Sempre aqui

18 Capítulo 17


Tony recebera mais algumas cartas ao decorrer do tempo, chegava a receber duas ou três por mês, mas nessas duas ultimas semanas elas cessaram. Já havia se passado dois meses e meio e ele continuava tentando encontrá-la.

De: Ziva

Para: Tony

Tony,

Se ainda lê estas carta ,bem saiba que fico muito feliz, não sei se você ainda se importa ( e se a resposta for não, nem adianta eu escrever) mas queria te dizer que tudo esta bem e que sua filha não para de me chutar, mas ainda sim é um amor.

Ziva David.

Ele estava lendo a ultima carta que ela escreverá. Antes de sair de casa ele pegou-a e foi para o NCIS.

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-Abby. Por favor, faça isso por mim.- A gótica pegou a carta da mão do amigo.

-Só vai levar alguns minutos.- Ela voltou para seu computador.- Se ela foi pelo menos um pouquinho descuidada podemos acha-la... O ... o que diz nas cartas?.

-Ela me conta como esta, se esta bem, feliz, triste e também... — Ele esboçou um sorriso, o primeiro em meses- me conta sobre a nossa filha- Ele gostava tanto de dizer isso, toda as vezes que repetia essa frase não deixava de sorrir.

Abby o olhou logo em seguida, e foi em direção a ele para abraça-lo -Tony isso é ótimo...- O computador apitou. Ela mexeu por alguns instantes- Temos digitais da Ziva, suas, Gibbs e...

-Gibb?

-E também...- uma foto apareceu no monitor, os dois a olharam com espanto.- O pai do Gibbs?

-Obrigado Abbs.- Ele a abraçou rápido e saiu correndo.- Não esqueça do que eu te falei.- Ela virou para o computador e apagou toda a pesquisa.

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Na sala do NCIS McGee viu Tony correr.- O que houve?- Ele perguntou.

-Onde esta o Gibbs?

-Elevador, por...- Ele não chegou a completar a frase antes de ver o amigo sair correndo novamente.

A porta estava quase se fechando quando Tony finalmente conseguiu entrar. Gibbs olhou para a mão dele.

-Carta nova?- Ele perguntou. Tony se esticou e desligou o elevador. Olhou fixamente para o chefe.

-Ela te contou, não foi?.- Gibbs não disse nada.- Montou tudo isso e você sabia!- Tony tentava não gritar.- Ela nunca esteve em D.C, mandava as cartas para você e você levava até o meu apartamento! Chefe as suas impressões então aqui- Ele levantou a carta.- Eu não te mostrei esta carta... Eu estou certo, não estou?

-Nós estamos investigando o caso dela, Ziva precisava de um lugar seguro...

-E isso era longe de mim? Chefe cada carta que ela me mandou, o tempo que eu passei acordado pensando onde ela poderia estar, como ela poderia estar. Eu sei que se analisarmos por fora, tudo isso foi culpa minha e uma grande besteira que eu fiz, mas eu ainda assim a amo, e a quero perto de mim, e isso vale tanto para Ziva quanto para a minha filha Gibbs!. Eu vou busca-la.- Isso não tinha sido uma pergunta.

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Tony passou algumas horas dentro do carro, indo em direção a pequena cidade de Stillwater e quando chegou ja estava quase anoitecendo. Ele bateu na porta e um homem de cabelos grisalhos abriu.

-Oi- Tony disse.

-Você não trabalha com o meu filho?

-Sim sou o Agente Especial Anthony Dinozzo e...

-Ela ja esta estabilizada...- Ele ouviu uma voz feminina, uma mulher chegou na porta.- a febre já baixou. Se precisar de mim chame.- Ela foi embora. Tony nem perguntou e entrou dentro da casa, percorreu-a toda até encontrá-la.

Em um quarto com a janela aberta, deixando um pouco de luz entrar, ele viu a parceira deitada, ainda acordada, com um pano na testa coberta apenas com um lençol.

-Ziva!- Ele disse meio que sem ar. Foi em sua direção e se ajoelhou do lado da cama.

-Tony.- Ela disse com um sorriso no rosto.

-Você esta fervendo!- Falou logo após tocá-la.

-Ela esta assim faz umas duas semanas- Ele ouviu o pai de Gibbs. Duas semanas, o mesmo tempo em que as cartas cessaram.- Mas vai ficar bem.

- Eu demorei tanto pra te achar- Ele falou voltando novamente para ela.- Vai ficar tudo bem, você vai ver. Vamos voltar para D.C e tudo vai se acertar.- Ela se sentou na cama, o pano caiu da testa, mas ele ja estava seco mesmo, Tony viu como seus cabelos estavam úmidos e como ela parecei mais magra de rosto. Ela se apoiou nele e se levantou, ele agora podia ver que ela estava realmente mais magra, mas ao mesmo tempo percebeu de cara que a barriga começara a crescer. Ela o olhou por alguns instantes até ele a envolver com seus braços, não quis aperta-la mas sentia tanta saudade, ela apoiou a cabeça em seu ombro.- Não sabe por quantas noites eu fiquei te esperando.

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Na mesa de jantar os três riam e conversavam, Tony se alegrou ao ver como Ziva havia melhorado em algumas horas. Eles estavam reunidos, do lado de fora estava frio e se ouvia o vento uivar.

