Sempre aqui
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Na sala do NCIS McGee mexia em seu computador tentando ignorar seus parceiros, que para variar um pouco estavam discutindo novamente. Tony e Ziva tinham opiniões diferentes sobre Sopa de tomates verdes com repolho.
-Que nojo Dinozzo- Ela disse.
-Ora. Você diz isso porque não reconhece uma culinária rica. Não é mesmo McGee?.
-Tony em todo esse tempo que estou aqui nunca vi você cozinhar, e sinceramente espero nunca ver.
O agente virou novamente para encarar a parceira, mas esta não estava mais lá, ela andava na direção oposta ao elevador, com uma ligeira presa.
-A onde você vai?- Ele disse alto- Ainda nem falei sobre a minha pizza com abacaxi e alcaparras!.
A porta do elevador se abriu e o homem de cabelos bancos, e olhos azuis saiu com um copo de café na mão e uma bandejinha com mais três na outra mão.
-Onde esta a David?- Foi a primeira coisa que ele disse.
-Ela...- Tony virou rapidamente para McGee, tentando formular uma desculpa ao invés de dizer que tinha conseguido deixa-la enjoada falando sobre sopas e pizzas.- Ela deve ter ido na Abby.
-Chame ela então.
-Algum problema chefe?- Disse McGee desgrudando-se da tela do computador.
-Dinozzo!- Ele chamou sua atenção. E apenas gesticulou com a cabeça como se quisesse dizer vá.
Tony passou pela maquina de doces em direção ao elevador, mas antes que apertasse o botão, voltou até a maquina novamente, onde encontrou a agente sentada em uma das mesas, segurando a própria cabeça. Ela não tinha percebido a presença dele até sentir suas mãos em seus ombros.
-Tudo bem?- Ele disse. Ela continuou sem reação- Gibbs quer falar com você.- Mas isso também não foi motivo para ela levantar.- Ziva- Ele estava agora sentado na cadeira a sua frente, segurava seus pulsos tirando-os da cabeça, obrigando-a a olhar para ele.- O que esta acontecendo?- Ele podia perceber a palidez de seu rosto e os círculos vermelhos que ela tinha ao lado da cabeça onde a palma da mão estivera. Ela agora olhava fundo em seus olhos, em um pruro verde preocupado.
-Nada- Ela finalmente disse, mas seu tom de voz estava diferente, ele notou.
Os dois voltaram encerrando a conversa. Gibbs estava em sua mesa, e logo que percebeu sua presença esticou a mão erguendo um copo. Ela pegou-o, tomou apenas um gole e quase não conseguiu engoli-lo. Ele tinha um gosto amargo, parecia limão puro que fazia sua boca arder. Ela simplesmente olhou-o como se aquilo fosse veneno.
-Beba- Ele disse. Mas ela continuou a olha-lo incrédula. Ele levantou e chegou perto dela, com uma voz baixa disse algo que os outros dois não conseguiram entende, mas seja o que fosse fez ela continuar a beber o liquido.
De repente o celular de Gibbs começou a tocar, todos ali meio que começaram a pegar suas mochilas e quando ele parou de falar todos o olharam.
-Tony, McGee. Vão até o aeroporto buscar uma pessoa pra Vance.
Os dois estavam em frente a um dos portões de desembarque. O aeroporto estava cheio, pessoas andavam de um lado pro outro, um furdúncio enorme onde descarregavam as malas, até agora Tony já tinha levado duas bolçadas, três rodas de carrinhos no pé esquerdo e cinco encontrões.
Os dois estavam em frente ao portão com uma folha de papel colada com fita adesiva no paletó de McGee, escrito NCIS , esperando que alguém chegar.
-O que você achou da Ziva?- McGee perguntou.
-Não tem nada para achar
-Ora vamos Tony eu sei que percebeu. Ela anda estranha, sempre preocupada, como se estivesse escondendo algum segredo...- Mas ele não chegou a acabar a frase. Tony virou-se com o semblante furioso, olhando para McGee.
-Ela é nossa parceira. Não esconderia segredos. Não podemos desconfiar dela, não devemos.- Ele se acalmou um pouco- Ela só deve estar preocupada com essa história de Joe Still.
-Devemos falar com ela?
-De um tempo a ela McGee.
De repente alguem se aproximou deles.
-NCIS?- Era uma voz feminina, muito doce por sinal.
Uma mulher morena com cabelos cacheados e olhos verdes estava bem na frente deles. Suas feições lembravam um pouco Vance, só mais bonita.
-Sim...- Disse McGee. Tony o cutucou discretamente enquanto ela pegava sua mala.
