Sempre
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Vamos dar inicio à nova "temporada" da fic. Cheia de novas emoções, desafios e conflitos. Espero que gostem!
Obrigada por todos os comentários do capítulo passado. Senti falta de algumas leitoras, mas tudo bem. Eu só escrevo por vcs!
Capítulo dedicado especialmente para minha querida leitora Beatriz Albino! Obrigada pela linda recomendação. Fiquei emocionada com tanto carinho e sinceridade. Fico honrada de ter vc como minha leitora e digo isso do fundo do meu coração. Eu não tenho palavras para te agradecer, Beatriz. Espero que goste do capítulo, flor!
Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 31
- Deus, eu me sinto como um elefante! – Cecília murmurou enquanto levantava da cama com grande dificuldade. Não que ela não amasse seu bebê, só não sabia o quão incômodo seria sair de uma cama com uma criança crescendo em seu ventre.
Chegando até a sala, viu a farta mesa de café da manhã que sua mãe havia preparado especialmente para ela. Cecília já estava com nove meses de gestação e por isso, sua mãe estava morando com ela por um tempo. Dona Paula não queria deixar sua filha sozinha na reta final da gravidez.
- Crescendo a cada dia, não é? Eu acho que pelo tamanho desse bebê, ele vai ter pelo menos cinco anos de idade quando sair. – Sua mãe colocou a mão sobre sua barriga com um sorriso encantador nos lábios.
- Eu duvido que ele seja tão grande, mãe.
- Acredite em mim, ele vai ser um bebê grande, minha filha – Dona Paula afirmou acariciando o seu ventre antes de colocar uma jarra de suco sobre a mesa. – Nenhuma contração ainda?
- Elas estão muito distantes uma da outra, mas estou chegando lá. Agora que está chegando mais perto, eu preciso terminar algumas coisas do quarto do bebê. – Cecília estremeceu quando ela parou seus movimentos e apertou a barriga com a contração invadindo seu corpo antes que de começar lentamente a desaparecer. Assistindo sua mãe fazer cara de 'Eu te avisei!’, ela murmurou — Tenho que terminar de ajeitar as coisinhas do bebê, mãe.
- Você deveria tomar seu café da manhã e descansar enquanto eu e seu pai terminamos de ajeitar as coisinhas do bebê, Ceci. Está tudo pronto e só faltam pequenos ajustes, mas você não deve se preocupar com isso. Você deve se concentrar em seu bebê, a menos que você queira que eu ligue para o seu médico para falar sobre sua teimosia.
Cecília sorriu quando balançou a cabeça:
- Tudo bem, mãe, eu só não quero ter que ir para a maternidade antes do tempo. Eu vou comer e descansar, mas depois disso eu quero confirmar se está tudo pronto para a chegada do meu bebê. Quero que esteja tudo perfeito para sua chegada. – ela respondeu suavemente, claramente emocionada.
- Eu acho que posso dizer que seu bebê já tem muito efeito sobre você, Ceci.
A mulher grávida sorriu largamente ao sentir o seu bebê chutar.
- Sim, ele tem.
(...)
- Força, Cecília! Empurre! — o médico pedia.
Cecília agarrou em suas pernas, sentindo suas unhas sobre a pele quando sentiu a dor se tornar insuportável. Ela tinha optado por não tomar nenhuma droga para aliviar a dor, pois queria um parto o mais natural possível. Porém, àquela altura ela já tinha se arrependido do pedido. Deixando um grito rasgar sua garganta, ela empurrou de novo antes de engolir um pedaço enorme de ar para recuperar sua força.
- Como está? — ela agonizava.
- Eu posso ver a sua cabeça, Cecília.
Cecília encarou seu médico e cerrou os dentes.
- Você me disse isso há 20 minutos! — Ela apertou os olhos, pronta para ter o bebê fora dela. Com 48 horas de trabalho de parto, o bebê estava provando ser um teimoso tentando ficar no seu ventre o maior tempo possível.
