Sempre

55 Capítulo 55


Notas iniciais
Oi! Vim bem rapido postar mais um capítulo! Espero que vocês gostem!!

A música da galinha pintadinha invadiu a sala e de vez em quando, uma nota musical era tocada. Cecília apenas riu da ânsia de Otávio em tocar as teclas do piano de cauda que acabara de chegar na casa.

O bebê de um ano de idade olhou para o instrumento grande cheio de admiração quando enfiou as mãos sobre ele, vendo que isso criava um som. Cecília continuou voando as mãos nas teclas tocando músicas diferentes, mantendo Otávio enfiado entre as pernas em busca de apoio. Otávio tentou imitar sua mãe, mas só saiu música inusitada.

Passar o tempo com seu filho só trouxe alegria em seu coração. O grande sorriso em seu rosto era genuíno, mas seus pensamentos ainda permaneciam com o homem dormindo no quarto ao lado depois de tomar uma dose mais forte de remédio.

Ela nunca soube o que Eduardo conversou com Amanda e achava que a médica lhe diria, eventualmente, sobre o que se tratava a conversa, mas ela estava errada. Amanda manteve seu rosto estoico enquanto caminhava com Eduardo em direção a ela antes de dizer-lhes para ter um bom dia naquele dia no hospital. Cecília ficou muito aborrecida que mais uma vez Eduardo estava escondendo algo dela.

A maneira como ele forçou o sorriso e fingiu ser feliz apenas acrescentou reviravoltas em seu estômago. Algo estava errado. Ela simplesmente não sabia o que era.

Mantendo esses pensamentos sombrios escondidos no fundo de sua mente, ela se lembrou que Eduardo sempre lhe diria coisas quando estivesse pronto para isso. Ainda não era hora. Dê-lhe tempo para se ajustar e encontrar conforto em contar tudo o que estava escondendo, ela pensava.

Cecília passou a mão pelos cachos dourados do filho. Felizmente, ela o levou ao barbeiro e fez seu primeiro corte de cabelo. Os cabelos de Otávio estavam ficando longos demais para o seu gosto e depois de conversar com Eduardo, ela o levou naquela manhã. Agora satisfeito com o comprimento decente, Otávio puxou a cabeça para trás e olhou para a mãe maravilhado.

— E aí, príncipe?

Otávio piscou antes de murmurar: "Yum yum". Batendo os lábios antes de bater seus punhos minúsculos nas teclas novamente.

Cecília riu da natureza da criança. Colocou a criança de pé, sabendo que agora o bebê odiava ser carregado a menos que quisesse ser consolado, e segurou sua mão enquanto seguiam para a cozinha.

Ao ver Ezili lavando algumas coisas de Otávio, ela sorriu para os dois.

— Decidido a descansar os pequenos dedos?

— Ele é, sem dúvida, um prodígio em formação. — Cecília sorriu antes de perguntar ao pequeno o que ele queria para o almoço. Otávio se sentou em seu assento antes de bater as mãos para baixo, exigindo que ele queria chocolate.

— Depois que você almoçar. Você quer que eu faça uma carne moída com arroz?

Depois de sugerir a refeição, Otávio respondeu:

— Não… papai. Papai. — A criança virou a cabeça e procurou por seu pai. Cecília franziu a testa. Todos os dias Otávio pedia por seu pai, mas ela sabia que não deveria aparecer no quarto de Eduardo com o filho a reboque. Agora não era a hora.

— Otávio, o papai está dormindo. Mimindo. — Lembrando-se de usar a palavra que Eduardo usava quando ele tinha que alertar a criança que era hora de tirar uma soneca.

Otávio fez beicinho antes que seu lábio inferior começasse a tremer. Cecília começou a entrar em pânico quando pegou seu filho e começou a sacudi-lo antes que o choro começasse. Uma vez que os gritos começam a bater em seus ouvidos, ela gemeu de frustração enquanto tentava consolar o pequeno. Ezili continuou lavando os pratos sabendo que Cecília logo logo conseguiria acalmar a criança.