-Você é casado. Se é que ainda se lembra- Ele falou com deboche.
Eles voltaram e o sol já se punha, alguns leves tons de laranja apareciam no céu e o enorme círculo amarelo lentamente se tornava uma bola vermelha, uma leve brisa agitava as folhas das árvores e nossa agente encontrava-se grudada a grande janela perto de sua mesa.
-Voltamos.- Disse Tony.- Saudades?
-Lizz- A voz veio do alto. Vance estava em frente a escadaria como de costume. A moça subiu as escadas.
-Oi Leon.- E os dois continuaram a conversar em direção a sua sala
Logo que eles saíram, Tony percebeu o enorme silêncio que pairava no local, e também percebeu a agente levemente pálida na janela.
-Pretende pular?- Ele falou. Ela esboçou um leve sorriso e para ele isso era como uma vitória.-Vamos sair hoje?
-Como?
-Bem achei melhor jantarmos fora ao invés de ir ao mercado, comprar, cozinhar e tudo mais.- Ele gesticulava com as mãos.
-Gibbs?- Ela falou alto. Ele estava em sua mesa e provavelmente escutara tudo.
-Novidade- Ele se levantou de sua mesa, andou até ela e deu-lhe um beijo na testa- Hoje você fica na casa do Dinozzo.- E saiu em direção a laboratório.
-Chegamos- Ele falou abrindo aporta do apartamento.
Após mais algumas horas no NCIS e também terem saído para jantar fora por mera preguiça de cozinhar, os dois agentes se encontravam no não mais desconhecido apartamento de Dinozzo. Ele estava novamente falando com a peixinha Kate enquanto ela admirava o piano brilhante e lustroso ao lado da janela. Ele era escuro e possuía teclas de marfim cor de cru, com um banquinho de madeira igualmente brilhante embaixo dele. Ela colocou a mochila em cima do sofá, e os dois se entre olharam durante alguns segundos.
-Eu durmo no sofá...- Os dois disseram em um tom harmônico.
O canto do lábio de Tony se levantou em um meio sorriso- Não precisa.- Ele falou. Um silêncio pairou por um tempo- Deve estar cansada. Não precisa, mesmo.
-Eu é que digo.- Ela falou gozando.- Não quero ir trabalhar amanha ouvindo você reclamar de como as suas costas doem.
-Zi- Seu tom de voz tinha mudado, estava sério e até um pouco preocupado.- ...posso te fazer uma pergunta?- Ela continuou a encara-lo.- O que esta acontecendo?
-Nada Tony.- Ela mexeu na mochila brevemente.
Ele ainda olhava-a com um semblante triste.- Você não vai dizer mesmo?- Até seu tom de voz estava triste. Ela apensa pegou a mochila e seguiu em direção ao banheiro, enquanto ele pegava lençóis e travesseiro.
As estrelas brilhavam em meio a noite escura, a lua parecia um enorme circulo brilhante, iluminando todo o quaro pela fresta da janela. Ja passava das duas da manha e nossa agente ainda estava sentada na cama olhando a imensa e brilhante lua. Ela não conseguia dormir, e devagar levantou e andou em silêncio até a cozinha, buscando água ou outra coisa. Tentou fazer o minimo de barulho ( que para ela era nenhum) mas isso não importava.
-Também não consegue dormir?- Uma voz veio do sofá. Seu coração quase parou tamanho o susto, ela expirou após perceber que era apensa seu parceiro.
-Não queria te acordar- Ela contraiu os olhos assim que ele ligou a mais fraca das luzes, que iluminava apenas a cozinha.
-Não acordou.- Ele se sentou na mesa em frente ela. Estava um silêncio enorme, apenas alguns carros passando de vez em quando.- Ziva.- Ele disse em um tom sério. Em sua mente aquele momento era perfeito, não teria ninguém para atrapalha-los e ele finalmente poderia tirar esse peso de suas costas.- O que esta acontecendo?. Não diga que não é nada porque... eu sei que não é verdade. Zi eu não sou idiota, acha que eu não percebo como você vem agindo?. Acha que todos não perceberam?. Estão preocupados com você... Eu estou. Diz o que esta havendo de errado, Gibbs me falou que...
-Gibbs te disse alguma coisa?- Ela parecia alarmada.
-Não só que você estava em uma fase difícil. Mas mesmo assim, me conte. Me conte ou vou perguntar ao Gibbs.
-Tony não precisa...
- Precisa, precisa sim- Ele estava começando a se irritar- Não posso confiar em alguém que esconde um segredo. Detesto ter de admitir isso mas você não é mais a mesma.- Ele segurou seus ombros do outro lado da mesa- Anda fala- Ele disse sério.
