nossa defesa estava melhor que nunca.
Eu era a única do meu time com uma falta, por causa de um lance que deu errado e eu acidentalmente joguei a menina no chão. Uma pena ela não ter se machucado e ter sido substituída, mas fazer o que? Não dá pra ganhar sempre.
Naquele momento, eu estava com a bola e corria pelo meio da quadra, tentando driblar uma morena altona. Joguei a bola para Aki, ela correu mais um pouco e ameaçou jogar para frente enquanto eu me desvencilhava da garota que tentava me bloquear. Pingando a bola no chão, a ruiva lançou-a para mim, mas os braços compridos da jogadora do outro time alcançaram a bola primeiro. Ela parou e se posicionou para lançar, e eu pulei junto com ela. No segundo depois, o apito soou.
-Ahn? Que aconteceu? — perguntei, olhando ao redor.
-Falta, número 4, branco!
-Parece que você segurou meu braço, baixinha.
-Que? Eu não... Ah, não, sério, vocês não...
-Nós? — a garota riu — Nós não somos esse tipo de garota. — e correu para pegar a bola.
-Maldita...
Alguma coisa dentro de mim cresceu descontroladamente. Era como se eu precisasse provar pra elas que nós éramos melhores, nós precisávamos vencer para que eu pudesse esfregar na cara delas...
-Reunião, rápido! — gritei, e todas chegaram perto — Fiquem de olho nessas daí, elas sacaram nosso plano e estão tentando executar na gente.
-Tá zoando — Yuko estava inconformada, passando a mão no rabo-de-cavalo.
-Não, não estou. E, pelo visto, elas estão de olho em mim... Aquela outra falta estava nos planos delas. Fiquem espertas, meninas, e vamos chutar a bunda delas logo.
-Estou ficando cansada desse joguinho idiota. Vamos ficar sérias de verdade — Karin, virada para nós, falou em alto e bom tom para que todos na quadra pudessem ouvir.
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42 a 42. Dois minutos para o final do terceiro quarto.
Eu estava com a bola. Duas garotas de rosa estavam em cima de mim, e eu não tinha muito o que fazer. Recuei, lançando a bola para Hira, que conseguiu se afastar da garota que a marcava. Ela tentou arremessar, mas a bola bateu no aro e voou para o lado.
-REBOTE! – gritei, correndo para baixo da cesta.
A bola foi caindo, caindo, até que eu, Karin e mais uma garota de rosa pulamos para pegá-la. Os braços compridos da loira pegaram a bola primeiro, e ela já aproveitou e enterrou com força.
Caí no chão, sentindo alguma coisa arder no meu braço. Olhei. Quatro linhas finas e vermelhas iam desde o ombro até o cotovelo, e pinicavam minha pele. Mas... Quando eu me machuquei? Não lembrava de ter feito isso. Ignorei, voltando a atenção para as jogadoras de Kaijo, que agora corriam para o meio da quadra.
Colocando a mão na frente da jogadora, consegui roubar a bola. Corri até o meio da quadra e lancei a bola. Eu estava no ar quando a capitã do outro time pulou também, tentando bloquear. Quando a bola saiu da minha mão, senti uma dor absurda na coxa direita. Felizmente a bola entrou, causando gritos e uivos da arquibancada. Pousei, cambaleando, e tive que apoiar o joelho no chão para não tombar.
-Capitã! Você está bem? – Aki perguntou ao longe. Acenei, dizendo que sim.
Agora, o que diabos aconteceu?
Um roxo grande começava a se formar na parte de trás da minha perna.
-Tsc, tsc, isso parece estar doendo – a capitã do outro time resmungou, sorrindo maleficamente.
-Maldita...
-O que? – ela riu – Eu não sou esse tipo de garota, querida. – e foi embora.
Então, basicamente, o terceiro quarto acabou com eu tendo um arranhão no braço, dois roxos nas pernas e tomado um pisão no pé. Eu estava realmente puta, mas não queria desconcentrar as outras meninas com meus problemas.
-Estamos bem, garotas. Basta seguir esse ritmo – o técnico distribuiu água – Descansem um pouco agora.
Sentei ao lado de Kori, que estava no banco, e joguei água na nuca. Tratei de recuperar o fôlego e esquecer a dor.