Alguns minutos depois, Otávio choramingou quando ouviu uma voz reconhecível.

Arthur e Marina entraram na cozinha e instantaneamente o bebê de um ano queria estar nos braços da tia Marina. Cecília graciosamente deu seu filho para Marina.

— Como está o Edu? — A voz de Arthur a tirou do transe quando ela olhou para os olhos castanhos cheios de preocupação.

— Ele está melhor. Ele está dormindo agora, mas deve estar despertando em breve.

— Bom. Isso é bom. O que aconteceu se não for muito ousado perguntar? — Arthur sentou-se ao lado de Cecília enquanto ouvia o que ela havia testemunhado e ouvido da boca do próprio Eduardo. Uma sombra de dúvida obscureceu as feições de Arthur enquanto murmurava:

— Eu não acredito nisso. Ele era ... eles não têm câmeras naquele hospital?

— Eles têm, mas não na área onde ele foi atacado.

— Isso é um absurdo. Eles devem ter mais do que algumas câmeras ao redor. – Marina expressou sua opinião quando colocou Otávio em seu joelho. — Eles estão investigando?

— Eles deviam. Está em todos os noticiários. — Arthur respondeu. Ele enfiou um pouco de cabelo atrás da orelha antes de se levantar ansiosamente. — Eu não posso esperar. Eu preciso ir falar com ele. — Ninguém o parou quando ele correu para o quarto onde o homem estava descansando.

As duas mulheres sentaram-se ao redor da mesa antes que Cecília olhasse para Marina e Ezili, que agora estava guardando os brinquedos espalhados.

— Vocês dois podem cuidar de Otávio enquanto eu vou a farmácia? Eu tenho que pegar alguns itens para o Eduardo.

Marina concordou calmamente e Ezili apenas assentiu. Antes de sair, Cecília depositou um beijo suave na cabeça de Otávio.

Vagando pela farmácia, ela se sentiu esgotada. Seus ombros estavam caídos quando ela se apoiou no balcão mais do que ele deveria.

O farmacêutico rapidamente foi em seu auxílio. — Posso te ajudar?

— Hum, sim. Estou aqui para pegar uns medicamentos. Aqui está a receita. Guerra, Eduardo. -Cecília respondeu enquanto seus olhos preguiçosamente iam em direção ao farmacêutico que digitava as informações antes de ir para os fundos. Pegando uma sacola grande, o homem perguntou qual era o endereço para confirmação. Ela respondeu sem esforço e recebeu a sacola com facilidade. — Obrigada.

Segurando a sacola, ela começou a andar pelos corredores um a um sem saber o que mais procurava. Talvez ela estivesse tentando encontrar alguma pista sobre como resolver todo esse problema. Como ela poderia lidar com algo assim? Cecília nunca testemunhou ou passou por uma situação como essa.

Sim, ela era amiga de algumas pessoas que foram abusadas ou tiveram problemas sérios, mas isso... Isso aconteceu com o homem que ela está apaixonada. O homem que era durão como prego e não tinha vergonha de reagir. Eduardo era um dos homens mais fortes que já conheceu e ele estava deitado na cama agora, completamente machucado.

Isso é o que parecia para ela de qualquer maneira.

O homem machucado que ele encontrou. Havia um pequeno fogo em seus olhos, mas não era o olhar de fogo que ela conhecia. Cecília nunca sentiu vontade de desistir, ela nunca quis isso. Ela só queria que as coisas voltassem ao normal. Finalmente, quando as coisas começaram a ficar mais simples, começava a se encaixar e ter tudo o que ela sempre quis, ela estava de volta à estaca zero.

Todas essas lutas que ela teve com Eduardo não eram nada comparadas a isso.

