Senhora Não Mais Presidenta
1 Capítulo 1
À Senhora não mais Presidenta.
Hortolândia, 31 de agosto de 2016
Quem aqui escreve é uma dos tantos cidadãos do país, que um dia você governou. Escrevo para dizer um “sinto muito”, mas um “sinto muito” não pelo seu cargo perdido ou pela perda política, não; poupo meus “sinto muito” e o dirijo ao tratamento chulo que lhe empregaram enquanto mulher, e que foi decisivo no desenrolar do seu processo.
Que você tenha algo ilícito para uma presidenta, não nego, não afirmo, nem refuto. O que me é inaceitável é que diante de uma situação de golpe, em que temos que inventar qualquer coisa para tirar a presidenta em exercício, até mesmo o sexo da mesma vire uma desculpa. Por isso, eu sinto muito, primeiramente pela falta de respeito de um homem que um dia foi seu braço direito e que hoje esquenta o traseiro na sua cadeira, também sinto muito pelo nosso país, que além de se assumir injusto e corrupto, também se assumiu machista, mesmo que indiretamente. Mas mais do que isso, eu sinto muito, por, num país em que a função primordial da mulher é ser bela, recatada e do lar, você tenha nascido com a genitália feminina, e eu sinto muito por sentir muito por isso, porque ser mulher não é razão para lamento; mas na sociedade em que nascemos, isso infelizmente é inevitável. Enfim esperemos o dia em que possamos dizer com gosto que somos mulheres e somos capazes, da mesma forma que eles dizem “eu sou homem”.
À Senhora não mais Presidenta,
De uma dos cidadãos deste país.
PS: Quase esqueci: Fora Temer!
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