-Rin – a baixinha chamou.
-Que?
-Eu vi o que elas estão fazendo com você.
Virei rapidamente o rosto, encarando os olhos dela.
-Quê?
-Eu vi que elas estão te machucando – e olhou para o meu braço.
-Não há nada com o que se preocupar; elas vão ficar com cara de idiota quando ganharmos.
-Rin...
-Só não conte a ninguém. – implorei – Não quero ver ninguém preocupado por alguma coisa besta dessa. Temos que nos concentrar mais que nunca agora no quarto quarto, entendeu?
-S-Sim, desculpe.
-Eu gostaria de ficar um pouco no banco agora, se não for incômodo – Hira falou.
-Que? Mas você está jogando tão bem! – o técnico ficou meio desesperado.
-Eu sei, mas... Meu pulso está doendo muito. – ela massageava o pulso direito com a outra mão – Eu mal consigo dobrá-lo.
-Deixe-me ver – o técnico pegou a mão de Hira e analisou – Merda. Kori, comece a se aquecer, você vai entrar.
-Ok.
-É sério? – perguntei, chegando perto.
-Não muito, acho que só está um pouco inflamado. Hira, coloque a mão num balde de gelo por enquanto, na metade desse quarto você vai entrar. Ei, Rin, pegue aquele spray. O azul.
Hira foi se tratar enquanto eu e o resto do time conversávamos e bolávamos alguma coisa para fazer.
-Se a coisa ficar muito apertada, eu dou o sinal – falei, olhando para a capitã do outro time.
-“O” sinal?! – Karin ficou surpresa.
-Sim. Elas vão sacar rápido, talvez só dê para fazer umas quatro, cinco vezes, então Karin, Aki, fiquem espertas e não tirem os olhos de mim. Yuko, você também. Kori fica na retaguarda caso alguma coisa dê errado.
Eu estava puta, e determinada a fazer aquelas malditas pagarem. O sinal tocou.
-Vamos lá, Seirin! – gritamos enquanto entrávamos na quadra.
Logo quando o jogo recomeçou, a capitã de Kaijo veio me marcar. Ela ficava muito em cima. Quando Kori me passou uma bola na esperança de eu arremessar, a capitã bateu na bola com força. Eu não a teria perdido se ela não tivesse empurrado meu dedo para baixo. Juro que até ouvi alguma coisa estalando, e a dor subiu para o meu braço e pulso.
-Sua filha da... – comecei, mas ela já não estava do meu lado, e sim pulando para arremessar a bola.
-REBOTE!
Aki pulou, mas duas garotas de rosa a atrapalharam e conseguiram fazer a cesta.
-CALMA, TIME! – o técnico gritou do banco – NÃO FIQUEM NERVOSAS!
-VOCÊ FALA COMO SE FOSSE FÁCIL! — Kori lançou a bola em minhas mãos com certa força, fazendo meu dedo latejar. Corremos pela quadra. Agora que tínhamos a vantagem, mesmo que só por dois pontos, não podíamos deixar elas virarem.
-Cuidado, Rin! – Karin gritou, advertindo-me da garota que vinha correndo com os braços estendidos.
-Não vou deixar você passar! – ela gritou, e esticou a mão para pegar a bola.
-SAIA DA MINHA FRENTE! – exclamei enquanto driblava e jogava a bola nas mãos de Yuko, que estava parada bem na frente da cesta.
A baixinha flexionou os joelhos, ajeitou os cotovelos e se preparou para lançar.
-Vai, amor! – gritou Kori.
A bola saiu das mãos da baixinha, mas infelizmente a capitã saltou por trás dela e jogou a bola para a lateral.
-Não nos subestimem, Seirin! – a capitã estava possessa. O ar ao redor dela até ficou mais pesado, e a concentração deixava minha cabeça rodando.
A pressão na quadra era intensa. Tudo parecia rolar em alta velocidade, e não dava pra parar de correr nem por um segundo. Minhas pernas doíam por causa dos machucados feitos pelas vadias de rosa, e eu não conseguia manejar a bola direito por causa do dedo doendo.
A bola saiu de quadra, e foi anunciada uma substituição de Seirin. Kori saiu e Hira entrou de novo, com fitas em torno do pulso. Ela parecia bem revoltada, deveria ser porque estávamos perdendo por três pontos (55 a 52).
