Sempre aqui
1 Capítulo 1 - Eu enfrentaria até um dragão violento, por você.
Notas iniciais
3 anos antes
— Por favor, joga só uma partida, você vai amar! — Diana insistia em me fazer jogar seu jogo preferido, enquanto dava pequenos pulinhos contidos em sua cadeira.
— Eu não sei, Di, sou muito ruim nesse jogo, já levei xingo e tudo — respondi a contragosto.
— Mas, Bia, você tem que ignorar, o jogo é super legal, joga comigo, por favor.
— Ok, mas só uma partida.
Me sentei na cama, ainda um tanto emburrada. Era um fato, eu não sabia jogar, era péssima, definitivamente não havia nascido para jogar FOW. Ainda assim, fiz a vontade da minha amiga, afinal quando não me xingavam eu até me divertia jogando.
Entrei no game e logo começamos uma partida, enquanto jogávamos uma mensagem piscou no chat:
IagoTop (Lion) ei, @Nuub, não fica aí, tá atrapalhando
Nuub (Lauren) Vai cuidar do seu caminho que eu cuido do meu :P
IagoTop (Lion) Mas é exatamente do meu caminho que eu estou cuidando ¬ ¬
—Aff, que cara chato, se metendo no meu jogo.
Uma risada alta me desconcentrou e eu olhei para Diana, que estava se contorcendo de rir.
—Amiga, você viu onde você está?
Olhei para a tela e não encontrei meu personagem.
— É… Onde eu tô?
— Clica na barra de espaço — Ela disse, sorrindo com certo deboche.
Olhei confusa para ela, vinquei as sobrancelhas e voltei os olhos para o teclado, apertei espaço e o mapa correu em direção ao meu personagem, que estava imóvel do outro lado do lugar onde eu precisava estar.
— MEU DEUS! — gritei e gargalhei — Coitado do menino, eu estava aqui xingando ele e ele estava certo no fim.
Nuub (Lauren) Me desculpa, @IagoTop, eu não tinha percebido que estava no lugar errado.
IagoTop (Lion) Deboa, só toma mais cuidado na próxima.
Nuub (Lauren) Pode deixar!
Voltei para o caminho que deveria estar e me concentrei no jogo, coloquei a língua para fora e a mordi para desestressar. O jogo já estava em seus momentos finais, eu já colecionava 10 mortes e nenhum abate e, apesar de o meu time estar vencendo, eu me sentia estupidamente frustrada.
Olhei o quadro de estatística e eu parecia a que tinha o menor rendimento no jogo, bufei inconscientemente pelo meu desempenho ridículo no momento em que a tela explodiu em verde com a palavra “vitória” escrita em letras garrafais.
—Eba, vencemos! — Diana exclamou esticando os braços pra cima e alongando o pescoço.
—Ai, chega, nunca mais vou jogar esse jogo — murmurei irritada.
— Sério? Olha no chat.
Olhei para o meu computador e no canto esquerdo uma mensagem piscava.
IagoTop: Ei, Nuub, quer jogar mais uma partida?
Olhei para Diana e ela estava com um sorrisinho malicioso nos lábios, rolei os olhos e perguntei se ela queria continuar jogando ao que ela meneou a cabeça em concordância.
Voltei os olhos para a tela do computador e enquanto balançava a cabeça pensando “é sério que vou me submeter a isso?” e digitei uma resposta
Nuub: Ok, vamos jogar.
Adicionei o IagoTop no jogo e chamei ele para a sala de partida, automaticamente o meu microfone e áudio foram conectados, fazendo com que ele me ouvisse e eu o ouvisse também.
— Oi, Nuub, tudo bem? Me chamo Iago e acho que tem mais uma pessoa na sala com a gente… — Tomei um pequeno susto ao ouvir uma voz, que alterava entre grave e aguda, sair dos alto-falantes do meu computador.
— Eu me chamo Hame, sou amiga da Nuub — Diana falou e depois mexeu os lábios para mim querendo dizer algo que eu não entendi, pois era péssima para ler lábios. Fiz careta para ela e resmunguei.
— Não precisa me chamar de Nuub, meu nome é Nubia — eu falei e vi Diana bater as mãos no rosto e balançar a cabeça em negação.
— Ah legal, vamos jogar então.
— Bora — Respondi e dei início a partida.
— Vê se fica na sua rota agora, Nubia — Iago falou rindo.
— Haha, muito engraçado. Eu sou iniciante e bem ruim nesse jogo, só para você saber.
— É eu percebi — deu risada e continuou — tá tudo bem, estava brincando com você.
Olhei para Diana e ela ostentava um sorriso cheio de malícia enquanto fazia gestos de coração com os dedos. Peguei uma almofada que, por sorte, acertou em cheio no rosto dela, fazendo com que ela emitisse um sonoro “ai”.
— Tá tudo bem? — a pergunta saiu do alto-falante.
