Notas iniciais
Gostaria de agradecer pelos comentários do capítulo anterior, muito obrigada. E sim, o shipper desta fanfic é Bella & Rosalie. Quem não gostar ou não se sentir confortável sugiro que não leia. Aos que ficam, boa leitura.

Outubro 2015

— Vocês duas formam um casal tão bonito. – Disse Anna arrancando sorrisos do restante do grupo.

Não entendo o porquê delas sempre abordarem esse assunto. Ok, que eu e Rose nos aproximamos muito, estamos sempre juntas e gostamos de trocar afeto, mas isso não nos faz um casal.

— Não somos um casal, é apenas amizade. – Respondo irritada finalizando o assunto.

Fevereiro 2016

— “Te aguardo no lugar de sempre” — envio a mensagem com o sorriso no rosto.

Após quase dois meses sem vê-la tendo apenas a constante troca de mensagens como contato, hoje tudo volta ao normal. Minhas mãos estão suadas e só de imaginar ela andando em minha direção sinto uma reviravolta no estômago. Acho que é isso, estou apaixonada por minha melhor amiga.

Dezembro 2016

— É normal estar assim tão nervosa? – questionava a mim mesma. Hoje será a primeira vez que beijo uma menina, o meu primeiro beijo para dizer a verdade. A maioria das pessoas me consideraria uma tola, ainda mais considerando minha idade avançada para tal coisa. Afinal tenho 18 anos e estou nervosa por ir ao cinema com a menina que eu gosto. Tem como ser mais estúpida? E espera, qual é o filme que vamos assistir mesmo?

Agosto 2017

— Ela não aceita Rose, disse que vai embora para a casa da amiga dela e vai me deixar aqui para eu viver da forma que eu achar que devo. – falava desesperada pelo telefone.

Relutei muito antes de contar para minha mãe sobre minha sexualidade e como o esperado a reação dela não foi positiva. Os pais não deviam prezar pela felicidade dos filhos? Era isso que eu pensava até então.

— Amor calma, ela deve estar com raiva e falando da boca pra fora.

A aflição em sua voz era palpável.

— Você não entende não a conhece, ela nunca irá aceitar. – Consegui falar em meio ao choro.

E Renée nunca aceitou, depois que a ideia de ir embora passou ela veio conversar comigo que não queria saber nada sobre isso, que eu não poderia trazer amigas para dormir em casa. Tudo isso para ela era questão de influência e que eu tenho a mente fraca.

Como pode as pessoas nos influenciarem a amar uma outra pessoa?

2018

Renée não mudou de ideia, se eu tentasse tocar no assunto ela simplesmente ignorava. Tirando isso nossa relação continuava a mesma e por mais que ela fosse tão intolerante eu amava minha mãe. Amava muito.

Minha relação com Rose estava a cada dia se tornando mais intensa, depois da nossa ida ao cinema as coisas se tornaram mais carnal, se assim posso dizer. E com isso a vontade de estar junto se intensificou, de forma que ela estava em meus pensamentos desde que eu acordava até a hora de dormir. Sempre ela.

Esse é o impasse da nossa relação, passamos pouco tempo juntas e agora que as aulas acabaram cada uma foi estudar em faculdades diferentes. Já disse que o universo conspira contra a gente? Pois é! Com isso temos de marcar encontros casuais para que possamos matar um pouquinho da saudade, mas logo já adianto, nunca é o suficiente.

Sexo? Meu Deus, posso contar nos medos quantas foram as vezes que tive ela só pra mim. Sempre na casa dela na ausência dos pais. Pois é, o universo conspira contra nós. Porém dentre a tantas dificuldades tudo passa quando estou com ela e o mais engraçado é que eu jamais esperava encontrar nela as razões para todos os dias eu me tornar uma pessoa melhor. Acho que o amor faz isso com a gente.

Julho 2018

— Amor quero formar uma família com você. – Rose fala baixinho em meus braços enquanto observamos o quebrar das ondas.

Esse era um dos nossos lugares preferidos para matarmos um pouco a saudade.

— Filhos também?

— Não, nada de filhos. – com essa resposta virei de forma que eu pudesse ficar de frente para ela e perguntei: — Sério? Sempre imaginei que você quisesse ser mãe.

— Não tenho essa vontade, podemos ser apenas nós duas...

— E um cachorro – falei sorrindo.

Era fácil imaginar nós duas em nossa casa, típica cena de filme americano. Era tudo o eu mais queria.

— Seria perfeito amor, com você tudo é perfeito. – não aguentei e a beijei.

Setembro 2018

Acordei sobressaltada com o barulho de celular tocando e quase soltei um palavrão quando vi a hora: 06:50 da manhã. Quem liga pra alguém esse horário em pleno sábado? Consternada peguei o aparelho praguejando aos quatro ventos.

Espera, era Rosalie!

— Amor? – atendi.

— Ei amor, bom dia. Levanta e se arruma logo, te encontro no parque daqui à uma hora. Não se atrase.

E desligou. D – E – S – L – I – G – O – U na minha cara sem me deixar falar nada. Se eu já estava irritada por ser acordada cedo agora estou mais ainda.

