Sempre foi Você

1 Capítulo Único - Distancia


Havia sido mais um dia puxado para Ochako, por mais que ela fosse dona da maior agência de resgate de todo o país, odiava ter que lidar com a papelada. Se fosse antigamente provavelmente ela teria preferência em dias menos movimentados como aquele, mas naqueles tempos gostava mais de estar em ação, estava tão acostumada com toda aquela adrenalina que com o passar dos anos era como se tivesse tornado uma necessidade.

As agências de resgate nunca fizeram tanto sucesso assim no mundo dos heróis, mas Uraraka desde seu último ano no colégio esteve estudando e planejando tudo para tornar seu sonho real, teve bastante ajuda do pessoal de Ryukyu — a empresa em que fez estágio durante seu tempo no colégio — e com seu esforço e perseverança, fez acontecer até mais cedo do que planejado, logo conquistando a população e se tornando a melhor.

Após finalmente ter terminado de ler, preencher e assinar todos aqueles papéis, os deixou de lado e debruçou sobre sua grande mesa de madeira, mas logo sua atenção foi roubada pelo seu telefone que vibrava com a foto de seu amigo Izuku, então pegou o celular e atendeu a ligação.

— Deku? — Chamou a voz feminina ao telefone.

— Ochako, você está muito ocupada? — Perguntou Midoriya do outro lado da linha, era possível ouvir várias vozes e barulhos ao fundo.

— Estava atolada com umas papeladas, mas já consegui dar conta. Por que a pergunta? Precisa de alguma coisa? — Questionou a morena se espreguiçando em sua cadeira rotatória e deixando escapar um bocejo, não que estivesse tarde, eram apenas sete da noite, mas estava cansada, desde cedo trabalhando ali nas coisas das quais ela adiou a semana toda, só precisava esticar um pouco as pernas, tomar um bom banho e ir para sua confortável cama.

— Não quero tomar muito do seu tempo, sei que deve estar cansada, mas acabei de saber que o Kacchan está voltando. — Ochako demorou para conseguir reproduzir quaisquer palavras, ao ouvir aquele nome sua mente entrou em pane.

Já faziam três anos desde a última vez que o viu. Bakugou alguns meses após formatura da UA teve que partir para os Estados Unidos para ajudar em uma missão como espião, então não iria poder entrar em contato com nenhum de seus conhecidos. A notícia foi um choque para a controladora de gravidade, no último ano do colégio ambos ficaram próximos como nunca, nem os mesmos sabiam o porquê de gostarem tanto da companhia um do outro, treinavam juntos, estudavam juntos às vezes até mesmo quando não estavam com o grupo de amigos do loiro, havia até raras ocasiões em que os dois saíram para matar as vontades de Ochako de comer algo doce — o que na verdade era apenas mais uma das desculpas da garota para passar mais tempo junto a ele. Mesmo nutrindo sentimentos pelo rapaz nunca teve coragem de se confessar, afinal era o Bakugou, apesar de sua amizade as chances de ser rudemente rejeitada ainda eram extremamente altas, mas para a sua surpresa foi ele quem o fez, foi a boca dele que proferiu as palavras "Eu gosto de você".

A memória daquela noite ainda era fresca em sua mente, como se fosse a cena de seu filme favorito que gosta de reassistir todos os fins de semana antes de dormir.

Naquela noite ela usava um vestido longo, numa tonalidade de um rosa claro levemente alaranjado, como um pêssego, ela estava deslumbrante, nunca na vida havia se sentido tão bela quanto se sentira na noite de sua formatura.

Se sentia um tanto deslocada, todos os seus amigos estavam acompanhados e ela sequer tinha um par para a dança, não que se importasse muito com isso, não era uma boa dançarina de qualquer forma, só estava entediada, não via a hora de que a pista fosse aberta para que pudessem dançar músicas agitadas em grupos.

— Oe, Cara Redonda — ouviu a voz familiar de Bakugou a chamar.

— Katsuki, o que foi? — Perguntou Ochako ao virar-se para o rapaz.

— Você não vai dançar igual a esses idiotas? — Deu um sorriso presunçoso para os outros colegas de turma.

