Sempre
53 Capítulo 53
Notas iniciais
CAPÍTULO 53
A luz brilhante irritou seus olhos; instintivamente ele piscou sem parar. Eduardo franziu a testa quando sentiu o homem virar sua cabeça para tirar outra foto. Tantas emoções foram crescendo dentro dele quando o mesmo sentou-se na cama de braços cruzados e começaram a lhe fazer inúmeras perguntas.
Quando o investigador perguntou como o agressor se parecia, Eduardo procurou através de sua memória para ver se conseguia se lembrar.
– Ele tinha cerca de 1, 80 de altura, cabelo loiro, não, o cabelo era castanho. Olhos azuis... Não, olhos verdes. Você sabe. — Eduardo se irritou quando olhou para os dois investigadores que estavam incomodando-o. — Se eu pudesse me lembrar de quem me agrediu, então eu não teria tanta dificuldade em dizer como ele é. Saiam!
– Eduardo... – Amanda estava em pé ao lado dele quando a polícia começou a arrumar suas coisas e pegaram alguns sacos cheios com as roupas ensanguentadas de Eduardo.
Enquanto observava os policiais saírem do quarto, Amanda se inclinou após ter certeza de que a porta e todas as persianas estavam fechadas para garantir a privacidade do amigo.
– Você precisa de alguma coisa? — Sua voz gentil e suave não o comoveu e a raiva ainda residia profundamente em seu interior.
– Eu só preciso que você me suture.
Amanda assentiu:
– Eu vou buscar o Dr. Oliveira para fazer isso.
– Não!
Eduardo agarrou o braço de Amanda rapidamente; ele tentou não estremecer a ferida profunda que se arrastava de seu pulso para o interior de seu cotovelo. Seus profundos olhos verdes arregalaram-se diante dos olhos dela, quando ele exigiu:
– Eu quero que você faça isso e certifique-se de que ninguém venha para este quarto, exceto a enfermeira Joana. Ela é a única que vai manter a boca fechada nesse hospital.
Depois que Amanda saiu do quarto, Eduardo lentamente exalou. Deitado com a cabeça no travesseiro, ele começou a se perguntar como tudo poderia virar de cabeça para baixo dentro de um par de horas. Ele sabia que era bom demais para ser verdade. Sua vida nunca poderia ter um final feliz.
Através de lágrimas de raiva, ele sorriu amargamente enquanto esperava Amanda voltar.
Amanda caminhou pelo hospital recolhendo coisas que precisaria para suturar as feridas de Eduardo. Quando ela o viu, não sabia o que tinha acontecido. Ela podia se lembrar dele quase se arrastando pelo corredor como se estivesse indo para algum lugar. Quando ela chamou o nome dele, sabia que algo estava errado. E quando ele se virou, seu mundo veio abaixo; o sentimento de pânico veio à tona quando ela correu para ajudá-lo, e então perguntou o que tinha acontecido e tudo o que conseguiu foi: "Eu fui assaltado!”.
Seus olhos finalmente pegaram a pessoa que ela precisava:
– Enfermeira Joana.
A mulher mais velha loira virou-se animadamente.
– A senhora pode vir comigo, por favor?
– É claro.
Ambas caminharam pelo corredor com pressa, Joana ficou em silêncio durante todo o caminho e não fez nenhuma pergunta. Amanda agora entendia por que Eduardo queria a enfermeira Joana. Quando entraram por aquela porta, a loira não estremeceu quando viu o cirurgião deitado na cama coberto por escoriações.
Em vez disso, ela correu para o lado de Eduardo e começou a colocar a gelo em sua cabeça e ajudar Amanda com os pontos que precisava fazer. Eduardo recusou-se a olhar para baixo quando ela suturou os pontos no seu braço.
– Eu vou pegar uma tipoia pra o seu braço. — Joana sorriu suavemente antes de deixar o quarto. Houve uma pausa angustiante antes de Eduardo gemer.
– Algum problema? — Olhos de Amanda piscaram para seu amigo antes de descer para a ferida que estava fechando.
– Não. Apenas... – Eduardo relutou para dizer as palavras seguintes. -Você já avisou Cecília?