Ela passou a mão cansada pelo rosto e parou quando ouviu a voz alegre.

— Ceci? Isso é você?

Virando a cabeça, ela notou o cabelo cacheado e sorriso alegre.

— Luis Gabriel. — ela murmurou.

Luís Gabriel apenas sorriu com um simples aceno antes de empurrar o carrinho para perto dela antes de lhe dar um abraço.

— Como você tem estado? Aposto que Tavinho cresceu desde a última vez que te vi.

— Sim ... ele cresceu muito.

O sorriso forçado se fez presente, mas não alcançou seus olhos. Luís Gabriel notou a fadiga que percorria seu rosto antes de baixar a guarda.

O sorriso outrora alegre foi substituído por um cheio de tristeza.

— Eu ouvi sobre Eduardo… lamento o que aconteceu com ele. Foi horrível e sei, sem sombra de dúvida, que vocês passarão por isso. As coisas sempre pioram antes de começarem a melhorar.

Lá estava ele de novo, o jovem otimista que conheceu há menos de um ano ou mais de um ano? Ela não conseguia lembrar.

— De qualquer forma, desejo melhoras para ele e se você precisar de alguma coisa... Você sabe o meu número. – Luís Gabriel se remexeu sob o olhar dela antes de virar o corredor, onde Cecília viu o garoto acenar antes de sumir. A mulher e ele trocaram um olhar rápido antes que Cecília pegasse alguns itens do corredor e fosse até o caixa.

No caminho de volta para sua casa, a ansiedade começou a percorrê-la quando ela estacionou seu carro ao lado de uma rua respirando fundo algumas vezes. Seu peito começou a se contrair, seus olhos começaram a lacrimejar, ela mal conseguia respirar antes de colocar a cabeça no volante e chorar.

Lágrimas escorriam pelo seu rosto pálido. Ela estava cansada disso tudo. Não tem muito tempo, mas ela odiava o jeito que Eduardo estava. Ele mal podia deixar que ela a tocasse. Os olhos verdes que ela amava não estavam mais lá e isso a frustrou profundamente. Ela queria sua família de volta. Deixando-se ter mais alguns momentos para si mesmo, enxugou o resto das lágrimas com as costas da mão antes de se acomodar novamente.

Deixando-se acalmar e seu rosto voltando a sua cor natural, em vez da vermelhidão que estava em seus olhos e bochechas começou a dizer a si mesma:

— Tudo vai ficar bem.

Voltando a ligar o carro, ela se lembrou de uma citação que a ajudava a lidar com qualquer coisa que aparecesse em seu caminho.

Ela calmamente recitou para si mesma:

— Se eu puder suportar só por este minuto o que quer que esteja acontecendo comigo, não importa quão pesado esteja meu coração ou quão sombrio seja o momento. Se eu puder permanecer calmo e quieto com todo o mundo desmoronando sobre mim, seguro no conhecimento que Deus me ama. Quando...

Cecília respirou trêmula antes de continuar.

— ... todo mundo parece duvidar de mim. Se eu puder, mas continue acreditando. O que eu sei em meu coração verdadeiramente, é que a escuridão vai desaparecer com a manhã e que isso vai embora. Nada na vida pode me derrotar enquanto eu souber disso. Eu posso sofrer com o que quer que esteja acontecendo. Eu sei que Deus quebrará todas as correntes que estão me prendendo na escuridão e tentando me encher, porque não há noite sem amanhecer e sei que minha manhã está próxima.

Sentindo a batida de seu coração em seus ouvidos e as lágrimas salgadas tocando seus lábios finos, Cecília sabia que sua fé a ajudaria a se levantar e ajudava a acalmar seus nervos como sempre. Ela sempre encontrava conforto em murmurar essas palavras para si mesmo.

E elas a ajudaram, só por um tempo...

Notas finais
o que acharam? Volte em breve!! Tô com saudade disso tudo. Beijos, Nara.