— Você não me convidou — respondeu brincalhona, mas havia um fundo de verdade em suas palavras, não que ela estivesse a fim de dançar, mas queria que de alguma forma ele prestasse mais atenção nela naquela noite.

O loiro olhou para Uraraka com uma sobrancelha arqueada, como se perguntasse se o que ela disse era sério, então antes mesmo que ele pudesse responder algo ela continuou a falar.

— Eu estava brincando, na verdade nem sei dançar mesmo — ela ria sem graça.

— E eu tenho cara de quem sabe? — Bakugou disse estendendo sua mão para Ochako.

Uraraka não pode evitar de sorrir para o garoto com aquela ação, segurou em sua mão e caminharam juntos mais próximos da pista. Mesmo um pouco desajeitada, Ochako conseguiu acompanhar Katsuki na valsa.

— E não é que você sabe mesmo. — A morena soltou um leve riso nasal e repousou seu rosto no peito de Bakugou que de forma alguma se incomodou com tal ato vindo dela.

— Nunca disse que eu não sabia. Só não gosto — ele respondeu simplista.

— Então por quê? — Uraraka se afastou para encará-lo com uma expressão curiosa.

— Não é óbvio? Eu gosto de você.

[ . . . ]

Daquele dia em diante as coisas mudaram entre os dois, e ambos estavam contentes com aquela "relação", ainda não tinham oficializado nada, tanto para os amigos quanto para eles mesmos, era cedo demais para isso, mas era bom do jeito que estava. Porém aquela felicidade não durou tanto quanto o esperado...

Dois meses depois Katsuki recebera uma oferta de trabalho de uma grande agência do exterior, não podia falar muito sobre a missão, mas se sentiu na obrigação de explicar para seus pais e para Ochako, não queria deixá-los preocupados. Todos sabiam que o rapaz iria fazer uma viagem a trabalho e que não poderia entrar em contato durante o tempo que estivesse por lá, mas apenas Uraraka sabia dos riscos, talvez se ele não tivesse entrado em detalhes, assim como fez com os outros colegas, a garota não tivesse passado tanto tempo apreensiva, mesmo sabendo que ficaria tudo bem, afinal não era ninguém mais ninguém menos que Bakugou Katsuki.

Com o passar dos anos Ochako até mesmo chegou a sair com outros caras, mas ela nunca chegou a realmente sentir algo por eles, então preferiu dedicar seu tempo unicamente ao seu trabalho e amigos próximos. Ela só amou uma pessoa durante todos esses anos e para ela estava tudo bem, não é como se ela visse necessidade em ter uma vida amorosa.

Pelo menos não até aquele momento.

— Ochako? Ainda está na linha? — A voz de Deku a fez voltar para a sua realidade atual, recebendo apenas um "Aham" de Uraraka como confirmação. — Bem, de qualquer forma, venha rápido pra casa do Eijiro, ele foi buscar o Kacchan no aeroporto, estamos planejando uma surpresa.

Se Katsuki estava vindo por que ele não a avisou ou algo do tipo? Talvez ele já tivesse seguido em frente, ela não o culparia, afinal se passaram tantos anos sem ao menos um contato.

— Eu estou a caminho — respondeu Uraraka antes de desligar o telefone, sem sequer despedir-se.

Sua mente estava um caos. Ao mesmo tempo que queria ver Katsuki pois seu peito doía de saudades, se sentia insegura, não sabia se ele sentia a falta dela da mesma maneira que ela sentia a dele.

Mesmo com todas aquelas inseguranças rondando sua mente, ela saiu rumo ao local em disparada, como se seu corpo se mexesse sozinho, sendo atraída como um ímã na direção onde encontraria seu amado.

O apartamento de Kirishima era um tanto distante de sua empresa, então a morena pisava o mais forte que podia no acelerador, torcendo os dedos para que não levasse uma multa por excesso de velocidade, afinal era por uma boa causa.

Ao chegar no local combinado estranhou o silêncio e a baixa iluminação do local, mas logo assimilou tais fatores a palavra "surpresa" que Izuku havia citado anteriormente.

