Sempre Estarei Aqui Por Você
20 Capítulo 20 - Palavras Não Dizem O Que Um Amor Pode Fazer
Notas iniciais
Dois dias depois...
Caroline abriu os olhos lentamente, sentindo-se estranhamente grogue. Ao levar uma das mãos aos cabelos, pode notar que estava conectada ao soro, além de ter em um dos dedos o dispositivo que a mantinha ligada ao monitor cardíaco.
Confusa, fez um esforço para sentar-se, mas ao se mover, pode ver que Jasper dormia numa cadeira ao lado de seu leito, a cabeça apoiada sobre um dos braços enquanto, com a mão livre, ele segurava a outra mão da garota.
Ao vê-lo ali, a compreensão começou a lhe atingir, mesmo que de modo lento. Havia a doceria, o carro azul tão familiar, Damon, pânico... e então Jasper. A esperança de vê-lo ali substituída rapidamente pelo medo sufocante de perdê-lo. E logo após, o som do disparo e a dor.
Como se isso não fosse suficiente, havia também a dor nos olhos do homem que ela amava, o desespero e as lágrimas misturadas no olhar de Jasper. Acima de qualquer dor física, vê-lo sofrer fazia seu coração ficar tão apertado e pequenininho que até mesmo respirar se tornava difícil.
Mas se ele estava ali ao seu lado agora, significava que estava a salvo, e isso era o que mais importava naquele instante. Qualquer desconforto que pudesse sentir devido ao trauma que havia sofrido era mínimo, quase insignificante, pois seu namorado estava ali, ao alcance de seus olhos, a apenas alguns centímetros de seu toque.
A garota não conseguiu resistir ao impulso de afagar os cabelos de Jasper, afinal, precisava se certificar de que ele era mesmo real, certo? Mesmo que, lá no fundo, aquela fosse a desculpa mais esfarrapada do mundo, ela a entoava como um mantra, pronta para usá-la no caso de alguém a flagrar ali naquele momento.
O toque delicado de Caroline foi suficiente para fazer o rapaz despertar e ajeitar-se direito na cadeira. Passados os segundos de confusão, Jasper não pode conter um sorriso ao ver a garota acordada à sua frente. Pedira tanto para ter a chance de ver aqueles olhos verdes mais uma vez que não sabia nem como reagir direito.
Seu primeiro impulso era o de colocar-se de pé e beijá-la, mas se refreou. A namorada passar por uma cirurgia delicada e acabara de acordar depois de dois dias sob o efeito de sedativos, então precisava conter sua euforia em tê-la finalmente de volta.
Ao vê-la sorrir em resposta, Jasper aproximou-se com cautela e uniu seus lábios aos dela com delicadeza. E mesmo que o toque tenha durado poucos segundos, foi suficiente para fazê-lo se sentir vivo outra vez.
– Tive tanto medo de perder você... – ele sussurra, envolvendo o rosto dela com suas mãos.
– Tanto quanto eu tive de te perder, amor. – Caroline responde, afagando as mãos dele.
– Nunca mais me assuste desse jeito, está ouvindo mocinha? Não sei se seria capaz de suportar vê-la ferida outra vez.
– Prometo que vou tentar me manter longe de confusões! – diz ela, beijando os próprios dedos indicadores num sinal de promessa.
– Acho muito bom mesmo. – Jasper responde, seriamente. – E pode apostar que vou cobrar!
– Bobo! Não precisa disso...
– Quem garante? Tenho de cuidar bem da minha futura esposa, não é? Tem muito marmanjo por aí de olho comprido pra cima da senhorita...
– Espere... Você disse futura esposa?
– Não sei. Eu disse? – ele pergunta, com cara de quem não fazia ideia sobre o que ela estava falando.
– Não banque o desentendido pra cima de mim, Jazz! – Caroline responde, cruzando os braços e fazendo um biquinho adorável.
– Hey... Nada de agitação mocinha, você acabou de acordar. – o rapaz a repreende gentilmente. – Acho melhor avisar a enfermeira. – completa, acionando o botãozinho acima da cabeceira da cama da garota, que indicaria a necessidade da vinda de umas das enfermeiras até o quarto.
– Estou me sentindo bem, só pra constar.
– Não acredito que vai bancar a teimosa! Logo você que deveria estar acostumada com tudo isso.
– Uma coisa é você atender os doentes, amor. Outra bem diferente é ser um deles... – diz ela, com um suspiro.
– Caroline! Graças aos céus você acordou! – diz Angela eufórica, assim que entrou no quarto. – Deu um baita susto em todo mundo, sabia? – ela continua, aproximando-se da cama. – Então, como está se sentindo?
