Notas iniciais
Olá a todos , desta vez não vos fiz esperar muito he he he

Entretanto o fim-de-semana tinha passado. No Domingo Edmund tinha voltado para casa. Estava completamente esgotado.

A semana estava a começar e eu tinha de fazer a maioria das tarefas já que Len se encontrava ausente. Preparei o pequeno almoço e fiz as camas.

Eu, Lucy e Edmund dirigimo-nos para a nossa escola. Quando lá chegamos, Miriam veio logo falar comigo.

–Su! – deu-me um abraço apertado. – Como é que estás? – de que é que ela estava a falar? Com certeza não podia estar a referir-se ao incidente de Peter.

–Miriam, estás a falar de quê? …

–Do teu irmão, Peter! Coitado. Como é que está a tua irmã?

–Está desgostosa. Ela adora Peter.

–Já vi a Margaret. Ela anda a chorar pelos cantos. – disse Miriam com um tom lamentoso.

–Margaret? Quem é a Margaret?

–Ora Susan, a namorada do teu irmão.

–Ah, a rapariga que estava com ele?

–Sim, ela chama-se Margaret. Tem a mesma idade que ele, mas não andam na mesma turma.

–Como é que sabes tanta coisa sobre ela? – Gracejei.

–Bem, Elizabeth é que sabe tudo e mais alguma coisa sobre ela.

–Por falar em Elizabeth, onde é que ela está?

–Não sei. Eu tinha acabado de chegar quando te vi. Mas provavelmente está com Claire na sala comum.

–Miriam, como é que soubeste do que aconteceu a Peter?

–Não se fala de outra coisa na escola! Toda a gente sabe o que se passou com ele.

Fiquei um pouco atónita. Como é que toda a gente sabia de um dia para o outro? Eu não contara nada a ninguém. As únicas pessoas que sabiam do que se passava eram eu, Lucy e Edmund. Nenhum de nós contaria nada a ninguém… Como é que…?

Naquele momento percebi tudo. Eu contara a William. E William espalhara pela escola. Mas que excelente melhor amigo que ele era.

–Miriam, vamos à sala comum.

–Já? Mas ainda faltam dez minutos para a aula.

–O melhor é ir ter com elas. – Miriam acabou por concordar comigo e juntas dirigimo-nos à sala comum. Lá encontramos Elizabeth e Claire. Esta passou o tempo todo a abraçar-me. Queria reconfortar-me o máximo possível. Elizabeth encontrava-se calada, demasiado calada. Disse-lhes que iria falar com o William. Elas entreolharam-se entre si. Como elas não tinham conhecimento nem de Nárnia nem de Caspian pensavam que eu sentia algo mais do que amizade por William.

Encaminhei-me até ao piso dele. Estava com relativamente pouca gente. Eu sabia onde era a sala dele, e mal olhei para ela, vi os seus cabelos loiros ondulados. Quando ele me viu a aproximar ficou surpreendido. Aproximou-se logo de mim e sem hesitar abraçou-me com muita força. Fiquei completamente envergonhada. Não estava à espera que ele fizesse aquilo. O abraço durou bastante tempo e ele deu-me um beijo na testa antes de me largar.

–Como é que estás? – Perguntou-me ele. William encontrava-se demasiado próximo de mim. Ele poderia beijar-me a qualquer altura se ele quisesse, e eu não me sentia confortável com isso.

–Will, estou tão chateada contigo! Como é que foste capaz?!

–Estás a falar de quê Su? – Ele ficou um pouco atrapalhado e ainda mais preocupado.

–Não faças de conta que não sabes de que é que eu estou falar. Will, tu espalhaste aquilo que se passou com Peter. Já toda a gente nesta escola sabe do que aconteceu!

–Estás enganada Susan. – William continuava calmo, como sempre. – Eu contei apenas a Margaret. Ela precisava de saber. Afinal ela é a namorada de Peter e está preocupadíssima. – eu ia voltar a acusá-lo, mas decidi não o fazer. Ele não tinha feito nada de mal. E eu tinha-o acusado injustamente. Provavelmente fora Margaret que contara a alguém e depois esse alguém contara a outra pessoa e por aí fora. Começava a não gostar dessa tal Margaret.

–Hum… Desculpa ter-te acusado assim sem provas. – Fiquei muito atrapalhada e sentia a minha face a arder.