— Ei, cadê vocês? — questionou a morena removendo o celular do bolso de seu casaco para iluminar seu caminho.

— Estamos aqui do lado de fora — disse uma voz feminina familiar, era a voz de Mina, uma de suas melhores amigas e atual esposa de Eijiro.

O condomínio onde Eijiro e Mina moravam era um local apenas para a alta classe, de segurança máxima, onde apenas heróis e pessoas com muito dinheiro viviam, por isso era grande e luxuoso, além da gigantesca parte interna do apartamento, havia também uma grande área de lazer aberta.

Ochako caminhou em direção a voz lentamente para não acabar trombando em algum móvel em meio a escuridão, e quando finalmente atravessou as grandes portas pôde ter a visão de todos ali presentes, o local estava mais iluminado que o interior da casa, ainda mais por conta da lua cheia. Alguns já estavam comendo e bebendo, o que fez a morena questionar se Katsuki já havia chegado.

Suas dúvidas foram sanadas ao ver as madeixas loiras de Bakugou serem balançadas pelo vento gélido daquela noite fria, ele estava ali, um pouco distante conversando com Denki e Sero. A garota não soube como reagir, não sabia se ia de encontro com ele, ela tinha que fazer isso, afinal estava ali para comemorar sua volta, mas suas pernas não funcionavam, era como se seu corpo não correspondesse aos seus comandos.

Katsuki precisou apenas uma virada para trás, uma troca de olhares, e foi inevitável abrir o maior sorriso do mundo ao ver a mulher por quem ele nutriu sentimentos todos aqueles anos, ali, diante dele, sem pestanejar pediu licença aos amigos e foi rumo a Uraraka, ela estava diferente, ele sempre a acompanhou, nos jornais, notícias, revistas, mas vê-la pessoalmente... era como um sonho se realizando. Seus cabelos, que antes eram curtos, agora estavam no comprimento de sua cintura, mas ainda mantinha sua amável franja, estava um pouco mais alta, mas provavelmente isso era algo que apenas alguém observador como ele notara. Ochako continuava adorável e sua feição delicada mantinha-se mais avermelhada do que ele se lembrara, talvez fosse o clima frio...

— Você demorou, Cara Redonda.

A voz do rapaz estava mais grave desde a última vez que a morena o viu, o que não era surpresa, afinal ele agora era um homem adulto, mas seria mentira se ela dissesse que não sentiu um frio na barriga ao ouvi-lo se pronunciar diante dela. Não era apenas sua voz que havia mudado, todo o seu físico estava diferente, e de forma alguma isso era um ponto negativo. Ochako notou que havia uma cicatriz um tanto grande no pescoço de Bakugou, e teve que se segurar para não começar a fazer perguntas, afinal não era o momento. Ela só queria abraçá-lo e matar aquela saudade.

— Eu senti tanto a sua falta... — Uraraka disse com sua voz embargada, e não pode conter as lágrimas que brotavam contra sua vontade em seus olhos.

— Acha que eu não senti a sua também? — Antes que a morena pudesse notar que ele também chorava foi puxada para um abraço forte. — Não houve um dia se quer que eu não sentisse sua falta, que merda! — ouvir tais palavras saírem dos lábios de katsuki foi como levar um soco no estômago.

— Nunca mais faça isso... pode ser egoísmo da minha parte, mas eu me recuso a ficar longe de você novamente.

— Eu nunca mais vou sair do seu lado, Ochako, nem que você me peça.

Notas finais
Eu estou explodindo de felicidades por finalmente estar fazendo a minha estreia no KacchakoProject eu namorei as fanfics desse projeto por muito tempo e agora escrever para ele, é surreal! De todo meu coração amei escrever essa historia, espero que gostem tanto quanto eu gostei ♥

Queria muito agradecer a KillC por ser uma amiga incrível que me ajuda em literalmente qualquer coisa que eu preciso, perfeita.

Também quero agradecer a oceanizing pela betagem e por ser tão amável, e a Kuriyama_Nyah pela capinha maravilhosa ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!