Sempre Você
1 Old days
Entro na sala e me sento na última carteira na fileira mais ao canto do lado esquerdo, é sempre assim todos os anos, não importa a quanto tempo eu estude na mesma escola e o quanto eu a conheça. O terceiro ano do ensino médio deveria me fazer me sentir diferente, seja lá como diferente, não consigo entender já que a única coisa que sinto é frustração por não ter encontrado nenhum dos meus amigos.
Se eu não estivesse absolutamente cansada provavelmente iria andar por aí e procurar distraidamente por Ann Charlotte Abbey e Evan Scott Dallamari, meus dois únicos amigos, com nomes compostos como o meu, Alice May Hardy, bom, na verdade ninguém sabe desses nomes, para todos a que possa interessar, nossos nomes são Scott, Charlotte e May. Me cansei do tédio e apesar do cansaço, saio da sala para andar até o bebedouro da escola , ou talvez até o meu armário pegar o sorvete que mantenho guardado, quem é que sabe?
Pego o pote de sorvete e me apoio no meu armário desse ano para comê-lo, estou com meus fones escutando uma música qualquer no Spotify quando Jace Lowe, um garoto popular na escola que costumava dar em cima de mim tipo três anos atrás e agora não parece nem perceber na minha presença, resolveu aparecer e tirar meus fones. Jace estava sorrindo, ele sempre sorria, um sorriso de lado que fazia qualquer garota derreter, — exceto é claro eu e a Ann — eu por outro lado abaixei o pote e encarei-o com o que se pode chamar de cara de bosta.
— Ei, desculpa pelo fone mas será que pode sair daí?
— Uau, tão doce.
Babaca.
— Perdão, o meu armário é bem aí atrás das suas pernas esse ano, só quero pôr alguns livros meus e te deixo em paz.
— Ah que incrível, meu armário vai ser bem acima do seu, será que consigo trocar? — ele dá uma risada e eu vou para o lado
— Realmente não consegue me suportar não é? — ele joga a mochila inteira dentro do armário e o fecha — Nunca suportou.
— Do que está falando? — guardo o sorvete no mini-freezer que já coloquei no novo armário — Não faz tanto tempo assim que comecei a não te suportar. — ele ri outra vez
Odeio o quanto eu amo essa risada maravilhosa.
— Vou poupá-la do sofrimento que é para você olhar no meu rosto. Tchau May.
— Tchau Jace Lowe.
Jace tem esse amigo, Arthur Chase Fray, o único garoto na escola que é capaz de capturar a minha atenção, — talvez por ter um nome composto também — mas não é como se eu desse em cima dele ou implorasse sua atenção, afinal, ele é tão babaca quanto Lowe. Saio andando sem ter nenhum destino em mente e me distraio mexendo no Spotify, paro a pouquíssimos centímetros de — e o reconheci por sua forte fragrância — Chase que por não ser tão esperto como eu causou um acidente.
Minhas costas batem no chão e sinto o garoto bem mais alto que eu me esmagar. Tento me desvencilhar do mesmo mas ele não coopera e começa a rir de forma contagiosa, o olho e começo a rir também.
— Ah meu Deus, não acho que eu já tenha escutado sua risada antes Alice May Hardy. — ele se levanta — Perdão, sei que a culpa foi minha, Supergirl.
Como diabos ele sabe meu nome?
— Acaba de me chamar de Supergirl?
— Eu te vejo Alice. E na última vez que invadi o escritório do diretor trombei com o seu currículo escolar, você é bem incrível. — ele ri como se a invasão não fosse nada e vira o pescoço para olhar para Macy Agostine — Tenho que ir.
— Tchau Arthur Chase Fray. — e então reviro os olhos
— Não acho que ele tenha nem te escutado. — Scottie estava atrás de mim — Charlotte não vem, vamos para aula.
Passei a aula de química inteira tentando convencer Evan de que não estou apaixonada por Chase mas infelizmente ele estava certo de que eu estava errada. Além de discutir sobre quem ama quem também decidimos que iríamos sair hoje, encontraremos a louca da Charlie na super festa da Macy esta noite. Essas festas sempre tem álcool, sem exceções, o que é normal já que tipo todo mundo da minha idade já bebe sem culpa, incluindo meus dois melhores amigos, exceto por mim, oque quer dizer que, nessas festas, sou sempre a "babá".
Na mesma rotina de sempre, depois de a aula acabar pego o ônibus para casa, sem desvios como sempre. Sou, sempre fui e gosto de ser a típica "boa garota", não é que eu não saia de casa e passe o dia todo estudando sem pausas, mas estou sempre seguindo as regras, não fumo, não bebo e trabalho em uma lanchonete nos meus horários livres para ajudar meu pai a sustentar a mim e a meu irmão.
