Sempre Voltarei

1 Capítulo Único


Notas iniciais
ESPERO QUE GOSTEM DESSA FIC!

LEIAM AS NOTAS FINAIS!!

Pescar em mar aberto nunca é algo cem por cento seguro, principalmente, se os meteorologistas indicam tempestades. Mas Perseu Jackson resolveu não ligar muito para o que diziam, pegou suas coisas e saiu ao mar com seus amigos num barquinho de pescaria velho.

Os pressentimentos e sensações que Sally Jackson teve antes mesmo da partida de seu filho não foram suficientes para fazê-lo ficar, seu marido a fazia ficar mais tranquila, mas Sally não conseguia deixar a aflição de lado.

— Mãe, vai ficar tudo bem. – Perseu disse ao abraça-la antes de partir – Não é a primeira vez que faço isso, eu volto logo.

— Por favor, Percy, me escute. – Sally pede ao filho, mas ele apenas lhe dá um beijo na testa e sai correndo.

Antes de encontrar com seus amigos e seguir rumo a mais um final de semana de pescaria e divertimento, Perseu vai até o apartamento que divide com sua namorada, Annabeth. Há três anos eles estão juntos e Perseu já planejava um pedido de casamento. Vinte e oito anos já é idade suficiente para que eles começassem uma vida juntos, afinal, já moravam juntos. Entrou no apartamento e se viu correu para abraçar a moça que antes tomava um chá sentada na bancada da cozinha.

— Vim te dar tchau. – ele sussurrou em seu ouvido e sentiu Annabeth arrepiar.

— Vai mudar alguma coisa se eu pedir para você não ir? – Annabeth diz se virando para olha-lo nos olhos – Sabe que eu concordo com a sua mãe.

Perseu suspira.

– Você confia em mim, não confia?

— Claro que confio, mas, Percy, o mar não é tão confiável assim. – Annabeth explica – Os noticiários dizem que vai ter uma tempestade.

— Annie... Por favor. – ele a pede beijando seu pescoço – Nada irá acontecer.

— Não quero te perder por alguma imbecilidade, Cabeça de Alga. – Annabeth diz com a voz embargada o abraçando.

— E não vai, nunca te deixarei, Sabidinha. – Perseu dá um selinho na namorada – Te amo.

— Também te amo, e, por favor, se mantenha vivo.

Com um sorriso no rosto, Perseu segue rumo ao encontro de seus amigos.

(...)

O final de semana passou e nenhuma ligação de Perseu foi recebida.

Nenhuma mensagem. Nenhuma carta. Nada que dissesse que ele estaria bem e que estava chegando. Sally já estava aflita ao final do domingo e ligara diversas vezes para Annabeth perguntando se esta havia recebido alguma coisa, mas a namorada negara e também começou a se deixar afligir.

Passada uma semana desde o desaparecimento de Perseu Jackson e seus outros amigos, as chuvas fortes ainda continuavam e Annabeth começou a dormir no apartamento dos pais de Perseu. Lá, mesmo que ele já não morasse há anos, ainda tinha seu quarto e ainda era usado de vez em quando; ela poderia ao menos sentir seu cheiro novamente, deitar por sobre os lençóis da cama que eles costumava usar, dormir com uma camiseta velha do garoto e até mesmo as fotos que eles tinham tirado juntos. Eles já moravam juntos, mas Annabeth se sentia muito sozinha no apartamento... Fora sentir a cama vazia demais.

O marido de Sally tentava acalma-las, mas ele mesmo já não estava mais aguentando de angústia. Eles já haviam dado parte na polícia sobre o desaparecimento, o resgate já tinha entrado em ação, mas também tinham sido informados que as chances de encontra-los seriam mínimas, afinal uma terrível tempestade tinha acontecido durante o final de semana que eles tinham ido pescar.

Aquela notícia deixou Sally e Annabeth aos prantos. Sally tinha que se segurar ao máximo para que não deixasse sua filha mais nova preocupada, Estelle de dez anos, é apaixonada pelo irmão mais velho, assim como pela cunhada; a menina perguntava todos os dias por ele e sua mãe havia lhe dito que este tinha ido visitar alguns amigos da faculdade.

Ao final do sábado, Estelle havia ido dormir na casa de uma amiga e Sally decidiu conversar melhor com Annabeth. Sentadas à mesa com canecas cheias de chocolate quente, Annabeth já não conseguia mais esconder a preocupação, sabia que existiam casos em que a pessoa ficava anos desaparecida, mas já não aguentava mais um dia sem ter algum sinal de Perseu.