A questão estava martelando na cabeça dele desde que o homem desferiu o primeiro soco. Apesar de tudo, ele não queria que ela o visse assim, completamente quebrado e derrotado. Melhor ainda, ele não queria que o seu filho o visse daquela maneira.
– Sim. Eu liguei para ela antes de eu vir para cá. Ela está a caminho.
Através de seu rosto inchado, ele virou a cabeça quando perguntou:
– Será que ela sabe?
Quando ele a viu sacudir a cabeça, fechou os olhos para relaxar-se.
– Não. Eu apenas disse-lhe que era uma emergência.
Eduardo lentamente inalou quando Joana voltou e começou a enrolar uma tipoia em torno de seu outro braço.
– Tudo vai ficar bem, meu querido. — Joana deu-lhe aquele sorriso maternal, alisando suas madeixas escuras. — Eu vou ter certeza que ninguém falará sobre este incidente. — Ela prometeu.
O médico acenou com a cabeça e sentiu-se aliviado quando pensou que estava sendo cuidado pelas duas pessoas em que mais confiava em todo o hospital.
Cecília seguiu para o hospital depois de ter certeza que Ezili cuidaria de Otávio enquanto ela estivesse fora. Uma vez que ela desligou o celular quando Amanda ligou, seu coração parecia que ia sair pela boca. Com uma respiração ofegante, ela perguntou assim que chegou ao hospital:
– Onde está Eduardo Guerra? Qual o quarto em que Eduardo Guerra está?
Uma das enfermeiras foi pega de surpresa pela pergunta:
– Eu não sei.
– Como você pode não saber? Ele trabalha aqui e você não sabe? – Cecília passava a mão pelo cabelo nervosamente. – Esqueça! Vou encontrá-lo eu mesma.
Ela deixou a área em busca de seu namorado; funcionários pela esquerda e direita dizendo que ela não tinha permissão para andar nesta área sem uma identificação, enquanto ela prontamente dava uma resposta mal humorada. Em seguida, um homem grande estava na frente dela, levemente empurrando-a de volta.
– Sinto muito, senhorita, mas você não está autorizada a ficar aqui.
– Meu namorado está aqui! Eu devo vê-lo. — O grande homem ainda lhe recusava o acesso quando Cecília ficou ali espantada: — Eu estive aqui milhões de vezes e ainda assim você não vai me deixar passar? – ela pegou o distintivo da policia federal e quase o esfregou na cara do homem. – E agora? Vai me deixar passar ou prefere que eu lhe prenda por desacato?
– Mauro, deixe-a passar.
Aquela voz familiar, por sua vez, fez Cecília ficar um pouco aliviada ao saber que alguém estava do seu lado. Mauro afastou-se quando Cecília fez seu caminho em direção à Amanda.
– Onde ele está?
Amanda apontou para a porta observando a mulher frenética correr para o quarto. A cirurgiã de cabelos vermelhos caminhou em direção ao segurança e bateu em seu ombro.
– Certifique-se de que ninguém entre no quarto do Dr. Guerra, exceto eu, Joana e a Cecília Quentel.
O homem corpulento assentiu e Amanda continuou a caminhar pelo corredor ainda não acreditando no que havia acontecido ao seu amigo.
Apesar da pressa que Cecília estava para chegar até seu namorado, ela silenciosamente fechou a porta atrás de si. Quando se virou, ela ficou verdadeiramente chocada com a aparência física de seu amado.
– O que-o que aconteceu com você?- Seus dedos quentes acariciavam a bochecha inchada de Eduardo.
Ele olhou para ela com olhos marejados:
– Eu fui assaltado em meu próprio escritório. — Uma risada amarga saiu de seus lábios. — Quem teria imaginado que trabalhar em um hospital seria tão perigoso?
Nunca passou pela mente de ninguém que algo como isso pudesse acontecer. Cecília não sorriu e sua mão suavemente segurava o rosto inchado dele. Ela ainda podia ver os traços que a faziam saber que era Eduardo, mas o inchaço não diminuira muito desde que ele fora atacado.