Puta da vida tentei ligar para o celular dela e só caia na caixa postal, tentei mais três vezes sem êxito. Joguei o celular na cama de qualquer jeito e deitei, eu amo aquela mulher, mas tem vezes que da vontade de esganá-la. Fui desperta dos meus pensamentos assassinos com o apito da notificação do celular.

“Amor não fique irritada, por favor. O dia está lindo, estão se arrume que logo estaremos juntas. Te amo”

Sorrindo e mais feliz levantei e fui me arrumar.

[...]

— Já estava achando que você não vinha.

— Como não atender ao pedido de uma pessoa tão linda como você? – respondi sorrindo.

Logo estava em seus braços com seus lábios junto aos meus. Sorri em meio ao beijo.

— O que estamos fazendo aqui tão cedo?

Questionei enquanto caminhávamos pelo parque vazio salvo pelas pessoas que faziam caminhada ou corriam.

— Bom pensei em fazermos um piquenique e curtir um pouco a companhia uma da outra. — Respondeu no meu ouvido mordendo minha orelha no final, logo depois estávamos nos beijando e o piquenique por ora esquecido.

Março 2019 – Presente

— Merda. – praguejei.

Já até perdi as contas de quantas vezes tentei ligar para Rosalie hoje, desde ontem notei que ela estava estranha quando nos encontramos rapidamente. Mas achei que fosse coisas da minha cabeça.

As coisas não estão muito bem entre nós neste último mês, as interferências constantes da minha mãe também não ajuda em nada, só atrapalha. Depois desse tempo todo não sei como ela ainda tem esperanças de para que eu mude de “ideia”. Aff é tudo tão fodido. Tentei mais uma vez e lá estava à caixa postal falando comigo, as mensagens nem ao menos chegavam para ela ficava só com aquele tracinho irritante. Sem saber mais o que fazer voltei ao trabalho.

Sou assistente de um executivo em uma empresa de consultoria financeira, não é muito bem o que quero para minha vida, mas este emprego me paga bem o que me permite ajudar minha mãe e ainda guardar um pouco na poupança.

— Isabella já deu seu horário.

Sobressaltada levantei os olhos da tela do computador e encontro o Sr. Mike me olhando com curiosidade, olho rapidamente no relógio e fico surpresa ao perceber que se passaram mais de 20 minutos do meu horário.

— Estava terminando de conferir os relatórios para a reunião de amanhã com o grupo espanhol e acabei passando do horário.

Explico temendo um sermão, se tem uma coisa que esse velho não gosta é de pagar horas extras, não entendo como uma pessoa tão rica pode ser tão mesquinha.

— E já terminou?

— Sim, já estou desligando o computador para ir.

— Então até amanhã. – E foi embora.

Arrumo minhas coisas tento mais uma vez falar com Rose e a caixa postal me salda, irritada pego minhas coisas e vou embora.

[...]

Chego em casa esgotada após quase duas horas dentro do ônibus lotado, por culpa do trânsito não consegui ir a faculdade, sorte a minha que não teria nada de importante.

— Chegou cedo hoje.

Minha mãe fala enquanto entro na cozinha.

— Não consegui nem ir a aula fique presa no trânsito, parece que tinha alguém tentando se jogar da ponte.

Não entendo como as pessoas podem chegar a esse ponto, tirar a própria vida deve ser um ato de total desespero.

— Nossa que horror, espero que tenham conseguido convencê-lo do contrário.

Apesar de ser meio doida minha mãe tem o coração mole.

Lavo minhas mãos e a ajudo terminar de fazer o jantar aproveitando que ela está em casa. Renée é enfermeira em um grande hospital o que faz com que fiquemos dias sem nos ver por incompatibilidade dos nossos horários. Nesses raros momentos que estamos juntas gosto de aproveitar da companhia dela, pergunto como foi o trabalho e as novidades que ela sempre tem a me contar. E ali passamos horas na mesa, eu mais ouvindo do que falando, sempre assim. Depois que meu pai abandonou a gente quando eu tinha dois anos ela precisou lutar muito para não deixar que nada nos faltasse, na época ela ainda fazia faculdade o que complicou mais ainda as coisas, mas ela nunca desistiu e hoje cá estamos nós.

— Filha já estava me esquecendo, chegou uma carta para você hoje deixei em cima da sua cama. — Uma carta? Quem envia cartas hoje em dia?

Fiquei pensando nisso e lavei as louças o mais rápido que pude para subir logo. Mas, para meu total desespero Renée ainda me chamou para assistir um filme qualquer que passava na TV, assisti agoniada algo me dizia que o conteúdo daquela carta não seria nada bom.

Depois de longas horas subi correndo para meu quarto e logo que entrei avistei o envelope. Não havia remetente apenas um “Para Isabella Swan”, balancei levemente temendo que pudesse ser uma bomba, mas estava leve demais.

Abri com as mãos tremendo e logo nas primeiras linhas desabei. Era isso, por isso não consegui falar com ela o dia todo, por isso ela estava tão estranha ontem.

Rosalie havia me deixado, ela foi embora...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.