Semideuses
5 Capítulo 5- Eu começo a entender o Ollie
Arrumei uma mochila com algumas poucas coisas como orientaram e guardei minha espada. Encontrei em sua lâmina uma escrita que dizia Poison e pensei em chama-la assim daqui em diante.
Eu subi a colina e dei de cara com os outros do grupo eles conversavam e por algum motivo eu sentia como se agora o Acampamento fosse minha casa, mas tinha a impressão que não o veria denovo. Arrumei amigos e isso havia me deixado feliz o bastante para ter um sentimento por aquele local de lar. Esperavámos Quíron enquanto eu olhava tudo lá embaixo. Guilherme veio ao meu lado e se sentou e eu o acompanhei. Ele sorriu para mim com carinho e eu retribui o sorriso. — O que foi ? Esta preucupada ? — Eu forcei um sorriso. — Para falar a verdade um pouco. — E você nem foi a que recebeu a profecia. — Eu o olhei confusa. — Afinal, o que é a profecia ? — É exatamente o que parece uma profecia, o líder da missão vai até o oráculo e então o oráculo lhe recita a profecia de sua missão. Mas ela sempre vem em código é como um poema sem rima totalmente cheio de mistérios e que nunca contém nomes. As profecias sempre se realizam... — De repente ele pareceu ficar sério. — E o que dizia ? — Ele negou com a cabeça. — Talvez numa outra hora, por enquanto ela ficará guardada comigo. — Eu sorri dando de ombros e percebi que Ollie olhava para mim e para Guilherme. — Qual é o problema entre você e Ollie ? — Ele respirou fundo. — È um grande problema. O cara se acha, ele irrita e provoca demais as pessoas parece que ele as testa para descobrir até onde vai seu controle. — Eu assenti. — Tudo começou em um jogo de captura de bandeira que estavámos no mesmo time fizemos um plano ele deveria defender a bandeira e eu capturar a do time adversário mas ele fez tudo errado e acabamos brigando, brigando feio. Nós dois saímos muito machucados e daquele momento em diante deixamos de ser melhores amigos para nos tornamos grandes inimigos. — Poxa... Ele realmente é irritante. — Guilherme riu. — Mas ele também é estranho além de ser galinha. — Eu dei risada. — Já desconfiava. — Assenti. — Ele tem alguns problemas pessoais, é enigmático demais não compartilha nada com ninguém. Ele namorou por um tempo com uma garota do chalé de Hefestos mas não durou nem um mês. — Eu assenti. — Ninguém o conhece de verdade, vive em volta desse personagem irritante que ele representa e ninguém tem o desejo de se aproximar porcausa disso. — Estranho... Sei que irá discordar mas para mim ele parece um garoto legal de baixo disso tudo. — Ele sorriu. — Você é muito boa, de verdade não sei como pode ser filha de Hades. — Eu dei risada e dei de ombros. Quíron estava chegando junto de um sujeito 100% estranho, tinha olhos pelo corpo todo e estava com terno e gravata o que só o tornava mais estranho ainda. — Este é Argos, ele será o motorista de vocês. E... Lhes desejo boa sorte, daqui para frente não devo interferir, o caminho deve ser feito e escolhido por vocês. — Todos se despediram de Quíron e então saímos dos limites mágicos do Acampamento, sabia disso porque as meninas trataram de me explicar durante o tempo livre na Casa Grande. O táxi nos deixou em uma estação de trem, o que me surpreendeu bastante. — Eu vou pegar as passagens para a gente, precisarei da ajuda de Andresa e de vocês meninas. — Ele apontou para as três mas não apontou para mim. — Você dois, preciso que comprem algumas coisas para comermos enquanto viajamos, mesmo que seja pouco tempo digamos que eu estou... Com fome. — Ollie o encarou como quem diz: " Você esta morto " e eu também lancei para ele esse olhar, ficar com Ollie era o que eu menos queria ainda mais agora. Eles partiram sem nos deixar protestar e eu e Ollie trocamos um olhar e fomos junto para a lanchonete. Tirei algumas notas do bolso e Ollie me olhou confuso, digamos que era bastante dinheiro. — Se você é sozinha aqui fora como tem tanto dinheiro ? — Eu forcei um sorriso. — Eu faço alguns bicos de trabalho. As vezes algumas entregas e tudo mais, tentei trabalhar mas como já deve desconfiar tudo sempre acaba com monstros no final. — Dei de ombros. — Engraçado você é exatamente o oposto de mim. — Ele deu o dinheiro para o balconista e pediu algumas coisas que não prestei nenhuma atenção. Ele estava se abrindo mesmo que fosse só uma frase, eu consegui notar isso. — Porque diz que sou o oposto de você ? — Ele negou com a cabeça. — Esquece... É realmente complicado. — Eu assenti, não queria forçar a barra. — Estava falando de mim com Guilherme não é ? — Eu sorri. — Não responde minhas perguntas então não devo responder as suas. — Ele me olhou e sorriu torto. — Você joga sujo. — Depende de meu adversário, quando ele também é sujo não tenho outra escolha. — Ele deu risada. — Se contar para alguém te mato, mas eu gosto de você. — Eu sorri. — Soube que não costuma gostar de ninguém... — De repente ele enrijeceu como se por telepatia tivesse recebido alguma mensagem oculta.
— Só sou reservado. — Ele pegou tudo que comprou e deu o dinheiro para o cara e juntos voltamos em silêncio para a estação de trem. O pessoal estava acenando lá na frente mas Ollie me surpreendeu me puxando pelo braço, o impulso acabou fazendo com que eu caísse com força em seu peito deixando nossos rostos perto demais para ficar confortável. — Desculpe... — A gente se afastou mas continuei a olha-lo. — Fui grosso com você lá dentro, desculpe... Só que há coisas que não posso revelar. Eu assenti. — Tudo bem, agora vamos, antes que percamos o trem. — Ele sorriu e assentiu. Juntos saímos correndo e chegamos até nossos amigos.
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