Notas iniciais
Olá pessoas! Tudo bem?

Alguém aí está curioso pra descobrir um pouquinho mais sobre o passado do Damon??? Para aqueles que gostam de um flashback, essa é a oportunidade perfeita! :)

Caroline arrumou sua mala em poucos minutos, enquanto Jasper apenas a observava indo de um lado para outro no quarto. E não é que ele não tenha se oferecido para ajudar, muito pelo contrário, mas como ela vira na casa dele, Jasper e malas não tinham muita intimidade.

– Pronta? – ele pergunta, ao vê-la fechar o zíper da mala vermelha.

– Quase! – a garota responde, voltando-se para o guarda-roupa. Precisava colocar em prática a ideia que tivera mais cedo.

Pegou o banquinho que ficava próximo da penteadeira e, após ajeitá-lo onde precisava dele, subiu para alcançar uma pequena caixinha de madeira que ficava em uma das prateleiras mais altas. Assim que a tinha em mãos, sentiu as mãos de Jasper em sua cintura, dando-lhe apoio para que não caísse.

– Que cavalheiro! – diz ela, com um sorriso, assim que seus pés tocaram o chão.

– Sempre... – o rapaz responde – Que caixinha é essa? – ele pergunta, sem conter a curiosidade.

– Era da minha avó. As coisas pelas quais ela tinha mais carinho estão guardadas aqui.

– Avó? Pensei que Marie fosse sua tia-avó. – diz Jasper, agora confuso.

– Sim, ela é. Marie é irmã de minha avó, Elisabeth. – Caroline responde, puxando-o para sentar ao seu lado na cama – Elas passaram a morar juntas depois que ficaram viúvas, sabe? E foram elas que me criaram quando minha mãe desnaturada me largou nas mãos de meu pai, o filho da Elisabeth, que também resolveu sumir no mundo dias depois.

– Então você não os conhece, é isso?

– Basicamente. Como pode ver, minha vida já começou turbulenta! – diz ela, encarando o chão – E bem, vovó ficou doente, e antes de morrer, me entregou essa caixinha e disse que, quando fosse crescida o bastante, eu deveria abri-la e ver o que ela deixara pra mim. Eu tinha uns seis anos naquela época.

– Sinto muito Care! – diz Jasper, aninhando-a em seus braços – Não precisa dizer mais nada, está bem? Não quero que fique triste com essas lembranças.

– Tudo bem... – a garota responde, aconchegando-se ainda mais a ele – Bem, Marie guardou a caixa pra mim até que eu completasse quinze anos, e naquela noite, eu enfim descobri o que ela continha. – ela continua, abrindo a tampa com relevos de flores, revelando o conteúdo que havia ali dentro – Algumas fotos e as alianças de seu casamento, fotos de David quando ele era criança, junto com um pedido para que eu não o odiasse por ser tão desajuizado, algumas fotos minhas de quando era bem pequena, do tempo das fraldas ainda, uma tiara que pertenceu à mãe dela e... isso! – completa, tirando uma caixinha menor lá de dentro e entregando-a nas mãos de Jasper.

– E o que é?

– Abra e descubra. Garanto que não morde!

Como estava mesmo curioso, o rapaz nem pensou duas vezes e abriu a bendita caixinha. Ali dentro, envolto em um veludo escuro, encontrou um relógio de bolso antigo, o dourado do ouro já escurecido pelo tempo. Trazia na tampa um desenho, em alto relevo, de uma antiga locomotiva, e em volta dela, alguns detalhes em forma de ramos de flores. Ao abri-lo, pode constatar que, apesar de não estar funcionando, estava em ótimo estado. Outra coisa que lhe chamou a atenção foi a inscrição em latim gravada no interior da tampa.

– “Gratiam quae est regitiva me.” Sabe o que quer dizer?

– “Graça que me guia”. É quase como um lema da família Forbes. – Caroline responde – O relógio pertenceu ao meu avô Albert, e ao pai dele antes disso.

– É muito bonito! – diz Jasper, analisando o objeto demoradamente.

– É seu!

– O que? Não, não posso aceitar Care! É herança de família, certo? Tem de ficar com você! – ele apressa-se a dizer, devolvendo o relógio à caixa.

– Bem... — ela começa, timidamente – Eu recebi instruções sobre o que fazer com esse relógio, sabe? Estou apenas tentando cumpri-las.