Sally precisava desabafar um pouco, contar sobre sua história, tudo o que passou para dar ao Percy uma boa vida. Ela nunca contara isso para alguém, exceto Paul, afinal, ele é seu atual marido. Annabeth ouviu com prontidão e interesse na história de vida de Sally. Uma história onde, sem pais e nenhuma família, passou anos com alguém que não a valorizava. Engravidou de um homem que só a queria por uma noite e nada mais, a deixou antes que ela mesma acordasse e nem sequer escreveu um bilhete.

Sally havia descoberto a gravidez algumas semanas depois e, sozinha, com um emprego não muito bom, entrou em desespero ao perceber que não teria nada mais que fosse suficiente para criar seu filho. Quando Perseu ainda era um bebê, Sally encontrou um homem, não rico, mas que seria suficiente para que tivesse uma renda que complementasse com a dela. Ele não era um homem com o melhor caráter do mundo, torrão e machista, Gabe fez da vida de Sally um inferno em casa, mas era isso ou ficar sem um tostão para criar o filho – ao menos eles tinham comida à mesa.

— Mas, Sally, porque nunca se separou dele? Qual o motivo para manter um relacionamento com um idiota como aquele? – Annabeth pergunta confusa, não via um motivo para que Sally continuasse com um sujeito daqueles.

— As coisas são complicadas, querida. Veja, eu não tinha uma família que me desse suporte, tinha um filho para criar e um emprego que o salário só dava para pagar o aluguel e as despesas... uma criança demanda muito mais que isso e eu estava entrando e desespero. Gabe apareceu e a renda dele complementaria em tudo, ele era a saída para meu desespero e, mesmo que não tendo uma vida tão confortável, ao menos conseguiria dar a Percy o básico para viver – Sally explicou com um sorriso triste – Você e Percy se conhecem há tanto tempo que você praticamente já sabe o que aconteceu alguns anos depois. Sei que Percy lhe contou muitas coisas. – Annabeth sorriu tímida. Tinha fresca na memória as conversas que costumava ter com Percy quando começaram a se tornar amigos, cada um contando as dificuldades que passavam em suas casas e Annabeth dizia que tudo ficaria bem, mas nunca soube as razões que levaram Sally a fazer o que fez – Como sabe, Gabe teve uma overdose. Eu comecei a entrar em pânico, não teria dinheiro para sustentar tudo e então, Percy, com esse coração gigante que tem, disse que arranjaria um emprego. – Sally riu – Imagine, um garoto de doze anos trabalhando... Não sei como, mas ele conseguiu!

— Ele me contou sobre isso, se não fosse por esse emprego, provavelmente ele ficaria completamente perdido em saber o que fazer da vida... Percy é ótimo com animais.

— Não achei que um emprego como ajudante numa PetShop daria tão certo... O coitado sofreu com cachorros animados demais, mas aquilo foi de uma ajuda e tanto! E então consegui retomar os estudos e Paul apareceu em nossas vidas!

As duas continuaram conversando sobre todas as coisas que se passaram.

Sally e Annabeth riram das vezes que Percy ficava constrangido ao ver as demonstrações de carinho entre sua mãe e seu padrasto e de quando estes insinuavam sobre algum sentimento se a mais pela Annabeth.

— Nunca vou me esquecer do dia que você disse que estava namorando. – Sally diz rindo. Annabeth e Percy se conhecem há seis anos, mas começaram a namorar bem depois – Ele queria bater em tudo e ainda se recusava a aceitar o que de fato estava acontecendo.

— Nem me lembre disso, nossa. – Annabeth ri. – Ele ficou inconformado, mas nunca percebeu que tudo estava bem de baixo do nariz dele. Eu só segui com a minha vida, não percebia o que ele sentia e não iria ficar esperando.

— Era isso que eu dizia, mas é orgulhoso demais. O importante é que agora... – Sally parou no meio da frase, Percy não estava ali com elas, estava perdido, em algum lugar ou até... Não mais entre todos.

Annabeth limpou uma lágrima que caíra de seus olhos.

– Queria que tudo isso fosse só um pesadelo e que ele fosse entrar por aquela porta a qualquer minuto.

Sally a abraça e a afaga com carinho.

— Eu também, querida. Eu também.

(...)

Pela madrugada, todos acordaram com o telefone tocando incansavelmente, mas não conseguiram atender. Sally, Paul e Annabeth se olharam confusos, quem ligaria naquela hora?

Paul apertou o botão da secretária eletrônica e Sally e Annabeth começaram a chorar ao ouvirem a voz que soou.