– Jasper me chamou de “futura esposa”, então estou nas nuvens! — a loira responde, com um sorriso radiante. Mas ao ver a amiga girar os olhos com seu comentário, ela logo emendou. – E estou me sentindo bem, ok? Sem enjôos, sem tontura... tudo nos conformes.
– Por enquanto... – a enfermeira murmura, com um sorriso discreto. – Bem, vou chamar o Dr. Cullen para avaliá-la. Volto em alguns instantes. – completa, deixando o quarto rapidamente.
– O que ela quis dizer com “por enquanto”? – Caroline pergunta, confusa.
– Você ouviu, não foi? – e ao vê-la acenar afirmativamente, ele não pode deixar de sorrir. – Sabe, tenho um presente pra você. – ele continua, afastando-se da cama e seguindo em direção ao sofá no canto oposto do quarto. Sobre ele, uma caixa retangular branca com um grande laço amarelo chamava a atenção. O rapaz apanhou o embrulho e o levou para ela, entregando em suas mãos. – Aposto que vai adorar a surpresa. – completa, com uma piscadinha.
– Como estamos misteriosos, não? – diz ela, desfazendo o laço rapidamente e erguendo a tampa da caixa em seguida. Ela analisou o conteúdo por alguns instantes com a confusão visivelmente estampada em seu rosto, levando mais alguns segundos para tomar coragem de tirar as pelúcias que haviam ali dentro. – O que exatamente significa isso? – a garota pergunta, olhando das duas cegonhas, uma com detalhes em azul e outra com detalhes em rosa, para o namorado várias vezes.
– Bom – Jasper começa, sentando-se na beirada da cama ao lado dela e envolvendo sua cintura num meio abraço com o máximo de cuidado, — esses bichinhos vieram lhe dizer “Parabéns futura mamãe!”. Está esperando um filho nosso, Caroline. – diz ele, com um sorriso encantador.
– Estou... grávida? Mas... como você sabe?
– Vi o resultado do exame, oras! – o rapaz responde, com um dar de ombros. – Aliás, se olhar com atenção, vai notar que cada bebê urso que as cegonhas estão carregando traz consigo uma caixinha... Não tem curiosidade em descobrir o que há dentro delas?
– O que está aprontando, senhor Whitlock? – Caroline questiona, estreitando os olhos. Como viu que ele não responderia, apenas bufou frustrada e apanhou as caixinhas nos braços dos “bebês ursos”. Ao abri-las, pode encontrar uma aliança dourada em cada uma das caixas, o que fez com que seus olhos se enchessem de lágrimas quase instantaneamente.
– Aceita casar comigo, Caroline? – diz Jasper, com o rosto a poucos centímetros do dela.
– E você tem alguma dúvida? – a garota responde, tomando os lábios dele nos seus num beijo apaixonado.
**********
Dois anos depois
Com a morte de Damon e a prisão de Elena, as coisas nas vidas de Jasper e Caroline finalmente entraram na normalidade. Sem as ameaças e armações constantes, eles enfim encontraram a tranquilidade e felicidade que mereciam.
Após o casamento, que aconteceu três meses depois da garota deixar o hospital, o casal se mudou definitivamente para a casa que pertencera aos avós maternos de Jasper. Afinal, como Cora ressaltou, seu netinho ou netinha merecia crescer no lugar que havia visto o amor de seus pais se fortalecer dia a dia.
Quatro meses depois, o pequeno Matthew Forbes Whitlock nasceu lindo e saudável no “Hope Zion Hospital”, deixando seus pais extremamente felizes e babões, logicamente. O garotinho seria cercado de mimos e carinhos, com toda a certeza. E não apenas de seus pais, mas também pelos avós e tios, que estavam animados com a chegada do caçulinha da família.
Mas hoje era dia de comemorar o aniversário de outro integrante da família. Benjamin estava completando oito anos e a festa seria na nova casa de Bella e Edward, já que o apartamento em que viviam iria ficar pequeno com a adição que a família ganharia em poucos meses.
A irmã de Jasper estava esperando seu segundo filho, ou melhor, filha. A pequena Nicole, ou Nikki, como Edward a chamava toda vez que sentava ao lado da esposa para conversar com a bebê, já era imensamente amada por todos. Oliver, o vovô coruja, já comprara diversas bonecas de pano e bichinhos de pelúcia, e dizia todo orgulhoso que, em breve, os tribunais da cidade conheceriam e respeitariam mais uma das garotas Whitlock!
– Matt querido, você poderia sossegar esse bumbum por alguns minutos para que a mamãe possa vesti-lo? – diz Caroline, tentando passar os bracinhos do filho de um ano e cinco meses pelas mangas da camisa. – Vai ficar todo amarrotado desse jeito, sabia?