Logo que Hira entrou, a atmosfera da quadra mudou. Nosso time parecia mais relaxado e confiante, agora que a especialista em interceptar passes tinha entrado. Basicamente, era agora ou nunca.
Eu tinha três faltas, e a capitã do outro time também. Aki e Yuko tinham uma. Aquelas garotas estavam fazendo o máximo para me tirar do jogo, mas eu não podia reclamar, pois essa também era nossa estratégia. Só que nós não jogávamos tão sujo assim, isso eu podia falar.
Faltavam cinco minutos para o final do jogo, Kaijo estava na liderança com 60 pontos, e nós bem atrás com 58. Hira, que tinha conseguido pegar um passe, passava a bola para a ruiva, que agora corria a toda velocidade pela quadra. Uma garota de rosa surgiu na frente ela, e a ruiva passou a bola para Yuko, que lançou, apesar de nem sempre acertar. Eu e Karin estávamos em baixo da cesta com a capitã e mais outra, esperando.
A bola bateu na tabela e quicou no aro duas vezes, por fim caindo.
-REBOTE!! – o banco gritou.
Eu e Karin pulamos um pouco antes para tentar pegar a bola. Devo ter saído uns dez centímetros do chão antes de sentir alguma coisa me puxando com força, minha cabeça indo para trás e eu perdendo totalmente o equilíbrio. O apito soou, e eu caí no chão, batendo as costas com força.
-RIN! – a quadra e a arquibancada gritaram.
-Falta, número 4, rosa! – o juiz falou.
Aquela filha da puta da capitã tinha puxado meu cabelo!
A bola parou do meu lado, ainda quicando perto de mim. Peguei-a, levantando do chão, olhando a morena no fundo dos olhos.
-Opa, desculpa, não minha intenção, meus dedos ficaram...
-Você quer brigar? – larguei a bola, que quicou para longe, e abri bem os braços.
-Que? – ela pareceu confusa.
-EU PERGUNTEI SE VOCÊ QUER BRIGAR, VAGABUNDA! QUER APANHAR? PODE VIR! VOU ACABAR COM ESSA SUA RAÇA DE MERDA, SUA FILHA DA PUTA! – meu grito ecoou pelo ginásio inteiro, que estava em um silêncio mortal.
-Acabar com a minha raça? – ela gargalhou – Você só pode estar brincando.
Antes de pensar no que estava fazendo, minhas pernas me jogaram para frente, minha mão já estava fechada e tudo o que passava na minha cabeça era ver aquela menina derramar sangue. Eu não via nada, somente vermelho.
-RIN, NÃO! – alguém gritou.
Minha mão acertou alguma coisa, mas não foi a cara dela. Pisquei algumas vezes, até que pude ver. Era a garota que cabelos e olhos claros, parada na minha frente, protegendo o rosto com os braços. Minha mão jazia no braço dela.
-Ai – ela resmungou baixinho, e abaixou os braços.
-Hira – eu estava sem fôlego – Hira, me desculpe, eu não queria...
-Está tudo bem, capitã. – ela sorriu, fazendo com que várias gotas de suor escorressem pelo seu rosto – Trate de acabar com ela jogando basquete, e não na base da violência, tá?
A capitã do outro time estava petrificada no lugar, com os olhos arregalados e a boca aberta.
-Sua... Sua louca – alguém de rosa falou, tentando vir para cima de mim. Karin entrou na frente.
-Vocês querem brigar de verdade? – a loira estava séria.
-QUAL O SEU PROBLEMA?! – Aki chegou perto de mim e agarrou meus ombros com força – Tá querendo ser expulsa?! – ela me chacoalhou um pouco – RECOMPONHA-SE, RIN!
-E-Eu...
-Chega! – a ruiva me largou e parou no meio de todo mundo – Vamos continuar essa merda de jogo! Mas vou logo avisando – ela apontou para a número quatro – Não vou mais engolir suas gracinhas. Se quiser brigar com alguém, a gente se resolve lá fora. Aqui dentro, vamos jogar. SEIRIN, VAMOS ACABAR COM ELAS DE UMA VEZ!