"Mãe, hey, estou vivo. Quando percebi a tempestade se aproximando, consegui desviar o barco e atracar numa pequena ilha... O barco está caindo aos pedaços. Não tínhamos como voltar e a aqui não tem sinal, a não ser por este telefone público, mas a tempestade derrubou algumas torres de transmissão e tudo ficou sem sinal, fora que ninguém tem como sair daqui, o mar está terrível. Podem ficar despreocupados, assim que tudo estiver mais calmo, alugaremos um barco daqui que possa nos levar de volta. Te amo. – ele parou por um momento. – Annie, sei que deve estar por aí, eu te amo, Sabidinha, logo estarei de volta."

— Graças a Deus! – Sally exclamou aliviada e abraçou Paul. Annabeth chorava com alívio e ficou ansiosa para o dia que Percy finalmente chegasse. Sally se desvencilhou do seu marido e puxou Annabeth para um abraço apertado.

— Ele está bem, querida!

— Sim, ele está. – Annabeth diz soltando o ar. O alívio era tanto que mal conseguia se expressar.

(...)

Depois da ligação de Percy, Sally ligou para o responsável pela procura do filho e de seus outros amigos desaparecidos e informou sobre a ligação. O grupo de resgate não demorou muito até identificar a ilha de onde Percy havia ligado e organizar sua busca.

Estelle estava na escola quando ligaram para Sally avisando que Percy havia sido resgatado e que chegaria pela noite.

A Sra. Jackson mal se coube de tanta felicidade e ligou para Annabeth a fim de avisar da notícia. Assim que saiu do trabalho, Annabeth passou na padaria favorita de Percy e comprou os cannolis que ele tanto amava, ao chegar no apartamento de Sally, sentiu cheiro de bolo saindo do forno e viu sua sogra sorridente colocando uma travessa de lasanha em cima da mesa.

— Olá, querida! Como está? – Sally diz animada.

— Estou bem, Sally, obrigada. – Annabeth respondeu sorrindo – Parece que vamos ter bastante comida para hoje. – ela levantou a sacolinha.

— Comprou cannolis!? – Annabeth assente.– Meu Deus! – ela riu – Realmente teremos muita comida.

Todos estavam sentados na sala à espera de Percy. Estelle estranhou um pouco a atitude de todos, mas deixou de lado toda essa ansiedade que pairava no ar, justamente por causa dos doces que estaria prestes a comer. Annabeth e Sally se levantaram de súbito quando o barulho das trancas soaram na entrada do apartamento.

Quando Percy entrou no apartamento com a roupa de semanas atrás, olhos cansados e um sorriso envergonhado, Annabeth achou que seu primeiro impulso seria correr para ele, abraça-lo e beija-lo, assim como Sally, que já apertava seu filho como se nunca mais fosse solta-lo.

— Meu Deus, Percy! Você nos deixou tão preocupadas! – ela exclamava ao segurar seu rosto.

— Também senti sua falta, mãe. – ele diz sorrindo e beija sua testa.

Quando Paul terminou de abraçar seu enteado e Estelle ir para a cozinha alegando que estava com fome, Sally seguiu sua filha, e depois seu marido foi junto, deixando Annabeth sozinha com Percy. Ele sorriu para ela e, se segurando para não se derreter com aquele sorriso e os olhos esverdeados, Annabeth correu até ele e começou a estapeá-lo.

— Nunca mais ouse fazer uma coisa dessas. – dizia entre tapas – Você tem noção de como ficamos? De como eu fiquei?

— Hey, se acalme, Sabidinha, eu estou aqui. – Percy disse segurando os braços de sua namorada puxando-a para um abraço e a apertando forte – Senti muito a sua falta também. Me desculpe por não ter conseguido mandar algum sinal de vida.

— Por favor, não faça mais isso. – Annabeth diz mais calma, porém ainda com a voz embargada e abafada pelo abraço de seu namorado – Não quero mais passar um minuto sem você, Cabeça de Alga.

— Você não vai. – ele colocou a mão no queixo de Annabeth e levantou seu rosto – Fique tranquila, tudo bem? – Annabeth assente com os olhos fechados e lágrimas escapam, ela detestava parecer uma garotinha assustada e indefesa na frente das pessoas, mas Percy era uma exceção. Ele se inclinou e deu-lhe um selinho demorado – Nunca te deixarei, Annabeth.

— Nunca. – Annabeth sussurrou. – Eu te amo mais que tudo, Perseu Jackson.

— Eu sei, e eu ainda mais.

Notas finais
Obrigada a todos que leram até aqui!

O plot dessa fic foi sugerido pela conta do @pjodasfic lá no Twitter, mas também disponível aqui no Wattpad!

Se você gostou dessa one maravilhosa escrita pela ~Red_Tomato por favor deixe seu voto e/ou comente aqui!

Betado por: ~Lah (@Laísm)

Capa por: ~Torta (@Islandyyy)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!