– Instruções? Que tipo de instruções? – o rapaz pergunta, confuso.

– Minha avó deixou uma carta junto do relógio, — ela começa a explicar, buscando a folha amarelada pelo tempo no fundo da caixa — na qual ela falava um pouco sobre o homem que o marido fora em vida, das coisas que ele prezava... E por fim, ela deixou um pedido de que eu passasse esse relógio para o homem que significasse para mim o mesmo que Albert significava para ela. Um homem que fosse realmente importante, e que me colocasse antes de si mesmo se fosse preciso... Aquele que eu escolhesse para dividir as alegrias e tristezas, e que eu quisesse, e pudesse, acalentar e fazer sorrir. E... bem... Damon nunca foi essa pessoa. Mas você é diferente, Sr. Whitlock. – diz Caroline, finalmente tomando coragem para olhar nos olhos dele – É generoso, corajoso, apaixonante, dono de um sorriso encantador e... eu... eu amo tudo isso em você!

Jasper ficou sem voz diante daquelas palavras, e ao ver os olhos da garota rasos d’água, não teve outra opção a não ser colocar as caixinhas de lado e ajoelhar-se na frente de Caroline, tomando o rosto dela em suas mãos e secando as primeiras lágrimas que começavam a cair.

– Olhe pra mim, meu anjo! – ele pede, depositando um selinho nos lábios dela, vendo-a atender seu pedido alguns instantes depois – Também amo cada detalhezinho seu... O som do seu riso... O brilho em seus olhos... Até mesmo a ruguinha de preocupação que surge em sua testa quando algo lhe incomoda. – o rapaz continua, intercalando cada frase com um beijo – E me sinto honrado em ser o homem que você escolheu pra ter ao seu lado! – diz Jasper, com um sorriso que se espelhou no rosto de Caroline em seguida – E agora... – uma curta pausa, onde ele se afastou um pouco e tirou a aliança dourada de sua mão esquerda, beijando-a e colocando-a junto ao relógio – Srta Forbes... namora comigo?

– Está... está falando sério? – a garota pergunta, incerta, um misto de surpresa e alegria em seu rosto.

– Mesmo que pareça precipitado, apressado, insano ou o que quer que venham a dizer por nos conhecermos a pouco tempo... sim, estou falando sério! Para que eu iria esperar afinal? Sei o que sinto por você, e também sei que sente o mesmo por mim. Quero você ao meu lado Caroline, hoje e sempre.

– É claro que aceito Jasper! – ela responde, com um sorriso contagiante, pulando nos braços do rapaz e derrubando-o no chão, enchendo o rosto dele de beijos para só depois tomar os lábios dele nos seus num beijo calmo e demorado.

**********

Damon acabara de estacionar o carro em frente a casa onde passara toda a sua infância e adolescência, e a simples visão da grande fachada vitoriana lhe trazia recordações não muito agradáveis dos dias que vivera ali.

Sempre se sentira preso demais naquela casa, ela nunca lhe pareceu verdadeiramente um lar. Seu pai, Guiseppe, era autoritário ao extremo e sempre lhe olhava como se ele fosse culpado pelo que acontecera à mulher e ao filho mais novo.

Damon não escolhera cair naquela piscina (quem escolheria uma coisa dessas aos três anos, certo?), e muito menos imaginou que sua mãe, já no final da gestação de seu irmãozinho Stefan, pularia para salvá-lo e acabaria presa à maldita tela que cobria a piscina, não tendo forças para voltar à tona e afogando-se.

Sacudiu a cabeça lentamente, tentando afastar aquelas lembranças, e finalmente saiu do carro. Parou em frente à porta instantes depois, abaixando-se para pegar a chave que escondera sob uma tábua solta no assoalho da varanda.

Ao cruzar as grandes portas duplas, deparou-se com o cenário que jurara nunca mais querer ver. Pena que as circunstâncias tenham lhe feito quebrar a promessa, não? Observar os móveis cobertos por lençóis amarelados pelo tempo não o faziam se sentir à vontade ali, e logo se viu assombrado por mais lembranças que pagaria para esquecer, se fosse possível.

Não gostava de lembrar os anos após a morte da mãe, em que o pai ficara parecendo um morto-vivo arrastando-se pela casa, respirando apenas por obrigação, deprimido demais para sequer lembrar de olhar para o filho que sobrevivera, e quando o fazia, era para dar-lhe um sermão por alguma travessura ou desobediência que ele ainda nem havia pensado em fazer.

