Sempre Contigo
2 Capítulo 2 — Me perdoa.
Notas iniciais

Já estava há mais de três horas na chuva. Meu corpo estava gelado, eu tossia cada vez mais, eu não resistiria àquele temporal...
Por sorte estava perto de casa, as luzes já estavam apagadas e Rebeca devia estar dormindo...
Abri o portão e minha tosse estava muito forte, tentava segurar, mas não conseguia. Abri a porta, torci o meu cabelo e tirei o excesso de água.
— Manuela... — Batia na porta, que estava trancada. — Manuela abre essa porta! — Encostei minha cabeça na porta. — Manuela, você já dormiu?!
Então ouvi um barulho de chave, mas minha cabeça doía tanto que nem me mexi, alguém abriu a porta e eu me joguei em cima dessa pessoa, eu mal conseguia abrir os olhos.
— Regina... Não me bate Regina. — E perdi os sentidos.
Rebeca.
Era pouco mais de onze horas da noite, virava de um lado para o outro na cama e nada da Manuela abrir aquela porta e se deitar na cama. Meu coração estava apertado, as palavras de Manuela me machucaram demais, mas eu sei que ela disse isso da boca para fora. Eu sentia...
Do lado de fora, ouço uma tosse alta e forte, abro a janela e vejo a Manuela toda encharcada. Ela mal conseguia ficar de pé!
Antes que eu saísse do quarto, ela já batia na porta de casa, chamando pelo seu próprio nome... Ela estava delirando.
— Regina... Não me bate Regina. — Manuela disse isso, caindo nos meus braços inconsciente.
— Regina?! Quem é Regina? — Falei, enquanto Manuela recobrava os sentidos aos poucos. Ouvi vozes vindas do lado de fora, provavelmente de Helena e Pedro.
— Rebeca? — Helena olhou-me assustada. — O que aconteceu? O que aconteceu com a Manu?!
— Ai Helena, que bom que vocês chegaram! Pedro me ajuda a levar ela no banheiro, ela precisa de um banho quente!
— Claro que sim Rebeca. — Ele pegou Manuela no colo e foi em direção ao banheiro.
— O que houve? A Manuela está toda molhada!
— Nós discutimos pela milésima vez e ela saiu de casa na chuva, voltou delirando... A culpa é toda minha.
— A culpa não é sua Rê. Vocês vão se acertar, você vai ver!
Assenti com a cabeça e fui até o banheiro. Pedro estava escorado na parede, enquanto Manuela ainda repetia o nome de Regina.
— Será que não é melhor levar ela para o hospital? — Pedro me perguntou. — Ela fala como se tivesse medo...
— Está chovendo... Melhor não. Vou cuidar dela, se até amanhã não melhorar, eu chamo um médico. Mas obrigada, de verdade! Pode ir, você já fez bastante.
Pedro foi embora e eu terminei de ajudar a Manuela no banho, depois sequei seus cabelos e por fim a coloquei na cama, ela adormeceu logo em seguida e medi sua febre.
— 39 graus... — Dei um beijo em sua testa e sorri. — Te amo, filha!
Isabela.
Acordei um pouco tonta. Não me lembrava de muita coisa, minha cabeça doía um pouco, mas vi Rebeca ao meu lado segurando um termômetro.
— 37 e meio! — Ela sorriu. — Ainda bem que baixou a febre! Está melhor, filha?
— Eu? — Perguntei, me escorando na cabaceira. — Estou sim, por quê?
— Ué... Você saiu de casa na chuva, voltou delirando, chamando pelo nome de “Manuela” como se esse não fosse seu nome, dizendo o nome de tal de Regina... Fiquei preocupada!
— Você escutou errado...
— Manuela, você estava pelando de febre! Claro que estava delirando, eu só fiquei preocupada com você, isso nunca tinha acontecido antes.
Virei para o lado, e lembrei-me de uma coisa que Regina havia me dito:
— Quando sua mãezinha descobrir que você é, na verdade, a filha que ela vendeu... Ela vai te expulsar de novo, querida. Ou acha que ela vai se arrepender? Você e sua irmã são duas tontas, isso sim!
Balancei a cabeça negativamente, e olhei com tristeza para Rebeca. Tinha que confirmar aquilo de alguma forma!
— Você está brava comigo? — Perguntei com voz triste. Não queria ter feito aquilo, mas eu fiz.
— Não... Agora é hora de cuidar de você, e não brigar. Fiquei tão desesperada quando você chegou ontem, ardendo em febre, delirando...
— E você continua gostando de mim, mesmo... Eu ter mudado, e a gente brigando sempre?
— Claro que sim, meu amor... Eu amo você de qualquer maneira, filha. Isso não se discute! — Sorri.
Virei os olhos, e pensei. Então perguntei:
— Você gostaria de ter outra filha... Além de mim?
— Ah! Claro que sim. Encher a casa de crianças... Sempre foi o meu sonho. — Ela disse olhando em meus olhos, claro que ela podia estar mentindo.
— Verdade?! — Abri um sorriso tímido.
— Sim... Sabe que quando eu estava esperando você, eu até pensei estar grávida de gêmeas, todo mundo dizia isso. Mas aí quando dei a luz, veio só você! O parto foi difícil, passei muito mal... Fiquei desacordada durante todo o tempo. Mas graças a Deus você nasceu saudável!
Então era verdade. Rebeca nunca soube que teve gêmeas, ela não me vendeu!
E eu fui tão injusta...
— Você me perdoa?
— Pelo quê, Manu?
— Por tudo... Principalmente pelo que te disse ontem. Eu não queria ter dito aquilo, me perdoa, por favor.
— Não precisa pedir perdão, filha. — Se aproximou de mim e me deu um beijo no rosto. — Mas eu perdoo você. Eu amo você.
— Eu... Também te amo. — Disse de cabeça baixa.
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