Desse jeito, voltamos a jogar. Eu estava mais puta do que nunca, e o time também parecia enfurecido. Kaijo parecia relutante agora, não vinham com tudo para cima de nós. A capitã do outro time estava com quatro faltas, por isso estava sendo mais cuidadosa. Mesmo assim, estávamos perdendo por uma diferença de dez pontos, elas com 77, nós com 67.
“Está na hora”, pensei. A bola estava comigo. Faltavam menos de três minutos para acabar o jogo.
Estalei os dedos uma vez, e todas sacaram o que tínhamos que fazer. O Plano B só funcionava com Karin e Aki, as mais altas, e eu e Yuko, as mais baixas. Hira ficaria pronta para o caso de a jogada dar errado.
Corri até o meio da quadra, quando uma jogadora de rosa apareceu na minha frente com os braços abertos.
-Não vou deixar você passar.
-Então venha.
Com o canto do olho, vi que Aki já corria na minha direção. Sendo assim, dei um passo para trás e flexionei os joelhos. Posicionei a bola acima da cabeça, na posição de arremesso. Pulei, e a garota pulou também, esticando bem o braço. Lancei a bola.
-M-Mas... O-O que foi isso?! – a garota gritou enquanto a bola entrava na cesta de forma perfeita.
-Plano B – ri, e saí andando.
Como o planejado, só deu para fazer cinco vezes, antes que elas descobrissem o segredo por trás da jogada. Na verdade, era muito simples. Eu ou Yuko ficamos na posição de arremesso e saltamos, fazendo com que a adversária salte também para bloquear. Ao invés de lançar para frente, lançamos para cima e para trás rapidamente, assim parece que a bola sumiu. Aki ou Karin, sendo altas, vêm por trás e pulam mais alto, já que nessa hora estaríamos caindo, já pegando a bola em pleno ar e lançando para a cesta.
Quando elas descobriram o segredo, passaram a marcar a loira e a ruiva mais intensamente. Desse jeito, estávamos empatadas com 82 a 82, faltando menos de um minuto para acabar o jogo, precisamente cerca de 23 segundos.
-VAMOS, FALTA POUCO! – gritei, incentivando o time.
Da quadra, consegui ouvir uma voz rouca gritando da arquibancada:
-VAMOS SEIRIN! – era Kagami gritando a pelos pulmões.
-VAI SEIRIN!
-SEIRIN!
-KAIJO! VAMOS KAIJO!
A plateia toda começou a gritar, disputando qual torcida gritava mais alto. Pude ver que todos os meninos do time de Kaijo gritavam loucamente o nome da minha escola, e isso me fez querer vencer ainda mais.
Hira lançou a bola para mim, e antes que uma garota de rosa conseguisse chegar perto, lancei a bola, que entrou meio torta.
-Vamos devolver, Kaijo! – a capitã berrou, desviando de Yuko e passando para uma garota perto da cesta.
-DEFESA! – o banco gritou.
Karin estava a postos bloqueando a garota, mas ela conseguiu arremessar e fez uma ponte aérea com outra garota alta. Merda.
-NÃO DESISTAM, MENINAS! – o técnico estava eufórico.
A bola saiu. Eram os cinco segundos finais do jogo, precisávamos marcar.
-Bola do rosa! – o juiz falou, entregando a bola. Apitou.
A menina jogou a bola nas mãos da amiga, que tentou jogar para outra, mas Hira conseguiu pegar em pleno ar, e começou a correr. Todas acompanharam.
-DEFESA, DEFESA!!! – o banco do outro time gritava com força total.
Hira foi cercada por duas garotas, e ficou sem saída. Ela olhou para mim, então corri como se minha vida dependesse disso.
Ela lançou a bola na minha direção. Eu planejava mandar para Karin, que estava mais perto da cesta e podia enterrar. A bola veio em câmera lenta, meio torta, meio fora do trajeto, longe da minha mão, mas nada que eu não pudesse alcançar. Estiquei-me o máximo que pude, dando alguns passos.
Foi quando meu pé voou para frente, e eu caí sentada no chão que nem uma idiota. Era uma poça de suor, na qual eu tinha escorregado. Naquele momento, meu coração pareceu pesar vinte quilos.
A capitã de rosa pegou a bola e virou para a cesta.
Três segundos.
Ela flexionou os joelhos e lançou com toda a força que podia.
Dois segundos.
