Sempre

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Olá leitores, tudo bem?

Segue mais um capítulo. Espero que desfrutem de uma boa leitura! Obrigada por todos os comentários do capítulo passado, sem dúvida vcs são os melhores. Responderei assim que possível todos os comentários, tá?

Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 20


Por que não posso seguir em frente?


Arthur tentou distrair-se antes de ir para o trabalho, por isso foi para o Espaço Café e Literatura. Sua primeira aula do dia só iria começar lá pelas 9 da manhã. Vasculhando as prateleiras cheias de livros do estabelecimento, ele finalmente pegou um livro para ler: Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez.

– Este livro é realmente maravilhoso. Sem dúvida um dos melhores romances de todos os tempos.

Arthur fechou os olhos por um segundo, lembrando-se de como a voz aveludada permanecia em seus ouvidos. Inalando profundamente, ele virou-se e forçou um sorriso:

– É bom ver você de novo, Cecília.

Cecília estava na outra extremidade do corredor de livros com sua habitual roupa de trabalho composta por calça jeans escura, uma blusa social, um blazer escuro, sandálias de salto e cabelos presos em um rabo de cavalo. Ela ficava bem com tudo o que usava. A expressão que Cecília transparecia em seu rosto, porém, não era tão atraente.

– Arthur, não minta. Eu sei que você não quer falar comigo no momento, mas... — Cecília parou por um segundo, repensando suas palavras — Eu queria saber pessoalmente se você está bem.

– Nunca estive melhor. Agora, se você me der licença... Preciso trabalhar, meus alunos estão me esperando. – Arthur tentou passar, porém Cecília bloqueou sua passagem, segurando-o pelo braço. Cecília era menor que ele, porém não menos ágil. Seu aperto suave o fez parar, sua voz soava quase suplicante.

– Arthur, por favor. Se eu magoei você...

– Só não... Por favor, não. – Os lábios de Arthur tremeram quando ele fechou os olhos — Prefiro não falar com você agora. Eu estou tentando tanto ser feliz, mas você e Edu estão deixando tudo mais confuso para mim no momento. Será que é difícil entender que eu quero ficar longe de vocês dois até eu acertar as coisas na minha vida?

Por mais doloroso que fosse dizer isso, tudo precisava ser dito. Arthur precisava desse distanciamento, mesmo seu coração dizendo que não. Cecília e Eduardo eram o seu suporte, a cola que o mantinha junto quando ele sentia que iria quebrar. Mas, agora, eles eram a faca que o apunhalava pelas costas, perfurando o mais profundo de sua pele. Ele preferia não sentir essa dor, e ele finalmente encontrou seu remédio.

Marina.

No fundo ele estava feliz, pois não iria ser envolto por todo o drama que era Cecília e Eduardo.

Cecília encolheu-se com o seu tom frio. Nenhuma vez, ao longo de anos de amizade, ele tinha falado com ela dessa forma. Feriu-a profundamente saber que ele iria pensar nela como a fonte de sua dor. Cecília não queria causar-lhe qualquer dor, assim, como a gentil pessoa que era ela recuou.

– Minhas desculpas. Eu sinto muito. Quando você estiver pronto, eu estarei esperando. A minha porta estará sempre aberta, Arthur... Eu espero que você encontre a sua felicidade com a Marina. Você realmente merece muito ser feliz.

– Obrigado. — Ele sussurrou.

Recusando-se a virar, Cecília saiu sem dizer nada. Uma vez que ela estava fora de vista, os joelhos de Arthur dobraram e ele finalmente deixou toda sua dor se esvair.


(...)



Eduardo acordou após ouvir o toque constante de sua campainha. Gemendo, ele se aninhou mais profundamente em seu lençol esperando que, quem quer que fosse, desaparecesse. Isso não aconteceu, já que a campainha continuou sendo pressionada irritantemente. Jogando o lençol fora de si, Eduardo caminhou amaldiçoando:


– Tenho que trocar essa estúpida campainha. Que porra mais inconveniente!

Ele geralmente não acordava tão irritado, porém seu corpo estava implorando para dormir devido às suas longas horas de plantão no hospital e por sua tentativa de viver uma vida social fora do seu trabalho, o que era um grande esforço. Um bocejo escapou de seus lábios quando ele ajeitou o calção do pijama e caminhou em direção à porta. Esfregando seus olhos, ele gemeu quando a campainha soou mais uma vez.

– Estou indo! Você não pode esperar eu chegar até aí para abrir a maldita por... – ele girou a maçaneta da porta, balançando-a com força, para revelar uma mulher com lágrimas nos olhos bem a sua frente.