Ou de lembrar-se de como fora renegado, sempre aos cuidados dos empregados, sem receber sequer uma palavra de apoio de qualquer um dos muitos que passaram pela casa ao longo dos anos. Afinal, nenhum deles aguentava mais do que dois ou três meses ali, diziam que o ambiente era triste demais e que o rapaz era muito rebelde para ser domado.

Já na adolescência, quando Guiseppe pareceu enfim se dar conta de que deveria dar valor ao filho que tinha sob seus cuidados, era Damon que se negava a dar-lhe a chance de se reaproximar. Recordava-se muito bem da noite em que o pai aparecera em seu quarto, tentando pedir-lhe perdão pelos anos de ausência, e do que dissera a ele em resposta, alegando que, se a mãe e o irmão tivessem sobrevivido em seu lugar, o homem não teria sofrido nem a metade do que sofrera com a morte deles, pois Damon nunca fora realmente importante. O fato é que odiava o próprio pai, e nada do que ele lhe dissesse poderia reverter isso.

Frustrado por não conseguir afastar aqueles pensamentos, ajeitou a mochila nos ombros e começou a subir as escadas que levavam aos quartos, e a cada degrau onde colocava os pés, mais e mais as memórias de um de seus últimos dia naquela casa insistiam em se fazer presentes. Ao alcançar o topo, olhou para a grande sala lá embaixo e se deixou tomar por elas...

– Katherine, por favor! – diz Damon, o desespero em vê-la partir definitivamente tomando conta de si.

– Me larga Damon! Acabou, entendeu? Acabou! — a garota responde, desvencilhando-se do aperto dele em seu braço – Seu pai tem toda razão! Você não é capaz de amar ninguém além de si mesmo. Isso se for capaz de tal feito, não é?

– Mas eu amo você, Kath! Será que não consegue ver isso?

– Não... o que você sente não é amor. É obsessão! E não quero isso pra mim... Adeus Damon. – diz ela, dando-lhe as costas e dirigindo-se às escadas.

– Você não vai a lugar nenhum! – diz ele, segurando o braço dela com força – Não pode me deixar, não entende?

– Me larga!

A garota tentava a todo custo livrar-se das garras do rapaz, e após alguns instantes, quando enfim alcançou seu objetivo, o solavanco a fez perder o equilíbrio e rolar pelos degraus até alcançar o chão, vários metros abaixo.

– Katherine! – o rapaz grita, descendo as escadas rapidamente e agachando-se ao lado dela.

– Fique... longe de mim... seu desequilibrado. – ela murmura, de olhos fechados.

– O que aconteceu aqui, senhor? – era Constance, a empregada que começara ali no último mês.

– Nada de seu interesse. Apenas peça a William para levar a Srta. Pierce ao hospital, está bem? – Damon responde, o semblante fechado, dando as costas às duas e subindo as escadas rapidamente.

Dirigiu-se transtornado para o próprio quarto, onde descontou a fúria em diversos objetos, reduzindo-os a pedaços e cacos pelo chão. Alguns minutos após ouvir o som do carro da família afastando-se da propriedade, buscou uma das garrafas de whisky que havia no escritório do pai, e sentado em sua cama, encheu copo depois de copo, e num piscar de olhos, o líquido âmbar havia sido reduzido à metade.

Mais alguns instantes e encaminhou-se ao quarto de Giuseppe, acompanhado da garrafa e do copo, pronto para tirar satisfações com ele por ter enchido a cabeça de sua agora ex-namorada com aquele papo furado de que ela merecia alguém melhor do que o próprio filho.

E bem... Damon acabou conseguindo o que queria: briga! A discussão entre ele e o pai durou vários minutos, as vozes exaltadas e as acusações de ambas as partes ecoando por toda a casa, e só foi interrompida com o mal estar súbito de Giuseppe.

– Damon... filho... – diz ele, pálido, levando uma das mãos ao peito – Meu remédio... por favor...

– Este aqui? – o rapaz pergunta, aproximando-se da cômoda e pegando o frasquinho branco que havia ali.

– Esse mesmo... Traga um comprimido... para mim filho...

– Sabe... – Damon começa, dirigindo-se para a porta, devagar – Acho que já está na hora de aliviar o seu sofrimento, meu velho!

