Sempre Assim
1 Capítulo Único
John Watson era um rapaz tranquilo — até certo ponto. Mas toda aquela situação estava se tornando impossível. Estava há horas sem dormir, não que isso fosse um problema. Não mesmo. O problema estava na causa de sua falta de sono.
Sherlock Holmes. Sempre arrogante e imponente. Deus sabia o quanto isso o irritava! Mas, mais do que isso, nada irritava mais John do que a falta de consideração de seu amigo. Era sempre a mesma coisa: surgia um caso, John ia ajudá-lo no caso e, como em um passe de mágica, Sherlock sumia de vista, sempre deixando-o em maus bocados. Dessa vez não tinha sido diferente.
– Atchim!
Um espirro. Seguido de outro. E de outro. Isso é o que acontece quando se fica a noite toda debaixo de chuva — e o vento frio londrino não ajuda em nada nesses casos. Era mais um caso típico, coisa simples. Um objeto que sumiu ou algo do tipo. Sherlock havia pedido para John ficar aguardando algo na rua (que John nem sabia o que era), mesmo com chuva. E, no final, nada aconteceu e tudo havia sido em vão. John estava ensopado, literalmente. Suas roupas estavam encharcadas, os cabelos bagunçados, os sapatos e calça sujos de terra e o semblante estava mais do que irritado.
– Atchim!
Ah, como odiava estar daquele jeito! Irritado, era como se encontrava agora, na Baker St. Veio sem Sherlock, preferiu deixá-lo ficar se exibindo para lá.
Tomou um belo banho quente, vestiu roupas leves e limpas. Mrs Hudson lhe preparou um chá. Podia dizer que estava mais calmo — mas não menos irritado. Decidiu ir dormir, afinal, já era quase dia.
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Acordou tarde, como há muito não fazia. Demorou a levantar, queria aproveitar aquele momento de descanso o máximo possível. Relutou, mas levantou. Foi até a sala. Vazia. Sherlock devia ter arrumado outro caso e foi investigá-lo cedo, era de se imaginar.
Voltou para o quarto. Só agora reparou em um pequeno embrulho que estava na mesinha próximo a cama. Ou melhor, foi colocado lá recentemente. Suspeitou, a princípio, mas pegou-o mesmo assim. Abriu devagar.
Surpreso. Foi exatamente assim que ele ficou. O embrulho continha uma pequena barra de chocolate. Antes que tivesse tempo de pensar de quem seria, ouviu passos que pararam na porta de seu quarto.
– Feliz Páscoa, John.
Virou-se e encontrou Sherlock, que parecia estar de passagem. Não teve tempo de agradecer ou expressar qualquer reação — Sherlock foi embora tão rápido quanto aparecera.
E assim, toda sua raiva desapareceu. Não conseguia ter raiva dele, não mesmo.
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