Sempre por você
1 Lucky -Jason Mraz (Reformado)
Notas iniciais
Pov Annie
A vida da voltas, não acham? Eu sei que sim! Ou pelo menos, acreditar nisso.
Percy e eu fomos criados juntos, estudamos juntos, e nos apaixonamos juntos. Eu sei, temos apenas doze anos, mas eu não sei, algo me puxa para o cérebro de alga dele.
E agora, a empresa de seu pai está se mudando, e com ela, o meu namorado. Isso não é justo! Mas em vão. Eu já tentei de tudo. Implorei, chorei, me atirei no chão (pois é) e no fim, tô me debulhando em lágrimas olhando o sr. Jackson colocar as últimas malas no carro.
Isso é desastroso.
-Annie, não fique assim, já conversamos sobre isso. Cartas, lembra?- disse Percy se virando para mim, e como nas últimas semanas, enxugando minhas lágrimas, que insistiam em cair.
Assenti com a cabeça.
-E se perdemos contato? E se acharmos outras pessoas? Eu não quero te perder cabeça de alga.
-Shhh, nunca mais repita isso, srt. Chase, onde já se viu rogar praga para o relacionamento?-ele disse com um ar brincalhão.
-Haha, muito engraçado. Me escreva, o.k.?- eu pedi.
-Sempre. E eu vou voltar.
QUATRO ANOS DEPOIS
Eu estava arrumando meu quarto. Ele era grande, tinha uma parede branca, uma vermelha e duas azul-piscina. A cama ficava na parede vermelha entre a porta e a sacada.O roupeiro ficava de frente para tal, na parede branca. Ele tava uma bagunça, tinha livros atirados para todos os lados. Revista de arquitetura em todos os cantos e pra vocês terem uma noção EU PERDI MEU NOTEBOOK.
Já o procurei por todos os lados. Em toda a casa, até em baixo do carro, para terem mais uma noção. Só faltava um lugar. Fui até o guarda-roupa e o abri. Procurei entre os vestidos e casacos e o achei. Eu o amava, ele tinha um simbolo beta na tela. LINDO.
Eu o tirei de lá, e observei que ele tava em cima de uma caixa. Não a via faz muito tempo. Deixei o computador de lado e me concentrei na caixa. A grande caixa de papelão. A caixa. Que guardava tudo. Tudo o que tinha acontecido comigo e com ele. A abri. E essa foi a pior coisa que poderia ter feito. Tudo voltou. As emoções, os sorrisos, as lembranças. Uma, em especial, a do nosso primeiro beijo.
–Percy, tem certeza que é uma boa ideia?
–Claro Annie, você tem que parar com esse pavor de bicicleta.
–Mas Percy...
–Vai.
Ele me empurrou e eu comecei a pedalar e estava muito legal. Até que eu não desviei de uma maldita pedra. E caí.
–Annie, Annie, você ta bem? Você se machucou?
–Ai, eu estou bem, só machuquei o rosto.
Ele se ajoelhou ao meu lado, e ele botou a mão onde me machuquei, a mão dele estava quente, e ele estava com um olhar preocupado.
Nossos olhos se encontraram e estávamos chegando mais perto um do outro, até que eles se tocaram. Seus lábios tinham gosto de mar, e nossas línguas estavam muito sincronizadas. Tudo estava perfeito. Ele era perfeito.
Havia mais coisas na caixa. Como a caneca que ele me dera de um mês de namoro, ou aquele ursinho que virou meu na noite em que não conseguia dormir. E o par de fantasias que usamos na festa de halloween da escola. Também tinha o meu diário, nossa, muito tempo longe dele, dá nisso. Mas também tinha as cartas que eu e Percy trocamos durante seis meses, depois, a distância nos possuiu, e nós não trocamos mais nada.
Não percebi antes, mas agora, meu rosto está encharcado. Não que Percy fosse ruim, ou chato, ou até mesmo me constrangesse, longe disso. Mas é que as lembranças são tão boas, que me dão saudades. E essa é a parte ruim. Balancei a cabeça tentando ao máximo retirar esses pensamentos dela.
Desci as escadas e minha mãe começou o sermão de que eu estava demorando muito para acabar a arrumação. Só revirei os olhos enquanto comia uma banana.
-Annabeth, você não tem jeito mesmo, não é?- ela disse suspirando.
-Não.- digo- o que você precisa?
-Que você leve essa sexta para os novos vizinhos.
-Tudo bem, mas saiba que da última vez...
-Eu sei o que soube da última vez. Pobre do pênis do menino. — Minha mãe disse balançando a cabeça tentando ao máximo tirar o pensamento dela.
Eu peguei a cesta, que estava na mesa da cozinha e sai porta a fora. Atravessei o gramado e bati na porta da casa com um pouco mais de um metro de distância da minha. Quando a porta foi aberta, uma figura sem camisa, com cabelos pretos e profundos olhos verdes, comendo uma maçã. Eu o examinei com a boca completamente aberta. Não podia acreditar, e pela expressão em seu rosto, ele pensava a mesma coisa.
Meu ex estava de volta.
Meu primeiro amor estava de volta.
Percy Jackson estava de volta.
Você está brincando, não é?
Fale com o autor