-Também...- O pai de Gibbs estava contando uma das histórias do tempo em que Ziva passou ali.- Teve aquela vez que você chorou por uma lata de cerveja na rua.

Ele olhou rindo para a parceira, que também esboçava um grande sorriso- Você chorou...? Por uma lata de cerveja?.

-Ela estava tão sozinha e....-Ela não conseguiu conter o riso da besteira que estava falando- parecia triste.

O som das risada alegrava o local, cada história uma mais engraçada que a outra. Mas essa alegria acabou rápido, quando ouviu-se uma batida na porta. Tony imediatamente levantou-se da cadeira e sacou sua arma, ela também levantou e da panturrilha esquerda tirou uma nove milímetros, ele parou em frente a ela por puro extinto como se quisesse esconde-la atras de si.

-Deve ser algum amigo meu- Disse o pai de Gibbs.- Não se preocupe.

Ele foi até a porta, de onde estava não conseguiam ver quem estava ali, mas logo toda a tensão acabou quando o homem de cabelos grisalhos e olhos incrivelmente azuis entrou na sala.

-Gibbs!- Ziva correu em direção a ele.

-Como você esta?- Ele falou envolvendo-a em seus braços.

Ela olhou carinhosamente para ele.- Bem.- E suspirou.- Acho que já vou dormir. Boa noite para todos...

-Espera.- Tony a segurou pelo braço, os dois se encararam.- As armas. Por favor.- Ela o olhou, e olhou para Gibbs, que não fez nada. Parou em uma cadeira e da panturrilha tirou a nove milímetros. Ele continuou a encara-la.- Todas.- Do tornozelo direito ela sacou uma pequena junto com uma faca. Mas ele continuou a olhá-la. Ela revirou os olhos e da cintura tirou uma três milímetro.

-Feliz?- Ela o olhou com um pouco de fúria.

-Bastante.- Ele a viu seguir em direção ao quarto.

-Esta feliz Dinozzo?- Disse Gibbs logo após ela fechar a porta.

-Não sei como ela consegue carregar tantas armas- Mas ele finalmente se tocou da pergunta.- Eu não sei nem o que dizer...- Ele começou a bocejar- Bem acho que sei. Eu... vou ir dormir chefe.- Ele olhou de um lado para o outro, não estava na casa de Gibbs, nem na dele, não sabia se tinha outro quarto ou até um sofá. Gibbs apontou para a porta do quarto de Ziva, ele logo se virou, não quis demonstrar mas... não conseguia para de sorrir.

Ele bateu algumas vezes antes de entrar, ( na verdade mais batucou, assim ela soube que era ele). No quarto tinha uma cama de solteiro, mas era possível entrar duas pessoas ali.

-Posso dormir aqui hoje?.- Ele a olhou, estava em um pijama de pernas compridas, a blusa era mais folgada, e azul marinho. Ela se deitou e se cobriu até o pescoço. Ele continuou ali parado apenas segurando um travesseiro.- Pode trazer seu colchão pra cá, tudo bem.- Ela fechou os olhos. Ele deu uma leve risada.

-Acontece que não tem colchões, a não ser este, e o que Gibbs esta dormindo.

-Anda logo Dinozzo, eu quero dormir.

Ele deitou ao lado dela, passado alguns minutos de silêncio Tony não aguentava mais ficar calado, muito menos parado como uma parede.

-Ziva!- Ele falou baixinho.- Ziva!

-O que? Dinozzo.

-Esta dormindo?

Ela se virou rapidamente para ele, no escuro ele não conseguia ver a cara de fúria dela.- Isso é sério?

-Desculpe só queria saber como você estava.

-Eu...-Ele a sentiu tremer.- Estou bem.

-Esta com frio?

-É por causa da febre.

Ele se esticou e tocou a testa dela- Não esta tão quente assim. Quer que eu pegue outro cobertor?

-Não eu estou bem... Tony... Se você não parou de me procurar, por que só me encontrou agora? Por que não antes? Se encontrar as digitais é praticamente a primeira coisa que fazemos em um caso?

-Eu não sei. Talvez porque eu estivesse muito preocupado e... a coisa mais obvia a fazer não me passou pela cabeça. Presumíamos que você estava em D.C então mandamos alertas para todas as agências. Não deixei que colocassem câmeras na minha porta porque achei que se você as visse não voltaria. E eu sempre lia suas cartas... Ficar longe de você foi horrível, eu não parava de sonhar com você de novo na Somália, mas desta vez você gritava comigo.- Ele se aproximou um pouco mais dela.- Zi. Você não virou em nenhum momento para traz?. Pra ver todos que você estava deixando?. Pra mim?

-Sim Tony. Mas Gibbs disse que seria por pouco tempo, até ele conseguir acertar tudo com o meu pai e com o Mossad. Eu só queria o melhor para todos vocês.

Ela sentiu uma mão em volta de sua barriga, sentiu a respiração dele na sua nuca, ela colocou a mão dela por cima da dele e se encostou no peito de Tony.

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E novamente as três e meia da manhã, Tony acordará, ele jurava que tudo aquilo que aconteceu não passou de um sonho, que tê-la ali a seu lado era tudo uma ilusão.

O quarto estava claro e ele conseguia ver o recinto, ele virou o rosto mais uma vez para vê-la. Tony não queria voltar a dormir, ele queria ficar ali olhando-a, para garantir de que tudo aquilo não era um sonho.