— Ah, está sim, a Hame que bateu o pé na mesa — Respondi enquanto ria da cara de brava de Diana.
— Ah — Iago respondeu meio rindo.
A partida começou e nós seguimos jogando, na maior parte do tempo, em silêncio, vez ou outra alguém pedia alguma assistência ou chamava a atenção do outro. Levamos vantagem a partida toda e no final ganhamos.
— Até que você foi bem — Iago falou
— Eu arrasei — respondi rindo.
Diana fechou o computador dela, se aproximou de mim e apertou algo no meu notebook, mutando o meu microfone.
— Sua boba, eu tinha falado para você não falar o seu nome verdadeiro, você não sabe quem ele é.
— Ai, Di, eu nem pensei nisso.
— Mas deveria ter pensado! Vou para casa, já está ficando tarde e minha mãe vai reclamar se eu demorar.
— Ok, beijo, te amo — Respondi a abraçando
— Também te amo, Bia — Ela respondeu saindo do quarto.
— Ei, ainda tá aí? Percebi que sua amiga saiu — A voz de Iago me lembrou que eu ainda estava com o jogo aberto.
— Ah, ela precisou ir embora.
— Entendi. Quer jogar mais uma partida?
— Por quê não?
Atualmente
— Nossa, Bia, que cara é essa? — Diana falou assim que eu me joguei na carteira da escola.
— Eu passei a noite toda conversando com o Iago e agora tô morrendo de sono — Respondi bocejando.
— Ai ai, não falo nada viu
— O quê você não fala? — Eduardo disse à Diana se sentando na carteira ao meu lado e me dando um meio abraço rápido.
— A Nubia passou a noite toda conversando com o Iago, o que você acha disso?
— Eu acho que vai dar namoro — Ele disse de maneira ritmada, cantando a música do Bruno e Marrone, ao que Diana respondeu “do jeito que você me olha” e eles entraram em um coro cantando a música enquanto estalavam os dedos no ritmo.
Bufei, rolei os olhos e virei para frente, em meus lábios um meio sorriso se formava enquanto negava com a cabeça. Eles riam da minha cara, porém o momento não durou muito, pois logo a professora chegou na sala e pediu silêncio.
Enquanto eu lutava contra o sono e fazia a matéria de Geografia, que aliás eu era péssima, meu telefone vibrou em cima da mesa, não resistindo a minha curiosidade, peguei ele e desbloqueei vendo a mensagem do Iago piscando na tela.
Iago: Estou lutando bravamente contra o sono, e você?
Nubia: Aqui o meu maior sonho seria ter um copo de café, e olha que eu odeio café. Lembre-me de nunca mais ficar acordada até tarde.
Iago: Que nada, foi ótimo ter ficado até tarde conversando.
Nubia: Sim, de fato, mas agora estamos enfrentando um sono violento.
Iago: Para ficar conversando com você eu enfrentaria até um dragão violento, quem dirá um mero soninho :)
Meu coração disparou com a mensagem e senti meu rosto queimar de tão ruborizada que fiquei. Iago tinha mania de fazer esse tipo de piadinhas comigo apenas porque sabia que eu ficava tímida e com vergonha.
Nubia: Tonto :P
Iago: Espero que tenha ficado com vergonha, queria ser da sua classe só para te ver vermelhinha kkkk
Nubia: Idiota! Eu sempre fico com vergonha ¬ ¬
Iago: Que bom, atingi meu objetivo :D
Nubia: Bobo
Iago: Por você, sou sim.
Meu coração pulou e só faltou sair pela boca, eu estava quente, parecia suar, a quentura estava em locais em que jamais havia sentido antes. Meus dedos estavam trêmulos enquanto eu pensava em como trocar de assunto.
Nubia: Iago, eu vou te bloquear, tô falando sério kkkk
Iago: Opa, agora eu paro, afinal, o que seria de mim sem conversar com você?
Soltei uma risadinha um pouco alta que chamou a atenção de parte da sala, parte essa que incluía a professora, que me olhou com um olhar bravo.
— Nubia, por favor, sem usar aparelhos telefônicos — a professora me repreendeu brava — Se eu te ver utilizando o celular de novo, vou tomá-lo de você até o fim das aulas de hoje.
— Me desculpa, professora — respondi bloqueando o celular e voltando a prestar atenção em minha tarefa.
Meu celular vibrou mais três vezes durante a aula e eu tive que batalhar contra o sono e a curiosidade até o final da aula, quando peguei o celular e li as mensagens seguintes de Iago.
Iago: Ei, cadê você?
Iago: Meu deus, não me diz que você me bloqueou de verdade.
Iago: Estou presumindo que você dormiu e por isso não está mais me respondendo, pois se tiver me bloqueado será uma dura realidade.
Eu dei uma risada contida, mas que chamou a atenção de Eduardo e Diana.
— Uau, ele não consegue passar 1 minuto sem conversar com você — Diana falou olhando a tela do meu celular por cima dos meus ombros.
