Sempre ao Seu Lado
1 Capítulo Único – Sempre ao Seu Lado
Notas iniciais
Sempre ao Seu Lado
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Na aconchegante sala de jantar, a mais nova família Uchiha realizava a sua última refeição do dia. Pai, mãe e filha comiam animadamente enquanto anunciavam como fora o dia quase finalizado.
O lugar onde residiam naquele instante era o oposto do famoso Distrito Uchiha, cheio de histórias para serem escritas e uma áurea composta por renovação. Após momentos de autorreflexão, Sasuke chegara à conclusão de que tais construções deveriam fazer parte de um passado melancólico e distante. Sakura, como a esposa compreensiva que se tornara, aderiu à ideia do marido sem quaisquer indagações, já que sabia muito bem o que essa representava para o jovem genitor.
E, incrivelmente, aquilo refletiu um efeito mais do que positivo para ele. O Uchiha jamais esqueceria as raízes de seu clã, o qual possuía defeitos palpáveis, mas que também detinha de qualidades não pertencentes a nenhum outro. Entre eles inserira-se o amor infinito, sentimento que transformara Sasuke em um homem diferente — diferente daquele que se acostumou a ver.
Em uma era de trevas — quando quase ninguém apresentava fé no ex-vingador —, alguns ainda sabiam o quão puro ele era. Sasuke possuía um coração extremamente bom, superior a certos que se julgavam benevolentes apenas por não fazerem coisas que iam de desencontro com a ética humana. Porém, esses realizavam um dos pecados mais traiçoeiros e brutais já concebidos, o julgamento. Ele fora vítima dos males de uma sociedade cruel e que aos tropeços caminhava para a tradicionalidade mesquinha.
Depois de realizar a viagem que abriu seus olhos para os valores do mundo, Sasuke voltou ao princípio da história, pois anteriormente havia prometido para a gentil Sakura que haveria uma próxima vez. Além disso, era em Konoha que seu coração permanecia. Em um desses ditados sábios circulantes por entre os povos, um se sobressaia: você pode viajar milhas para encontrar as respostas que deseja, mas somente quando voltar para seu verdadeiro lar as dúvidas serão sanadas.
Ele aprendeu a ser um homem mais esperançoso e enfim pôde colocar as virtudes reafirmadas em constante prática. Então continuou ao lado da mulher que sempre foi a sua mais fiel companheira e amante, construindo assim um novo rumo para os Uchihas, bem divergente daquele que imaginavam há tempos.
Assim nasceu a bela Sarada, fruto do amor de Sasuke e Sakura. As boas línguas diziam que a criança fora nomeada dessa forma pois seria aquela que reascenderia a chama do renomado clã.
No entanto, essas não poderiam imaginar o quanto ela superaria as expectativas.
— Papai – a morena tentou chamar a atenção daquele que era seu melhor amigo.
— Diga, Sarada.
— Sabe o que é… – contorceu-se um pouco relutante, imaginando que não seria uma boa hora para perguntar aquilo, porém a questão estava em sua cabecinha há algum período, logo não via o porquê de guardá-la para si. – Você acha que o Vovô Fukagu e a Vovó Mikoto ficariam felizes em me conhecer? E o Tio Itachi? Mamãe sempre me diz que pareço muito com eles, mas às vezes tenho a impressão de que ela fala isso apenas pra me deixar feliz.
— Ora, minha filha, é claro que estou dizendo a verdade. Sabe que nunca mentiria pra você. – Sakura fez bico, emburrada. Em alguns momentos, Sarada apresentava uma maturidade maior do que a da mãe, entretanto, essa era uma das melhores peculiaridades que a antiga Haruno possuía, permanecia sempre jovem e estonteante.
— Eu sei, Mamãe, me desculpe. – ela revirou os olhos, irritada, mas segundos depois começou a rir timidamente das ações de sua progenitora. – E então, o que me diz? – esperava pela resposta do pai.