– Mas eu quero ir fazer a barba com o papai! – o pequeno resmunga, fazendo beicinho e cruzando os braços.
A garota não resistiu ao impulso de sorrir e abraçá-lo apertado. Matthew era uma perfeita miniatura de Jasper: olhos verdes e cabelos loiros, num tom levemente mais escuro que os dela mesma. A única diferença estava nos cachinhos do menino, herança da mãe, visto que os cabelos do pai eram mais lisos.
A carinha emburrada também lembrava muito a do marido quando fazia manha, e Caroline ficava ainda mais feliz ao ver todas aquelas semelhanças entre os dois. Sentia-se completamente realizada com o casamento e a maternidade, e não se arrependia em nenhum momento por ter colocado a carreira em segundo plano para cuidar do filho, do marido e da casa em tempo integral.
Após encher o rostinho do filho de beijos, ela voltou a falar, segurando as duas mãozinhas de Matt entre as suas com carinho.
– Amorzinho... Seu pai ainda está no banho. Assim que ele sair, você pode ir vê-lo fazer a barba, tudo bem? Mas enquanto isso, podemos terminar de arrumar você.
– Mas papai faz bigode de espuminha no Matt, mamãe! E se sujar a minha camisa com desenho do Thomas?
– Bom... nesse caso é melhor a mamãe arrumar você depois, não é? – Caroline responde, tirando a camisa que acabara de vestir no filho e colocando-a sobre a cama, deixando-o apenas de fralda – Acho que agora está pronto para brincar com o papai. – completa, pegando o filho no colo.
– Ainda não está pronto, campeão? – era Jasper, parado à porta do quarto do filho com os cabelos levemente úmidos e bagunçados, vestindo apenas uma calça de moletom e com uma toalha de banho sobre os ombros. – Ele está dando trabalho? – pergunta, dirigindo seu olhar à esposa.
– Está um pouco agitado, só isso. – ela responde, aproximando-se mais dele e lhe dando um selinho. – Aliás, se seu pai não tivesse prometido aos netos o tal show de mágicas, coisa que seu filho está ansioso para ver, eu diria para desistirmos da ideia de ir até a casa da sua irmã...
– E por quê? Tem alguma coisa errada? – o rapaz pergunta, encarando-a levemente preocupado.
– Com certeza, Sr. Whitlock. Vê-lo nesses trajes e assim tão perto não me deixa raciocinar muito bem, sabe? Eu poderia sequestrá-lo e lhe obrigar a passar o dia inteirinho ao meu lado... – diz ela, encarando-o com um sorriso travesso nos lábios.
– Eu não ofereço nenhum tipo de objeção à sua ideia, Sra. Whitlock! – ele sussurra, beijando o pescoço dela delicadamente.
– Mas a gente precisa ir na casa do primo Ben, papai! Não pode deixar ele sem o presente de aniversário! – diz Matthew, fazendo seus pais rirem de sua carinha ansiosa.
– Você está certo campeão. – Jasper responde, pegando o filho no colo. – Além do mais, sua mãe e eu podemos resolver esse assunto mais tarde. – completa, piscando para a esposa e dirigindo-se ao banheiro em seguida.
**********
Jasper chegou à casa da irmã, que ficava a menos de um quilômetro de sua própria casa, com o filho no colo e de braços dados com a esposa. Logo no portão, pode ver o pai vestindo capa preta e uma cartola, trazendo uma varinha de mágico numa das mãos enquanto tentava distrair as crianças que já estavam ali; em sua maioria, os coleguinhas de turma de Benjamin.
Após cumprimentá-lo com um aceno, seguiram para o interior da casa, onde encontraram Cora enchendo de mimos a filha grávida de seis meses. Alheio àquilo tudo, Benjamin permanecia sentado em uma das banquetinhas próxima ao balcão da cozinha, parecendo abatido.
Caroline indicou a cena ao marido e encaminhou-se para lá, pedindo com o olhar para que Jasper os desse um tempinho para conversarem a sós.
– Por que está tão tristinho, querido? – ela pergunta, puxando outra banquetinha e sentando-se ao lado do sobrinho. – Deveria estar brincando com seu avô e seus amigos lá no jardim.
– Oi tia Care... – Benjamin responde, com um suspiro. – É errado sentir falta da atenção que eu recebia das pessoas? Digo, agora todo mundo só tem olhos pra Nicole, e ela ainda nem nasceu. Todos os presentes, sorrisos e carinhos são pra ela! Até parece que esqueceram que eu existo.
