Sempre Com Você
18 Capítulo 20:Eu vou proteger essas crianças!
Notas iniciais
Pov's Kikyou
-Então agora você tem quem faça o trabalho sujo!-eu disse-O que quer?
-Quero apenas conversar com você,Kikyouzinha.
-Não me chame de Kikyouzinha!-gritei,com raiva-O que quer que você queira conversar comigo,eu recuso!
-Você recusa?-perguntou ele,parecendo estar zombando das minhas palavras-nesse caso,um dos meus capangas terá que fazer você aceitar.
Comecei a suar frio.Sabia que tinha capangas dele me observando naquele exato momento.Eu poderia fugir,mas provavelmente seria pega por eles.
-O que você quer conversar?
-Você irá saber quando chegar ao meu local de trabalho.
Engoli um seco.Eu conhecia aquele local de trabalho,conhecia muito bem.Senti o medo tomar conta de mim,queria fugir,que nem um animalzinho assustado,mas eu não poderia fazer isso.Não tinha escolha.
-Eu irei!-disse,tentando manter uma voz firme.
-Ótimo,meus capangas irão te trazer até aqui de carro.Primeiro,deixe a sua bolsa da escola no chão,pode conter coisas suspeitas.
-Huh?! Então você ainda desconfia de mim?Tudo bem,farei isso.
Deixei minha bolsa no chão.Ele era esperto,sabia que nesse horário os professores,o diretor e até mesmo as faxineiras haviam ido embora,as ruas também estariam desertas.Com minha bolsa no chão,não teria nada para escapar dali,caso a conversa dele fosse um blefe,e ele na verdade,fizer o que fez comigo quando eu ainda era uma criança.Não poderia tentar pegar algo sorrateiramente,ele provavelmente estaria me observando nesse exato segundo,o conhecendo,ele iria hackear o sistema de câmeras de segurança do colégio,tendo acesso ao que elas filmam,e as câmeras do portão do colégio são as que me filmam.
-Agora um dos meus capangas irá algema-la.
-Ei! Como assim algemar?-disse,assustada,deixando cair o meu celular logo após sentir meus pulsos serem imobilizados e algemados.
Um homem grande vestindo terno preto,com uma máscara no rosto praticamente me arrastou até um carro preto,do modelo mais discreto possível.Fui jogada no banco de trás do carro,e lá também tinha outro capanga,assim como no banco do motorista.
Conhecia aquele local de trabalho,e sabia exatamente o que ele fazia lá,mas ele estava sempre mudando de local,para não criar suspeitas.
O carro andou por uma parte que eu nunca tinha pensado que existia nessa cidade,uma parte tão pobre,e que necessitava mais da ajuda do governo do que qualquer outra parte.As poucas casas que tinham,eram feitas de madeira,provavelmente coletada do lixão,a maioria das pessoas parecia dormir na rua,as mães solteiras com seus filhos,os moradores de rua procurando algo para comer nas latas de lixo,crianças passando fome e frio,dormindo perto de um esgoto em céu aberto no meio da rua.Ali,eu também vi uma cena que partiu o meu coração: uma menina,que parecia ter uns treze anos,um menino que parecia ter oito e um menino menor,que parecia ter 4 anos.O menor estava nos braços do menino de 8 anos,e este estava chorando,desesperado,assim como a menina,que apesar de também estar chorando,ainda tentava acalmar o outro menino,provavelmente o seu irmão.As pessoas que passavam por ali tentavam ignorar as crianças,afinal,cada um ali,também estava passando fome.Mas eu não podia ignorar aquelas crianças.
Se eu pedisse para parar o carro,os capangas apenas iriam me ignorar,então eu teria que fugir daquele carro,e tomar muito cuidado para não sair machucada por eles.O carro que estávamos usando era velho e usado,para não criar suspeitas,então as peças também estariam degastadas.Olhei para o banco do motorista que estava na minha frente,e em seguida olhei para o lado.O capanga que também estava no banco de trás olhava para a frente.Se eu fizesse um mínimo movimento suspeito,ele iria olhar para o lado e perceber,teria que ser rápida o suficiente para quebrar o banco,retirando uma peça com o meu pé,ou eu poderia distraí-los.O banco em que eu estava sentada era aberto na parte de baixo,movi o meu pé para lá,e o bati com força.O barulho soou dentro do carro parecendo que estava vindo do volante,assim,o capanga que estava do meu lado se inclinou,e eu movi o meu pé rapidamente para o banco do motorista,tirando uma peça e inclinando o banco ao meio,esmagando um capanga,e derrubando o outro.O carro perdeu o controlo,e,antes que ele batesse em uma barra de ferro,eu abria porta e pulei.
