Senhora, minha visão da história (FDR)
1 Parte 1: O Preço
Capítulo 1
Rica aos 25 anos graças a uma herança deixada para si, Aurélia Camargo era uma jovem muito bela, cercada de pretendentes, Aurélia pensava que todos eles apenas se interessavam em sua riqueza, e para cada um de seus pretendentes ela via cada um deles como produtos de um mercado. Aurélia vivia com sua mãe Emília, uma viúva, e Firmina, outra viúva, grande amiga de Emília e que acompanhava Aurélia na sociedade e fazia todos os seus desejos. Junto a família também estavam Lemos, tio e principal tutor de Aurélia, que a ajudava e a aconselhava nos momentos mais difíceis, Lemos também a ajudava a gerenciar a recém ganhada riqueza, e seu irmão Emílio, que já era casado e possuía sua própria família, mas ajudava sua irmã e sua mãe nos tempos de necessidade e as visitava.
Capítulo 2
Em sua casa, Aurélia estava quieta, sentada na única das várias cadeiras de alta qualidade que se encontrava em sua residência que apresentava um dos pés quebrado, com um olhar pensativo para um jarro vazio, os olhos de Aurélia, apesar de estarem para o jarro, pareciam estar atentos a outra coisa, e por perto passava D. Firmina, que, já acostumada com os hábitos de Aurélia, percebeu que algo estava errado, D. Firmina então se sentou ao lado de Aurélia para perguntar o que havia acontecido que a incomodava tanto, Aurélia então responde que finalmente havia decidido se casar e que já tinha escolhido o seu pretendente, mas que estava incerta quanto a sua escolha, D. Firmina para ajudar, conta para Aurélia a história de seu casamento na esperança de incentivar a garota em suas decisões.
Aurélia continuou pensativa, até que durante o almoço, olhou para sua mãe, D. Emília, que já estava de idade e que aparentava estar no fim de seus dias, a perca de seu marido havia abalado ela de uma forma que ela parecia não desejar mais viver, desejo esse que era apenas evitado por causa de seu amor pelos filhos, Aurélia se lembrou do desejo de sua mãe que dizia ser o seu último, que era apenas para que ela se casasse e tivesse uma vida feliz com o homem de sua escola, e que iria adorar estar presente para ver este acontecimento, e naquele momento Aurélia decidiu que iria se casar, levantou-se após o almoço, abraçou sua mãe e dirigiu-se ao seu quarto, onde escreveu uma carta e pediu para que um escravo enviasse ao seu tio, Sr Lemos.
Com a chegada de Sr Lemos, Aurélia foi direto ao assunto e pediu que ele a ajudasse com o seu casamento, e em seguida revelou seu plano. O marido desejado por Aurélia já havia uma pretendente, e essa era Adelaide Amaral, que por vez era apaixonada por outro homem, Dr. Torquato Ribeiro, porém, o pai de Adelaide recusava o romance entre os dois, pois Torquato era pobre e ofereceu uma quantia de trinta contos de réis como dote para que outro jovem se casasse com ela, Aurélia então pediu para que Lemos oferecesse um dote ainda maior para Torquato se casar com Adelaide para deixar livre o outro rapaz, que receberia um dote ainda maior, Lemos não podia dizer quem era a mulher, podia dizer apenas que ela não era velha e nem feia, e que aumentasse o preço da oferta caso o pretendente recusasse.
Esse rapaz era Fernando Seixas, um dos antigos pretendentes de Aurélia, era um rapaz bonito, jovem e carinhoso, havia acabado de chegado de viagem, estava cansado, e não iria poder ir a uma festa a que fora convidado, mas lembrou-se de que na festa iria estar presente Aurélia, a moça que já fora sua paixão até nos momentos de pobreza, e lamenta que ela esteja proibida para ele, Fernando vivia com suas irmãs, e com a pouca herança que havia recebido com a morte da mãe, ele conseguia sustentar um pouco a sua família, mas estava sempre a procura de uma oportunidade melhor.
Capítulo 3
Apresentando-se como Sr. Ramos, Sr. Lemos se encontrou com Fernando para fazer a proposta de Aurélia. Fernando estranha a oferta, pois não sabia quem era a pessoa com quem iria se casar, mas como já estava sem opção, pois Lemos já havia se acertado com o pai de Adelaide, e já havia lhe dado o dinheiro para que convencesse o pai da moça a autorizar a união entre Adelaide e Torquato, Fernando então aceita a proposta. Dias se passaram e Sr Lemos levou Fernando Seixas á casa de Aurélia, Fernando se surpreende ao ver que estava unido novamente a mulher que pensava nunca mais ter outra oportunidade de amar. Seixas logo ao perguntar do passado, mas Aurélia diz que o antigo relacionamento entre os dois era realmente um passado, e que um novo iria surgir naquele dia. E de longe estava Emília já debilitada por causa da idade sentada ao lado de D. Firmina, Emília apesar de não demonstrar, já sabia o que estava prestes a acontecer entre os dois, o único que não estava presente no encontro entre os dois era Emílio, irmão de Aurélia, que não possuía boas relações com Fernando por causa do passado entre os dois, Aurélia havia deixado para contar ao irmão a surpresa apenas quando fosse o convidar para o casamento.
Capítulo 4
Fernando e Aurélia conversavam frequentemente todos os dias, mas nunca sobre amor ou sobre os assuntos do passado, Fernando questionava o amor de Aurélia por ele, até que quando perguntou a Lemos o motivo de ter lhe escolhido como pretendente, Lemos respondeu que foi exatamente por causa do passado entre os dois que ele já havia conhecimento sobre que ele o escolheu. Aurélia e Fernando então se casaram, o casamento foi realizado na presença de poucos e de alguns conhecidos da sociedade, apesar de se sentir um pouco mal ao lembrar-se do acordo financeiro por trás da união entre os dois, Seixas não escondia a felicidade por finalmente estar se casando com sua amada. E por perto, lá estavam D. Emília, com um sorriso no rosto por finalmente ter seu último desejo realizado, Lemos brindando o casamento da sobrinha e D. Firmina feliz pelo momento, e lá no canto estava Emílio, pra baixo pois sabia que algo ruim estava para acontecer.
No final do casamento Aurélia dirigiu-se junto de Seixas ao seu aposento e revelou que tudo o que havia acontecido não era nada mais que um teatro, sendo eles os atores principais, disse então que ele não era nada mais do que uma mercadoria que custou um pouco mais caro, e que ele era apenas um homem vendido.
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