- O que eu posso dizer? Você tem um teimoso. Empurre novamente, Cecília. Só mais um empurrão forte, vamos! – o médico a encorajava junto com as outras vozes, possivelmente das enfermeiras e assistentes, dizendo-lhe para empurrar. Ela já estava chegando ao seu limite quando apertou com forças suas pernas e deu mais um empurrão. Ela continuou a fazer força. Em poucos minutos, ela ouviu o silêncio e sua mãe dizer emocionada:
- Ele está aqui, Ceci! Ele está aqui!
Um sorriso se arrastou em seus lábios quando ela sentiu sua mãe retirar alguns fios de cabelo de seu rosto. Tomando respirações lentas e profundas, ela não ouvia nenhum som vindo do outro lado do quarto.
- O que está acontecendo? — O pânico começou a tomar conta do seu corpo quando ela tentou levantar-se da cama — O meu bebê está bem? Onde ele está?
Cecília instantaneamente empurrou as cobertas de cima dela, ignorando apelos de sua mãe, médico e enfermeiros para que permanecesse na cama. Ela congelou quando ouviu um pequeno gemido vindo do outro lado da sala. Um suspiro de alívio veio à tona, quando se virou para ver um bebê ainda ensanguentado enrolado em um cobertor azul.
Segurando seu bebê imediatamente, seus olhos brilharam e as lágrimas de alegria começaram a rolar. Ela chorou.
- Ele é tão bonito! — Ela lentamente o balançou e murmurou próximo ao rostinho rosado do seu filho — Oi Otávio, meu pequeno príncipe.
Dona Paula sorriu quando balbuciou o quão bonito ele era e quando Otávio abriu os olhos devagar, ela suspirou:
- Ele tem olhos tão bonitos.
Cecília sufocou um soluço enquanto ela olhava para a imagem da divisão de uma das melhores características de Eduardo olhando bem para ela. Seus hipnotizantes olhos verdes a olharam com curiosidade antes que ele fosse retirado de seus braços para ser pesado, medido e limpo. Cecília esperava que sua cor dos olhos fosse mudar, pois era muito normal alguns recém-nascidos terem olhos mais claros.
- Mãe, por favor, não desgrude do meu filho. – ela implorava. Naquele momento seu instinto de mãe super protetora estava falando mais alto, ela temia que acontecesse algo com seu filho.
Depois de alguns minutos, Cecília foi levada até o quarto para descansar. Em seguida foi a vez de Otávio, carregado por uma enfermeira, adentrar ao quarto devidamente limpo vestindo um macacão branco com detalhes azuis e coberto por uma manta branca. Cecília o segurou em seus braços e ouviu seu choro forte e estridente, pela primeira vez.
- Acho que ele está com fome! – Dona Paula falou.
- Da maneira como ele chora, com certeza está morrendo de fome! – a mãe de primeira viagem ponderou.
Ela posicionou Otávio próximo ao seu seio esquerdo. O bebê demorou um pouco para conseguir sugar o leite, mas enfim conseguiu o que tanto queria. E nesse momento, Cecília sentiu-se a mulher mais feliz e realizada do mundo. Seu pai, sua mãe, seu irmão, todos estavam à sua volta, contemplando e compartilhando aquele momento tão especial na vida de Cecília: a chegada de Otávio Quentel.
6 meses depois
Cecília estava sentindo-se plena, feliz e realizada em todos os sentidos, exceto por ter que deixar o seu filho. Sua licença maternidade já havia acabado e ela sentia um frio na barriga e dor no coração todas as vezes que tinha que sair para trabalhar e ficava horas longe de seu filho. O que a deixava mais tranquila era o fato de sua mãe cuidar de Otávio. Ela sabia que melhor pessoa para cuidar de seu filho não existia. No entanto, isso era uma solução temporária.
Ainda soava estranho ser rotulada como uma mãe. Um leve sorriso se arrastou em seus lábios enquanto pensava em Otávio.
Os dias seguintes foram cheios com um milhão de coisas para fazer; Cecília com Otávio assim que chegava do trabalho. Otávio pode ser tranquilo a maior parte do tempo, mas ter um bebê barulhento e rebelde que não só queria ficar com ela a maior parte tempo pode ser desgastante.
Quando Cecília contou para a mãe como Otávio estava sendo difícil, ela riu:
- Você foi um bebê tranquilo, Ceci. Vai ver que o Tavinho puxou ao pai. — Isso deixou Cecília completamente devastada, mas causou fez sua mãe rir ainda mais — Você vai sobreviver, minha amada.