– Você sabe quem fez isso? A polícia sabe sobre isso? Você...
Eduardo pressionou o dedo contra a boca dela.
– Tudo está resolvido. Não se preocupe com isso.
– Não me preocupar com isso? Eduardo... você acabou de ser assaltado e espancando e você está me pedindo para não me preocupar com isso? Eu sempre vou me preocupar e eu sempre vou me importar com você.
Eduardo balançou a cabeça antes de ficar na posição sentada com a ajuda de Cecília.
– Você pode me ajudar a me vestir?
– Claro. — Cecília pegou as roupas extras que foram cuidadosamente colocados ao lado de sua cama. Ajudando-o a ficar de pé, ela jogou a roupa do hospital fora de seu corpo maltratado. Eduardo olhou para o chão sentindo os olhares de compaixão de Cecília sob sua figura. Ele estava grato por ela não dizer uma palavra enquanto ele chutava a vestimenta para longe antes de colocar os pés para dentro da calça.
– Tenha cuidado. Tenha cuidado. — Ele gemeu de dor quando os dedos dela roçaram uma de suas feridas. Ela murmurou um pedido de desculpas, quando o ajudou a se vestir. Era muito pior do que ele havia imaginado quando ela envolveu seu corpo com uma jaqueta.
Fechando-a, ele estava lá como uma criança antes de fixar um braço em volta do ombro dela para o equilíbrio. Mancando em direção à porta, Cecília abriu a porta para revelar os médicos e enfermeiros fingindo não ver o casal andando pelo corredor. Eduardo fez uma careta para os olhares que estava recebendo.
Quando seus olhos capturaram a figura da enfermeira loira de meia idade, ele colocou o braço enfaixado em seu ombro.
– Muito obrigado por tudo e, por favor, avise a Dra. Garcia que entrarei em contato com ela mais tarde para compromissos futuros. — Ele sussurrou.
Joana acenou com a cabeça antes de dizer ao jovem cirurgião ir para casa e descansar. Chegando até a portaria, a mente de Cecília começou a ferver imaginando o que ele quis dizer quando disse à enfermeira loira sobre compromissos futuros.
Cecília sabia que era melhor não fazer essa pergunta pessoal depois de tudo o que acontecera hoje. Conduzi-lo para casa foi muito mais fácil do que ela esperava, ela previa que ele recusaria sua ajuda, mas ele se inclinou sobre ela constantemente. Quando estava deitada em sua cama, ele estremeceu quando moveu o corpo para uma posição mais confortável.
– Você deve vestir roupas mais confortáveis. – Cecília murmurou enquanto passeava pela quarto pegando uma calça de moletom e uma camisa grande para ele dormir. Eduardo observou a forma que Cecília incorporou o modo mãe, quão natural era para ela se preocupar com alguém que era incapaz de fazer algo para si tinha melhorado bastante.
Ela não era tão desajeitada ou constrangedora.
Uma vez que ele trocou de roupa, ela perguntou se ele precisava de algum analgésico.
– Eu estou bem. — Ele bufou ao ver quão preocupada e desesperada ela estava se tornando novamente. — Deite-se e relaxe. — Ele deu um tapinha no lugar ao lado dela na cama, e nesse instante pôde ver a mente dela trabalhando. Deitando-se suavemente, ela suspirou olhando Eduardo apenas deitado ali.
– Eu realmente pensei o pior quando Amanda me ligou. – Cecília confessou no quarto escuro. — Havia uma sensação dolorosa no meu coração que eu deveria preparar-me para o pior... — Ela não podia pensar nisso. Era insuportável pensar sobre isso.
Cecília queria puxá-lo para perto dela, mas estava com medo de machucá-lo mais do que ele já estava. Eduardo podia sentir que a mulher ao lado dele queria dar-lhe algum tipo de afeto. Ela era uma mulher extremamente carinhosa e não ser capaz de tocá-lo a deixava louca. Assim, para acalmar seus nervos e aliviar seu coração, ele entrelaçou os dedos com os dela e eles ficaram lá em silêncio esperando que tudo isso fosse apenas um pesadelo.
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