A bola girava de um jeito horrível, parecia uma pedra voando. Eu ainda estava sentada.
-ERRA, ERRAAA! – todas nós gritamos.
-ENTRA, POR FAVOR! – as outras gritaram. A arquibancada estava em completo silêncio.
-ERRA!!!!
-ENTRA!!!!
A bola foi girando, girando, girando, pelo o que pareceu uma eternidade. O sangue tinha congelado nas minhas veias, a pressão na quadra me fazia quase desmaiar.
“Erra, por favor, erra. Por favor. Não entra, não entra”, eu pensava.
O silêncio perfurava os tímpanos de todos. A bola foi caindo, e passou direto pela cesta ao mesmo tempo em que o sinal de fim de jogo soou no ar.
O ginásio inteiro permaneceu em silêncio pelos três segundos seguintes, até explodir em gritos, tanto de raiva quanto de felicidade.
Eu estava incrédula. Meu Deus, era minha culpa. Era minha culpa. A gente perdeu por minha culpa. Kishirime Rin, você fodeu com tudo no momento que decidiu jogar a final.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu bati o punho com força no chão. As meninas estavam inconsoláveis, lágrimas escorriam do rosto de Karin e Yuko, Aki estava com os olhos úmidos e Hira parecia uma estátua.
-MERDAAAAA! – gritei com toda a força que me restava.
Minhas pernas estavam me matando, assim como minhas costas, que latejavam desde quando caí no chão. Algumas poucas lágrimas escorreram, enquanto ouvia os gritos de comemoração das meninas de Kaijo. Tentei levantar, mas minhas coxas estavam duras. Aki apareceu, com o rosto sério.
-Você está bem? – ela perguntou, estendendo a mão para mim – Vamos, não fique no chão. Ainda nos resta um pouco de orgulho afinal.
Peguei a mão dela e me deixei ser puxada para cima. Cambaleei um pouco, mas consegui ficar de pé. Kori tinha vindo correndo do banco para consolar a namorada, mas chorava também. O técnico estava em choque.
-Não chorem, garotas! – pedi, engolindo as próprias lágrimas – Vamos voltar com orgulho! Estamos entre os cinco melhores times femininos de basquete de todo o Japão, não há porque chorar agora! Limpem esses rostos e ergam as cabeças! – gritei.
Todas tentaram engolir o choro, mas os rostos ainda estavam úmidos. Fomos até o meio da quadra.
-Obrigada pelo jogo! – todas gritamos.
-Senpai – ouvi antes de sair para o vestiário. Era a capitã do outro time.
-O que você quer?
-Vocês jogaram muito bem, vocês poderiam ter vencido.
-Mas não vencemos.
-Por causa de um fator externo. Escute, só queria pedir desculpas.
-Não quero suas desculpas. Quero uma revanche. – eu já estava borbulhando de raiva – No Inverno. Preparem-se, pois vocês vão tomar uma surra fodida.
-Estaremos esperando. – ela sorriu, e foi embora.
-Segundanista filha da puta... – murmurei comigo mesma, pegando minha bolsa e indo para o vestiário.
O clima estava péssimo. Nenhuma de nós falava nada, o silêncio era a pior punição que eu poderia receber por ter falhado. Joguei-me no banco, massageando as pernas. O técnico entrou logo atrás e fechou a porta. Meus olhos começaram a ficar embaçados de novo.
-Meninas, eu... – comecei.
-Não. Não faça isso, Rin – Hira implorou, sentada num canto limpando as lágrimas.
-Eu falhei com vocês. No momento que vocês mais precisavam de mim, eu falhei. Espero que algum dia vocês possam me perdoar – eu mal conseguia manter a cabeça erguida – Espero que vocês ainda me aceitem como capitã, a culpa foi toda minha...
-CALE A SUA BOCA! – Aki gritou e bateu na minha cara. Fiquei meio desorientada.
-Aki! – o resto das meninas gritou.
-Escute aqui – a ruiva pegou a parte da frente do meu uniforme – Sua idiota. Não é culpa sua. Não é culpa de ninguém. Se for pra culpar alguém, culpe a maldita daquela capitã que te machucou. Culpe a poça. Por favor, só não culpe a si mesma. Você fez tudo o que era possível, Rin, você é a melhor capitã que poderíamos ter! Não se diminua desse jeito, ou vou te dar uma surra! Agora, quero ver sorrisos nesses rostos quando voltarmos para pegar nossas medalhas, entendido?! – a ruiva estava furiosa.
