Semitribufus
4 Determinação
Acordo cedo hoje. Nos últimos dias eu não estou conseguindo dormir por muito tempo. E se o faço, sei o que ira acontecer. Pesadelos.
Sento em minha cama e olho pela janela. O dia esta ensolarado como quase sempre é dentro do acampamento, graças a força magica que o envolve, também nos protegendo dos monstros e forças malignas.
Pego em meu frigobar uma lata de suco de amoras azuis e donuts com cobertura azul e lancho. Assim que termino penso em ir a Quíron para resolver o mistério da ferida de Gui, mas ainda esta muito cedo e estou com vontade de treinar. Pego sob a minha cama um arco e uma aljava com flechas.
Saio de meu chalé e vou em direção a arena.
Chegando la, começo a treinar, mirando nos diferentes alvos, que balançam para a esquerda e a direita. Me sinto em outro lugar quando estou com meu arco estendido, pronto para atirar. Estou me sentindo melhor.
Quando estou terminando meu treino que deve ter durado mais de duas horas, percebo a alguns metros de mim um garoto tentando manejar um arco e flecha simples, como se não estivesse familiarizado com o lugar. Me dou conta de que é um novato, mas a maior parte dos campistas que usam arco e flecha são os filhos de Apolo, e eu não vi ele em meu chalé.
Me aproximo dele, que esta tentando acertar o alvo. Ele é extremamente ruim.
Ele é alto e robusto, cabelos castanhos que lhe caem quase ate os ombros, e tem uma expressão que parece ser de um filho de Hermes, quando esta fazendo brincadeiras de mau gosto.
Como se estivesse sabendo o porque de eu estar la olhando para ele, ele fala em tom de entusiasmo:
– Cheguei ontem no acampamento por causa de um sátiro que me farejou que estava infiltrado em minha escola – ele hesita – ainda não fui proclamado, e então quero saber com qual das armas eu sou bom. Prazer, sou Paolu. Diz ele, apertando minha mão quando digo: – Angel. Você com certeza não é de Apolo e também é muito legal para ser de Ares. Não se preocupe, a qualquer momento de hoje você devera ser proclamado.
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Encontro Gui na casa branca junto com Quíron e Luar. Nos sentamos em uma mesa velha que fica de frente para o centauro, que agora esta em sua forma humana na cadeira de rodas:
– Vou ser direto com vocês. O que temos na marca do Gui que foi deixado por aquelas malditas harpias, é uma maldição que Hades criou. – Diz ele, inexpressivo.
– MAS O QUE? – grita Gui – Eu nunca fiz nada para ele!
Quíron responde com um pouco de suavidade: – A maldição foi criada por Hades, mas não quer dizer necessariamente que ele tenha algo contra você. Aquelas harpias foram criadas por ele para dar uma vida infeliz a quem elas arranhassem. A maldição veio das garras delas que o machucaram. A marca em x significa que a maldição já esta sendo feita em você. O numero 15 infelizmente significa o número de dias que você tem de vida, ate que a maldição lhe faça efeito total.
Eu engulo em seco. Como Gui está reagindo quanto a isso? Olho para ele, e vejo que ele esta com os olhos vidrados, olhando para baixo.
– Não podemos deixar Gui morrer! Quíron, tem que haver alguma solução! – Luar diz desesperada.
O velho centauro fica quieto por alguns longos segundos quando finalmente diz:
– Existe uma solução. Vocês teriam que partir a uma missão muito perigosa. E eu temo que essas harpias maléficas não foram mandadas por Hades, pois ele as expulsou de seu templo a centenas de anos atras. Essas aves estão sendo controladas por alguém, e não entendo o motivo de fazerem isso com o GuiValdez. Falando nisso, ele não poderá ir nessa missão, porque ela sera feita em dois lugares, sendo um deles lugar origem da maldição, o que faria com que ele passasse mal no lugar. Te deixarei como líder da missão II senhor Angel, enquanto Luar tem de escolher 2 campistas para ir com ela a missão I. Se quiserem, é claro.
– Duas missões? Como assim? Porque?? – Estou confuso, e não tenho ideia de quem levar comigo.