Avistei um beco entre dois barracos de madeira e corri o máximo que pude.Entrei no beco e andei reto,até achar as crianças,que ainda choravam.Me aproximei delas delicadamente.
-O que ele tem?-perguntei,me referindo ao menino que estava nos braços do outro.
-Q-quem é você?-perguntou a menina,um pouco assustada,o ambiente deveria ser também violento,pelo que eu tinha visto antes,as pessoas dali se ignoravam.
-Meu nome é Kikyou,eu estava viajando por aqui e avistei vocês,então pensei em ajuda-los.-menti,não querendo assustar as crianças,e provavelmente elas não tinham visto o carro batendo.
-V-você quer nos ajudar?-perguntou o menino de oito anos,entre soluços.
-Sim,eu quero.
-Ele está doente-disse a menina-mesmo nós dois dando toda a nossa comida pra ele,ele está morrendo.
-Deixe-me ver sua temperatura.-eu disse,mas não consegui tocar a testa da criança,já que minhas mãos estavam algemadas.
Ouvi passos se aproximando de nós,e imediatamente me coloquei na frente das crianças,afim de protege-las.
-Ora ora,essa jovem parece ser generosa.-era apenas um morador de rua idoso,que parecia muito gentil.
-Quem é o senhor?-perguntei
-Sou um morador de rua,estava dormindo perto deste beco e ouvi algumas vozes,depois vim ver o que era.
-Entendo.-falei
-Com licença minha jovem,mas você está com essas coisas nas suas mãos,eu posso tirá-las,e ainda parece que esta criança está doente,ontem eu consegui um pouco de água limpa que pode ser usada para fazer um remédio.
-E onde você teria isso?
-No lugar onde eu moro.É só me seguir.
Arqueei uma sombracelha,e se aquele homem tivesse más intenções?
-Podemos mesmo confiar no senhor?-perguntei,ainda desconfiada.
-Pode,eu não faria mal algum á crianças,nem aos jovens como você.
A menina agarrou a minha saia,e o menino,ainda com o pequeno nos braços fez o mesmo.Se esse homem querer fazer mal á essas crianças,eu vou protege-las.Eu vou proteger essa crianças!
-Vamos segui-lo.-eu disse
Seguimos o idoso pelo beco,e avistamos um barraco de madeira,com algumas lonas o cobrindo.
-É aqui que eu moro.-disse o homem,sorrindo-podem entrar.
Dentro do barraco havia um sofá rasgado,um futon (colchão japonês,que eles usam ao invés da cama,para ocupar menos espaço no quarto,afinal,ele pode ser dobrado e guardado do armário.) degastado,uma mesa que estava quebrando,e,em cima da mesa se encontrava duas garrafas de água mineral,uma jarra,e uma caneca de metal.Coberto por um tapete rasgado,havia outro cômodo,o banheiro.Tinha apenas uma banheira rachada e dois baldes.
-Deite o menino no sofá.Para fazer o remédio,vou colher algumas plantas de uma mulher que tem uma horta aqui perto.Para ferver a água é só ir ao quintal,o vizinho tem um lampião aceso nessa direção e a luz é quente o bastante.-disse o homem-Ah sim,suas mãos-disse ele,em seguida pegou um pedaço de ferro e liberou minhas mãos.
Fiquei surpresa.Eles usavam luz de lampião para ferver as coisas?!
-Ok-respondi-mas está tudo bem?Provavelmente,essa é a única água que o senhor tem.
-Tudo bem,vou apenas ajudar os mais jovens.-disse ele,saindo do barraco.
Abri uma garrafa de água e despejei metade do conteúdo na jarra,não queria usar muito,aquele senhor também precisava de água.
-Menina-a chamei-eu vou ter que ir lá fora por um minuto,mas não demoro,se acontecer alguma coisa,grite imediatamente,fique aqui e cuide deles.Ela assentiu com a cabeça e eu saí.
Minutos depois voltei com a água já quente.Deixei a jarra em cima da mesa e fui ver o menino doente.Coloquei minha mão em sua testa,e ele estava ardendo em febre.Procurei um pano,mas não encontrei nada,então rasguei um pedaço da manga da minha blusa,peguei o que sobrou na garrafa e molhei o pedaço de tecido,depois coloquei o tecido encharcado na testa do menino,afim de diminuir a febre.
Enquanto olhava o menino,a menina me perguntou:
-Moça,você é uma pessoa má?
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