-A-Aki... – eu estava besta.
-ENTENDIDO?! – ela berrou mais alto.
-Sim!
Com certeza Aki daria uma bela capitã. Ela não mete tanto medo quanto eu, mas com certeza está pronta para o cargo.
Colocamos nossos casacos e deixei que o técnico desse uma olhada nos meus machucados. Ele disse que não era nada muito grave, somente o dedo, que poderia estar luchado. Apressamo-nos e voltamos para a quadra para pegar nossas medalhas.
-E terceiro lugar, a escola que domina as quadras no masculino, e que certamente deixa os adversários com problemas no feminino! De Kyoto, Rakuzan!
A plateia bateu as palmas enquanto as meninas de uniforme branco subiam o último degrau do pódio, acenando para todos. Uma moça passou colocando uma medalha de bronze no pescoço de cada uma delas, e deu um buquê de flores para o técnico delas.
-Em segundo lugar, o time formado esse ano, com o ataque mais forte de todo o torneio! De Tokyo, Seirin!
Subimos o degrau com um sorriso no rosto, comemorando nossa posição. Os meninos da arquibancada urravam e aplaudiam loucamente, acenando para nós com grandes sorrisos nos rostos. Ganhamos nossas medalhas brilhantes, e juro que vi o técnico derramar uma ou duas lágrimas enquanto recebia o buquê, mas fez cara de sério quando olhei para ele para ter certeza.
-E em primeiro lugar, o time que tanto no masculino quanto no feminino coloca os outros times para correr! Com a defesa mais forte da competição, de Kanagawa, Kaijo!
A plateia explodiu em gritos e aplausos, e as meninas de rosa comemoravam e gritavam de alegria. Eu não sou exatamente uma má perdedora, mas o que eu mais queria fazer agora era colocar o pé para a capitã delas cair de cara no chão. Tentando evitar tal constrangimento, resolvi controlar os impulsos.
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Quase todo mundo já tinha saído do ginásio quando saímos do vestiário, depois de ouvir o discurso motivacional de vinte minutos do técnico. Somente uma dúzia de pessoas estava na porta, e essa dúzia de pessoas eram os meninos.
Eles conversavam animadamente e não tinham percebido que estávamos chegando até que eu dei uma tossida e todo mundo olhou. Um segundo depois, eles explodiram e começaram a falar todos ao mesmo tempo. Eles pularam ao nosso redor, abraçando, parabenizando. Todo mundo estava lá, menos ele. Porque Kasamatsu não estava com eles?
Antes de me tocar, eu já estava em pleno ar, a mais de dois metros do chão. Kagami tinha me posto em seus ombros. Izuki tinha levantado Aki, Karin estava em cima de Moriyama, Kori e Yuko estavam de mãos dadas, em cima de Koganei e Hayakawa. Todos gritavam e comemoravam, Kise até me deu uma caixa de chocolates, dizendo “Ah, pode ficar, Rin-chan, minhas fãs me mandaram, mas eu acho que você merece mais”.
-Vamos fazer uma festa! Temos que fazer uma festa! – Riko comemorava.
-Pode ser na minha casa! – Kise sorriu – Meus pais vão viajar amanhã!
-Festaaaa, adoro festas! – Koga já pulava de emoção, comentando com Hayakawa o quanto ia ser legal.
-Só se o Kise arranjar umas amigas gatas pra levar! – Kagami comentava.
-Rin-san, meus parabéns – Kuroko falou baixinho lá do chão, erguendo o polegar.
-Obrigada, Kuroko-kun! Ei, ei, alguém viu o Kasamatsu-kun? – olhei ao redor, mas não havia nenhum sinal dele.
Passamos pela grande porta, nós ainda em cima dos rapazes. Todos da rua nos olhavam meio estranho, outros até vieram cumprimentar.
-Kagami! Kagami! Deixe-me descer! – implorei ao ver Yukio-kun encostado num muro, com os braços cruzados e um meio sorriso no rosto.
Consegui descer e corri até o capitão, pulando nos braços dele.