-Tony...- Uma leve formação de lagrima estava no canto de seu olho- Não...
-Zi. — Ela levantou a cabeça em sua direção- Eu quero a verdade Ziva David.
-Tony- Ela disse como um suspiro, a lagrima ameaçadora caiu e deslizou até sua bochecha onde ela a secou. Seu semblante era forte mas por dentro ela estava quase morrendo.- Você teria que saber isso uma hora ou outra.- Ela falava com uma voz firme.
-Saber o que?- Ele estava de pé igual a ela.
-A historia é longa mas... eu quero que você escute toda ela. Por favor... escute.- Ele se sentou novamente- A um tempo atras, eu... eu estava noiva.
-O que?.
-Escuta. Eu estava noiva do Michael. Era uma coisa que meu pai sempre falava, desde pequena ele sempre gostou dele e bem, nós crescemos juntos...
-E você amava ele?
-A questão não é essa...
-Mas é claro que a questão é essa- Ele se levantou.- Você não poderia se casa com alguém que não amasse...
-Tony senta. A questão não é essa agora.- Ela já não tinha o mesmo tom firme de voz de quando começou.- Não contei a ninguém porque... tinha tanta coisa acontecendo que não era importante falar.- Sua voz já estava em um tom triste.- Mas... mas quando Michael morreu.- Uma nova lagrima escorria de seu rosto.
-Quer dizer quando eu o matei. — Ele falou com um tom de arrependimento, levantando-se como se não precisasse escutar mais nada.
-Quando Michael morreu...- Ela tentava falar um meio a algumas lagrimas.
-Ziva não precisa dizer mais nada- Ele chegou perto dela vindo para abraça-la, faze-la parar de pensar nele.
-Eu estava gravida.- Ela se jogou para seus braços, encostando a cabeça contra seu peito e molhando a camiseta com suas lagrimas. Ele continuou ali parado, sem falar nada, as palavras ainda ecoavam na mente dele, só alguns bons segundos depois que ele puxou-a para olha-la.
-Você estava gravida?
-Quando eu voltei...- Ela ainda chorava, mas tentava se controlar por mais difícil que fosse- para Israel e fui parar naquele... naquele deserto imundo eu... eu perdi ele.- Ela chegou novamente perto de seu peito, e dessa vez ele a envolveu com seus braços.
-Zi. Eu... eu matei seu marido e...- Ele olhava para o chão.- e fui responsável pela morte de seu filho. Me desculpa Zi- Ele é quem estava agora lamentando, a abraçava com muita força.- Me desculpa, eu ... nunca vou poder me redimir e também você nunca vai poder me perdoar eu sei. Você guardou esse segredo durante tanto tempo...
-Tony- Ela disse em meio as lagrimas. Ele se soltou dela e ela passou a mão pelo rosto- Eu estou indo para Espanha.
-Por que?. Ziva você não pode sair do NCIS. Você é parte da equipe.
-Shmiel foi convido a fazer uma pesquisa e pediu para que eu vá. Iria morar lá com ele, é uma boa opção.
-Não Ziva não é.- Ele ainda via as lagrimas escorrendo pelo seu rosto.
-Tony, acredite é uma boa opção sim. Eu sei que você não gosta de crianças. Na verdade- Ela deu um sorriso em meio as lagrimas- você tem medo delas. E eu não quero atrapalhar a sua vida. Só tenho que te contar porque Gibbs disse que você deveria saber, ele também não gostou da ideia...
-Ziva. O que mais você esta escondendo?
-Tony eu, estou me mudando porque.- Ela tinha um enorme sorriso no rosto. Já ele, um semblante triste, frustrado, arrependido, tudo misturado.- eu estou gravida.
O rosto dela era uma mistura de alegria e lágrimas. Ele a encarou por alguns minutos e aquela expressão de remorso, sumiu. Ele não sabia se tinha escutado direito, ou se estava tão atordoado que estava ouvindo coisas.
-Tony eu...- Ela começou a chorar.- eu já perdi um filho eu... eu não ia desistir de outro.- Ela parecia assustada- Não ia suportar perder outro...- Ele tentou chegar mais perto dela, mas ela recuou.
-Ziva.- Ele disse.
- Tony eu não quero passar por isso de novo eu...- Sua visão começou a ficar turva, pontos pretos apareciam do nada, seus olhos começaram a se fechar.- Eu não quero... perder- Ela caiu para trás. O agente a segurou na hora ates que sua cabeça batesse no chão- ...outro- Foram as ultimas palavras que ela disse antes de desmaiar.
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