Notas iniciais
Voltei! Agora o fnasc pode parar de reclamar que está escrevendo sozinho - Mariola

“O próprio viver é morrer, por que não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela” – Fernando Pessoa

Annabeth estava sentada, olhando fixamente para a parede da gruta, os garotos foram para o jantar e ela estava sozinha, sua perna doía e ela evitava olha-la, mas evitar olhar uma parte de seu corpo é como sentir saudade de alguém que você ama, é inevitável. Ela estava com medo, com medo de morrer, com medo de perder Percy, odiava sua atual condição ela era uma inútil, um peso nas costas dos garotos, talvez fosse melhor que ela morresse agora, eles teriam maiores chances, e com a dor em sua perna ela realmente passava a esperar a morte.

Já se passara uma hora, será que os meninos estão bem? ela se perguntava, quando ouviu um ruído do lado de fora, será que são eles? Perguntou-se enquanto se armava, sabia que era inútil afinal do jeito que estava não podia mover um dedo sem que uma dor cruciante apoderar-se de seu corpo, mas ela não ia cair sem lutar. Não, ela já lutou muito, e sobreviveu a suas batalhas, mesmo que a chance não estivesse em seu favor agora, que se dane ela nunca esteve. Ela olhou pela pequena fenda deixada para que ela visse o lado de fora, tinha um vulto virado de costas para ela pelo que pode ver era uma garota, tinha longos cabelos negro e lisos, não conseguiu lembra-se de quem poderia ser. Ate que ela virou-se para ela, era Drew, ela examinava o local com desprezo. A loira percebeu que ela não tinha a visto, ela quase se acalmou, então para seu azar, Drew se virou falou para a pessoa que provavelmente estava sendo bloqueada de sua visão pelo corpo da asiática.

– Vamos mesmo ficar aqui? O jantar será servido. – Drew riu do próprio trocadilho.

– Sim nos vamos, e provavelmente não seremos as únicas, lembre-se a bola de fogo que destruiu seu belo rostinho provavelmente atingiu outras pessoas, nos vamos encontrar essas pessoas e destruir suas chances de recuperação. – “vadia” pensou Annabeth, se a pessoa se encontra nessas condições não tem chance de recuperação nenhuma.

–Mas Clarisse, talvez o jantar tenha algo para o meu rosto – respondeu Drew desejosa.

Clarisse revirou os olhos, será que a garota não entendia que não vale o risco? Pensou ignorando-a.

–Vamos logo, temos alguns tributos para eliminar.

Depois que elas partiram sem deixar nenhum ruído para contar história, Annabeth expirou aliviada, não tinha sinal de que os garotos chegariam tão cedo então tudo que lhe restava fazer era esperar e tentar não chorar. Eles não precisavam ver isso. Percy não podia ver isso.

***

THALIA

–Rápido! – gritei corram mais rápido.

– Thalia eu não consigo ir mais rápido. Corríamos o mais rápido que podíamos, mas ainda não parecia ser o suficiente. O filho de algum deus ai cujo nome realmente não me importava se aproximava de nos duas, ele era alto, forte e seus olhos tinham uma cor castanha que no calor de momento mais me parecia vermelho, um vermelho intenso, é claro que eu não me atei nesse detalhe por muito tempo para ter certeza.

Hazel subiu em uma arvore e eu em outra, eu sabia que isso não iria detê-lo, mas eu precisava de um tempo. Olhei para Hazel, ela me olhou de volta, eu lhe disse apenas em um mover de lábios “distraia-o” , ela assentiu para dizer que compreendeu e começou a se mover de uma arvore para outra, de forma bem barulhenta, isso atraio a atenção do nosso atacante para ela, me dando tempo o suficiente para preparar o arco e atingi-lo com uma flecha bem no meio de seu tórax.

O sangue jorrou de seu corpo agora inerte e um canhão soou, uma lagrima solitária caiu de meus olhos, mas eu a sequei antes que se tornasse algo a se preocupar. Porem eu não parava de pensar, “o que estou fazendo? Ele poderia ser o meu irmão”.

Hazel desceu da arvore em que estava, e eu fiz o mesmo. Ela parecia tão abalada com isso quanto eu, mesmo assim ao ver o meu estado ela sorriu, se virou para mim e disse.

– Menos um. – A frase parecia muito estranha vindo de seus lábios – Não se preocupe, lembre-se melhor que ele morra assim do que pelas mãos de Clarisse, agora vamos, devemos deixar que levem o corpo dele. – ela disse sussurrando a ultima parte.

Deixei que ela me levasse de volta ao lugar em que estávamos acampando.

–Thalia – Hazel sussurrou — sera que o jantar acabou?

– Espero que não Hazel, enquanto o jantar acontecer a maioria dos tributos estará lá e não teremos com o que nos preocupar.

– Exceto a morte certa- ela disse tão baixo que eu quase não pude ouvir.

– Vá dormir Hazel, eu fico de guarda. Ela se deitou e fechou os olhos, mas eu percebia que ela não estava totalmente relaxada, parecia pronta para acordar e correr a qualquer momento.