-Antes de qualquer coisa... – ele me afastou um pouco para olhar nos meus olhos – O que diabos deu em você para tentar bater naquela menina?! Você ficou louca? – ele parecia incrédulo.
-Ah, ela ficou me provocando o jogo inteiro...
-O que é isso? – ele pegou meu braço cuidadosamente, analisando as linhas vermelhas.
-É por isso que eu queria bater nela – ri um pouquinho.
-Nesse caso, eu deixo. – e sorriu – Segunda coisa: essa deve ter sido uma das melhores partidas que eu vi em muito tempo. Vocês e todas as meninas estão de parabéns, de verdade.
-Obrigada – senti minhas bochechas queimarem.
-Deixa eu perguntar... Desde quando a Aki-chan e o Izuki-san estão juntos? – ele olhou para trás de mim.
-Eles não estão juntos – virei também, meio confusa. Fiquei ainda mais idiota ao ver a ruiva sendo engolida pelo moreno olhos de águia de Seirin – Ah, bom... Não sei. Parece que o Moriyama-san também está bem animadinho.
-Eu também estou bem animadinho, mas a garota com quem eu to saindo não dá a mínima pra mim.
-Seu idiota...
Agarrei o rosto dele e grudei nossas bocas, sorrindo entre os beijos.
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Eu e Yukio entramos no quarto e fechamos a porta atrás de nós. Sentei na cadeira. Mesmo depois de tanto tempo, eu ainda não estava acostumada com o cheiro e com o barulho das maquinas daquele quarto do hospital.
-E aí, pai.
Como sempre, ele não respondeu.
-Vamos ver o que aconteceu de bom esses dias. Primeiro, desculpe por não ter vindo, eu estive muito ocupada desde que a mamãe morreu. To trabalhando que nem uma mula. Trouxe o Yukio-kun hoje.
-Olá, senhor Kishirime. – Kasamatsu disse animadamente.
-Bom, pelo menos consegui ganhar meia bolsa na escola por causa das boas notas, se não fossem os amigos do Yukio-kun eu nunca teria conseguido.
-Eu ainda não acredito que um idiota como o Kise vai tão bem em Matemática.
-Incrível, né? – comentei com o moreno – Ele bem que surpreende de vez em quando. – voltei para o meu pai – Hm... Consegui a bolsa, e vi que o dia da final do Interescolar estava chegando. Como eu tinha um dinheirinho extra, pedi pro chefe me liberar a tarde por três dias para eu poder pelo menos treinar um pouco, né?! Ele disse que tudo bem, então eu treinei loucamente para poder jogar na final.
-Deu tudo certo, pelo menos!
-Sim!
-O jogo foi demais, você deveria ter visto, senhor Kishirime. – Yukio olhou para mim – Rin jogou muito, o time todo estava impecável. Elas jogaram com as meninas do meu colégio, que são muito boas também.
-Nossa, juro que tive vontade de espancar aquelas vadias... Ops, foi mal. Aquelas idiotas. Sério, que raiva! Acredita, pai, que elas me encheram de porrada no meio do jogo? Estou com o dedo enfaixado por causa daquela maldita capitã.
Ele respirava pacificamente, com os olhos fechados. Uns fios finos saíam de seu nariz, e a máquina que media os batimentos estava fazendo um barulho estável.
-No último quarto, tive que apelar para o Plano B, sabe?, aquele que te contei. Deu certo, mas elas nos alcançaram de novo. No final, estávamos empatadas, 84 a 84. A pressão era incrível, sério. A garota nova, a Hira, fez um bom trabalho roubando a bola nos últimos cinco segundos. Ela passou para mim, mas eu... Eu... – minha garganta foi se fechando, e a visão ficou turva – Eu deixei a bola escapar, pai. Eu escorreguei numa poça de suor e caí que nem retardada no chão – as lágrimas escorriam loucamente – Eu acho que nunca passei tanta vergonha na minha vida, pai. Sério, se você estivesse lá, eu nunca... – e comecei a soluçar incontrolavelmente.
-Calma, Rin-chan – Yukio pegou na minha mão e a apertou com força.
-Depois que eu escorreguei – consegui falar, ainda soluçando – A capitã do outro time, a mesma vadia que me arranhou e puxou meu cabelo, lançou a bola e conseguiu marcar. Nós perdemos, pai. Não acredito nisso, eu... Eu falhei no momento decisivo, eu sou uma idiota, pai, eu...