— Eu corro contra o vento, só pra poder aspirar o cheiro de romance que você deixa no ar — Eduardo cantou a música do Chimarruts.
— Vocês bem que podiam parar um pouco de me zuar né, o Iago é meu amigo e eu nem conheço ele pessoalmente, não sei qual é a aparência dele e só nos falamos por mensagens, se um dia eu perder o número dele nunca mais nos falamos — eu disse irritada.
— Amiga, desculpa, mas eu tenho certeza que você sabe o número dele de cor, se algum dia você perder o número dele, ele com certeza vai te procurar. Além disso, quando se está apaixonado, a aparência não conta tanto assim, claro que queremos alguém agradável aos olhos, mas é como dizem “o amor é cego” — Diana rebateu
— Estamos só brincando, Bia, se você não gosta podemos parar — Edu disse.
Me limitei a voltar para frente e não respondê-los, estava irritada com eles e comigo mesma, pois claramente meus sentimentos em relação ao Iago eram confusos, uma parte mim dizia “se joga, meu bem, ele é um amor e você gosta dele” e a outra contradizia “minha linda, você nem conhece ele pessoalmente, e se for um doido de 50 anos?”.
Eu imaginava, tinha quase certeza, que Iago deveria ter a idade que havia me falado, 17 anos, afinal, pela voz e pelas poucas fotos em ângulos estranhos que trocamos ele parecia ter a minha idade. Parando para pensar nunca nos vimos de verdade, apenas de relance em algumas fotos distantes ou com o rosto tampado, a graça da nossa amizade era o anonimato, a imaginação aflorada sobre como o outro era.
Nunca trocamos fotos do rosto, mas já nos descrevemos um para o outro, ele media 1,85 e possuía cabelos curtos e lisos, enquanto eu meço 1,70, com longos cabelos cacheados e lábios grossos. No meu imaginário ele era lindo.
— Desculpa, Bia — Diana disse colocando a testa no meu ombro.
— Tá tudo bem, só para de tirar sarro — Eu disse sorrindo e afagando os cabelos, tingidos de azul, dela.
...
As aulas haviam chegado ao fim e eu nunca desejei tanto ir para casa, me jogar na cama e dormir. Senti um puxão na minha mochila enquanto me dirigia para o portão da escola e me virei encontrando Eduardo.
— Esqueci de te entregar isso — ele disse puxando um papel que parecia um convite e me entregando — é o convite do meu aniversário desse ano, sem ele não dá para entrar, então guarde com a sua vida.
— Como se você não fosse me buscar em casa se eu não aparecesse, eu tenho nome na lista — eu disse brincando com ele.
— Você é quase tão importante quanto o aniversariante, baby — ele disse passando a mão nos meu cabelos só para bagunçá-los — Ah! Lembra daquele meu amigo que comentei com você, que eu acho vocês super combinariam?
O Edu sempre tem um amigo que ele acha que combinaria comigo, da última vez eu saí com um menino estranho que mal falava e quando falava desviava os olhos, tudo bem eu também sou tímida, mas foi impossível manter uma conversa com o garoto.
— Hum, sei — Respondi fazendo bico.
— Tô falando sério, Bia, dessa vez não é furada. — ele me deu um empurrão de leve — Ele vai estar na festa e eu vou apresentar vocês dois, tenho certeza que vocês vão se amar.
— Tá bom — respondi a contragosto — Agora precisamos ir antes que a tia Rosa feche o portão.
Sai arrastando o Eduardo comigo, ao passarmos pelo portão desejamos tchau para a tia Rosa e ela respondeu toda educada e fofa, como sempre fazia, “tchau, meus benzinhos”. Me despedi do Edu, que entrou no carro da mãe, e fui procurar por Diana.
Depois de algum tempo procurando minha amiga na multidão de alunos que se formou do lado de fora da escola eu a encontrei debaixo de uma árvore aos beijos com André, seu namorado. Dei meia volta e decidi ir para casa sozinha, dei um passo e meu celular fez um barulho de que tinha chegado uma mensagem e saquei ele do bolso.
— Bia, desculpa, vamos pra casa? — Diana apareceu enganchando seu braço ao meu antes que eu desbloqueasse o celular.
— Hãn… Sim, vamos — Falei guardando o aparelho de volta no bolso.
André se postou ao meu lado e me deu uma cotovelada de leve, um cumprimento sutil, em resposta dei um meio sorriso para ele. Eu gostava de André, ele e Diana namoravam há 2 anos e ele a fazia muito feliz, além de ser um ótimo amigo.
— Eaí, vai fazer o que agora a tarde? — André me perguntou.
— Vou dormir um pouco e mais tarde vou tentar subir de nível — Falei bocejando.
— Legal, na hora que for jogar avisa — Ele disse e eu balancei a cabeça enquanto seguíamos o caminho para nossas casas.
Fale com o autor