Observei suas feições, tão jovens, percebi que as minhas também eram tinha as feições de uma garota de dezesseis anos, e mesmo com sem a caçada e a juventude eterna eu ainda seria jovem, teria por volta dos dezoito ou vinte anos, deveria estar na faculdade, sem nenhum risco ao meu corpo, exceto talvez os trotes, mas nada realmente serio, e no lugar eu estou aqui, fadada a morte. Só espero que se é para ela vir que venha logo, ate lá estarei aqui esperando algo que é inevitável.

***

PIPER

Piper andava de um lado para o outro no chalé de Afrodite, os outros filhos de Afrodite a olhavam nervosos, temiam que Piper perdesse o controle que lhe restava. Uma batida na porta, Piper foi atender. Adam Welson, filho de íris estava na porta.

– Mandaram avisar, iremos queimar as fornalhas agora. – Ele disse com pesar

Todo resto de energia que ainda existia em Piper sumiu depois daquela frase. Ela achava que tinha problemas, não estava pior que as almas desses que estão caminhando ao seu julgamento em frente aqueles fantasmas, ou simplesmente optando por ir direto aos campos asfódelos, pois sabem que não terão escolha melhor.

Assenti para Adam, que saiu, provavelmente para avisar os outros chalés, olhei para o chalé de Zeus, bem no meio, o soberano, mas estava vazio. Seus dois campistas estavam na arena, seus campistas estavam praticamente mortos, ou pior desejando serem mortos. O pensamento lhe deu vontade de chorar, mas conseguiu se controlar o suficiente para ordenar que seus irmãos se preparassem, Mia chorou, ela era gêmea de Alexandro, é claro que ela chorava por seu irmão, ela apertava o medalhão em forma de coração em seu pescoço, foi o ultimo presente que seu irmão lhe deu.

Engoli em seco, me sentia mal por estar feliz que fosse Alexandro e não Jason estar sendo embrulhado a uma fornalha está noite, depois penso em Annabeth e Hazel que também estão na arena e tenho vontade de dar umas tapas nos deuses por fazer isso com eles e comigo. Observo os meus irmãos, todos estavam tristes, todos estava rancorosos, afinal por que não estariam? Nos salvamos os deuses da aniquilação, mais de uma vez, e eles nos mandam a arena para que matemos uns aos outros.

Somos ferramentas dos deuses, isso não quer dizer que eles podem nos obrigar a morrer de bom grado.

Vou para o meu beliche, e pego a roupa que vou usar, uma calça preta com uma blusa também preta, eu sei que não sou necessariamente obrigada a usar preto, mas eu prefiro, acho que seja mais respeitoso aos mortos.

Lembrei-me de quando meu pai me contou sobre o rito de passagem dos jovens dos cherokee, estávamos no terreno do meu avô, e olhávamos as estrelas , e então ele descreveu o rito, o jovem é vendado e não pode tirar a venda ate os primeiro raios de sol toquem sua pele, ele não pode gritar por socorro, se não, não será um homem.

Lembro que quando meu pai falou isso eu fiz uma careta e disse algo sobre como eles eram maus por fazerem isso com seus filhos, ele sorriu e me disse:

– Eles só estão deixando seus filhos crescerem sozinhos, o que há de mal nisso?

Respondi algo sobre eles serem maus e deixei isso para depois. Agora estou aqui, me preparando para o funeral penso nos pais que perderam seus filhos, e penso nos filhos que perderam suas vidas, não sei qual dos dois é pior. Será que esses pais deixaram seus filhos crescerem sozinhos? Eles tiveram opção? Me vesti rapidamente, e reuni os filhos de Afrodite, eles sempre foram de beleza impecável, mas hoje eu via cabelos bagunçados e roupas amassadas, um de meus irmãos ate mesmo colocara a camisa ao avesso.

Depois que já estávamos todos reunidos fora do chalé eu iniciei a procissão, chegamos a fogueira, as mortalhas já estavam prontas e tudo o que faltava era que os outros campistas chegassem, então iria começar.

O primeiro chalé a chegar foi o de Atena, o que me fez inconscientemente me lembrar de Annabeth, meus olhos lagrimaram, ela estava na arena, com a perna queimada e eu reclamando, me aproximei de Malcom ele era o mais próximo da Annabeth, e estava no funeral de seu irmão deve esta sendo bem difícil para ele, me aproximei, ele não percebeu estava distraído demais para isso, ficava olhando para os lados como se esperasse um ataque a qualquer momento.

–Sabe não tem monstros no acampamento. – Disse – Nada vai te atacar.

– Não são os monstros que me preocupam – ele disse receoso

O encarei esperando que ele explicasse, mas ele não o fez, e antes que eu percebesse todos os semideuses haviam chegado e os ritos fúnebres iriam começar. Eles queimaram todas as fornalhas uma a uma, e me rezei que para qual for o lugar que ela for que não seja em vão, que assim como na lenda cherokee, seja apenas seus pais os deixando crescer sozinhos, mas não necessariamente os deixado.

Espero que cada semideus mortos nos jogos sejam uma faísca e que essa faísca acenda o fogo de revolução.

Notas finais
Bem espero que tenham gostado, comentem e favoritem. Beijos e abraços, e que sorte esteja sempre com você.