– E porque eu terei que liderar umas das missões? Não que eu não queira salvar o Gui, mas porque eu? – Pergunta Luar
– Elas são realizadas ao mesmo tempo, o primeiro trio terá de conseguir o colar de Pandora, para que inocule parte da maldição e dobre os dias de vida de Gui. Mas para isso, vocês terão de consegui-la no templo de Zeus, seu pai.
A primeira missão será muito fácil para Luar, penso já mais calmo. Ao menos ela não terá problemas.
– E o segundo trio, liderado por Angel, terá de se infiltrar no palácio de Hades e pedir a ele gotas de lágrimas das Harpias que atacaram Gui. É o único antídoto para essa maldição.
Eu levanto, indignado:
– Como você acha que faremos para entrar no palácio de Hades sem morrer? E se essas harpias são do próprio senhor do submundo, porque ele daria o antídoto para nós!?
E então Gui fala:
– Angel – Ele olha nos meus olhos – Você não é obrigado a fazer isso. Nem você e nem Luar.
E em um uníssono, eu e Luar dizemos:
– Claro que faremos, babaca!
Seu idiota – Digo a Gui – Não deixarei você morrer!
Quíron serve um pouco de suco para nós e então diz:
– Vocês tem 3 dias para partir. Hoje mesmo já poderão ir ao Oráculo e ver o que ele resigna a vocês.
Quíron mal diz a ultima palavra quando Luar já anda em direção ao porão da casa branca, onde se encontra o Oraculo. Eu sigo junto a ela.
Chegando no porão úmido e cheio de antigas armas e obras de arte antigas, nos dirigimos a uma estatua que mais se parece com uma mumia. O Oraculo.
Então, como se o tempo estivesse congelado, sai uma fumaça verde da boca da suposta múmia, e os espírito de Delfos diz com uma voz muito antiga:
''A filha do Senhor dos Céus em seu reino viajará
Escolhendo entre o sacrifício e o perdão, o desafiador da missão sobreviverá
As pazes entre fúria e arco íris tem de ser combinados
Precaução com as consequências do que isso serão formados
Filho do sol, não subestime crias da inteligência
E aprenda o valor dos sacrifícios, sem negligência.''
A boca da múmia se fecha, a nevoa verde some. E o espírito de Delfos que naquela múmia estava, aparenta agora nunca ter estado.
Olho para Luar, que está fazendo uma careta:
— Angel, o que entendeu sobre isso?
Não sei o que dizer a ela, então sem pensar digo:
— Que o Oraculo é realmente péssimo em rimas?
Ela revira os olhos e sai descendo as escadas.
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Já esta de noite, e todos os campistas estão reunidos em volta da fogueira. Será agora decidido quem irá para as missões.
Quíron joga um pedaço de carneiro cozido na fogueira e dedica a oferenda aos deuses. Logo depois e pede a atenção de todos e explica a situação de Gui e de nossa missão.
E então uma campista do chalé de Hermes se levanta e diz:
— A culpa não é nossa se o bobalhão do Guivaldez não sabe se defender daquelas galinhas idiotas — Hel diz, soltando uma risada irônica. Ela é branca, dos cabelos lisos que lhe caem até depois dos ombros, então revira os olhos para nós e volta para o seu lugar.
Gui fica vermelho e se enfia no meio dos campistas.
A questão é — Nenem diz, aparecendo entre os campistas, apesar de ser baixa — Que isso aqui é um acampamento cheio de irmãos e irmãs. Se você não se preocupa com o seu meio irmão, você não é digna de estar no meio de nós. Gui não é meu irmão, mas se eu estivesse no lugar dele, tenho certeza que ele faria de tudo por mim.
Todos olham para Hel. Ela fica roxa, e então fica quieta e olha para baixo.
E é por isso — Nenem aumenta a voz — que eu me candidato a ir junto na missão de Angel.
Todos começam a falar, eu sei que muitos querem critica-la por ser pequena e parecer inofensiva para uma missão tão perigosa como essa. Mas afinal, qual missão não é perigosa? Nenem é a filha de Atena mais guerreira e corajosa que eu ja vi.
— Ela irá conosco. Eu sou o líder da missão II, então eu aceito ela.
Nenem sorri e corre para me abraçar.
Luar fica do nosso lado e fala para todos:
— Não sei o que encontrarei no caminho para o templo de meu pai. Precisarei de um filho de Ares e algum outro ou outra qualquer para me ajudar.