– Helena? – o choque correu através de Eduardo enquanto assistia a mulher tremer com o frio da manhã.

Helena sempre foi uma garota de sorriso contagiante e hipnotizantes olhos verdes, iguais ao de Eduardo. No entanto, seu sorriso não era mais o mesmo de antes.

Ela estava usando uma blusa vermelha de gola V, uma calça jeans skinny e um par de sapatilhas preto. Seu cabelo escuro estava preso em um coque bagunçado e ela estava visivelmente mais magra. Eduardo estava em choque. Ele não sabia o que esperar quando a campainha tocou, mas nunca pensou que pudesse ser isso.

– Helena — ele começou suavemente.

– Edu, eu-eu-eu preciso de sua ajuda.

Eduardo balançou a cabeça lentamente enquanto seus olhos verdes vagaram por trás de Helena.

– Onde estão as crianças?

– No carro.

A dúvida de Eduardo era saber como Helena tinha um carro, porque ela não morava mais na cidade. Helena estava morando em Natal, Rio Grande do Norte, mesma cidade onde seus pais estavam vivendo atualmente. Para ela ter voado até São Luís, com os dois filhos pequenos, era porque algo sério tinha acontecido...

– E o carro está... Helena, você deixou as crianças sozinhas dentro do carro na garagem?

– Elas estavam dormindo e eu não consigo subir até aqui carregando duas crianças. – ela tentou se justificar. – Olhe para mim, Edu.

Eduardo assentiu e rapidamente desceu até a garagem. Pegou uma das crianças do carro, enquanto Helena agarrou o outro e seguiu Eduardo até o elevador. Quando chegaram ao apartamento, eles foram para o quarto de hóspedes para colocar as crianças na cama. Abraçando e caminhando com sua irmã de volta até a cozinha, ele ofereceu-lhe algo quente para beber.

– Um café seria bom. – Helena fungou. Bem, o vício por café era algo de família, certamente. Eduardo entregou uma das xícaras a ela e ficou com a outra.

– Como você chegou aqui?

– De avião, Edu. — Uma risada seca saiu lábios de Helena e Eduardo tentou se explicar melhor.

– Isso não é o que eu quis dizer. O que quero dizer é porque você se deu ao luxo de voar até aqui? O que aconteceu? Onde está o Luciano? — Helena ficou tensa. Ela olhou para baixo sem expressão no rosto, esperando as lágrimas silenciosas continuarem a rolar pelo seu rosto.

– Eu o deixei.

O rosto de Eduardo suavizou-se quando ele deu a volta no balcão para abraçar sua irmã. Ele sabia exatamente porque Helena tinha deixado o marido. Eduardo não concordava com a maneira que ele tratava sua irmã. Ele testemunhou em primeira mão o que Luciano tinha dito a Helena, tratando-a de uma forma cruel e humilhante. Eles quase saíram no braço por causa disso, e Eduardo teve que se segurar para não fazer algo muito pior. O cunhado abusava emocionalmente dela, fazendo Helena se sentir inútil e, por Luciano a tratar assim, o médico nunca pensou que sua irmã caçula teria força suficiente para deixá-lo. Era só uma questão de tempo para que Luciano viesse ao encontro de sua família, pois apesar de tudo, ele amava seus filhos.

Quando ele disse à Helena tudo o que pensava sobre Luciano, ela rapidamente o defendeu, dizendo que ele estava fazendo o seu melhor para manter a sua família financeiramente estável e ela estava apenas sendo uma criança mimada por não ser capaz de lidar com as pequenas explosões dele. Eduardo tocou levemente o galo na testa de Helena.

– Deixe-me pegar um pouco de gelo. — Agarrando o bloco de gelo do congelador, ele o envolveu em uma toalha antes de entregá-lo à sua irmã. Em seguida molhou uma toalha de papel para limpar o lábio arrebentado dela.

Não havia dúvida de que Luciano finalmente batera nela. Eduardo sabia que seria apenas uma questão de tempo para que isso acontecesse. Ele sentiu-se culpado por não está próximo da sua irmã, para defendê-la das monstruosidades do marido. Ele estava com muita raiva. Sua vontade era a de pegar o primeiro avião para encher a cara de Luciano de pancada, só para ele aprender que não se deve bater em uma mulher. No entanto, ele sabia que Helena jamais permitiria isso.

Eduardo não disse nada enquanto consolava sua irmã, deixando o silêncio torna-se seu melhor amigo nas próximas horas. Ele apenas digeriu toda sua raiva sem dizer uma palavra.

Notas finais
Gostaram???
O que acharam da Helena? Essa visita surpresa vai trazer à tonas muitas coisas, vou logo adiantando...

Bjs, Nara