–Não faz mal Susu. – levantei o olhar e fixei os meus olhos nos dele com um ar pasmado. Ele chamara-me “Susu”. Ele não me chamava isso desde que éramos pequenos. As memórias dessa época feliz começaram a flutuar na minha mente. Lembrava-me de mim, com sete anos e ele com oito. William passava os verões quase inteiros em nossa casa. Ele e Peter eram completamente inseparáveis. Eles os dois passavam aquelas tardes quentes a subir duas árvores enormes que tínhamos no nosso jardim de trás. Como eles eram mais velhos que eu, conseguiam fazer isso sem problema algum, mas eu, como era uma miúda pequena e sem força nenhuma, chegava a meio e não conseguia trepar mais. Um dia, Peter e William foram buscar bebidas para nós e eu fiquei sozinha em frente da árvore maior. Queria provar que eu não era apenas inteligente. Queria mostrar a eles que conseguia fazer aquilo que eles faziam. Comecei a trepar. Cheguei quase ao topo, mas ao colocar a mão num ramo, este quebrou-se. Caí de uma altura considerável. William chegou para ver como é que eu estava e ao ver-me naquele estado, correu em meu auxílio. Ainda naquela altura, passados nove anos, eu me recordava exatamente das palavras que ele me tinha dito naquele dia abafado de verão.

“Susu, tem cuidado, não tentes esforçar-te demais. Sabes, embora tu sejas corajosa e aventureira como nós, continuas a ser uma rapariga.”

Eu comecei a chorar, como é óbvio. Ainda por cima tinha caído por cima do ramo, tendo este perfurado o meu joelho. Graças a essa aventura tinha ainda naquele dia uma cicatriz feia no meu joelho direito. Eu chorava descontroladamente e o pobre William não sabia o que fazer. Mas ao fim de algum tempo, ele decidiu pegar em mim e levar-me ao colo como se fossemos recém-casados. Depois de ele pegar em mim disse algo que eu nunca esquecera.

“Não vou deixar que te voltes a magoar. A partir de agora serei o teu príncipe valente que estará aqui sempre para te salvar” . Ele tinha dito aquilo com um sorriso tão radiante que qualquer pessoa acreditaria em tudo aquilo que aquela criança dissesse naquele momento.

–Já não me chamavas Susu há algum tempo. — Sorri.

–É verdade. – Sorriu ele. O sorriso era exatamente o mesmo de quando ele tinha oito anos.

–Nessa altura tu ainda gostavas de mim.- Gracejou ele, mas com uma pitada de honestidade.

–Oh até parece William! – Soltei uma gargalhada.

–É verdade! Já não me dás atenção nenhuma. Pela tua atitude até diria que arranjaste outro cavaleiro para te salvar. – Não consegui responder logo. Eu tinha arranjado outro cavaleiro. Esse cavaleiro chamava-se Caspian. No entanto não percebi se William se estava a referir à conversa que tínhamos tido quando éramos pequenos ou se apenas tinha sido uma expressão que lhe viera à cabeça. Como não falei William voltou a falar. – Sabes que eu vou cumprir a minha promessa. Estarei sempre aqui para te salvar. – Ele sorriu-me, pegou na sua mochila e entrou na sala de aula. Eu fiquei ali, pasmada a olhar para ele. William lembrava-se daquilo que me tinha prometido.

Ainda completamente chocada, fui andando pelos corredores em direção à minha sala como se estivesse sonâmbula.

Quando finalmente cheguei ao local destinado, já estava atrasada pelo menos cinco minutos, mas a professora de literatura, sendo eu uma aluna exemplar, deixou-me entrar.

Não prestei atenção nenhuma à aula. Eu estava ainda em estado de choque. William lembrava-se daquele dia de verão. E ele dissera que estava disposto a cumprir a sua promessa. Eu interpretei aquilo como se ele quisesse dizer que não ia desistir de mim. Isso relembrou-me o sonho que eu tivera com William. Flashbacks desse mesmo sonho estavam a inundar-me a mente. Lembrava-me perfeitamente de uma das coisas que ele dissera aí “Eu disse-te que nunca iria desistir de ti Susan. Nunca”. Será mesmo que ele nunca iria desistir de mim? Eu tinha quase a certeza absoluta que eu iria ficar presa para sempre a Caspian. Mas e se William ficasse preso a mim? Assim nenhum de nós os dois seria alguma vez feliz. William, preso a uma rapariga que nunca mostrara qualquer tipo de interesse amoroso por ele e eu, sempre perseguindo um sonho que nunca se poderia concretizar, estar com Caspian.


Notas finais
agradecia imenso se dessem a vossa opinião :D