Deixei-me cair em cima dele, deixando as lágrimas escorrerem em cima do lençol branco. Yukio-kun apoiou a cabeça no meu ombro, pedindo para que eu não chorasse. Não dava para controlar as lágrimas, eu ainda não tinha superado o fato.
-Juro, pai, se você tivesse ido, você ou a mamãe, eu juro que eu teria...
-Rin-chan, não faça isso – Yukio pediu calmamente, beijando minha bochecha.
Recebi um cafuné na cabeça gentilmente.
-Que merda, hein... Acho que vou ter que te levar pra tomar um sorvete. Assim você se anima? Eh, Rin?
Aquela, definitivamente, não era a voz de Yukio-kun.
Na mesma hora, levantei a cabeça. Papai estava lá, com os olhos abertos, sorrindo levemente com a mão na minha cabeça. Ele riu um pouquinho da expressão que fiz.
-P-Pai!
-Olá.
Joguei-me em cima dele de novo, abraçando-o, enchendo-o de beijos por todo o rosto.
-Você acordou! Você acordou mesmo! Obrigada, obrigada... – eu nem sabia direito o que estava agradecendo.
-Yukio – papai falou enquanto me abraçava – Obrigada por cuidar dela por mim.
-Não tem de quê, senhor Kishirime – pela voz de Yukio, eu percebia que ele estava sorrindo.
Naquele momento, eu nem sabia mais se eu chorava lágrimas de felicidade ou tristeza.
-Mas vou logo avisando: encoste um dedinho no lugar errado da minha filha e você vai acordar respirando por um tubo.
Yukio riu, mas logo depois concordou.
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-Tchau, pai! To saindo!
-Aonde você vai mesmo? – ele apareceu da cozinha e cruzou os braços.
-Eu já disse trinta vezes!
-Diga mais uma só para eu ter certeza.
-Tá... – suspirei – Kise está dando uma festa da “quase vitória” na casa dele em nossa homenagem. São exatamente 7:46 da noite, fazem exatamente 10 minutos que a festa começou. O Kise mora na rua 53. Chegando lá, vamos comemorar. Como vamos sair muito tarde, vou dormir na casa do Kasamatsu-kun e volto amanhã depois do almoço.
-Pensei que você disse que iria dormir na casa da Aki.
-Não, pai, eu disse trinta vezes que iria dormir no Kasamatsu.
-Com dormir... Você deixa subentendido que...
-Pai! – interrompi, sentindo um calor estranho subindo pelas costas – Quer dizer, algum problema? Não sou mais uma garotinha.
-Não, não tem problema nenhum – ele disse ironicamente – Só que se esse garoto ousar meramente encost...
-Não se preocupe, senhor Kishirime – Yukio apareceu atrás de mim simplesmente do nada – Não vou colocar um dedo na sua filha – e sorriu gentilmente – Pode deixar comigo.
-Vamos logo, seus bundões! – Kagami gritou da rua.
-Garoto, estou contando com você! – papai berrou da janela para o ruivo – Se bem que da última vez não funcionou.
-Enfim, estou saindo, tá? – ajeitei a bolsa no ombro.
-Ok, tome cuidado e me ligue se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, mesmo que seja para matar algum menino que... – ele falou isso especificamente olhando para Kasamatsu.
-Sim, sim, pode deixar. Tchau, pai.
Corri e dei um beijo na bochecha dele, saindo em disparada pela porta logo depois.
Então, basicamente a vida tinha voltado ao normal. Eu continuei no emprego porque queria economizar alguma grana, continuava nos treinos de basquete e agora não ia tão bem na escola. Nos fins de semana, dormia na casa de Kasamatsu e ele sempre fazia shows. Dizia que queria comprar alguns jogos novos de videogame, mas no fim usou o dinheiro para me dar um urso de pelúcia gigante. A vida sem mamãe ainda era muito estranha e nova, e papai estava se recuperando aos poucos. No fim, a vida que eu levava não era perfeita, mas era tudo o que eu sempre quis.
Notas finais
PS: estou reparando aqui... Sabiam que no total deram 93 páginas de história? Divididas em 20 capítulos! Omg hahaha beijos!
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