Durante os dias da semana, Otávio ficava na casa dos avós e somente à noite voltava para sua casa com Cecília. Seu Mário enviava diariamente fotos de Tavinho para Cecília, na tentativa de fazê-la ficar menos angustiada e culpada por deixar seu bebê. Otávio tinha muitas de suas características físicas, e ela estava feliz por isso, mas havia também algumas coisas que eram de Eduardo. Por exemplo, o cabelo liso com alguns pequenos cachos na ponta era definitivamente do lado de seu pai, enquanto a cor clara do cabelo era da dela. Otávio não tinha o nariz de botão que ela tinha quando uma criança, e sim mais pontudo como o de Eduardo, e seus olhos não mudaram de cor e continuavam verdes. No entanto, Otávio tinha o mesmo sorriso de Cecília. Um sorriso de alegria pura, um sorriso pateta exibido exatamente igual ao de sua mãe. O mesmo sorriso engraçado.
Todos da família sabiam quem era o pai de Otávio, ou pelo menos desconfiavam devido à grande semelhança do pequeno com Eduardo. Cecília não gostava de comentar sobre o assunto e Seu Mário preferia não acreditar que o pai do seu neto fosse Eduardo. Ele simplesmente não suportava a ideia, pois o conhecia muito bem para saber que ele não era homem adequado para sua filha. Não depois do que ele fez.
- Então, quando a senhora vai começar a trabalhar novamente? – Cecília perguntou enquanto assistia sua mãe pegar seu filho que estava chorando e começar a balança-lo para frente e para trás.
- Em alguns dias. Próxima semana, na verdade. – Dona Paula murmurou antes de dobrar os joelhos e levantar Otávio para o alto. Ela continuou fazendo essa brincadeira enquanto conversava com a filha.
Cecília suspirou profundamente triste, uma vez que sua mãe iria voltar ao trabalho. Dona Paula e Seu Mário tinham tirado férias na mesma época só para ficarem tomando de conta de Otávio, enquanto Cecília voltava aos poucos à sua rotina na PF. Agora que ela não poderia mais contar com a ajuda dos pais, era hora de contratar uma babá de confiança para tomar conta do seu filho.
- Eu sei. Eu vou sentir muitas saudades de passar o dia inteiro com esse rapazinho também. – Dona Paula falou um pouco triste.
- Vai ser difícil no começo, mas nós vamos dar um jeito. — Ela fez beicinho pegando o bebê dos braços de sua mãe. Dona Paula revirou os olhos de brincadeira quando ela começou a arrumar a bolsa de Otávio para que Cecília pudesse voltar com ele para casa.
- Você já achou alguma babá?
- Não. Mas um escrivão que trabalha comigo me indicou uma agência de babás super confiável. Vou ligar para lá amanhã.
- Se você precisar de mais tempo, eu posso falar com empregada lá de casa para que fique com o Tavinho. Tenho certeza de que ela não se importará de ficar alguns dias tomando de conta dele e da casa. – Dona Paula sugeriu.
- Não. Vai ficar tudo bem. Um monte de mães solteiras fazem isso sozinhas e eu posso fazer isso também.
- Mas a maioria delas não têm empregos altamente exigentes como você. – Dona Paula tinha um ponto e ela achava que era chegada a hora de Cecília compartilhar a notícia e a responsabilidade com o pai do seu filho, Eduardo.
A verdade é que Cecília não queria o filho fosse cercado o tempo todo por babás, como aconteceu com ela. Ela queria que Otávio fosse cercado de pessoas que fizessem parte de sua vida para sempre. Contar para Eduardo que Otávio é seu filho tem sido algo persistente em sua mente nos últimos tempos, mas havia algo a impedindo de fazer isso, apesar de todo o incentivo de sua mãe e irmão.
Eduardo não queria nada com ela, então por que ele iria querer ter alguma coisa a ver com Otávio?
Notas finais
Quero saber tudo o que se passa na cabecinha de vcs, tá?
OBS: talvez eu demore a posta o novo capítulo, pois viajarei na quarta e só volto no domingo.
Bjs, Nara.
Fale com o autor