Na verdade, Sasuke nunca tinha parado para pensar nisso, já sabendo que os pais amariam a neta tanto quanto ele. E Itachi, bem… Ele foi um irmão único e especial que sacrificou a sua vida em razão de uma causa maior. Havia a certeza em seu coração de que seria um tio maravilhoso e se existisse realmente um céu como alguns insistiam em falar, o mais velho os olharia sempre que possível.
— Tenho certeza que sim. – Sasuke, assim como de costume, se limitou em dizer apenas algumas palavras. Sérias, objetivas. Mas o olhar que lançava a sua filha transmitia apenas a sinceridade de um homem seguro de si, crente acima de tudo de que semelhante a ele e sua esposa, a antiga família protegeria Sarada com todas as forças que possuíam – da onde quer que estejam.
Infelizmente, ele mal poderia imaginar que esses estavam sempre ao seu lado.
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— Ela se parece muito com o Sasuke…
— Está cego, Fugaku? Olhe bem e veja, Sarada é a fotocópia de Sakura.
Discutiam sobre isso desde o nascimento de Sarada.
Tão linda, pensavam.
Os Uchihas acompanharam Sakura quando essa deu a luz a sua única filha. Rezaram por ela quando disse ao companheiro: “Sasuke-kun, minha bolsa estourou”, e, ajudaram, com sua luz e amor, quando eles lhe seguraram no colo pela primeira vez.
Isso incluía Itachi.
Sempre tão sereno, dizendo que tudo daria certo, o tio demonstrava em seus olhos um amor infinito pela sobrinha e sorria, inconscientemente, toda vez que mencionava em pensamentos o nome dessa.
— Não sei o porquê de ainda insistirem — Itachi deu um sorriso debochado, rindo internamente da rixa que os pais mantinham quando se tratava do assunto. — Sarada é a junção perfeita de ambos. — Mikoto e Fugaku olharam-se, concluindo que jamais ganhariam a velha discussão. Itachi estava mais do que certo, eles sabiam.
Sabiam que ela herdara os cabelos negros como a noite de seu pai e detinham o conhecimento de que seu olhar doce, mas, ao mesmo tempo, determinado, esculpia-se perfeitamente nas esmeraldas da mãe.
— Sabe, Itachi… — A matriarca fez uma pausa duradoura — Poderia ter sido diferente?
— A senhora sabe que não.
Itachi morreu novo, porém parecia ter vivido algumas longas vidas.
Os anos passam e as gerações se modificam, mas existe algo que se repete em todas elas: desejo de vencer a qualquer custo. Numa era caracterizada pela paz, há aqueles que se agarram a uma realidade utópica e ignorante, levando consigo pessoas que acreditam nesses mesmos ideais e convicções. Tristemente, era essa a verdade dolorosa que cercava a maioria dos Uchihas.
O clã nasceu corrompido e, talvez, por esse exato motivo é que se tornou tão interessante. Eles experimentaram as mais variadas situações, desceram ao inferno e subiram ao paraíso em frações de segundos. Ódio, amor, contradição. Características extremas que se mesclaram com maior profundidade a partir do instante em que Sasuke decidiu encontrar o seu equilíbrio interior.
Sem sombra de dúvidas, o fato é que não existem pessoas boas ou más em sua totalidade. Sasuke e Itachi foram a prova disso. Seres humanos cometem erros, muitas vezes considerados imperdoáveis, mas isso não significa que não tenham o direito de recomeçar.
O sol nasce para todos, diziam os mais velhos. Há uma linha tênue separando aqueles que fazem boas ações, daqueles que querem fazer boas ações. E, ela chama-se oportunidade.
Talvez, se Itachi e sua família não tivessem passado por todo aquele sacrifício, o rapaz, uma vez então chamado de vingador, não teria aprendido a dar um maior valor naqueles que estivessem lhe apoiando a todo instante.
— Ele as tem agora — Itachi levou uma de suas mãos ao ombro delicado da mãe, procurando com um gesto simples, mas significativo, acalmar as dúvidas que poluíam a mente de sua adorada Mikoto.
Quem, de algum modo, tivesse a oportunidade de assistir tamanha cena, diria que o tão gélido Fugaku estaria emocionado.
E, de fato estava.
A morte, meus amigos, é somente um bilhete de partida para a eternidade.
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