– Ah meu querido, não precisa se sentir assim... – a garota responde, levantando-se e puxando-o para um abraço apertado. – O que está sentindo é ciúme, e é bem normal nessa situação. Mas ninguém, e quero que preste muita atenção no que vou dizer, ninguém vai deixar de te amar! Você é insubstituível, meu lindo. Sua irmãzinha só vai trazer ainda mais alegria pra sua família, e aposto que quando olhar no rostinho dela pela primeira vez, vai se apaixonar de cara! Serão parceiros, vão cuidar um do outro e implicar um com o outro também, mas isso faz parte... – ela continua, com um sorriso. – Agora, o que me diz de ir comigo até a sala de estar e abrir os presentes que seus convidados trouxeram? Aliás, eu sugiro que comece pelo presente do seu tio... Tem algo muito, mas muito legal naquela caixa!
– Verdade? – ele pergunta, com os olhinhos brilhando de expectativa. – Então vamos logo! – completa, pulando da banquetinha e puxando a tia consigo até a sala.
Após cumprimentar o tio com um abraço e receber os parabéns de Jasper pelo aniversário, Benjamin aceitou a caixa que o pequeno Matthew estendia para ele, pegando a mão do primo e puxando-o consigo até o sofá para que pudessem abri-la juntos.
De lá de dentro, tirou um avião de quase trinta centímetros, azul com detalhes em vermelho e dourado. Os meninos mal conseguiam conter a euforia ao ver o brinquedo, e logo após agradecer aos tios pelo presente, Ben seguiu com Matt até o jardim, louco para mostrar a novidade para as outras crianças.
– Finalmente ele está sorrindo! – diz Bella, observando o filho através da janela. – Acho que ele está se sentindo renegado, e eu não queria meu principezinho triste.
– Benjamin está apenas enciumado, mas já conversei com ele. Pode ficar tranquila! – Caroline responde, abraçada ao marido.
– Vou tentar Care, mas não sei se consigo, sabe? Esses hormônios loucos estão me matando! Espere até chegar a sua vez de ter de se dividir entre duas crianças, aí poderemos conversar.
– Combinado! Tentarei encaixar você na minha agenda, tudo bem? Depois te ligo avisando o horário. – a loira responde, aos risos. – Agora, se nos dão licença, preciso de um minuto a sós com meu marido. – completa, puxando Jasper consigo em direção à cozinha.
– Hey! Nada de encomendar bebês no meu balcão de mármore! – a morena grita em resposta, fazendo a cunhada ficar vermelha no mesmo instante.
– Usaremos o jardim dos fundos irmã, pode ficar tranquila. – diz Jasper calmamente, fazendo Bella se calar rapidamente.
E como o rapaz havia dito, seguiram para o jardim dos fundos, onde sentaram-se lado a lado num banco defronte a um canteiro de tulipas de várias cores.
– E então... algum motivo especial para estarmos aqui sozinhos? – ele pergunta com um sorriso, afagando o rosto dela.
– Na verdade, há sim. Acho que o próximo a sofrer com ciúmes será o Matthew, amor.
– Como? – e ela não pode não sorrir ao ver a confusão no rosto do marido.
– Em breve não seremos mais só nós três naquela casa, Jazz. Voltaremos a nos revezar durante as madrugadas para acudir o bebê, ou a bebê... – Caroline responde, tomando as mãos dele nas suas e levando-as até a região do ventre, onde já se podia notar um pequeno volume.
– Está grávida? Seremos pais outra vez, é isso mesmo? – ele pergunta eufórico, vendo-a acenar afirmativamente. – Será nossa pequena Candice a caminho?
– Não faço ideia, querido! Mas sua irmã é capaz de nos acusar de plágio se for uma menina, sabe?
– Ela pode dizer o que quiser, mas nada vai mudar o fato de que minha família é linda e perfeita.
– Obrigada por tudo isso, amor. Amo você! – diz ela, com os olhos marejados.
– E eu amo você! Obrigado por ficar ao meu lado, minha linda.
– Eu prometi, não é? Falei que...
– Sempre estaria aqui por mim, do mesmo modo que sempre estarei aqui por você! – diz Jasper, completando a frase da esposa e unindo seus lábios aos dela em seguida.
Tudo que haviam perdido, todos os obstáculos e reveses que se apresentaram em suas vidas... tudo isso ficara para trás, fora superado com o amor que eles descobriram um no outro. E no que dependesse do casal, a promessa de “sempre estar ao lado daquele que amavam” seria renovada a cada novo dia, em cada troca de olhar, em cada carinho, em cada beijo, em cada sorriso no rosto dos filhos... enquanto ambos vivessem...
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