Vários filhos de Ares levantam a mão e gritam, querendo participar, Quíron manda eles calarem a boca, quando o novato que fiz amizade de manhã cedo anda cautelosamente dois passos a frente e diz:
— Eu quero ir. — Paolu diz determinado.
Foi quando então vários campistas começam a rir dele, zombarem dele por ele ser novato, muitos começam a ate humilha-lo.
Odeio esse tipo de coisa. Levanto a mão e invoco o poder de meu pai, que faz com que a área em que todos estão em volta da fogueira se ilumine forte até demais. Ouço alguns palavrões, mas não ligo:
— Todos fiquem quietos. Não devem humilha-lo. Vocês veteranos foram bem recebidos quando chegaram pela primeira vez no Acampamento. Então sejam gentis com eles, seus filhotes de gaia.
— Você esta certo quanto a isso, Angel — Vini aparece — Mas ele não foi proclamado. Não pode ir porque el..
Nesse momento, um simbolo brilhoso de um elmo de guerra aparece em cima da cabeça de Paolu. Todos se afastam dele.
— Isso é o que vocês chamam de ser proclamado? Faz cosquinhas! — Paolu diz, fazendo uma careta
Paolu é filho de Ares.
Como se já não bastasse essa surpresa para mim, uma lança elétrica feito de bronze celestial aparece na mão de Paolu. Parece que foi presente de seu pai.
— Que maneiro! — ele diz pegando a lança, parecendo uma criança quando ganha um doce
Todos estão mantendo distancia de Paolu agora. E eu acho bem feito temerem ele depois de o terem zombado. Mas ainda não acho normal alguém tão legal e do bem ser filho de Ares.
— Agora falta mais um semideus para cada missão — avisa Quíron.
— Eu irei! — Hanie diz
Me surpreendo, mas não devia ficar surpreso. Hanie não desperdiçaria essa missão para salvar nosso amigo. Mas no fundo de mim mesmo não quero que ela vá, quero que ela fique a salva, mas também não conseguirei impedi-la.
Ninguém se manifesta contra a decisão dela. Ela é bem vista no Acampamento, porque além de ser filha de Atena, ela é boa em lutas. Meninos de Ares a temem, e também ela é muito determinada e valente. Gosto disso dela.
— UHULES! — diz ela, animada ao ver que todos assentiram. Ela vem em nossa direção e se apoia em meu cotovelo. Fico tenso. Sempre fico quando ela esta perto de mim.
Então uma filha de íris se manifesta e diz:
— Pela graça dos pôneis e dos arco-iris, eu quero ir na missão do time da Luar! — diz Gio. Ela é uma garota magra, dos cabelos castanhos escorridos até o seu busto. Tem olhos castanhos escuros dominantes e é extremamente branca. Usa óculos e veste uma camisa branca com desenhos que parecem ser unicórnios.
Todos começam a rir dela.
— Já falamos sobre isso — Digo a todos — não a zombem, deixem ela pelo menos dizer os motivos de querer ir.
— Mas ela é filha de Íris — diz um campista do fundo
— E ela chegou hoje no acampamento, e ainda em cima de um ponei! — Diz outro, rindo
— Mas que porra! Só querem aceitar novatos? Querem que suas missões vão por água abaixo?
Todos começam a falar alto ao mesmo tempo.
Calem a boca! — Exclama Paolu — só porque somos novatos, não devem nos subestimar!
A multidão de campistas parece acalmar, e então Hel levanta e diz para Gio:
— Se você se acha realmente a pessoa certa para esta missão, então prove.
Gio é determinada. Ela da mais dois passos a frente da multidão. Mas parece que ela não sabe o que fazer. Depois de momentos, com ela sem fazer nada, ate eu acho que devo negar sua querência, quando de repente ela fecha os olhos. Nada acontece. Ela olha para mim chorando, e começa a voltar para o seu chale, quando um arco iris paira sobre todos nos. Depois de segundos, o arco iris desaparece e aparece um cajado cinza, com uma forma redonda na ponta com um arco iris de verdade se mexendo dentro. Ha também um cordão de arco iris no lugar do cajado. Hel fica quieta novamente. Gio fica impressionada e pega os presentes de sua mãe e diz, confiante:
— Minha mãe deseja que eu vá.
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