Assim que chego em casa e abro a porta do quarto de Dylan sinto o cheiro da maconha e do álcool. Meu irmão é o perfeito oposto de mim, enquanto eu sou uma boa menina meu irmão é um delinquente, já foi expulso de vários lugares, algumas escolas até antes de se formar, pelo menos não foi expulso da faculdade em que estuda. Me irrito com ele como sempre, abro suas cortinas irritada e tomo sua maconha e bebida.
— Tem que parar com isso e sabe bem disso que droga.
— Ah qual é Alice me deixa em paz. — ele resmunga
— Vai se foder. Se quer se matar se mate, não vou sentir sua falta de qualquer forma.
Ele me encara mas não o olho, não consigo, ver meu irmão mais velho se auto destruindo daquele jeito é muito doloroso para mim.
— Já chega Alice. — era meu pai — Você também Dylan, se quer fumar e beber faça isso longe da minha casa e da sua irmã.
— Ela nem é minha irmã de verdade, é adotada, eu — ele aponta para o próprio peito — sou seu filho de verdade, sangue do seu sangue.
Ai.
— Saia da porra da minha casa Dylan. Ela é uma filha bem melhor que você é. — ele é rígido mas não eleva a voz
Sem dizer uma palavra meu irmão se levanta e sai, posso escutar o som da porta batendo quando ele vai embora deixando a casa para trás. Consigo praticamente ver a preocupação do meu pai aumentando cada vez mais junto com a sua irritação. Papai beija minha testa e sorri tentando disfarçar como sempre, odeia me preocupar.
— Eu arrumo essa bagunça e me livro dessas merdas antes de ir para a lanchonete.
— Obrigada filha, eu te amo. — ele sorri uma última vez e desce
—--
Volto para casa e encontro Ann no meu quarto já se arrumando para a festa de hoje a noite. O trabalho foi estressante hoje, os clientes pareciam determinados a me irritar, não deram boas gorjetas e ainda reclamaram do meu mau humor, como se isso interferisse no meu desempenho. Bloqueio qualquer pensamento sobre meu irmão, tenho certeza que está ficando bêbado e chapado em algum lugar qualquer, mas não me importo.
Ou pelo menos é disso que estou tentando me convencer.
— Usei a chave reserva, não tem ninguém em casa.
— Ah, legal, o trabalho foi uma bosta, vou tomar banho.
— Se anime, vamos para uma festa May!
Grunho em resposta e vou tomar banho e começar a me arrumar, sei que vou estar pronta muito antes da Ann e ter que ficar a esperando mas fazer o que, é sempre assim. Já estava pronta e Charlie quase, quando recebemos a mensagem de Scott dizendo para irmos logo pois ele estava na festa sozinho e nos esperando.
Chamo o uber e minha melhor amiga passa a última camada de rímel e me xinga dizendo que eu não tinha o que opinar sobre isso pois meus cílios eram grandes e perfeitos. A casa da Macy era enorme e estava lotada de gente, por isso eu e Charlotte nos dividimos para achar Evan. Pior ideia que já tive, não devia tê-lo feito.
— Ei garota, — Jace exalava álcool — quer ter sua noite mil vezes melhorada?
— Está bêbado a ponto de não se lembrar que não te suporto? — reviro os olhos
— Ah sim. — ele tira uma mecha de cabelo do meu rosto e deixa a mão em meu rosto — Você é tão bonita.
— Tira sua mão de mim. — o afasto
— Qual é Alice. — ele pega na minha cintura e me puxa para perto — Vamos lá...
— Me solta! — tento afastá-lo em vão — Me solta!
— Você escutou cara.
Um garoto apareceu, fez com que Jace tirasse as mãos de mim e se pôs ao meu lado em seguida de forma protetora.
— Quem é você para me dizer o que fazer?
— Ah pelo amor de Deus. Só sai Lowe.
— Se sabe quem eu sou então sabe que não deve mexer comigo.
— A única coisa que eu sei é que é um grande babaca.
Jace Lowe estava prestes a desferir um soco bem no rosto do garoto desconhecido quando Chase, que estava são o suficiente para usar o cérebro, chegou e segurou o braço do amigo o parando. Antes dos dois darem as costas e se misturarem na multidão de adolescentes bêbados dirijo a palavra a Jace uma última vez.
— Não pronuncie meu nome nunca mais. — meu olhar e voz são firmes — Esqueça-o.
Tudo o que queria naquele momento era encontrar Scottie e Charlie e mandá-los para casa como uma boa babá e logo depois poder ir para minha própria casa e dormir na minha querida cama a noite e a manhã toda. Fecho os olhos e respiro fundo me virando para o garoto que tinha me salvado, ele sorria enquanto me olhava e é o primeiro a falar.
— Oi.
— Olá.
AAAAHH eu espero que gostem da história e se gostarem por favor avaliem ♥
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