– Do que... do que está falando? – Giuseppe indaga, ofegante.

– Que não vai mais precisar desses comprimidos! – responde, derrubando as cápsulas restantes no chão e esmigalhando-as com o pé.

– O que você fez?

– Adeus Sr. Salvatore! – completa, dando-lhe as costas e saindo do quarto.

“Ah velho... Você já foi tarde!” o rapaz comenta, para si mesmo, voltando a enterrar aquelas lembranças o mais fundo possível em sua mente, encaminhando-se para seu antigo quarto como se nada daquilo tivesse mesmo acontecido.

**********

– Caroline? É você mesma menina? Ou será que estou tendo alucinações? – pergunta Marie, ao abrir a porta e se deparar com a garota.

– Oi tia! – ela responde, com um sorriso.

– Ah, minha querida! – a senhora suspira aliviada, puxando a garota para um abraço – Como você está? Estava tão preocupada com você!

– Estou bem, como há tempos não me sentia.

– E você, quem é? – questiona, ao notar a presença de um rapaz loiro logo atrás da sobrinha-neta.

– Tia, esse é o Jasper, meu... ah...

– Jasper Whitlock, namorado da Caroline. – diz ele, estendendo a mão para a senhora – Muito prazer!

– O prazer é meu, querido. – Marie responde, com um sorriso – E ouvi errado ou você disse mesmo a palavra “namorado”?

– A senhora está ouvindo bem, garanto! – o rapaz responde, trazendo a garota para perto de si, como que para comprovar suas palavras.

– Não imagina o quanto me alegra ouvir isso! Estava mais do que na hora da Care se livrar daquele traste... – ela comenta, aos sussurros — Venham, vamos entrar! – diz ela, dando passagem para eles e indicando o sofá para que se sentassem – Volto num minutinho, ok? — completa, sumindo pelo corredor.

Marie voltou alguns minutos depois, trazendo nas mãos uma bandeja com café e alguns biscoitos amanteigados. Após servi-los, sentou-se no outro sofá, de modo a ficar de frente para os dois. Havia algo diferente no semblante de Caroline, algo que não conseguia mais notar a um bom tempo. A sobrinha parecia esperançosa e... feliz. Mas o pequeno curativo em seu braço esquerdo chamou a atenção da senhora, deixando-a preocupada.

– O que aconteceu, Care? – Maria pergunta, indicando o curativo – Você esteve no hospital? Por que não me avisou?

– Tia, acalme-se! Eu posso explicar tudinho pra senhora, mas preciso que fique calma, está bem? – diz Caroline, fazendo sinal com as mãos para que a senhora respirasse no mesmo ritmo que ela.

Assim que percebeu que a respiração de Marie voltava ao normal, a garota passou a explicar tudo o que havia acontecido nas últimas 24 horas: como conhecera Jasper, como ele a estava ajudando, sobre o porquê de ser internada e sobre apoio e conforto que recebera dele enquanto esteve no hospital, contou da ameaça vinda de Damon, e o principal: de como se descobrira apaixonada pelo homem ao seu lado.

Jasper também aproveitou para explicar a ela sobre as medidas de segurança que ele tomara ao contratar pessoas especializadas para manter Damon afastado, e fez questão de garantir-lhe que a presença dos seguranças não atrapalharia em nada sua rotina. E como era de se esperar, teve de explicar suas reais intenções com Caroline para Marie, sendo recebido num abraço caloroso logo em seguida.

Cerca de uma hora depois, despediram-se da tia da garota, mesmo sob os protestos dela pedindo para que passassem a noite ali, e encaminharam-se de braços dados até o carro de Jasper.

– Então namorada... Tem mais algum lugar para onde queira ir, ou podemos seguir direto pro hotel? – ele pergunta, ajeitando uma mecha do cabelo dela.

– Hmm... Deixe-me pensar... Veneza é muito longe? – diz ela, em tom de brincadeira.

– Um pouquinho só... – Jasper responde, no mesmo tom – Mas podemos ir imediatamente, é só pedir!

– Não seja bobo Jazz! Venha, vamos logo pro hotel... o cansaço está afetando seu raciocínio.


Notas finais
Bom, aí está! Espero que tenham gostado.

E por favor leitores fantasmas, venham para a luz e comentem! hehehe

Até a próxima semana...

xoxo